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terça-feira, novembro 26, 2013

Desacordos

Estamos a entrar naquela fase da educação do Rodrigo em que tudo o que fizermos terá implicações na formação do seu carácter, da sua personalidade. E por isso sinto cada vez mais que as reprimendas, os castigos e os elogios devem ser dados de forma muito pensada para não sair asneira. Mas cá em casa somos duas cabeças a pensar e a verdade é que nunca nos sentámos para definir exatamente como agir perante determinadas situações. Em relação a isso, concordámos apenas em nunca bater no Rodrigo. O resto é resolvido por nós um pouco por instinto e por impulso no exato momento em que as coisas acontecem. E nem sempre estamos de acordo. No calor de uma birra ou de algo inesperado que o Rodrigo faz e que requer a nossa atuação, é impossível pôr no pause e dizer "Rodrigo, pára lá com isso que eu e o pai vamos aqui conferenciar e ler uns livros sobre como será a melhor forma de te travar para nos respeitares e te tornares num melhor ser humano no futuro". Não dá. Então damos por nós a discordar ao vivo e em direto quanto ao modo como lhe falamos, o que dizemos, ou o castigo que aplicamos, bem como o tempo que este último dura, e a melhor forma do dito terminar... Educar não é fácil. Estar em sintonia também não.

segunda-feira, novembro 25, 2013

Giro!

Não vão faltar coisas boas para fazermos com os miúdos nesta época de Natal. Cá vai mais uma sugestão.

A Aldeia de Natal
Local: Parque Eduardo VII, Lisboa
Quando: 29 de Novembro a 6 de Janeiro
Preços: Há pacotes mais económicos, mas a vulso as crianças dos três aos 12 anos pagam 8€ e cada adulto 10 €.

O que é:

Não sei bem, porque é a primeira vez que se faz, mas o que promete é ser a recriação de uma autêntica aldeia do Pai Natal. Terá animações até cansar e mil e uma coisas verdadeiramente mágicas que vão deixar os pequenos de queixo caído. Cá por casa já estamos convencidos.

Ora espreitem, aqui.

domingo, novembro 24, 2013

Dia mundial da prematuridade

Comemorou-se a 17 de Novembro e não podia obviamente deixar passar em branco este dia neste blogue que, desde o nascimento do Rodrigo (27semanas), em 2009, tem abordado muitas vezes as questões da prematuridade. 

Deixo então algumas mensagens que gostaria de partilhar com todos os pais e familiares que lidam com a prematuridade: 

- não se sintam mal por não sentirem um apego imediato ao vosso bebé, acontece na grande maioria dos casos e os sentimentos vão mudar; 

- não receiem fazer o colo canguru. Tememos que aconteça alguma coisa ao bebé, mas as enfermeiras estão lá para vigiar tudo e tem efeitos muito benéficos para o vosso filho; 

- não desesperem nos dias em que o bebé parece não estar tão bem. Enquanto está na incubadora é normal que dê passos à frente, mas também para trás; 

- nos dias, às vezes meses (como foi o meu caso), em que o bebé ainda está internado, aproveitem para namorar, descansar e ultimar todos os pormenores para a chegada dele a casa; 

- e, por último, não esquecer que a prematuridade não é doença. Continuar a dizer ao médico "o meu filho é prematuro" na consulta dos 14 anos é ridículo. 

Um abraço de muita força aos pais que neste momento sofrem com o internamento dos seus filhos. Acreditarem que eles vão ser normais não é ter esperança, é antever uma realidade. 


Rodrigo, 2009



Rodrigo, 2013



sábado, novembro 23, 2013

E se isto não é discriminação...

Já não bastavam as roupas, agora os brinquedos. Os catálogos de Natal enchem-se de presentes para meninas, nas últimas três páginas lá se lembram de pôr algumas coisas para os rapazes; nos hiper, são três corredores de tralha gira cor-de-rosa contra um corredor mal amanhado com monstros cinzentos e azul petróleo, globos que dão luz e bolas de futebol. Uau!! 

sexta-feira, novembro 22, 2013

Ó tempo volta p'ra trás

Neste caso, é mesmo a única frase que me vem à cabeça. Ainda consigo recordar o entusiasmo que vivia quando sabia que ia à Feira Popular. Jesus, que excitação. E não era apenas pelos carrosséis. Eram as luzes, a ida a Lisboa (vivia nos subúrbios), o algodão doce, as pipocas, o jantar de frango no churrasco, as caracoladas... São recordações impagáveis e estou obviamente em pulgas para poder passar esta magia ao Rodrigo. Por isso, partilho também convosco esta sugestão. A partir de dia 26 encontramo-nos lá. 


sábado, novembro 09, 2013

O Natal

Estou muito entusiasmada com o Natal deste ano. Acho que agora o Rodrigo já vai perceber toda a magia da época. Por enquanto ainda não liga muito, mas depois de ver que o Pai Natal lhe deixou mesmo o presente que ele queria na chaminé, acho que não vai esquecer tão depressa. Com toda esta expectativa, já estou a vibrar com a época de forma redobrada (eu adoro o Natal) e hoje já comprei com ele uma mini árvore de Natal em madeira para ele montar. Divertiu-se imenso.

No início de Dezembro escreverei com ele a carta ao Pai Natal. Se depender de mim, aceditará nele para sempre. Dos quatro anos ao infinito...

sexta-feira, novembro 08, 2013

Vitóóóóória... mais uma!

O Rodrigo já não usa fralda. Iupiiii! Já não quero nada com aquele corredor do supermercado onde estão as fraldas, os toalhetes e os cremes para as mudas. Estou mesmo feliz e aqui está mais uma vez a prova de que este miúdo faz-se. Faz tudo um pouco mais tarde, é certo, mas faz! Ainda usa durante a noite, mas mais uns dias e acredito que também aí conseguirá superar-se. Podia insistir mais, mas vou confessar-vos: só tenho três jogos de roupa de cama para ele e, se houver acidente todas as noites, no quarto dia já tenho de pô-lo a dormir no chão num saco cama. E é chato! Tenho ideia de que há uns resguardos para evitar isto, mas tenho tido tanto orgulho em não andar nesse corredor que ainda não ganhei coragem de lá voltar. 


domingo, agosto 11, 2013

Vergoooooonha

Tanto tempo desaparecida. Está tudo óptimo antes de mais, tirando não ter tempo para me coçar, mas que fazer quando queremos estar em todo o lado a todas as horas e fazer tudo e mais alguma coisa?
Bom, começando por aquilo que devem estar desejosos de saber, o Rodrigo está bem e recomenda-se. Fala pelos cotovelos e é um rapaz com muita graça naquilo que diz. Ok, todas as mães acham isso dos filhos, certo? Pois eu não sou excepção.
Fala, fala, fala, está agora na fase dos porquês (já teve alta da terapia da fala, embora vá continuar com algum apoio)... e também na fase do "quero, posso e mando". No início desta soltura toda foi muito complicado gerir as birras, mas há coisa de duas semanas a situação melhorou. Já não se atira para o chão a berrar nem se agride a ele mesmo quando não o deixamos mexer no bico do fogão ligado, brincar com pedrinhas no meio da estrada, ver as matrículas dos carros uma a uma do percurso da escola até ao nosso carro... enfim, só coisas que não pode mesmo fazer e que não percebia porquê.
Agora só falta mesmo ter alta da perturbação do espectro do autismo (pela minha saúde que já não vejo nele nenhum dos antigos sintomas). Vá, mantém um fascínio por números e letras mas brinca com muitas outras coisas.
Continua atrasado em relação aos meninos da sua idade, mas não podemos esquecer-nos que só começou mesmo a falar quase aos quatro anos (já os completou o mês passado). Na escola apresenta problemas na relação com os outros miúdos, embore já brinque com eles, e nas questões da disciplina e das regras, parece que não colabora muito e por isso para o próximo ano lectivo terá o acompanhamento de uma psicóloga, para trabalhar com ele essas áreas.
Entretspanto, em casa, nestas férias, duas importantes missões a cumprir: 1. Que coma fruta sem ser daquela de frasco passada. Tem sido uma luta. O sacana do miúdo trinca quase tudo menos fruta. Já tentei enfiar-lhe mesmo pela boca dentro, mas dá-lhe vómitos; 2. Que largue as fraldas. Ó Jesus que já está um matulão, qualquer dia em vez de trazer do supermercado as dodot, trago as lindor para incontinentes! Eu bem o ponho de cuecas, mas não está fácil de ele controlar os esfíncteres. Mija-me a casa toda e depois, aflito por saber que não era bem ali que devia ter feito, fica ansioso e começa a urinar de dez em dez minutos. De maneira que essa parte tem ido com mais calma. De qualquer modo a médica diz que aos quatro anos ainda está dentro da idade com permissão para usar fralda.

Como devem calcular, e dada a longa ausência, tenho imensas coisas para partilhar convosco, mas vou fazendo-o devagarinho, para não aborrecer. Beijinhos grandes aos pais que diariamente travam uma luta semelhante à minha. Nunca se esqueçam que, apesar de todos os problemas, estas crianças são mesmo especiais. Continuem a trabalhar por elas.

sábado, maio 18, 2013

Voltei de longe

Cá estou eu após uma longa ausência. Andei a fazer coisas por esse Portugal e ilhas e já regressei ao meu cantinho.

Para início de conversa deixem-me contar que engordei mais de dez quilos e que já não sabia mais o que fazer à minha vida, pois não conseguia parar de comer. Mas nunca perdi de vista a minha vontade em recuperar o meu corpo de outrora e marquei uma data para o grande arranque: dia 13 de Maio. E não é que comecei mesmo? E não é que passaram cinco dias e três quilos já lá vão? Agora tem sido mais fácil, mas aqueles dois primeiros dias foram terríveis. Tive imensa fome, dores no estômago e muitos apetites. Vou continuar em força e no fim de Junho, se correr como o previsto, terei menos dez quilos. O que quer dizer que a partir de Julho poderei regressar em força aos meus adorados biquínis.

O meu filho Rodrigo, de três anos, tem evoluído de forma espantosa. No meu íntimo sinto que já não tem sinais de Perturbação no Espectro do Autismo, mas apenas um atraso no desenvolvimento. As médicas ainda não lhe deram alta, mas estão confiantes de que tudo estará a ir embora.

Esta semana começámos a tirar-lhe a fralda e não tem corrido muito bem, pois ainda não controlou os esfíncteres uma única vez. Mas isto há de ir lá, devagarinho, como tudo o resto tem ido.

