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terça-feira, novembro 29, 2005

Piadinha homófona ouvida hoje à hora do almoço

- Alguém tem visto o Antão?
- Epá vi esse gajo há pouco tempo...
- E então?

quinta-feira, novembro 24, 2005

Crónica de uma compradora de carros pensados por homens

Um dia destes acordei e em vez de pensar para mim "vou tomar o pequeno-almoço", pensei: "vou comprar um carro".
Aliás, esta é uma das melhores decisões para uma pessoa desempregada, porque temos todo o tempo do mundo para fazer uma boa escolha.
A aventura tem sido deliciosa, principalmente por ter aprendido que os carros têm diferentes cavalos, diferentes cilindradas e que até existe um sistema multijet.
A minha alma anda parva com este mundo automóvel, mas mais parva fica com a conjugação de cores que alguém se lembra de fazer nos carros. Arghh!
Também... não cabe na cabeça de ninguém pôr homens a escolher décors para estofos e pintura automóvel. O resultado só podia ser esse que se vê por aí. Uma vergonha!! Nem um pendant sabem fazer...
Com isto tudo acabam por perder é boas compradoras. Sim, porque nós mulheres queremos lá saber se aquilo anda a não sei quanto e se tosse sozinho. Para nós é importantíssimo não nos sentirmos enfiadas numa casita que mais parece tirada de um filme sobre o Chapitô.
Ponham os homens lá a tratar das mecânicas e deixem as ladies tratar do resto.
Podem não acreditar, eu até tenho vergonha de dizer, mas acabei de comprar um carro bordeaux com estofos amarelos. Uma lindeza, hã (?) seus chicos espertos!!

quarta-feira, novembro 23, 2005

Este poema não tem título, mas para mim chama-se A Cidade Egoísta 4

«
Varanda da minha infância
Cidade feliz
De teus ócios merecidos
Chegou o fim amargo
Do meu último olhar

Vejo enfim as calmas areias quentes
Os fetos das fontes que o tempo secou
O fundo poço que sou e é velho e é triste
Nada muda o destino deste parado barco
O mar dorme em paz e sossego
A terra mostra ao sol os seios preguiçosos
As mulheres espreitam arrepiadas às janelas
Do caminho sobem ao céu súbitas nuvens de poeira

Tudo é divino à luz dourada dourado
Só eu sou levado de mim e me perco
»
António Dacosta (1914-1990)
A Cal dos Muros

O Inverno é um inferno

Chegada à noite, o que me apetece é estar a pastar no sofá enrolada numa manta. Se saio de casa, só mesmo com a promessa de uma quantidade apreciável de copos num sítio quentinho é que não faço marcha atrás imediatamente. Se eu fosse amiga do Inverno mandava-o ir arder para as chamas do inferno.

quinta-feira, novembro 17, 2005

9 meses de blog

O Coisas que tal faz nove meses. Quase que podemos considerar isto como um género de (re)nascimento em que, após 9 meses de vida intra-uterina, sai cá para fora. Por isso em vez de dizer o que me é habitual - que é agradecer-vos caros ouvintes - vou dedicar este post à minha amiga Ana que, a bem da verdade, foi quem fecundou a ideia, sendo eu talvez a irmã mais velha. Muitos parabéns 'miga, que bom é ler-te digo eu!!

quarta-feira, novembro 16, 2005

Era uma vez

Era uma vez um país desproporcionado; a riqueza concentrava-se só pelo litoral, e falar em riqueza era só uma maneira de dizer. Era tão desproporcionado que para as eleições presidenciais concorriam quatro candidatos de esquerda e apenas um de direita. Era tão lógico quem sairia vencedor... mas algumas pessoas insistiam em colocar poemas em posts como que a fazer campanha por um deles. Era bastante lógico para elas que o poeta ganhasse pela palavra. Era, aliás, uma injustiça a dividir por quatro. Era uma vez a lógica da desproporção: os passos maiores que as pernas desse país, os subsídios comunitários desaparecidos, muitas pessoas para poucos empregos, muitas contas para pouca moeda. Era uma vez um país onde haviam estádios gigantes sem vida em cidades sem orçamento para Capital da Cultura. Era uma vez um final que me parece pouco feliz.

terça-feira, novembro 15, 2005

+ Manuel Alegre (dedicado ao leitor 5000)

Coisa amar

Contar-te longamente as perigosas
coisas do mar. Contar-te o amor ardente
e as ilhas que só há no verbo amar.
Contar-te longamente longamente.

Amor ardente. Amor ardente. E mar.
Contar-te longamente as misteriosas
maravilhas do verbo navegar.
E mar. Amar: as coisas perigosas.

Contar-te longamente que já foi
num tempo doce coisa amar. E mar.
Contar-te logamente como doi

desembarcar nas ilhas misteriosas.
Contar-te o mar ardente e o verbo amar.
E longamente as coisas perigosas.

A Poesia do Dia (para abrir o debate político)

As mãos

Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema – e são de terra.
Com mãos se faz a guerra – e são a paz.

Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.

E cravam-se no Tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.

De mãos é cada flor cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.

Manuel Alegre, O Canto e as Armas, 1967

segunda-feira, novembro 14, 2005

Um bom momento de televisão

Um dos melhores momentos televisivos dos últimos tempos: os 'tintins' e a 'bengala' do Luís Boa Morte (jogador da selecção nacional) aos saltinhos e em slow motion. Alguém viu? Demais!!
Foi no jogo deste fim-de-semana contra a Croácia, transmitido pela RTP, na altura em que um adversário puxa os calções do nosso neguinho para impedi-lo de avançar com o esférico (uau! Tou lá!), deixando o 'material' do Boa Morte nitidamente desprotegido. O realizador fez questão de repetir as imagens, saliente-se, em câmara lenta. Foi qualquer coisa de muito bom, assim a atirar para o excepcional.

sábado, novembro 12, 2005

«Quando ainda sou a vida» - ou A Poesia Prometida

Cerca-me a vida, como naqueles anos
já perdidos, com o mesmo esplendor
de um mundo eterno. A rosa esfaqueada
do mar, as luzes derrubadas
dos hortos, o fragor das pombas
no ar, a vida ao meu redor,
quando ainda sou a vida.
Com o mesmo esplendor, e olhos envelhecidos,
e um amor fatigado.

Qual será a esperança? Viver mais,
e amar, enquanto se esgota o coração.
um mundo fiel embora perecível.
Amar o sonho destruído da vida
e, embora não possa ser, não maldizer
aquele antigo engano do eterno.
E consola-se o peito, porque sabe
que o mundo pode ser uma bela verdade.

Francisco Brines
Ensaio de uma Despedida

Uma Poesia por dia nem sabe o bem que lhe fazia

Confesso. Tenho tido nenhuma vontade de escrever. Quando lá sai, acontece a martelo... e no fim é como cão por vinha vindimada. "Tenho a minha vida em stand by e não encontro o comando". Mas se na realidade nem sempre acontece a mudança que se deseja, resolvi dar corda aos sapatos e abrir a rolha do champagne à chegada de mais posts. É uma realidade paralela a ver se dá novo fôlego à outra. "Reset, Ctrl+Atl+Delete, Refresh", o que lhe queiram chamar. Para os dias sem ideias, haverá reciclagem de posts antigos... e começa a nova rubrica da Poesia do Dia. O que é preciso é não esmorecer, haja paciência para me ler. Coisas que tal de um dedo de blog escrito a quatro mãos.

sexta-feira, novembro 11, 2005

Há finais que não são felizes

Ah, como eu gostava assim de ter umas pernas todas jeitosas, muito altas, e uma voz daquelas tipo Simone de Oliveira para ir falar com o Felipe Lá Féria e fazer uma coisa em grande no palco, e deixar as pessoas todas arrepiadinhas e jantar sempre ali ao pé do Politeama para depois entrar em cena e ter lá sempre os meus pais na primeira fila a baterem-me palmas e a dizerem-me que eu sou a maior e no fim chegar ao camarim e ter à minha espera margaridas numa jarra da Habitat e então seguir para casa e ligar a uma das bailarinas do elenco que se tornou na minha melhor amiga e cortarmos na casaca de um dos protagonistas que se cospe todo a representar e cheira muito mal da boca e então entrar em casa e fazer um chá, e o chá a cair-me tão mal, e a vomitar-me, e a ir-me... completamente fora do prazo.

quarta-feira, novembro 09, 2005

Desencontros

Tenho a minha vida em stand by e não encontro o comando...

