Bom, antes de mais, peço desculpa pela demora no anúncio que vos prometi fazer "amanhã" (dia 26 de Outubro). É certo, passaram uns dias, mas caramba... quem não gosta de agudizar assim um bocadito a curiosidade?
Muito bem, feito este prólogo à moda da Póvoa de Cima (fica sempre bem falar nas nossas origens), passo a contar a novidade: passados cerca de oito anos regressei ao basquetebol. Sim, os mais próximos sabem bem que, apesar da minha pequena estatura, a menina até encesta bem e até marca alguns pontos e então decidi (porque não?) voltar a pôr à prova os meus dotes com a bola.
Pronto, certamente os que esperavam bebés e outras coisas como novidade sentir-se-ão um pouco decepcionados, mas, acreditem, esta é uma grande novidade. Para mim é! E a vida de desempregada pode ser muito amarga sob o ponto de vista profissional, mas, por outro lado, oferece-nos estes docinhos que dizem respeito ao plano pessoal. Coisas que temos muita vontade de fazer, mas que se desvanecem porque o tempo nunca chega para nada.
Apesar de há cerca de duas semanas (altura em que comecei a treinar) me doerem todos os músculos, incluindo os das orelhas, é um prazer enorme poder voltar a lançar aquela bola linda para aquele cesto tão nosso amiguinho.
Bom, fica então a novidade, faço parte da equipa de séniores de uma equipa destes lados de Mafra, a jogar no campeonato nacional da II divisão. E como ainda vamos na segunda jornada, não vale a pena dizer em que posição é que estamos.
Beijos e abraços de uma basquetebolista que ainda vai dar que falar... Ticha Penicheiro, tu põe-te a pau melher.
PS: Eu sei que se estão também a borrifar para isto, mas aproveito para dizer que, desde que estou em casa, já fui ao dentista DUAS vezes. Hã?! Até estou com uma pose nova, um sorriso lindo, enfim...xau.
Espaço sobre tudo e mais alguma coisa, que isto de ter cantinhos muito específicozinhos sobre coisinhas pode ser, vá, esquisito
segunda-feira, outubro 31, 2005
terça-feira, outubro 25, 2005
Publicidade gratuita
Há quem goste de dar pontapés no ar, há quem goste de beber pontapés na c*na, há quem goste de tentar pontapés de sorte, há quem esteja sempre a dar pontapés na porta e...há também quem ame pontapés de canto. Para os amantes do chamado desporto rei, para quem realmente respira futebol, não percam uma visita diária ao novo blog Pontapé de Canto.
Até já, volto amanhã com uma novidade!! Huuuuu....
Até já, volto amanhã com uma novidade!! Huuuuu....
segunda-feira, outubro 24, 2005
Cântico Negro (para começar bem esta semana)

"Vem por aqui" - dizem-me alguns com olhos doces,
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom se eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui"!
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mãe.
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
Por que me repetis: "vem por aqui"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis machados, ferramentas, e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
Sei que não vou por aí.
José Régio
quarta-feira, outubro 19, 2005
Provérbios de um mau dia
Dia nenhum sem bem algum
Dia perdido nunca é preenchido
Dias passados, fogueiras mortas, quem as recorda, revolve cinzas
Dias há em que as gentes não olham para as pessoas, senão para os lugares donde as vêem (séc. XVII)
Dias melhores hão-de vir
Dia perdido nunca é preenchido
Dias passados, fogueiras mortas, quem as recorda, revolve cinzas
Dias há em que as gentes não olham para as pessoas, senão para os lugares donde as vêem (séc. XVII)
Dias melhores hão-de vir
sexta-feira, outubro 14, 2005
Post(e)s
Nunca mais pedi desculpa a um poste
Este é um outdoor do InstitutÓptico. Para todos os que como eu são míopes que nem uma porta.
Nunca mais pedi desculpa a um post
Tenho cá o meu orgulho. E posso muito bem ter ideias míopes que nem uma porta. Não importa.
Este é um outdoor do InstitutÓptico. Para todos os que como eu são míopes que nem uma porta.
Nunca mais pedi desculpa a um post
Tenho cá o meu orgulho. E posso muito bem ter ideias míopes que nem uma porta. Não importa.
Ufa... isto assim é canja!
As autoridades sanitárias vieram hoje esclarecer que a Gripe das Aves não afectará os nossos hábitos alimentares, uma vez que o vírus não se propaga se o frango for cozinhado.