Beijinhos a todos meus queridos lindos do coração.

sexta-feira, abril 12, 2013

Recomendo baby-sitter cinco estrelas

Mãe, avó e educadora de infância no activo.
Tenho 55 anos, gosto e experiência em cuidar de crianças, incluindo crianças com necessidades educativas especiais. Tenho disponibilidade para a zona de Lisboa para brincar e cuidar das suas crianças como baby-sitter aos fins-de-semana ou em períodos de férias, para que possa aproveitar e descansar verdadeiramente.
Pelo melhor para os seus filhos, contacte terezaadams@gmail.com

E agora vá, confiem na Teresa, um amor de pessoa vos garanto e muito experiente, e vão desbundar, sair com amigos, ao cinema, arranjar o cabelo... E por aí fora.

quinta-feira, abril 11, 2013

Mudanças

Deitei-o à hora do costume, com a rotina habitual, que começa com ele deitado na cama enquanto lhe conto uma história inventada à pressão e com ele depois a pedir-me colo para a grande recta final, até adormecer, para o devolver finalmente à cama.
Naquele dia o Rodrigo não me pediu colo, deixou-se ficar na cama, foi fechando os olhos e adormeceu assim. Mas não fiquei feliz com a súbita realização daquilo que eu há tanto pedia. Notei-o prostrado e quente. Passadas duas horas acordou em choro e quando cheguei junto a ele estava completamente encharcado em suor. Mal lhe peguei, vomitou o jantar. Teve, penso eu, uma paragem de digestão.
E agora a parte boa: passou o resto da noite bem e desde aquele dia tem adormecido deitado na cama dele. Não há cá colo para ninguém, não há cá contar até cem pelo quarto fora. Agora, dez minutos bastam para mergulhar nos sonhos. Epá, estou mesmo contente com isso. As minhas costas também. Ah, e os meus serões também agradecem.

Próximas missões:

- que coma fruta sem ser aquela passada de frasco (que é a única que come);

-que largue as fraldas bem depressa. Arghhh, que eu já não suporto fraldas. Este verão já vai fazer quatro anos e não há maneira de pedir para ir à sanita.

quarta-feira, abril 03, 2013

O regresso à escola

Pois que correu tudo muito bem neste primeiro dia de escola após as férias da Páscoa (sou só eu que acho que quinze dias de pausa são um disparate, um exagero?). O Rodrigo não bateu muito nos colegas e esteve minimamente disciplinado. Está com um feitio daqueles!! Ontem, porque não queria mudar a fralda, fez uma birra tal que pela primeira vez deu-me uma dentada. Ele bem vai ficando de castigo e repetindo que não se bate, mas a verdade é que se esquece facilmente nas situações em que é contrariado. De qualquer modo, penso que as coisas estão controladas e não me arrependo de não ter recomeçado com a risperidona.

segunda-feira, abril 01, 2013

Escusado será dizer...

...que ainda não comecei porra de dieta alguma. Mas há boas notícias: ideias de como fazê-lo não me faltam.

domingo, março 24, 2013

Hoje fico-me por esta

Seis quilos! Seis quilos a mais. Eu estou mais gorda seis quilos. Meia dúzia de balofice, assim, vinda não se sabe de onde. A três meses do verão. Está-me cá a parecer que este ano vou dar muito uso aos fatos de banho. Ai vou, vou.

(Escrevo isto depois de ter enfiado pró bucho uma tabelete de chocolate. Ou seja, para além de gorda, estou parva)

quinta-feira, março 21, 2013

O diagnóstico do otorrino

A boa notícia: o Rodrigo não tem adenóides grandes.

A má notícia: tem líquido no ouvido. Com tantas constipações, aquilo não está a drenar como devia e tem otite serosa. Ele ouve bem, mas esta situação pode levá-lo a confundir o som de determinadas consoantes, acabando por dizer o "v" no lugar do "f" e por aí fora.

E agora? Bom, para já está a fazer um tratamento com a duração de três meses, findos os quais se avaliará a quantidade de líquido no ouvido.

O melhor cenário: ter diminuído após o tratamento. Adeusinho sô tora e vamos para casa brincar.

O pior cenário: o quadro permanecer inalterado. Aí, terá mesmo de ser operado aos ouvidos para lhe colocarem um dreno, aproveitando também para tirar os adenóides. Esta parte é que estranhei, se não são grandes, por que lhos tiram? Enfim, serão questões para ver mais à frente.

Saí do consultório a chorar, não tanto por achar que é uma coisa grave (há montes de miúdos com o mesmo problema) mas mais por pensar no pós-operatório, nas dores e na rabugice dele... É natural que fique angustiada com isso, afinal, é uma cirurgia e ele é tão pequenino. Mas bola para a frente, que eu não quero ter um puto charila à frente a dizer-me "fou ali puscar uma vaca para cortar o fife". Isso é que não!

(Ai gente, o Rodrigo está um tagarela de primeira e eu estou tão feliz com isso que até o tenho deitado mais tarde do que é habitual. Sabem? Ando a pôr a conversa em dia com ele. Foram três anos e meio de silêncio e agora esta casa enche-se de um barulhinho bom que custa desligar)

terça-feira, março 12, 2013

Como-eu-consigo-sair-à-noite-deixando-o-meu-filho-de-três-anos-em-casa

Em primeiro lugar porque tenho um marido espetacular que, regra geral, não é muito dado a noitadas. Prefere estar em casa e, por isso, fica sempre de guarda enquanto eu ando na ramboia. Evita aquela coisa de estarmos sempre a reivindicar de quem é a vez de sair. De qualquer modo, como durante pelo menos dois dias por semana trabalho até tarde e é o Zé quem sozinho trata do Rodrigo (dá banho, jantar e deita-o), opto por nos restantes dias não o deixar novamente como “mãe e fada do lar”, até porque quero estar com o meu filho. Ou seja, nesses dias, saio do trabalho, vou a casa, trato do Rodrigo e deito-o. Com ele já a dormir, toca de me arranjar para sair. O pior que pode acontecer é ele estar naqueles dias de insónia, em que demora imenso tempo a adormecer. Já aconteceu isso dar-se tão tarde que acabo por perder a vontade de sair. E já aconteceu também ser forte e seguir com o que estava definido, mas chegar ao local e já não haver festa. Por estas razões, nunca combino jantares, acabo por aparecer, habitualmente, já na parte dos copos, que é quando me consigo despachar. Antes de deitar o Rodrigo, certifico-me de que tenho tudo a jeito (sapatos, maquilhagem, roupa, casaco, chave do carro, cigarros) para não andar pela casa a fazer barulho. Pois ele acordando, esqueçam lá a saída (eu sei, o Zé podia voltar a adormecê-lo, mas eu é que já não me divertia tanto). Na hora da chegada, sejam três, quatro ou cinco da manhã, a regra do silêncio prossegue e a entrada no lar faz-se com os sapatos de salto na mão, directa ao quarto, onde me aguarda uma cama aquecida mas muito breve. Que isto de fazer noitadas sendo mãe também já não é a mesma coisa. É que tirando o facto de por volta das três da manhã (e por muito boa que a música seja) já estar de rastos, há sempre um piolho a saltar-nos para a cama bem cedinho, a querer brincar, bem cedinho, a querer muita atenção, muita conversa, bem cedinho. Oh meu Deus, tão cedinho.

domingo, março 10, 2013

Como correu a noite

Pois que correu muito bem! A dormir pela primeira vez na sua cama nova, o Rodrigo acordou apenas uma vez, mas nem se levantou. Chamou-me, dei-lhe colo e lá ficou outra vez. Até que horas? Até às vinte para as onze!!!! Epá, já nem me lembro do que é dormir quase até à hora de almoço com ele em casa. Ele sabe que consegue sair sozinho da cama, mas pelos vistos vai continuar a fazer tudo como se estivesse na cama de grades. Fica lá deitado a chamar-me. Mas é normal, está ainda a habituar-se.

sábado, março 09, 2013

Cama nova

Estive o dia todo de volta do quarto do meu filho, mas valeu a pena. Ele ficou super feliz com a "cama nova, à homem grande", vamos lá ver se eu e o Zé também vamos ficar ou se vamos passar a noite com ele a aparecer-nos no quarto por já conseguir sair sozinho.

terça-feira, março 05, 2013

Dia Europeu da Terapia da Fala, 6 de março

"A ansiedade dos pais para que os filhos falem corretamente pode atrasar o desenvolvimento da linguagem, levando a uma inibição da criança. Pais e educadores devem estar atentos, mas importa igualmente que seja dado tempo, espaço e que sejam desenvolvidas estratégias adequadas para estimular a aprendizagem." A recomendação é dos especialistas do Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão, da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, no âmbito do Dia Europeu da Terapia da Fala, que se assinala a 6 de março. Dicas importantes (Gracinda Valido, terapeuta da fala de Alcoitão) A criança é permeável à ansiedade dos pais, dos adultos; Deve falar-se com os filhos sempre com calma, não querer antecipar as respostas, dar-lhes tempo para responder, para aprender; Se há um erro, não se deve repreender, mas repetir de forma correta; Os pais devem participar ativamente, brincar, contar histórias, com um discurso e léxico adaptado à idade das crianças; Devem ainda escutá-las e incentivá-las a exprimir o seu pensamento. “Existem padrões comuns, mas nem todos os bebés falam entre os 9 e os 12 meses, o que não significa que tenham uma patologia. As crianças do sexo masculino, por exemplo, geralmente começam a falar mais tarde”, comenta Gracinda Valido. Principais sinais de alerta: Dizer as primeiras palavras mais tarde do que outras crianças da mesma idade; trocar sons nas palavras (ex: bota/mota); fazer reformulações constantes do que quer dizer (ex: hoje cinema vamos…Vamos hoje ao cinema?). Ou ter dificuldades em lembrar-se dos nomes das coisas, em perceber piadas, interpretando-as à letra, em responder adequadamente a perguntas começadas por “Quem, Como, Quando, Onde, Qual…”, entre outros indícios. A importância da intervenção precoce: Em Portugal, cerca de 5,4% das crianças apresentam dificuldades em ler e, sobretudo, em escrever. Por isso, “sempre que os pais, educadores e pediatras identifiquem, no desenvolvimento da linguagem de uma criança, um atraso ou desvio em relação à norma, devem procurar o acompanhamento junto de terapeutas da fala para uma avaliação diagnóstica a fim de detetar qualquer problema”, recomenda a terapeuta. São várias as causas que podem levar uma criança a apresentar um atraso no desenvolvimento da linguagem: seja deficiência auditiva, um atraso cognitivo, um défice de atenção grave, problemas emocionais ou a privação do meio linguístico estruturante. Independentemente da causa, o fundamental é atuar a tempo.

segunda-feira, março 04, 2013


Respondendo ao desafio lançado pelo blogue Vidas da Nossa Vida (desculpem não linkar mas não o sei fazer aqui no i phone) cá vai...