sexta-feira, novembro 04, 2005

Relato de futebol muito muito longo como faz de conta aqueles a sério

A RDP África que estava ainda agora transmitindo alegremente uma kizombinha ondulante, interrompe-me tristemente o balançar ao passar à faixa seguinte de nome: relato de futebol. É o Sporting que está a jogar. E estou aqui a ouvindo há uns minutos. É a minha primeira vez desta coisa que tal. Será uma primeira daquelas que ao princípio custa um bocadinho mas nunca mais se esquece como se faz? ( falo de andar de bicicleta...)
« GOOOOOLLLooOOO DO SEPORTING !!
É um golo espectacular do coisa-que-tal-soares!
Aos sete minutos um golo do Sporting... »
São as palavras dos comentadores do relato falando também para África, para Timor, talvez para o Brasil. E o meu telefone de casa apita, é uma senhora que se enganou no número, e eu digo-lhe não faz mal, tenha uma boa noite. Eu sou do Sporting. O que não quer dizer nada, como confirmarão os que sabem os meus conhecimentos futebolísticos. Mas sou do Sporting - desde os 6 anos – e... pronto, estou contente com o resultado no marcador. No entanto tenho pena do União de Leiria, tem assim um nome tão bonito a fazer lembrar o povo unido.
« 20 minutos da primeira parte
Sporting um, marca o Beto, União de Leiria, zero »
Beto? Ah, ouvi mal.... e isto tem mais de uma primeira parte? (ehheeh, brincadeirinha). Vou dar uma voltinha plas minhas eternas arrumações e buscar mais uma Tagus ao frigorífico. Eu sei, eu sei... mas estava em promoção no supermercado. O árbitro anula um golo do União de Leiria. Ouvem-se os assobios do público no estádio de Alvalade. Os comentadores se pudessem também assobiavam, estão exaltados e dizem o Ricardo estava sentado dentro da baliza, e o árbitro auxiliar como não viu, e dizem falta de classe. Tenho ainda mais pena do União de Leiria. Perdoem-me os amigos sportinguistas, a GranMarta, o QZ e o Gimbras. Até o Jorge Coroado está a dar um livre ao Leiria, em jeito de arrependimento. Mas o Ricardo agarra. Tenho mais que fazer do que estar presa a um relato de futebol, mas apetece-me estar aqui suspensa destes ênfases de vozes na rádio. Lembro-me do meu avô sofrendo pelo Benfica, agarrado ao pequeno aparelho a pilhas e nós, eu a minha irmã, a protestarmos, e ele enfim a condescender agarrando o tronco cortado em que nos partia pacientemente os pinhões.
« GOOOOOLLLooOOO DO SEPORTING !!
Rogério encheu o pé!
Este lance deve estar contaminado com a gripe das aves.»
A piada calculo para o outro guarda-redes. SEPORTING !! Intervalo. A Tagus até tem gás. Segunda Parte.
« GOOOOOLLLooOOO DO LEIEIEIRIIIIIA !!
João Paulo teve tempo para tudo!... »
Livres e movimentos defensivos, cortes providenciais dizem eles e não sei quê e mais cortes, e o Sporting a jogar a meia distância. O tal da gripe das aves chama-se Fernando. Bola batida para o meio campo. Cabeceamento fora de jogo, cruzamento ao poste e não sei quê. E um golo fora de jogo. E outra vez o Coroado posto em causa ou não, os comentadores não têm tempo, já vêm outros livres. É um entra e sai de jogadores, os que treinaram substituem os que suaram. Final do jogo 2-1. Sou do Sporting - desde os 6 anos – e... pronto, estou contente com o resultado no marcador.
« Uma pequena fracção de segundo é suficiente para a morte do artista.»
A forma como as pessoas nos olham pode ser absolutamente irritante.
Começo logo por uma das que eu acho do pior que é aquela assim...estão a falar não é?... mas não nos olham nos olhos. Passam a conversa toda a olhar-nos para a testa e a salivar por acharem que estão a dizer coisas muito importantes. Estão a ver o género?!
Mas há outras modalidades: aqueles que estão a falar connosco e repetidamente vão fechando os olhos, mas deixando inexplicavelmente as pálpebras cerradas cerca de vinte segundos. Estão a falar connosco, mas parece que vão dormitando de vez em vez assumindo um ar religioso de cortar os pulsos. Irritante também, não?
Bom, há uma outra espécie, que não fica atrás destas. São aquelas pessoas que nos olham para a boca. Nós a falarmos e elas sem despegar a vista da nossa boca. Nós a pormos a mão, a palitarmos disfarçadamente os dentes, não vá qualquer resto de comida estar a chamar a atenção, e nada!!
Graças a Deus que não vemos nada pelo olho de trás, é que se pela frente é como é, nem quero imaginar o que se passa nas nossas costas...safa!!

Observação: um abraço sincero a todos os estrábicos. Este post nada tem a ver com eles.

quinta-feira, novembro 03, 2005

Tenho mau deitar

Aos 28 anos vou admiti-lo. Tenho mau deitar.
Há pessoas que têm mau acordar, eu tenho mau deitar. Não sei o que acontece no interior do meu organismo (gases não são porque tomo aerom), mas o certo é que passadas ali cerca de duas horas depois do jantar começo a ficar com uma azia e com uma telha que até assusta.
Sei lá, podia-me transformar em abóbora ou começar a fazer flic flacs encarpados à rectaguarda... mas não... fico ali numa angústia e numa irritação que só eu aguento. Normalmente levam por tabela aqueles que estão ao pé de mim, vulgo mãe, mãe, mãe.
Não sei se o meu inconsciente me quer avisar de que mais um dia está a chegar ao fim, se são as pilhas que começam a ficar fracas... não sei. A verdade é que é o momento mais insuportável do meu dia. No Natal então a birra chega tão ao auge que não me lembro de um ano em que não acabasse a noite de consoada a chorar que nem Maria Madalena agarrada às almofadas. E eu que adoro o Natal.
Quase todas as noites são assim e depois de manhã é... como é que eu hei-de dizer... de manhã é um ar que se lhe deu. Aqui a menina acorda bem disposta, cheia de fome, a cantarolar, lindíssima (sim, porque eu já acordo assim), enfim... parece que tudo não passou de um qualquer engano.
Ele há lá cada uma. Então a noite fez-me algum mal para eu estar aqui sempre de birra com ela?? Ora essa!