Dahh!! Quer dizer, andava eu aqui numa angústia porque o bicho já andava na Roménia e na Turquia e só agora me vêm explicar que os riscos afectam quem lida de perto com os animais vivos. Não se faz! Opá, não se faz.
Dahh!! Quer dizer, andava eu aqui numa angústia porque o bicho já andava na Roménia e na Turquia e só agora me vêm explicar que os riscos afectam quem lida de perto com os animais vivos. Não se faz! Opá, não se faz.
terça-feira, outubro 11, 2005
(Prometi a mim mesma que não dedicava nenhum post a isto mas...)
Portugal ficou tão mal com estas eleições autárquicas que nem o furacão "Vince" quis passar por cá!!
sexta-feira, outubro 07, 2005
Lisboa é uma gaja boa
Dizem de Paris que é a Cidade-Luz. Perdoem-me a traição, mas é Lisboa. Lisboa tem aquela Luz branca, que, de tão branca, quase que cega, quase inebria. É bela a Luz do Terreiro do Paço, apesar das obras. É bela ao fim do Bairro Alto, a tropeçar pelo elevador da Bica até ao Tejo. É tão branca vista do castelo, e é branca à sombra do miradouro da Graça. Lisboa é uma mulher de sete curvas e outras tantas colinas. E dança. Mesmo de noite Lisboa tem Luz, e isso nada tem que ver com a escassez de candeeiros. Lisboa é aquele vinho quente nocturno que se toma imaginando o chorar da guitarra lá ao longe. É todo aquele trânsito sem rumo, aqueles lábios sem beijos. Lisboa é tudo isso... e disto nada.
Porquê?
Os asiáticos têm a gripe das aves, os angolanos levam com o vírus de Marburg... aos portugueses tinha de calhar o João Kléber. Porquê?
terça-feira, outubro 04, 2005
Já lá vai um ano

Está agora a fazer um ano desde que estive em Cabo Verde. Como tenho muitas saudades, partilho com todos esta imagem que, acima de tudo, me traz à memória duas coisas: a primeira, que o céu de Cabo Verde é o mais bonito que alguma vez vi; segundo, que o gajo na foto era tão chato, tão chato, que nem vos passa pela cabeça...nha sarna.
Abraços à companheira de viagem Marocas.
segunda-feira, outubro 03, 2005
sexta-feira, setembro 30, 2005
Os vampiros
No céu cinzento sob o astro mudo
Batendo as asas pela noite calada
Vêm em bandos com pés veludo
Chupar o sangue fresco da manada
Se alguém se engana com seu ar sisudo
E lhes franqueia as portas à chegada
Eles comem tudo eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada
A toda a parte chegam os vampiros
Poisam nos prédios poisam nas calçadas
Trazem no ventre despojos antigos
Mas nada os prende às vidas acabadas
São os mordomos do universo todo
Senhores à força mandadores sem lei
Enchem as tulhas bebem vinho novo
Dançam a ronda no pinhal do rei
Eles comem tudo eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada
No chão do medo tombam os vencidos
Ouvem-se os gritos na noite abafada
Jazem nos fossos vítimas dum credo
E não se esgota o sangue da manada
Zeca Afonso
Batendo as asas pela noite calada
Vêm em bandos com pés veludo
Chupar o sangue fresco da manada
Se alguém se engana com seu ar sisudo
E lhes franqueia as portas à chegada
Eles comem tudo eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada
A toda a parte chegam os vampiros
Poisam nos prédios poisam nas calçadas
Trazem no ventre despojos antigos
Mas nada os prende às vidas acabadas
São os mordomos do universo todo
Senhores à força mandadores sem lei
Enchem as tulhas bebem vinho novo
Dançam a ronda no pinhal do rei
Eles comem tudo eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada
No chão do medo tombam os vencidos
Ouvem-se os gritos na noite abafada
Jazem nos fossos vítimas dum credo
E não se esgota o sangue da manada
Zeca Afonso
quinta-feira, setembro 29, 2005
Eclipse
Na próxima segunda-feira de manhã vamos assistir ao primeiro eclipse solar do século. Em ocasiões de Lua Nova, e se os centros do Sol, da Terra e da Lua estiverem alinhados, existem eclipses cujas características dependem da distância entre a Terra e a Lua. Neste caso é um eclipse anular, de anel de Sol à volta da Lua; e apenas nas regiões do Norte do País se vê na totalidade. Começa às 08:35 e termina às 11:20, mas a parte mais interessante é por volta das 09:55.
quarta-feira, setembro 28, 2005
E então?!!