EU
Prato favorito: Dêem-me pratos sem cebola e leguminosas e sou uma mulher feliz.
Peça de roupa e acessório: Um bom soutien que me ponha as mamocas a olhar para o céu e sapatos.
Música favorita: Vou mudando muito consoante o que se ouve, mas ponham-me um bonito fado ou uma doce morna e fico muito feliz.
Flor: Pompons verdes (os do meu casamento)
Cor: de burro quando foge. Adoro!
Cheiro favorito: O do meu filho.
Livro favorito: As receitas da Bimby
Local: O colo da minha mãe. Aos 35 ainda sabe melhor.
Brincadeira favorita: aos médicos... Com o meu marido.
Quotes mais importantes para a vida: Entregarmos-nos a ela.
Bolo favorito: O rim!
Maior mentira: Dizer que o rim é o meu bolo preferido.
Maior traquinice: Ouvir as conversas das vizinhas.
Gelado favorito: Doce de leite
Profissão que queríamos ser: Nadadora-salvadora, muita alta e boazona. À noite cantava no bar da praia.
Defeito da Mãe: Amar em demasia.
Qualidade da Mãe: Amar em demasia.

Eu e os meus filhos
Fecho os olhos e a primeira imagem que tenho de ti é...
Os caracóis.
Coisas que queres ensinar-lhes: que, quando aos 15 anos me pedirem para ir para Santos ou para o Bairro Alto e eu disser que não, não me desatem ao estalo para saírem porta fora.
O que guardarias na caixa de recordações dos teus filhos: fotografias minhas... muitas.
Locais onde querias levar os teus filhos: Lanchar a casa dos bisavós que nunca conheceram, com eles lá.
Coisas que gostas que eles te digam: "Bom dia".
Coisas que não ias gostar que eles fizessem: que não me avisassem quando eu começasse a usar o batom por fora dos lábios para parecerem mais grossos, como a sô dona Amália fazia.
O que não gostas de fazer aos teus filhos: Obrigá-los a fazerem o que não querem. Acho horrendo.
Queres muito que os teus filhos: Tenham filhos, para não perder nunca esta coisa maravilhosa que é a de nos vermos a crescer.


quinta-feira, fevereiro 28, 2013

quarta-feira, fevereiro 27, 2013

Novo método. Será que resulta?

O meu exterminador implacável versão mini continua a bater nos meninos da sala. E para tentar que o Rodrigo não o faça, a educadora criou uns autocolantes de bom ou mau comportamento para ele colar na bata ao fim de cada dia de escola, consoante se tenha portado.
Hoje foi o primeiro dia... e levou logo com uma cara triste, pois bateu em duas meninas. Quando cheguei junto a ele mostrou-me logo, contando-me que se tinha portado mal. A educadora e eu já combinámos com ele que amanhã, para trazer o autocolante da cara a sorrir, não poderá agredir ninguém. Ele não diz que sim nem que não, apenas vai repetindo o que lhe dizemos e manifestando a vontade de ficar com um autocolante com a cara contente. Estou desejosa de saber se resulta. É que se sim, faço já um lote deles cá para casa. O castigo (ficar sentado no sofá do seu quarto um pouco de tempo sozinho e sair só sob as nossas ordens e depois de pedir desculpa) não tem resultado muito bem. Ele colabora tão eficazmente na reprimenda (fica sossegado, sem chorar) que às vezes quando lhe dizemos "pára já com isso, ou queres ir para o castigo?" ele diz que sim, que quer. Eh eh. Bem, agora é fazer figas e aproveitar para pedir desculpa aos pais da Matilde e da Leonor, as duas crianças hoje "abençoadas" pela mão pequena mas pesada do Rodrigo.

terça-feira, fevereiro 26, 2013

Coisas difíceis de ouvir

Já antes havia sido dito aos meus pais. Hoje fui eu que ouvi. Quando cheguei à escola para buscar o meu filho, a educadora e a terapeuta da fala conversaram comigo por causa do congestionamento nasal do Rodrigo, que é muito constante. Nesse contexto, alertaram: "Ele cheira muito mal mãe", disseram. Fogo, que cena. Eu sei. Quando está mais constipado o Rodrigo fica mesmo com mau hálito, mas eu já questionei a otorrino dele por causa disso e ela disse-me que isso era normal nos miúdos que andam sempre com muitas ranhocas e inflamações no nariz. Que é o caso. Mas hoje, perante aquela chamada de atenção, começo a ver que, afinal, não será assim tão normal. A educadora, por exemplo, trabalha há anos com miúdos. Será que apenas o meu fica com aquele cheiro? Estão a ver aquele odor a febre nos miúdos? Pois o meu tem muitas vezes. Que aborrecido para ele, não? Quero que ele seja cheiroso, tadinho. É que mais um ano e os putos começam na onda das alcunhas e lá fico com o "doninha" a entrar triste em casa. Eu farto-me de pôr soro no nariz, todas as noites toma uma colher de sopa de Zyertc por indicação médica e muitas vezes leva ainda com as gotas de neo-sineferina. Caramba! Mais não posso fazer. De qualquer forma vou aguardar os exames que ele fez agora no otorrino e marcar uma consulta com a pediatra, para ver o que ela aconselha. Já agora, halls ou smints para crianças de três anos, há?

segunda-feira, fevereiro 25, 2013

Estou de férias...

... e por isso, depois da escola, levei o Rodrigo ao Oceanário. Até aos três anos eles não pagam. Adorou.








domingo, fevereiro 24, 2013

Diversão na cozinha

Segui o conselho de uma das leitoras e há dias fiz com o Rodrigo as bolachas de chocolate da bimby. São boas, boas e ele divertiu-se à grande com o rolo da massa e a cortá-las em bolas.

sábado, fevereiro 23, 2013

Assim sim

Agora que o meu filho se tornou num ser social (basicamente está uma Maria vai com as outras), posso finalmente descansar quando venho aos meus sogros. Ele agarra-lhes na mão e desbrava a casa toda. E eu tipo rainha, como já não o era há dois anos, no sofá, a ver televisão sem ser às três da manhã.

Agora a sério

Regresso a este meu espaço em força após um período da minha vida um pouco mais atribulado... mas está tudo bem.

Ora então, vamos lá ao meu tema preferido: o meu filho Rodrigo, três anos e meio.

O puto já está mesmo a falar! Pais de toda a parte e mais alguma que têm pequenos que estão atrasados na fala: calma e persistência. Com a terapia adequada e muita estimulação a coisa dá-se. Mantenham a esperança em alta e inspirem-se no caso do Rodrigo para que não deixem de acreditar que mais tarde ou mais cedo eles começam a falar.

Mas agora que fala, já não precisa de mim nem do Zé para lhe enumerarmos coisas, como letras e números, as suas grandes obsessões desde bebé. Fá-lo sozinho e nessa área acabamos por perder um pouco o controlo.

Tanto que vamos voltar a dar-lhe a risperidona que deixou de tomar em Dezembro. É que gradualmente tem regressado às estereotipias, bem como ao comportamento muito agressivo.

Conta em voz alta até cem, vezes sem conta, e adormece sempre comigo a contar. Normalmente adormece no tempo de eu contar até ao cem duas vezes, com uma melodia que inventei. Durante o dia só quer saber de algarismos e mesmo quando lhe leio histórias já nem liga muito ao enredo, mas antes aos números das páginas. Sabe o dia em que nasceu, bem como os aniversários de todos os familiares mais chegados; sabe a idade de cada um de nós; desenha até ao três; faz birra para ser ele a programar os minutos da bimby ou do microondas; mexe no volume da tv para ver os números baixar e subir; sabe quanto calça... tem três anos e meio. Com as letras é mais calmo, mas durante o dia também diz o abecedário muitas vezes, não conseguindo apenas dizer o J.

Já para não falar que está muito mais impulsivo. Voltou a bater-nos e recentemente os ataques de fúria têm sido muito agressivos. É muito mimoso, mas quando é contrariado vira um bicho e damos por nós a prender-lhe os braços e as pernas para não nos magoar nem se magoar a ele. Acaba por ficar sozinho numa divisão para acalmar, o que acaba por acontecer.

Ou seja, por muita vontade que eu e o Zé tenhamos em que ele se veja livre de remédios (por conselho médico, obviamente) é incontornável que neste momento precisa deles.

De um modo geral, é um puto muito esperto, socialmente está impecável, é afectuoso e, como já fala, está naquela fase de ter saídas que nos deixam a rir. Mas pronto, venha de lá a risperidona, que para já ainda precisa.

sexta-feira, fevereiro 08, 2013

O carnaval

O Rodrigo foi de Mickey. É uma das coisas que sabe dizer, o fato é confortável, quente e ele divertiu-se imenso. Vinte e cinco euros e fez-se a festa. Ainda bem que a escola não se pôs com exigências em termos de máscara, que eu esta semana bem vi as minhas colegas aflitas com os cortes e costuras a que se viram obrigadas por causa dos carnavais temáticos.

Espero que os vossos também se tenham divertido. E vamos continuar com a festa que ainda há muitos desfiles para fazer no fim de semana.

segunda-feira, fevereiro 04, 2013

Feliz

Há muito que a queria e foi desta. A bimby é o novo bebé cá de casa e em apenas dois dias tem feito as delícias de todos. Principalmente as minhas, que faço um brilharete às refeições com muito menos trabalho e mais diversão.

Aproveitei uma campanha espectacular que decorre até dia 14 e cá está ela, pronta a bimbar.



sábado, fevereiro 02, 2013

Truz truz

E quem vem a minha casa amanhã, quem é? Essa grande querida que dá pelo nome de senhora dona Bimby. Eu, mesmo sem demonstração, já estou convencida (há anos, diga-se) agora só espero que entre ela e o Zé se dê início a uma bela amizade. Até dia 14 de Fevereiro há uma campanha especial e penso que é desta que vamos passar a ter cozinheira cá em casa.

quinta-feira, janeiro 31, 2013

Carnaval

Amanhã a missão é: comprar um fato de carnaval para o Rodrigo.

Directrizes:
Não gastar mais de vinte euros;
Encontrar algo confortável;
Escolher uma máscara que ele já saiba dizer;
Optar por um disfarce simples para que aceite vesti-lo;
E, finalmente, esforçar-me por acertar no tamanho.
Onde? Vou espreitar um armazém na Abóboda e outro em São João da Talha.

sexta-feira, janeiro 25, 2013

Devagar, devagarinho

E pronto. Depois de dois grandes saltos no desenvolvimento, o Rodrigo está agora a ir mais devagarinho. Não importa. Se aprender pelo menos uma palavra nova todos os dias, e tem acontecido, já é muito bom.

Mas há um padrão que lhe reconheço. Não sei se acontece com os vossos meninos. De cada vez que está para chegar um desses saltos no desenvolvimento, o Rodrigo passa por uma fase de grande irritação, maior agressividade, que regra geral coincide com umas febres ou constipações. Dura normalmente uma semana e quando ele estabiliza... está diferente, com um rol de novas coisas aprendidas. Não é impressão minha, acontece seeeeempre, e seria impossível haver tantas coincidências.

Entretanto, mantém-se sem a risperidona e não temos notado grandes alterações no seu comportamento. Óptimas notícias.

