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terça-feira, novembro 15, 2005

A Poesia do Dia (para abrir o debate político)

As mãos

Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema – e são de terra.
Com mãos se faz a guerra – e são a paz.

Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.

E cravam-se no Tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.

De mãos é cada flor cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.

Manuel Alegre, O Canto e as Armas, 1967

8 comentários:

paperspace disse...

devia era ser "O Canto e as Mãos

Anette disse...

Eh eh.

anette disse...

A propósito destas palavras do Alegre, e como estou aqui para estes lados, destaco as mãos do artista José Franco, que está no Sobreiro e trabalha o barro como ninguém. Aproveitem estes dias de sol outonal para dar a chamada volta saloia e redescobrirem as maravilhas do Sobreiro. Há quanto tempo não vão lá, confessem. Há pão com chouriço e vinho em barro.

Rui Borges disse...

Morei aí bem pertinho um ano...E as saudades apertam de vez em quando.

Promotora do concelho disse...

Então vá, toca a levantar esse rabo preguiçoso do sofá e a vir passear para estes lados.

paperspace disse...

o sobreiro, xiiiiii...isso fica atrás do sol posto...

Anette disse...

Paperspace, estamos muito espirituosos. Estou a gostar de ver.

Rui Borges disse...

...Talvez dentro de pouco tempo não levante só o rabo e levante também o sofá...Vamos mudar de instalações e estou a pensar seriamente regressar ao Oeste...
;)