Pelo que se ouve dizer por aí, os arguidos Isaltino Morais, Fátima Felgueiras, Avelino Ferreira Torres e Valentim Loureiro, são mesmo capazes de merecer a confiança da maioria dos eleitores e ganharem as respectivas câmaras.
Eu ainda não acredito que isso possa de facto acontecer, mas se assim for eu juro que mando um balázio nos cornos de quem vier com aquela conversa de que os políticos são uns corruptos e que a Justiça é cega e que não pune os que merecem, blá, blá, blá... Também, se eu matar alguém o que é que me pode acontecer?! Ou passo umas belas férias no Brasil, ou ganho aí uma autarquia! E então?!
A verdade é que no meio desta mega-hipocrisia-político-judicial ainda há uma coisa que nos anima: afinal, o próximo Presidente da República sempre pode ser o Soares, o Cavaco, o Alegre e,... quem sabe, até mesmo o Jerónimo.
Arghhhh. Ai meu Deus!!
Eu ainda não acredito que isso possa de facto acontecer, mas se assim for eu juro que mando um balázio nos cornos de quem vier com aquela conversa de que os políticos são uns corruptos e que a Justiça é cega e que não pune os que merecem, blá, blá, blá... Também, se eu matar alguém o que é que me pode acontecer?! Ou passo umas belas férias no Brasil, ou ganho aí uma autarquia! E então?!
A verdade é que no meio desta mega-hipocrisia-político-judicial ainda há uma coisa que nos anima: afinal, o próximo Presidente da República sempre pode ser o Soares, o Cavaco, o Alegre e,... quem sabe, até mesmo o Jerónimo.
Arghhhh. Ai meu Deus!!
segunda-feira, setembro 26, 2005
1,71 metros de altura e olhos verdes!!!!
Tenho um metro e setenta e um de altura, cabelos longos bem negros e uns olhos verdes enormes e bem sublinhados pelas sobrancelhas. Sessenta centímetros de cintura, cento e um de peito e oitenta e seis de anca. Tenho um carro maravilhoso que não vos sei dizer a marca e agora vou ter de ir embora, senão perco o avião para as ilhas gregas.
Observação: É isto que mais me fascina nas novas tecnologias. Uma boa peta (excepto os 101 de peito) à distância de um teclado.
Observação: É isto que mais me fascina nas novas tecnologias. Uma boa peta (excepto os 101 de peito) à distância de um teclado.
sábado, setembro 24, 2005
Estrangeiradas
As tatuagens hoje em dia são uma cena muito pró estranho. Cada vez mais se deixam de ver os belos desenhos que se faziam de verdadeiras imagens e hoje em dia está na moda ter uma tatu com letras estrangeiras. Por exemplo, os jogadores da bola têm o nome dos filhos inscritos em chinês ou hebraico ou arábico (aquela cena....). Quantas vezes não vão a andar na rua e vêem pessoal com letras chinesas no braço ou no pescoço.
Se se quiserem rir um pouco experimentem perguntar às pessoas o que é que aquela letra quer dizer. Vários dizem "paz" ou "amor" ou o signo. As letras é que nem todas são iguais.
Há bacanos que pensam que têm "paz" e na verdade têm "pato com laranja". E os nomes dos filhotes???? Teêm MESMO A CERTEZA que é um nome de pessoa???? (Simão, esta é para ti!) Quem vos disse? "Ah foi o bacano que me fez a tatu!"
ABRAM A PESTANA!!!!
Made by Rios
Se se quiserem rir um pouco experimentem perguntar às pessoas o que é que aquela letra quer dizer. Vários dizem "paz" ou "amor" ou o signo. As letras é que nem todas são iguais.
Há bacanos que pensam que têm "paz" e na verdade têm "pato com laranja". E os nomes dos filhotes???? Teêm MESMO A CERTEZA que é um nome de pessoa???? (Simão, esta é para ti!) Quem vos disse? "Ah foi o bacano que me fez a tatu!"
ABRAM A PESTANA!!!!
Made by Rios
sexta-feira, setembro 23, 2005
No dia em que a minha tia fez 57 anos virei-me para ela enquanto nos despedíamos dos últimos goles de champanhe e disse-lhe: "Tenho um blog".
Ficou brutalmente arregalada a olhar para mim como se lhe tivesse dito que era lésbica ou que era suplente na 1ª Companhia e sussurou-me: "Onde é que apanhaste isso?! Ó filha vais é já amanhã àquele médico do teu tio".
A diferença de gerações às vezes chega a ser gritante. Estou agora a lembrar-me dos sobrinhos da Teresinha que foram dar de caras com discos em vinil arumados no sótão e lhe perguntaram: "Ó tia, o que é que são estes cd's grandes?"!!