Na escola também tem corrido tudo bem e, imagine-se, sem pedirmos, o meu filho ganhou do Estado (esse grande querido) uma auxiliar particular. Ou seja, aos três anos e meio, o Rodrigo já tem uma aia, uma rapariga amorosa que está na sala unicamente para lhe dar apoio nas fraldas, na comida... e nessas tarefas que estão fora da alçada da educadora. Não é maravilhoso? De hora a hora põe-no na sanita e desta forma penso que será bem mais fácil fazer com que largue as fraldas.

Já vai percebendo cada vez mais coisas e antes de adormecer já pede para que lhe conte histórias. Invento enredos muito básicos, com situações que ele conhece bem. Adora.

Agora estou à espera que ele entenda ainda mais coisas para poder dizer-lhe: "filho, estás quase com 15 quilos e a quatro centímetros de um metro de altura, a mamã está com 35 anos e cansada, adormece por favor sem ser ao meu colo e eu fico-te eternamente grata, mais do que aquilo que obviamente já sou, coisa boa da sua mummy." E era muito espectacular.

segunda-feira, janeiro 07, 2013

Próximo passo

Agora que o Rodrigo vai dando sinais de que percebe cada vez mais coisas à sua volta, está a chegar o momento de libertá-lo das fraldas. Eu vou pondo-o na sanita, mas não está a correr bem. Fica segundos sentado e começa logo a querer sair. Se insisto, começa a fazer birra. A verdade é que já ando mesmo farta de fraldas. Já é muito grande, is cocós já são de gente grande e mesmo os cortes das calças para o tamanho dele parecem já não ficar bem com fraldas. A minha vontade era deixá-lo andar todo nu, a mijar-se pelas pernas abaixo até perceber que o podia fazer na sanita, mas estas temperaturas não convidam a sessões de nudismo, por isso, para já, nada a fazer. E ideias não são muitas.

Sou uma desnaturada

Não tenho tido tempo para passar por este meu espaço tão especial, mas tive aí uns dias bem complicados. Agora está tudo mais calmo e controlado.

O Rodrigo lá melhorou da sua forte bronquite e, coincidência ou não, quando lhe passou a doença estava um rapaz novo. Lembram-se de vos contar que já começava a dizer muitas palavras, sim? E se vos disser que de um dia para o outro começou a dizer mais e mais com frases de quatro palavras e tudo? Espectacular! Só os mais próximos é que entendem o que fala, mas xiça, o meu filho já me pede coisas e conta coisas e relata e tudo e tudo. Recorre ainda muito aos gestos mas está a livrar-se deles cada vez mais.

Aproveitando este salto de gigante, seguimos uma dica da médica e deixámos de lhe dar risperidona. Já lá vai uma semana e não tem havido alterações de maior. Mas estaremos atentos.

Esta é sem dúvida uma das melhores fases que estou a viver com ele. Eu e o Zé fartamo-nos de rir com ele e sentimos o Rodrigo muito feliz.

Continua com algumas estereotipias, mas nada desesperante, alguma falta de autonomia, alguma agressividade, mas controlada... e uma gargalhada espectacular.

Bom ano meus grandes queridos, voltei ao activo, manter-vos-ei em linha.

sábado, dezembro 22, 2012

terça-feira, dezembro 18, 2012

Tudo bem

O puto charila já está a melhorar. Eu ando KO, mas também hei de ir ao lugar. Bjs a todos.

domingo, dezembro 16, 2012

E vamos para o último dia de tratamento

O Rodrigo está melhor, mas pouco. A única coisa que mesmo assim acalmou foi a tosse, ok, também não tem febre. Mas continua tão congestionado Jesus. Amanha já é o quinto dia de tratamento, o último, e se não melhorar terei de regressar ao médico. Ó sina minha.

quinta-feira, dezembro 13, 2012

Ó tempo passa depressa

Tenho o Rodrigo muito doente. Tosse e ranho, como nunca esteve. Ontem, estava a ter um dia cão quando me ligaram da escola a dizerem que ele não estava bem. Eu estava de mãos e pés atados no trabalho e lá me safaram mais uma vez os meus pais. A meio da tarde tiveram de levá-lo às urgências porque já estava com dificuldades em respirar. A noite foi de santo António, hoje não fui trabalhar e a ver vamos o que me reserva esta noite. Já está medicado, mas respirar não tem sido tarefa fácil para ele. Depois tem febre, depois vomita, não tem fome, não gosta dos remédios, o ranho cai-lhe em pinga... tadinho, está a passar mesmo um mau bocado. Neste momento só consegui mesmo que ficasse a dormir no sofá, mas tenho tanto medo que ele caia para o chão... Ó baby, tu melhora, para voltares aos teus dias de glória.

terça-feira, dezembro 11, 2012

No circo

Já levámos o Rodrigo ao circo. Aguentou-se até ao início da segunda parte. Nada mau, hein? O que lhe ficou má memória: os leões, as luzes, o carrossel. Dia 20 segue-se outra sessão, mas visto que já não existirá o factor novidade, aponto para que se aguente até ao meio da primeira parte. Ah, esqueci-me de contar que o motivo da saída foi ele querer, porque queria, brincar junto ao fosso que há por baixo das bancadas do circo e insistir para que não o agarrássemos.

segunda-feira, dezembro 10, 2012

Desafios

Ainda estou a adaptar-me ao novo trabalho e não tem sido fácil passar aqui no burgo.
Ora pois então vamos cá ver. Para além de eu ter uma conjuntivite em cada uma das vistas (tão bom, não é?), tudo está bem. O Rodrigo diz cada vez mais palavras e já percebeu que pode usá-las para passar informação. Mas a gritaria continua, em especial com os meus pais, tadinhos, que chegam ao fim do dia com a cabeça em água. Os miúdos são mesmo do caraças. O Rodrigo leva a tarde a moer-lhes a cabeça para andar a mexer nos estores. Comigo, nem se chega aos ditos. Às vezes lá se lembra que eles existem e olha para mim como que a perguntar se pode mexer. Eu digo-lhe que não e ele acata. Com os avós é berreiro de meia noite, atira-se para o chão, esperneia, bate... E leva a dele avante. Mas sempre aos gritos. Tenho de pensar em qualquer coisa para colocar nos estores de forma a que ele não possa fazê-los correr. Mas não me ocorre nada que não seja muito parvo e que não impeça que mexamos neles quando for preciso.
Entretanto, haverá festa de Natal na escola e lá veio o pedido da ordem. Desta vez é preciso que o Rodrigo leve uma camisola azul marinho. Que raio. Azul marinho! Nem sei o que é azul marinho. Depois do dinheiro para as fotografias, da venda das rifas e dos bens de primeira necessidade para os pobrezinhos, lá chega um pedido da escola que vai arrumar comigo. Como é que vou ter tempo para até amanhã à noite andar a palmilhar lojas em busca da camisola perdida? Como? Olhem, não sei o que se vai passar, mas não me chame eu Anette se p miúdo não vai para a escola quarta-feira com uma camisola azul marinho. Não será turquesa, nem azul céu, nem azul petróleo, será... azul marinho, seja lá o que isso for.

segunda-feira, dezembro 03, 2012

Fase má

O Rodrigo anda aos berros e bate. Anda nisto há quatro dias e fá-lo sem razão aparente, o que nos deixa preocupados. Já experimentámos falar com ele calmamente, ignorar, tentar distraí-lo, pô-lo de castigo... e nada. Os episódios são desesperantes. Faz isto com familiares muito próximos, com quem tem muita confiança, e com crianças. Grita sem ser contrariado e a médica, um dia antes disto começar, tinha precisamente perguntado se ele gritava sem razão aparente. Ao que dissemos que não na altura. Xiça, vínhamos todos contentinhos com o resultado da última avaliação, ora tomem lá que é para não andarem com esse sorrisinho parvo.
Enfim, agora é esperar mais uns dias para ver se a coisa acalma, não vá ser apenas uma irritação grandinha por andar constipado e a Actifed.
De qualquer modo quero deixar bem claro a todos os vizinhos do prédio: não, não queimamos o nosso filho com ferros em brasa; não, não criámos um monstro que faz tudo o que lhe apetece.

quinta-feira, novembro 29, 2012

Tinha de ser

Ranho, tosse, espirros. O meu filho vai bem jeitoso para a consulta de otorrino. Ora bolas!

segunda-feira, novembro 26, 2012

Contra factos

Já aqui vos tinha falado das queixas da educadora por o Rodrigo "andar a bater nos meninos". Ela tem-me dito para não me preocupar, que é típico da idade, que é ele a crescer e por aí fora. Mas não tenho andado descansada.
Também reconheço que o meu filho tem um temperamento complicado, em particular com algumas crianças que querem brincar com alguma coisa que ele está a manusear. (Recorde-se que ele toma risperidona para controlar a sua agressividade). Mas ando preocupada. No fundo, não quero que ele seja uma bestinha que corra tudo ao estalo e ao murro para conseguir o que quer.
Mas hoje, ai hoje, fez-se alguma luz na minha cabecita. Esta manhã levei o Rodrigo à sala como faço todos os dias. Normalmente, deixo-o com a educadora, que está sempre à porta para lhe dar a mão e cada um segue a sua vida. Hoje a educadora não estava lá, faltou. Então fui recebida ainda no corredor pelos amiguinhos da sala do meu filho. E querem que vos diga? Não sei como sobrevivi para vos contar esta história. Em segundos investiram sobre mim e o Rodrigo (reviver esse momento, com eles a correrem na nossa direcção em slow motion é assustador). Em segundos deixei de vê-lo, fiquei em pânico, cá em cima, a ver o que se passava lá em baixo nas minhas pernas. Pensei: pronto, engoliram-me o puto. Mas não. Por um buraquinho entre dez cabeças consegui ver o meu pequenino. Foi abraçado, beijado, inquirido em altos berros ao ouvido, tenho ideia de ter visto uma das crianças a fazer-lhe um garrote por trás... e neste frenesim em redor do "peluche" que tinha chegado ainda ouvi uma pirralha de cinco anos a perguntar-lhe se ele queria colinho. Opá, não estou a exagerar na descrição, pois atentem ao que uma auxiliar que veio em nosso socorro disse: "meninos, deixem o Rodrigo respirar!" Não estava maluca. Eu compreendo que as crianças adoram bebezões, eu sei que mais não fizeram do que, à maneira delas, lhe darem as boas-vindas com manifestações evidentes de carinho. Prefiro assim do que se nenhum deles sequer reagisse à chegada do Rodrigo, mas nem oito, nem oitenta. Este "peluche", lá está, respira, sente dores quando o apertam, não gosta quando o chocalham, reage quando lhe fazem garrotes no pescoço ou o enchem de beijos sem parar. O Rodrigo, para já, não sabe defender-se disto e a maneira que encontra é dando um chega para lá. É uma situação que me preocupa, que não aprovo, mas hoje percebi que as reações dele não têm sido gratuitas. O puto sofre.

