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quinta-feira, agosto 30, 2012

Hora do confessionário

Tentamos por tudo ser mães exemplares e não falharmos em nada. A verdade é que o cansaço, os horários malucos do trabalho e as agruras que às vezes nos teimam em bater à porta, fazem com que nem sempre sejamos esse exemplo. A minha consciência pesa-me nestas coisas e estou pronta a mais uma vez levar nas orelhas da médica do Rodrigo. A ver:

Era importante sentarmos-nos todos à mesa nas refeições. Esquece. O Rodrigo come sempre primeiro, comigo ou o pai a darmos-lhe a comida e então depois comemos nós, à base do tabuleiro onde calha e quase nunca ao mesmo tempo;

Devíamos insistir para que comesse sozinho. Também não o faço. A regra tem sido "quanto mais rápido melhor" que há sempre qualquer coisa para fazer a seguir para a qual já estamos super atrasados;

Era importante para o desenvolvimento da fala dele insistirmos mais para pedir as coisas com som. Se for preciso, ir até à birra. Também falho aí. Ele aponta para as bolachas, ainda fico ali a insistir para que me diga o "dá", mas ao primeiro sinal de beicinho passo-lhe o raio da bolacha para a mão;

Devíamos sair mais com ele, pô-lo mais no meio da confusão e pessoas estranhas, mas dou muitas vezes por mim a evitar esses programas com receio de birras ou porque sei que consigo descansar muito mais na minha zona de conforto;

A médica está farta de dizer que ao jantar o Rodrigo deve comer sólidos como faz ao almoço e não apenas sopa de peixe como lhe dou sempre. Trincar coisas é excelente para a fala porque desenvolve músculos da boca.

E assim de repente é isto que me pesa na consciência. Aqui me confesso, correndo o risco de muitos acharem que não presto. Mas presto. Garanto que presto e que rápido, rápido vou melhorar estes aspectos.


10 comentários:

Mãe Pop Corn disse...

Fazes o melhor que sabes e podes, e fazer "só" isso já és a melhor mãe do mundo!

A Mãe disse...

E muito fácil dizer o que se deve fazer... Mas ter consciência do que devemos fazer e tentar por em pratica já e um começo! Não podemos deixar o sentimento de culpa ganhar espaço porque nada disto e fácil!
Beijinhos

Baby Q disse...

Pois é minha querida...só quem não os tens é que não sabe nos está a dizer!!! è tudo muito bonito mas as mulheres continuam a acumular funções numa só (tarbalho, carreira, casa, marido, filhos, cuidar-se, atender aos seus pais, e ás vezes aos irmãos...)! Parabéns pelo seu esforço, por ter noção das suas limitações e sobretudo pela frase " Mas presto. Garanto que presto e que rápido, rápido vou melhorar estes aspectos. " !!
beijinhos

Anónimo disse...

Ai, ai, ai, os\as pediatras! Pois também eu, sendo mãe de 3... tenho imensos dias assim. Do primeiro, era tudo à risca, sentimentos de culpa, tinha medo de falhar...tudo o que a pediatra dizia, eu fazia até à exaustão. Da segunda, aliviei mais um pouco... e do nº 3 então já foi em piloto automático! Antigamente acho que nos nossos pais e avós nunca nos levaram aos médicos, era tudo mais à solta. Claro que as consultas regulares são óptimas e nunca falhei nenhuma, mas às vezes os médicos seguem indicações das organizações mundiais que funcionam por tendências. De um filho para o outro mudavam imensas coisas...ora era o peixe aos 8 meses mas no outro já não, ora era o fluor que era super importante e ao 3º filho já nem se ouve falar dele. Enfim, seguir o coração é o melhor, as próprias crianças evoluem sózinhas sem ser necessário ter escalas de tarefas. Chega até uma altura em que eles já nos dizem como devemos lidar com eles. O meu mais novo, foi ele que um dia me disse, ali por volta dos 3 anos... "sabes mamã, já não preciso mais da chupeta para dormir". E largou-a assim de repente! Grandes lições que aprendemos com eles!

CM disse...

Deus queira que quando melhorar estes, tenha mais uma lista de outros a melhorar...
Mães perfeitas só existem na nossa cabeça, e é por isso que ás vezes nos dói tanto a cabeça e não sabemos!!!
Estou a brincar, mas digo-lhe que todas as mães os maiores disparates de educação fossem esses!!!
Bom trabalho :)

Ana Costa disse...

A perfeição não existe (só mesmo em alguns murais do FB). É uma lufada de ar fresco ler alguém que se assume como uma pessoa normal, não uma super-mãe com um super-emprego e e uma super-vida cheia de surpresas e alegrias sem fim. Parabéns por reconhecer a sua imperfeição. É, a meu ver, a maneira menos angustiante de viver a vida. E, claro, não há mãe mentalmente equilibrada que, honestamente, não se reveja neste post. Ana Costa, mãe de dois.

sofia disse...

Basta seguir o teu blog para te afastar esses pensamentos culpabilizantes para bem longe. Se todas as mães fossem como tu, o mundo era mesmo um sítio com pessoas bem mais felizes! Fazemos o que podemos, o melhor que podemos e nas circunstâncias que o cansaço dos dias nos dita! Ninguém é perfeito e só na teoria é que tudo é a p/b!:)

Anónimo disse...

O pediatra dos meus filhos é muito liberal. Talvez pq tem um filho que teve um problema de saude grave. Dá pistas mas confia muito nos instintos dos pais. E as vezes a solução para um problema pode dar origem a outro. E conviver com birras constantes é dose. Compreendo que evita las seja a tua prioridade. Mas veras que com o tempo conseguiras equilibrar as coisas.

Fernanda Loureiro disse...

É o nosso instinto a falar mais alto. Já percebi que as crianças não são todas iguais, e muito menos é como vem nos livros. Com a minha filha faço o mesmo, mas sei que quando ela for maior as coisas vão mudar... por enquanto fico feliz que ela coma tudo, nem que seja passado, nem que demore 1 hora, para crescer saudável.
As coisas vão melhorar ...
Beijinhos

Juanna disse...

Sabes o que te digo? Que do cansaço enfiei a minha filha pequena na nosa cama de grandes e connosco dorme há 2 anos. Faz mal ai ai nao se deve ai ai ai ai, quero lá saber. Melhorar farás sempre e nao creio que devas MESMO nada sentir-te culpada por dar sopa em vez de ervilhas ao miúdo. Tudo vai lá. COnheces adultos que nao saibam mastigar??