Hoje, chamava-me a minha mãe para o jantar e eu respondia-lhe que primeiro tinha de ir pôr um "poust" (post). (Há quem diga "póst", o que tem uma certa graça). "Ai esses teus intestinos, filha. Come cereais, come cereais!!".
O meu pai, indignado, lançava-se da sala para lhe explicar: "Tu tens com cada uma, a miúda não te está a dizer que vai à casa-de-banho"... E avançando sobre mim enquanto abanava a cabeça, pousou a mão dele sobre o meu cocoruto a perguntar-me: "Eu tenho aqui. Queres pôr um amarelo ou um cor-de-rosa?". Na mão, dois blocos de post-it's, que à boa maneira portuguesa se pronunciam "póxtites".
Escolhi os amarelos e já nem fui pôr post algum. Tou a fazê-lo agora, no silêncio da madrugada. E se algum deles me aparecer no quarto a perguntar o que estou a fazer, minto e digo que estava a fumar um charrito.
Ficou brutalmente arregalada a olhar para mim como se lhe tivesse dito que era lésbica ou que era suplente na 1ª Companhia e sussurou-me: "Onde é que apanhaste isso?! Ó filha vais é já amanhã àquele médico do teu tio".
A diferença de gerações às vezes chega a ser gritante. Estou agora a lembrar-me dos sobrinhos da Teresinha que foram dar de caras com discos em vinil arumados no sótão e lhe perguntaram: "Ó tia, o que é que são estes cd's grandes?"!!
Hoje, chamava-me a minha mãe para o jantar e eu respondia-lhe que primeiro tinha de ir pôr um "poust" (post). (Há quem diga "póst", o que tem uma certa graça). "Ai esses teus intestinos, filha. Come cereais, come cereais!!".
O meu pai, indignado, lançava-se da sala para lhe explicar: "Tu tens com cada uma, a miúda não te está a dizer que vai à casa-de-banho"... E avançando sobre mim enquanto abanava a cabeça, pousou a mão dele sobre o meu cocoruto a perguntar-me: "Eu tenho aqui. Queres pôr um amarelo ou um cor-de-rosa?". Na mão, dois blocos de post-it's, que à boa maneira portuguesa se pronunciam "póxtites".
Escolhi os amarelos e já nem fui pôr post algum. Tou a fazê-lo agora, no silêncio da madrugada. E se algum deles me aparecer no quarto a perguntar o que estou a fazer, minto e digo que estava a fumar um charrito.
quinta-feira, setembro 22, 2005
Cheiretes
O chulé, o cheiro a queijo e outras coisas que tal que se dizem para explicar o mau odor dos pés, é um problema que afecta não só o Necas mas também muito boa gente por esse mundo fora. Está bem que ninguém cheira bem dos pés no final de uma longa caminhada num dia quente de Verão. Mas existem hábitos de higiene a ter em conta, e são isso mesmo: hábitos (diários, de preferência). Mas o que me traz a este post não é bem o asseio, e sim o facto de existirem verdadeiras investigações científicas que tentam caracterizar os componentes responsáveis pelo dito cheiro fétido. Ora eu ponho-me a imaginar aqueles gajos do alto da sua sabedoria, de bata branquinha e engomada e luvas assépticas, a chafurdarem num mundo de suadas peúgas e sapatos podres. Espero bem que substituam os habituais óculos grandes por uns tapa-narizes do mesmo material. Os tais cientistas são japoneses e americanos (não rir) e elegeram as substâncias mais nauseabundas que se podem cheirar: nas naturais ganha o metilcarptano que é o responsável pela halitose; nas sintéticas a U. S. Government Standard Bathroom Malodor (não rir) cuja composição é secreta. Epá, e os ovos podres? o aroma de merda de alguns WC públicos? de mijo em algumas ruelas de Lisboa? e as ratazanas mortas, essas incompreendidas? o cheiro das bombas de gasolina (esta é minha)?; está mal, deviam ter vindo falar connosco primeiro para a elucidação total de componentes responsáveis por cheiros nojentos. Connosco: as autoras e vós ouvintes, digam de vossa justiça. E em jeito de conclusão, para os Necas que pensam que os seus pés cheiram mal, é mesmo verdade amigos, exalam de facto esse mau odor com o qual perfumam a atmosfera circundante.
sábado, setembro 17, 2005
O Fanecas ou Uma construção de um personagem (tão boa como outra qualquer)
O Fanecas, ou Necas para os amigos, era um gajo porreiro. Tinha lá o seu feitio, convenhamos... muito próprio, mas era o que se pode chamar um grande personagem.