sábado, novembro 24, 2012

Está a acontecer

Os sinais de autismo foram praticamente embora! Foi esta a conclusão da avaliação hoje feita ao Rodrigo e nem vale a pena dizer-vos como me sinto. A seguir este caminho e não havendo regressões, o meu filho sairá do espectro. Disse assim a médica, tal e qual. Ou seja, as terapias têm surtido efeito e neste momento poderemos estar perante uma criança que terá tratamento apenas para perturbação da linguagem. De qualquer modo, faremos ainda a despistagem de um síndrome (que sinceramente não decorei o nome) através de uma análise genética a ele, a mim e ao pai.
Conclusão: pais e mães de meninos com diagnósticos semelhantes: Há esperança, consegue-se, é possível, não desistam, invistam, procurem, investiguem, improvisem, sigam. Sem querer estar a deitar foguetes antes da festa, este foi certamente o melhor presente antecipado de Natal. É que mesmo que o Rodrigo não saia do espectro, ver como ele melhorou em tão pouco tempo e perceber as suas enormes competências dar-me-á maior tranquilidade. Estamos a conseguir, está a acontecer.

quinta-feira, novembro 22, 2012

Nova avaliação

Amanhã é dia de avaliação ao Rodrigo. No fundo, vamos tentar perceber em que competências ele está mais atrasado. Ao contrário de outras vezes não estou muito nervosa. Sei que vai estar abaixo da linha média em alguns aspectos, mas sinto que estamos perante avanços fundamentais, nomeadamente ao nível da linguagem. Os resultados desta avaliação só me serão transmitidos dia 30, mas amanhã terei logo a noção dos níveis mais fracos. Hoje deitei-o mesmo muito cedo para estar bem esperto na hora da consulta e cooperar naquilo que lhe pedirem.

Não podem ver nada

A Imaginarium roeu-se de inveja de eu sugerir as ideias da Toys 'R' Us por menos de 20 euros e toca de me fazer chegar as propostas deles também por menos de 20 euros. Ora aqui está:

quarta-feira, novembro 21, 2012

Porque já está na hora...

... Muitas e fantásticas sugestões da Toys 'R' Us. Tudo a menos de vinte euros.

Aqui: http://www.toysrus.pt/shop/index.jsp?categoryId=5457521&ab=HT:S:Navidad_2012

terça-feira, novembro 20, 2012

Esta manhã

O Rodrigo de pijama pronto para ir para a escola. O Zé, habituado à minha cabeça de vento, com tom sério: "tens a certeza que é hoje, não tens?"
E era.

segunda-feira, novembro 19, 2012

O dia do pijama

Juro que quando li na diagonal o panfleto que vinha na mochila do Rodrigo a dizer que amanhã os miúdos até aos seis anos devem ir de pijama para escola pensei que era no sentido figurado. Mas hoje estive a ler com mais atenção e é mesmo assim. Um dia solidário em que as crianças devem ir de pijama para a escola. São dez da noite e não tenho unzinho que mereça sair à rua e ser visto. De modos que já seguiu telefonema SOS. Zé ainda anda na rua a trabalhar e ficou de passar na Primark ainda hoje para comprar um.
Medo!

domingo, novembro 18, 2012

Dia mundial da prematuridade

Uma data à qual não consigo ficar indiferente. Aos pais que passam por isso, muita coragem e paciência.

Para quem precisa de uma forcinha, ora aqui fica o texto que publiquei na revista Pais & Filhos sobre parte do meu percurso com o Rodrigo. Tudo é possível.

http://www.paisefilhos.pt/index.php/component/content/article/39/3288

sexta-feira, novembro 16, 2012

Xiiii, problemas

A educadora do Rodrigo viu-se hoje obrigada a repreendê-lo por ter batido noutros meninos. Horrível, não é?
Não sei pormenores, apenas sei que quando os avós chegaram à escola uma das "vítimas" estava a chorar. Como todas as crianças da sala dele são mais crescidas e fazem dele gato sapato, como se fosse um peluche ( apertam-no muito e estão sempre a tentar pegá-lo ao colo e a quererem dar-lhe beijinhos), a minha mãe acha que ele está a começar finalmente a defender-se e a reagir a esses "mimos" abrutalhados. Seja ou não verdade, coloca-se agora a questão: como é que se diz a uma criança que não fala que tudo se resolve com o diálogo e não com a violência?
Mais um desafio daqueles.

quinta-feira, novembro 15, 2012

E agora?

Isto de ser mãe de primeira viagem tem destas coisas. Hoje fui pagar a mensalidade de dezembro da escola do Rodrigo (completamente fora da data limite porque me esqueci) e reparei que o valor era bem mais baixo. Questionei a "promoção" e veio então a bomba: as férias de Natal. Férias?! Mas quais férias?! Eu não marquei férias! Pois não, mas a escola é pública, remember? Ali a partir do dia 19 não há nada para ninguém. Ó meu Deus que os meus ricos paizinhos vão ficar de molho na consoada a descansar as pernas, costas e cabeça de estarem tantas horas com o piolhito!
Tratei imediatamente de me informar sobre actividades na escola, mas fui logo desaconselhada por quem o segue. O Rodrigo é muito pequenino, aquilo é tudo ao molho e muita fé... Não faça isso, disseram-me. Mas ainda não desisti. Talvez encontre noutro lado uma ocupação divertida para aqueles dias, estava a pensar numa coisa tipo uma quinta pedagógica, ou música, ou assim outro ATL divertido para a idade dele e em conta. Aceitam-se sugestões na zona oeste. Como é que vocês, mães deste mundo, fazem nessa altura?

segunda-feira, novembro 12, 2012

Pais vs. Sogros

Coisas que os meus pais fazem com o Rodrigo que me tiram do sério:

- nada (eh, eh).

Coisas que os meus sogros fazem com o Rodrigo que me tiram do sério:

- quando começam a perguntar-lhe "onde está o cão?" quando não há cão por perto. Fica o miúdo a olhar para todos os lados à procura de uma cena que não está lá;

- quando lhe explicam que "o papá não está em casa porque está a ganhar tostões para o menino" enquanto lhe ensinam a fazer o gesto de dinheirinho com os dedos;

- quando lhe dizem "olha que estragas as calcinhas" quando ele anda a brincar no chão;

- quando me omitem birras para parecer que correu tudo muito bem quando estiveram a tomar conta dele;

- quando me desaparecem com ele para o ir mostrar às vizinhas;

- quando lhe passam o telefone para a mão a dizer "fala aqui com a tia felisberta" e andam para ali a maçá-lo.

- quando o "obrigam" a fazer as gracinhas de enfiada quando chega uma visita.

Devo salientar que apesar disto tudo, os meus sogros são umas pessoas muito queridas e disponíveis. Nada disto é feito com maldade e o Rodrigo gosta imenso deles.

segunda-feira, novembro 05, 2012

Novo exame de consciência

Isto de ter um filho especial, no meu caso com um diagnóstico de perturbação no espectro do autismo, faz-me muitas vezes desfrutar dele de uma forma muito ingrata.
Porquê? Porque passo os dias a desejar que o tempo passe rápido para ver que ele está a melhorar, a evoluir. O facto de ter nascido prematuro de vinte e sete semanas também não ajuda. Na verdade, desejei que o tempo andasse rápido desde o minuto em que ele nasceu. Primeiro para o ver a respirar sozinho, depois para ganhar peso, depois para o levar para casa, and so on, so on.
Se for a ver bem, ando nesta corrida contra o tempo desde sempre. Continuou quando quis que ele andasse como os outros meninos, que fizesse o que todos fazem. Hoje quero que o tempo passe para ele desatar a falar. E quando olho para trás descubro que passei estes três anos não tanto a desfrutar do que ele é, e de como ele é, mas a ansiar pelo que ele seria. Esta é uma luta difícil de contrariar e que me deixa triste, amargurada, com saudades de fases pelas quais ele passou e que parece nem sequer ter vivido.
Lembro-me de uma vez uma das técnicas que o segue me dizer que eu estava mais preocupada em que ele agarrasse bem num livro, do que em deixá-lo divertir-se com as cores, as texturas ou os bonecos que via nele, pouco importando nesse caso como estava a sua motricidade fina.
Mas que fazer? Que fazer quando só quero que ele seja igual aos outros meninos? Esqueço-me é que este tipo de problema não acaba. Ajo como se estivesse à espera que ele chegue onde os da idade dele estão. E que um dia possa dizer "pronto, ele já está bom. Vamos lá então curtir esta cena de ser mãe". No fundo, acho que ainda não aceitei a especificidade dele. Tenho andado sempre a querer que o Rodrigo seja outra coisa que não é. Perceber o que ando a fazer é doloroso. É ingrato. Mas cair na realidade, como aconteceu agora, traz-me novas missões. Estarei atenta, vigilante, dar-lhe-ei todas as ferramentas para que consiga ser mais feliz e autónomo. Mas farei tudo para tirar mais partido deste meu bebé de três anos que, por ser diferente, não merece ser obrigado a entrar nesta corrida, cuja fita da meta teimo sempre em avançar sem nunca se conseguir (nem ele nem eu) saborear o verdadeiro sabor da vitória.

Ufa, que isto andava aqui entalado há tanto tempo.

domingo, novembro 04, 2012

Como as notas de mil

Tenho falhado como as notas de mil (como eu adoro esta expressão e como se percebe quão antiga é se nos lembrarmos que estamos a falar de cinco euros).
Bom, este intróito (também adoro esta) para dizer que apesar da minha longa ausência tudo corre sobre rodas com o Rodrigo. Mantém-se sociável e a comunicar cada vez melhor. Continua com comportamentos obsessivos mas não se atira para o chão se o levarmos para outras brincadeiras. As preocupações do momento são: que apanhe o quanto antes os outros meninos, pois não percebe o mundo como uma criança da sua idade; que largue as fraldas, já não as posso ver à frente e a própria roupa para três anos já não tem cortes bons para aquele enchumaço; que coma sozinho, porque sim caramba.
E é isto. Amanhã falarei sobre uma das coisas mais ingratas de ter um filho com perturbação do espectro do autismo. Boa semana para todos.

segunda-feira, outubro 29, 2012

As manias dele mudam com ele

Quando o Rodrigo começou com a obsessão dos números imaginei o meu futuro com isso. Caramba, quem com dois anos não conseguia dar um passo sem parar numa matrícula ou nos preços todos afixados nos supermercados, teria de ser distraído à séria no dia em que, por exemplo, casasse, para dizer o "sim" antes de se perder pelos números dos salmos.
Mas já percebi. Estas manias são intensas, provocam desequilíbrios e distúrbios, mas vão mudando. Senão vejamos: começou nas letras, passou para os números, depois para as portas, de seguida luzes acesas e luzes apagadas. Agora, embora não diga que não a uma boa porta aberta ou a uma aliciante luz apagada, está na onda de tudo o que sobe e desce. A ver: estores, telas chinesas e cintos de segurança. Só me pergunto o que virá a seguir e se as manias algum dia terão fim. Será?

sábado, outubro 27, 2012

Pesos na consciência

Os meus pais estão velhotes e cansados. E são eles que vão buscar o Rodrigo à escola para ficarem com ele das três e meia até eu ou o Zé chegarmos do trabalho. Acontece que com este meu novo emprego chego quase todos os dias mais tarde a casa, sendo que em pelo menos dois meto a chave à porta só lá para a meia-noite, uma da manhã. Quando o Zé também se atrasa, lá ficam os meus pais ate às tantas. E isso parte-me o coração. Sei que tratam dele de forma irrepreensível, mas fico com um peso na consciência enorme porque sei o quanto ficam cansados. Um dia destes ganhei coragem e disse à minha mãe que estava a pensar arranjar uma ama para ficar nesses dias com o Rodrigo. Se fosse uma pessoa em quem tivesse confiança ficava mais aliviada. Mas não, nem pensar, que disparate tão grande. A verdade é que para o ano quero que o Rodrigo fique mais tempo na escola, e aí já não serão tantas horas a dar cabo da cabeça e do corpito dos avós, mas enquanto não chega essa altura, as minhas noitadas de trabalho não têm sido nada fáceis. É uma angústia, Jesus, um peso...

quinta-feira, outubro 25, 2012

Despistagem

Vamos lá então partir para uma nova despistagem em relação ao Rodrigo, desta feita sugerida pela terapeuta da fala que o acompanha desde o fim do verão. Basicamente ela quer ter a certeza de que ele ouve e respira bem.
A verdade é que o meu filho nunca foi a um otorrinolaringologista e acedi logo em tratar disso.
Quanto à audição, juraria a pés juntos que não deverá ter qualquer problema. Ouve tudo e mais alguma coisa, o que interessa e o que não interessa. Já na parte respiratória, confesso que tenho as minhas dúvidas. De facto, como a terapeuta também já deu conta, o Rodrigo mantém o padrão de ter sempre, ou muitas vezes, a boca aberta, não respirando pelo nariz. Pode tratar-se apenas de renite, adenóides grandes ou apenas mau feitio, mas convém saber ao certo o que se passa porque poderá estar a influenciar esta questão da fala, criando-lhe dificuldades acrescidas. Agora, só espero que os exames tenham bons resultados e que não sejam dolorosos. Por favor, que não andem com tubos e coisas esquisitas ouvidos ou boca adentro. Caso contrário, não garanto que não salte do chinelo em pleno consultório enquanto ofendo o médico com o indicador em riste e com um palavrão do género: "Ó seu... ó seu... grandessíssimo otorrinolaringologista!"

terça-feira, outubro 23, 2012

Ainda não acredito...

... que o Rodrigo está mesmo a falar. Mas é assim, não é? Procura repetir algumas palavras que lhe dizemos, espontaneamente vai dizendo as que ele já sabe melhor (ainda poucas) e todos os dias aprende uma ou duas novas. É isto, não é? Daqui às frases é um instante, certo? Até começar a dizer "mamã gosto muito de ti" é um ápice, não é assim? É. E eu não podia estar mais feliz com este seu novo salto.

segunda-feira, outubro 22, 2012

Actividades extra-curriculares

Após alguma ponderação, e porque na escola pública o Rodrigo não tem tantas actividades como tinha na privada, eu e o Zé estamos decididos em inscrevê-lo na natação. Será aos sábados, se falarmos com o professor um de nós pode entrar com ele na água, e far-lhe-á um bem desgraçado. Para além de ser saudável, gostava que tivesse um corpito jeitoso, sem pança nem maminhas descaídas. Tentar não custa, certo? E ele vai adorar. Ok, também adoraria cavalos ou música, mas para já a piscina parece-nos o mais prático e indicado.

sexta-feira, outubro 19, 2012

Conclusão do dia

Tenho um filho meigo e charmoso!

quinta-feira, outubro 18, 2012

Good news

E aos três anos e três meses

O Rodrigo está MESMO a começar a falar. Cada dia uma palavrinha pequena nova. Assim, sem lhe pedirmos. Com má dicção, mas está a FALAR e a gostar. Time to celebrate!

segunda-feira, outubro 15, 2012

Bela prenda me saí

Fogo, tenho a sensação que passei o dia todo a arrumar e a limpar e vou deitar-me com a casa num caos. Rosário, volta, que me fazes tanta falta pro meu lar andar um brinquinho.
Boa semana a todos

sábado, outubro 13, 2012

Pouco a pouco...

O Rodrigo começa a imitar cada vez mais palavras. E a cada uma nova que diz, há uma grande celebração. Ele próprio já percebeu a felicidade que nos dá quando o faz, então já se junta aos festejos connosco.
No meio desta nova fase começo a aperceber-me que o problema da linguagem no caso dele não tem tanto a ver com o facto de não falar porque não quer, mas mais porque não consegue mesmo. Tenho lido que nos casos de autismo existe este atraso na fala porque os putos não sentem sequer necessidade de se exprimirem, de comunicarem. Pois o Rodrigo quer muito falar, mas não consegue. Está sempre a esforçar-se por fazer determinados sons e aquilo não lhe sai mesmo. Parece que não sabe o que fazer com a boca e a língua para consegui-lo. Diz muito bem palavras que metam o "m", "a", "p", "i", "c"... e depois, por muito que tente, é um desastre com o "j", "l", "t" ou o "é". A verdade é que, mesmo sem falar, o Rodrigo tem uma comunicação absolutamente espectacular e fico pasmada com as formas que encontra para se fazer entender.
A irritação e a frustração diminuíram drasticamente. Acredito que esteja relacionado com a toma da risperidona, mas também com o facto de perceber muito melhor o que lhe dizemos. Nessa área, acho que já lá vai o mau tempo e até arriscaria dizer que já me safei a um dos meus maiores temores: a monumental birra no meio do supermercado, com mães de miúdas com laços na cabeça e sem ranho a olharem com ar reprovador e eu a ter de arrastá-lo pelo chão ao longo do corredor dos frescos à procura de um buraco onde me esconder e de um caixote de lixo para o deitar fora.

quinta-feira, outubro 11, 2012

Balanço da primeira semana de trabalho

Sinto-me viva;
Os dias ficaram muito pequeninos para tudo o que preciso e quero fazer, o que faz com que ande a dormir seis horas (é muito pouco para mim, a minha zona de conforto são as oito horas);
Isto faz com que ande estoirada;
Já percebi que pelo menos dois dias por semana vou chegar a casa com o Rodrigo já a dormir, ossos do ofício;
Estou com o ego em forma porque, por simpatia ou não, resmas de gente que não me via há mais de um mês me disse que estou mais magra;
Os fins de semana ganham magia;
O roupeiro fica atingido por aquele vírus que parece fazer desaparecer roupa e todas as manhãs acontece o drama do "ai ai ai que não tenho nada para vestir;
Triste com o regresso à cantina da empresa, cujas refeições me angustiam a alma e me deprimem as papilas gustativas.
E tem lá alguma graça andar com as papilas deprimidas?

segunda-feira, outubro 08, 2012

Organização precisa-se

Agora que já comecei a trabalhar e que o Rodrigo já trinca coisas (ou seja, acabou-se aquela coisa de lhe enfiar com uma sopa de carne ou peixe feita pela minha mãe), tenho mesmo de me organizar para o miúdo comer pratinhos bons, variados e a horas decentes. Agora, por exemplo, já passa das onze e ainda ando de volta dos tachos para amanhã quando chegar a casa ser só aquecer. Mas não sei se terei tempo para fazer isto todos os dias e estava cá a pensar que se calhar faço é logo três ou quatro pratos diferentes e vou congelando. Será assim muito mau? É que não dá para ele comer do nosso jantar porque tanto eu como o Zé não estamos juntos à hora de jantar e raramente comemos de garfo e faca. Esta seria uma maneira mais pratica de fazer a coisa, não?

domingo, outubro 07, 2012

Já está

E pronto. Acabaram-se as férias. Amanhã regresso ao trabalho, com um novo desafio. A ver se não me esqueço de entrar com o pé direito, que tão cedo não quero passar pela experiência de estar à beira do desemprego. Irra!

sexta-feira, outubro 05, 2012

quinta-feira, outubro 04, 2012

Obrigada

Obrigada a todos pelas dicas. De facto, estamos de acordo. A sesta nesta idade é fundamental. Para a semana irei expor o meu caso à direcção da escola. A educadora entretanto sugeriu colocar umas almofadas num canto da sala para ver se ele se queria deitar, autorizei que o fizesse mas sinceramente não estou a ver o Rodrigo a adormecer rodeado de meninos a brincar na sala. Vamos ver que resposta obtenho.

quarta-feira, outubro 03, 2012

A culpa é do cocó

Estou com um problema que parece não ter solução. Passo a expor.
Na escola (pública) onde o Rodrigo anda não há cá sesta para ninguém. Os putos de quatro e cinco anos aguentam bem este andamento, o meu - o único de três anos na sala - anda derreado que dá dó. E não sei o que fazer ó mães, educadoras e gente com ideias que me lê. O problema? Um cocó que ele faz sempre ali por volta das sete da manhã e que faz com que acorde e não durma mais, desconfortável que fica até eu lhe mudar a fralda. Dormir a seguir mais uma horita (que dava) está quieto, porque na cabecita dele já é tempo é para brincar. Pois então, acorda às sete e meia, às nove está na escola e como é de calcular ali a seguir ao almoço fica cheio de sono. Eu vou buscá-lo às três e meia com ele já cheio de fome a pedir lanche. E essa é a prioridade. Chegar a casa e não chegar, comer e não comer, se o ponho a fazer a sesta, acaba por fazê-lo já pelas quatro e meia. Estão a acompanhar? Mesmo que o deixe dormir uma hora (menos é um crime e acorda super mal disposto), faz com que acorde às cinco e meia. Ou seja, nesse dia nunca adormece antes das onze, onze e meia da noite. Ora, com o cocó das sete da manhã, lá vai ele ainda com mais sono para a escola. Mesmo que o bendito cocozito só dê o ar da sua graça às oito (hora normal para o despertar), dormiu pouquíssimo. Nos últimos dias tenho optado por não pô-lo a dormir à tarde. Anda bem comigo durante a tarde, janta às oito e às oito e meia está na cama. Porque se deitou cedo, acorda às sete (com ou sem presente) e lá fica outra vez a cair de sono na escola a seguir ao almoço. Hoje a educadora até lhe tirou a febre por vê-lo tão paradito.
Para ajudar à festa, encontrei uma amiga minha aqui do concelho que optou por manter a filha dela na rede privada por ali fazerem sesta. O meu coração ainda se apertou mais. Opá, mas esta escola é mesmo boa para ele, nomeadamente em termos de apoio para as suas necessidades relacionadas com a perturbação no espectro do autismo. Também já pensei em mudar-lhe os cocós. Haverá maneira deste "despertador" tocar a outra hora?

Por que é que eu devia levar um menos na caderneta

A escola está a pedir-me há mais de um mês que leve material escolar bem definido por eles, devidamente identificado e decorado pelos pais e pela criança. Pois há um mês de férias, ainda está tudo por fazer.

Porque sou despassarada. A educadora, que já se apercebeu disso quando há dias me perguntou se tinha visto os recados dela e eu não o tinha feito porque não abri o caderno dos recados, alertou-me hoje: "mãe, não se esqueça de trazer as sapatilhas para as aulas se ginástica que vão começar". Eu pronta: "sim, já as comprei (uh, uh, já as comprei) trago-as na quarta". Silêncio. Ela: "amanhã". Pois, estava a ir tão bem e não associei que a tal quarta é amanhã.

Por andar à nora quanto ao calendário (isto de estar em casa é tramado) dei também conta tarde de mais que não faço puto ideia do fato de treino do Rodrigo. Com sorte até pode estar limpo e passado, mas desconfio que já esteja muito curto. Com ele a dormir desde as oito e meia da noite (é verdade, conto-vos amanhã como isto é possível) só poderei procurar amanhã de manhã. Em último caso, faço como fiz uma vez. Vai de pijama, daqueles bem catitas que passa bem por fato de treino. Quer dizer, passa mais ou menos, mas eu diria que só os olhares mais atentos vêem as diferenças.

Porque me esqueço sempre de levar uma muda de roupa para ficar na escola.

Porque num dia de sol o Rodrigo não levou chapéu.

Vergooooooooonha.



segunda-feira, outubro 01, 2012

terça-feira, setembro 25, 2012

Hoje estou como o tempo

Xiiiii. Estou com uma neura que não se aguenta. Acordei deprê e ainda não passou. Como tenho um filho que adivinha, hoje ficou a chorar na escola. Pela primeira vez desde que começou, ficou a chorar. E lá saí triste também. Sabia que ele ia ficar bem, mas nunca é fácil deixarmo-los em lágrimas. Já em casa, em vez de ir arrumar cenas ou dormir, como é costume, achei que era boa ideia ver as júlias pinheiros e as cristinas ferreiras desta vida. E estava-se mesmo a adivinhar o resultado: choradeira pegada com os irmãos que se encontraram e com a casa remodelada da menina de quatro anos. Como se não bastasse o dia de merda, a terapeuta da fala faltou na primeira sessão com o Rodrigo. Irra, o miúdo precisa tanto deste empurrão e não há maneira da coisa começar. Fiquei mesmo triste quando fui buscá-lo à escola e a educadora me deu conta da falta. O dia só ganhou mesmo uma corzinha com a mensagem da minha amiga N. a dizer-me que já me comprou a bendita capa azul escura para a escola do Digo. Menos uma.

Finalmente

O Rodrigo elegeu o seu objecto de conforto, o seu melhor amigo, o companheiro de todas as horas. Um esquilo. Entre as dezenas de peluches que foi recebendo, eis que do nada, de um dia para o outro, se afeiçoou a ele e agora são inseparáveis. Melhor. É com ele que o meu filho faz aquelas brincadeiras imaginadas que a médica há tanto tem vindo a pedir. Dá-lhe comida, muda-lhe a fralda, lava-lhe os dentes, dá-lhe abraços e beijinhos e até o põe a ver televisão. Um show. E assim, de repente, passei a ter um filho e meio. Que bom.

segunda-feira, setembro 24, 2012

Em busca da capa perdida

As coisas mais simples são muitas vezes as que nos fazem mais dores de cabeça. Preciso de uma capa destas em plástico, A5, tipo envelope, em azul escuro, para a escola do Rodrigo. Problema: o raio da capa não existe! Ok, existe, que os outros meninos já a têm, mas, ou eu me atrasei (para variar) e já esgotou, ou isto faz tudo parte de um plano muito maluco para ver se eu tiro dali o Rodrigo, abrindo vaga a quatro crianças.
Propósitos à parte, a verdade é que até já sonho com o raio da capa, já conheço todas as papelarias da zona oeste e durante as passeatas de carro dou por mim a puxar o travão de mão porque avistei uma onde ainda não fui. Nos sítios onde o raio da capa existe, não há da cor que eu quero. Já experimentei comprar outro modelo A5 para ver se pegava, mas a educadora não foi na conversa e pacientemente mostrou-me novamente como a capa era. E andamos nisto. Estou mesmo a ver que tenho de ir à cidade para comprar a dita. A questão é que eu tinha tantas outras coisas mais interessantes para fazer nas minhas férias do que andar à caça de material escolar em vias de extinção e muito exclusivo.

sábado, setembro 22, 2012

As duas faces da moeda

Depois de quatro horas seguidinhas a transpirar que nem uma maluca para limpar a casa (a minha mãe veio cá ontem e ia jurar que mal entrou pela porta lhe vi a tensão a baixar de desgosto como que a pensar "eu não criei este monstro javardão"), seguiu-se almoço maravilha com duas manas de coração que me devolveram energias e me retemperaram a "ialma", como diria o meu sogro. Tanto, que estava capaz de limpar um bairro inteiro. Vá, uma assoalhadazita.

quinta-feira, setembro 20, 2012

Forças, não fraquezas

A propósito do facto das técnicas que lidam com o Rodrigo apontarem para síndrome de Asperger, uma amiga (obrigada EP) aconselhou-me a leitura de uma entrevista que ela mesma fez para a revista Pais & Filhos ao maior especialista mundial da coisa. Deixarei aqui o link para quem estiver interessado poder lê-la na íntegra. Imperdível. De qualquer modo não resisto em publicar aqui um quadro que encerra o artigo de forma brilhante. E reza assim:

"FORÇAS, NÃO FRAQUEZAS

E se a definição do Síndrome de Asperger fosse feita através das capacidades e talentos dos seus indivíduos, ao invés das suas fragilidades? É isso mesmo que Tony Attwood propõe, numa lista de critérios de descoberta dos ‘aspies’:

• relações pessoais caracterizadas por uma perfeita lealdade;

• independência de preconceitos sexistas ou geracionais;

• discurso isento de falsidades ou conceitos politicamente correctos;

• capacidade de seguir as próprias ideias ou perspectivas, apesar das provas em contrário;

• consideração por pormenores e detalhes que aparentam pouco interesse para a maioria;

• capacidade de aceitar argumentação sem ideias pré-concebidas;

• interesse nas verdadeiras contribuições para a conversa, sem perder tempo com superficialidades ou trivialidades;

• conversação sem objectivos pouco claros ou manipulação;

• perspectivas originais, e por vezes únicas, na resolução de problemas;

• memória excepcional para dados ignorados por todos os outros indivíduos;

• clareza de valores e poder de decisão inalterado por factores políticos e financeiros;

• sensibilidade apurada para experiências e estímulos sensoriais;

• maiores hipóteses de prosseguir carreiras académicas e/ou científicas."

Mais em http://www.paisefilhos.pt/index.php/actualidade/noticias/1503-lprecisamos-de-pessoas-com-aspergerr

quarta-feira, setembro 19, 2012

A escola pública

Nem queria acreditar quando perguntei quanto iria pagar pelo jardim de infância. Um euro e tal por causa do almoço. Ou seja, passo de trezentos euros para vinte e tal por mês, o que é maravilhoso para o orçamento familiar.
Ok, ali não tem música, nem ginástica como no particular, o prolongamento paga-se à parte (mas não preciso) e o material escolar é todo por nossa conta. Mas caramba, a diferença é grande. E sabe tão bem.

sábado, setembro 15, 2012

Uma fracção de segundo

Estava a ficar frio para mais um mergulho no mar como o Rodrigo me pedia. Para evitar outra ida à água, avisei-o de que iríamos começar a arrumar as coisas para irmos para casa, tarefa que ele adora e acompanha atentamente aguardando ansioso pela altura de arrumar o chapéu de sol (uma das suas actuais obsessões, chapéus abertos e fechados). Antes de conseguir pôr o guarda sol dentro do saco, ainda o abri e fechei duas vezes, para alegria dele. Não fosse isso e minutos antes já estaríamos a caminho de casa. Depois, bem, depois seguiu-se a lenta caminhada para o carro, com rituais que ele em apenas dois dias de ida à praia definiu muito bem. Pede-me colo sempre nos mesmos sítios do percurso, calça os chinelos sempre no mesmo degrau, repete gestos, brincadeiras e chegamos ao carro. Paro numa bomba para comprar cigarros. Não fosse isso e minutos antes já estaríamos a caminho de casa. Prosseguimos, com ele atento à janela a apontar para os sítios de sempre: o moinho que roda, os portões das garagens abertos, os fechados, as luzes que estão apagadas, as que estão acesas... e pumba, mesmo à chegada a casa, levo com um maluco esgroviado pela esquerda, que não respeitou sinais e veio chocar contra nós (Rodrigo assustou-se com o embate mas nem chorou e ninguém se magoou). E desde então não consigo deixar de pensar naquele segundo e da forma como o meu percurso e o daquele casal se encaixaram matematicamente para naquela fracção se dar o embate numa estrada quase fantasma, sem movimento. Felizmente foi só chapa.

Pause

Ando para aqui ainda atarantada e sem palavras para o que a educadora do Rodrigo (que trabalhou sete anos no ensino especial) me disse hoje ao fim de uma manhã com ele. "Eu acho que o seu filho não tem nada de autismo". Eu sei que o diagnóstico não está fechado, mas caramba, se não é PEA é o quê?

sexta-feira, setembro 14, 2012

É oficial

Tenho o bronzeado mais ridículo de toda a história. Estou morena de meio da barriga para cima, em baixo pareço uma lula. Assim como assim acho que preferia mesmo aquele bronze com marca de t-shirt, mas com tudo a correr bem na escola e eu com emprego não se pode ter tudo, certo? Esta "ridicularidade" da minha vida acontece porque fazendo praia com o Rodrigo as minhas exposições ao sol resumem-se a: sentada na água com ela pela barriga; sentada na areia com o Rodrigo alapado ao meu colo. O resultado está à vista, é ridículo mas ao mesmo tempo divertido.

Assim não vale

O Rodrigo portou-se bem no primeiro dia de escola, mas com batota. Passo a explicar. O dia de hoje (que a esta hora já é ontem) era apenas destinado aos meninos que se estreavam no estabelecimento. Ora, na sala dele, o meu filho é o único aluno novo e por isso estava sozinho. Fiquei lá com ele cerca de uma hora e viemos embora. Apesar de não ter sido para valer, reagiu muito bem à educadora (que eu e o Zé amámos), olhando-a nos olhos, cumprimentando-a com um beijinho e puxando-a uma ou duas vezes pela mão para brincar. Amanhã (ok, hoje) será à séria, com os coleguinhas todos e eu a ter de largá-lo. Mesmo assim, só irá de manhã, pois eu, com as barracadas do costume, não imaginei que fosse preciso ir à câmara para o pequeno ter direito a almoço. Pus a cruz na altura da matrícula e segui para bingo. Resultado: vou ter de ser eu a dar-lhe almoço. Ó cabeça esvoaçada a minha que pareço tratar tudo pela rama.

Escusado será dizer que entrei na escola de óculos escuros e lavada em lágrimas (tudo sem ele perceber, claro). Ah, e a roupa dele estava um espectáculo!

quinta-feira, setembro 13, 2012

E quem diz que eu durmo?

Irra, que estou mesmo igual à minha querida mãezinha. Estou aqui num reboliço para tentar adormecer mas as preocupações com o primeiro dia do Rodrigo na escola nova hoje não me deixam pregar olho.
O meu principal receio, de caras, é ter de me vir embora com ele num pranto. E logo aqui lembrei-me que tenho de avisar a educadora que quando ele se enerva fica todo às manchas, para ela não se assustar. Além disso, há uma semana começou a bater na própria cabeça quando está zangado ou quando é contrariado.
Mas há mais. Ele tem andado com as tais babas de aparecimento e desaparecimento súbito. Se forem muitas é preciso enfiá-lo numa banheira com água fresca para passar. Mas o miúdo não fala, ou seja, é preciso estar atento à coçadeira e ir levantando camisolas e baixando calças para ver os estragos. Estão mesmo a ver a educadora a fazer isso, não é? Estão mesmo a ver que há banheiras nas escolas, certo? Depois, está desarranjado dos intestinos. Entusiasmei-me com esta coisa de ele já aceitar trincar coisas novas e toca de lhe espetar com umas bolachas de chocolate que, pelos vistos, não são as mais indicadas para a idade dele. Que vergonha, no primeiro contacto com a educadora corro o risco de ficar conhecida como "a mãe do miúdo com diarreia e babas que podem ser contagiosas, que a gente nunca sabe".
Estava também para aqui a pensar em mil e uma outras coisas que tenho vergonha de partilhar... e a verdade é que a parvoíce tem limites. Vá, vou contar uma delas: ando aqui também às voltas com o que lhe vou vestir. Eu sei que é ridículo, haverá até dias para a frente em que irá com umas calças por passar ou uma camisola já curta nas mangas, mas continuo a achar que a primeira impressão é importante.
De maneiras que é isto (e muito mais). E agora vou chorar um bocadinho ali a um canto e esbofetear-me a seguir para ver se durmo mais levezinha.
Bom regresso às aulas para os vossos meninos!

terça-feira, setembro 11, 2012

A Gui

Satisfazendo a curiosidade óbvia de muitos dos que visitam este cantinho vou contar-vos a história da Gui, a co-autora deste blogue.
Corria o ano de 2005 quando decidi criar este espaço. Ao fim de algum tempo (ó meu deus, como sou má com datas) convidei a minha grande amiga de infância Gui para partilhá-lo comigo. E ela aceitou. Como gosto de a ler! Aliás, basta irem ao arquivo e encontram coisas lindíssimas que ela postava. Mas nem sempre a vontade de escrever impera, nem sempre as nossas cabeças estão para aí viradas, nem sempre existe vontade de partilhar. E a Gui passou um pouco por todas estas fases. Progressivamente (só não me perguntam quando), foi deixando de postar, e inadvertidamente eu fui açambarcando-o sem dó nem piedade. Quando há três anos engravidei e me enfiaram numa cama em repouso, foi o descalabro. Fiz deste blogue o meu tira teimas, o meu confessionário, o meu amante. E a Gui, que sempre achou que dois é bom, três é demais, desapareceu deste espaço que já estava transformado num pregnancy blog descarado. Aconteceu assim. E apesar da Gui não escrever aqui há muito tempo fica e ficará para sempre como sua co-autora. Quem sabe um dia ela não vos faz uma surpresa e vos presenteia com a sua forma tão poética e literária de ver este mundo?
Eu gostava. Beijinhos Gui, és a miúda do meu coração e tens o sorriso mais lindo.

sábado, setembro 08, 2012

Do empreendedorismo e afins

Sempre admirei quem se lança às coisas com convicção, fazendo de pequenas ideias negócios brilhantes. Como já aqui dei conta sou uma gaja de ideias mas muito fraquinha e borra botas quando chega a hora de pô-las em prática. Raramente arrisco um milímetro e só dou um punzinho quando tenho a certeza de que é seguro. Isso enerva-me. Gostava de ser mais corajosa, ter mais ambição e arriscar mais.
E isto tudo ocorreu-me a propósito da minha amiga Pipoca, que começando o blogue A Pipoca Mais Doce como uma brincadeira faz dele hoje a sua vida. Quer se goste ou não, é um percurso brilhante e admiro-a por isso. Acho que nunca lhe disse. Acabou agora de lançar mais um livro, (Estilo, disse ela, pela Matéria-Prima) e já está em segundo lugar no top de vendas, só ultrapassada pelas 50 Sombras de Grey. É ou não é fantástico? Faz aquilo que gosta e faz uns bons dinheirinhos. E mais. Gere o tempo dela, que é coisa valiosa nos dias que correm. Que isto de estar enfiada o dia inteiro num escritório a aproveitar as horas de almoço para ir ao banco, à depilação ou ao Pingo Doce é tortura. Neste campo, a minha admiração também para a Cocó na Fralda, que trabalha por conta própria, tem um blogue fabulástico e lançou igualmente um livro. Beijinhos muito grandes a estas duas queridas que tenho o privilégio de conhecer e que, cada uma a seu modo, me vão inspirando (links para os blogues de ambas na coluna à direita)

Good news

De hoje a precisamente um mês começo um novo trabalho. As vossas boas energias deram com toda a certeza um empurrão. Felizmente nem tive de entregar papeladas do subsídio de desemprego, alguém mais uma vez olhou por mim e safou-me desta. Agora, é desfrutar deste mês de puro descanso e acompanhar a cem por cento a entrada do Rodrigo na nova escola. É já dia 13!

quinta-feira, setembro 06, 2012

Uma ideia

Sou uma gaja de ideais, às vezes parvas ok, mas tenho-as aos molhos, sempre a brotarem. E lá vai disto. Então não era de alguém já ter inventado um estendalzinho para a praia para mães que têm miúdos que vão trinta vezes à água? Hoje dei por mim com três calções a secarem na parte de cima do chapéu de sol. Para além de não secarem nada, volta não volta estão no meio do chão, cheios de areia. O Rodrigo está sempre a ir à água e quando vem para a areia dispo-lhe sempre os calções molhados para ele não ficar com frio. Ainda vou intercalando com umas fraldas de água, mas também não são baratas e então corto-me um bocado. Para que tudo corresse maravilhosamente bem teria de levar para o areal um stock de dez fatiotas de ir ao banho. Ou isso, ou inventarem um estendalzinho para a praia com uma ventoinha incorporada ou um efeito de estufa qualquer para que tudo secasse num instantinho. Ó mães de três, quatro e cinco, como é que fazem? É uma mala de viagem só para fatos de banho? A partir de que idade é que a temperatura do corpo não baixa tanto, mesmo com os calções molhados? Ok, sou uma gaja de ideias e milhentas dúvidas.

Com sol e ainda sem escola dá nisto (versão melhorada)

segunda-feira, setembro 03, 2012

Adeus VIP

E pronto. Hoje disse adeus à revista VIP e ao meu trabalho dos últimos três anos. E agora? E agora o futuro a mim pertence, a uma distância que vai de um "sim" a um "não". Perdoem-me o enigmatismo, mas tenho um segredo. É tudo por agora.

domingo, setembro 02, 2012

Prova superada

Mais um fim de semana fora, mais uma viagem, mais experiências novas para o Rodrigo. Tirando um ataque enorme das malditas babas ao fim da tarde de sábado, que só passaram com um longo banho de água fria ao baby, tudo correu bem. E como ele adora água.

sexta-feira, agosto 31, 2012

Indecisa

São todas do Ikea e os preços andam ela por ela, bem como o comprimento, tirando a de ferro mais rústica que é extensível até aos dois metros. Uma delas vai dar aconchego ao meu pilas.

quinta-feira, agosto 30, 2012

É desta...

...que eu lhe compro uma cama à crescido. Hoje tenho a minha sogra a dormir no bendito sofá onde o Rodrigo adormece tantas vezes porque a cama de grades tem picos, cheira mal e andam lá bichos maus (adivinho eu pela forma como acorda muitas vezes mal o ponho lá) de modos que teve MESMO de ficar na caminha dele. A única forma que arranjei foi deitá-lo na de grades e ficar de mão dada com ele, toda curvada, com as pernas a tremelicar, o estômago todo prendado na barra e o sangue todo na cabeça. Eh eh, pus-me numa bonita, mas resultou. E agora vou eu deitar-me para ver se a estrutura óssea volta ao lugar. Boa sexta-feira.

Hora do confessionário

Tentamos por tudo ser mães exemplares e não falharmos em nada. A verdade é que o cansaço, os horários malucos do trabalho e as agruras que às vezes nos teimam em bater à porta, fazem com que nem sempre sejamos esse exemplo. A minha consciência pesa-me nestas coisas e estou pronta a mais uma vez levar nas orelhas da médica do Rodrigo. A ver:

Era importante sentarmos-nos todos à mesa nas refeições. Esquece. O Rodrigo come sempre primeiro, comigo ou o pai a darmos-lhe a comida e então depois comemos nós, à base do tabuleiro onde calha e quase nunca ao mesmo tempo;

Devíamos insistir para que comesse sozinho. Também não o faço. A regra tem sido "quanto mais rápido melhor" que há sempre qualquer coisa para fazer a seguir para a qual já estamos super atrasados;

Era importante para o desenvolvimento da fala dele insistirmos mais para pedir as coisas com som. Se for preciso, ir até à birra. Também falho aí. Ele aponta para as bolachas, ainda fico ali a insistir para que me diga o "dá", mas ao primeiro sinal de beicinho passo-lhe o raio da bolacha para a mão;

Devíamos sair mais com ele, pô-lo mais no meio da confusão e pessoas estranhas, mas dou muitas vezes por mim a evitar esses programas com receio de birras ou porque sei que consigo descansar muito mais na minha zona de conforto;

A médica está farta de dizer que ao jantar o Rodrigo deve comer sólidos como faz ao almoço e não apenas sopa de peixe como lhe dou sempre. Trincar coisas é excelente para a fala porque desenvolve músculos da boca.

E assim de repente é isto que me pesa na consciência. Aqui me confesso, correndo o risco de muitos acharem que não presto. Mas presto. Garanto que presto e que rápido, rápido vou melhorar estes aspectos.