Começava muitas das suas frases por: "Épa, isto pode parecer-te um bocado estranho..." ou "Já sei o que é que vais dizer...", ruminando qualquer coisa do arco da velha pelo meio, e terminando algumas delas com "Olha, são pérolas p’ra porcos, pá" ou "É dar bons vinhos a maus fígados, sabem lá o que é essa merda...".
O estado civil do Fanecas era algo que permanecia um mistério. Casado não era, não existia registo de nenhum acontecimento do género, mas não perdia uma despedida de solteiro. Também não constava que tivesse namorada oficial; claro que os amigos perceberam logo que a Ana Maria era alguém mais especial mas, como não falava nisso, também não lhe perguntavam. Trazia a tiracolo mulheres dos géneros mais diversificados, que iam, e às vezes voltavam, com uma frequência espantosa. Era um predador romântico: chegava a enviar flores e bombons às miúdas giras que apareciam na televisão, na internet, nos bares, esperando uma recompensa mas fingindo não a esperar. Conservava com as mulheres a sua educação da infância: o cuidado no evitar o vernáculo perto da mãe e as caralhadas e risadas que soltava com o pai.
Na política, assumia-se como um gajo do contra. Até nem se importava de levar outra vez com o Mário Soares e o Cavaco Silva, só para poder dizer mal à vontade devidamente fundamentado no passado. Mas não ia votar. Dizia com sarcasmo dos políticos: "É só injustiças de merda, eu não acredito em mentiras pá. ‘Tou-me a cagar p’ra eles todos, são todos uns corruptos. Puta que os pariu mais a recessão..."
O Necas gostava de folhear A BOLA logo pela manhã ainda cheia de tinta. E gostava de ver a bola com os amigos no café, até porque era forreta e nunca ia ao estádio. "Aqui é mais emocionante, um gajo lá não vê nada.", nunca se sabendo se a emoção lhe surgia com as fresquinhas que despejava ou com a visão mais toldada que disparava para o écran. Nas faltas dos jogadores da sua equipa justificava: "Ele ‘tava a ir à bola, a fazer jogo... e o outro gajo atirou-se pr’ó chão, pá! Qual é o árbitro que não vê esta merda?" O Necas levava as mãos à cabeça quando era golo da outra equipa ao passo que sorria tranquila e desdenhosamente quando a sua marcava.
O Necas era um ex-fumador desejoso de reincidir. Andava numa espécie de liberdade condicional pois havia largado há pouco tempo, e o que ele sofria!... Às vezes abanava a mão incomodado, a afastar o fumo do cigarro dos outros. Mas à noite, já com os copos, apetecia-lhe fumar este mundo e o outro. Ficava para ali a salivar qual canino de Pavlov mas como "um gajo é um animal racional" lá controlava os ímpetos, não deixando de fixar exaustivamente o objecto de desejo.
O Necas era funcionário público. Não gostava de falar do trabalho, a não ser para reclamar do facto de ter de trabalhar. Tinha muitas regalias mas fingia não as ter. Na verdade poder-se-ia dizer que o Necas trabalhava apenas quatro dias úteis, dado que às segundas de manhã e sextas à tarde não fazia a ponta de um corno. Andava a estrebuchar em frequência FDS Mega Hertz – FDS de fim de semana, ou em interpretação livre: "Foda-se, já aqui ‘tou outra vez?" e "Foda-se, o que’é qu’eu ainda aqui ‘tou a fazer?". No regresso das férias ao trabalho emitia em frequência pirata intraduzível.
O Necas tinha as suas particularidades, "Deixem-me cá com as minhas merdas, pá!". Por exemplo, gostava de sumo de mamão e não admitia piadas sobre o assunto. E depois existiam outros temas intocáveis como dizerem-lhe que era sovina, que guardava trocos por vocação, perguntarem-lhe por que é que lhe chamavam Fanecas e qual o seu verdadeiro nome. Mas o que realmente deixava o Necas chateado era dizerem-lhe que cheirava mal dos pés, "Ouve lá, mas tu queres levar uma pêra?". No entanto à noite largava os ténis a espantar o odor na varanda... mas isso só eu é que sei porque sou uma narradora omnisciente e inventei o personagem do Fanecas.
Começava muitas das suas frases por: "Épa, isto pode parecer-te um bocado estranho..." ou "Já sei o que é que vais dizer...", ruminando qualquer coisa do arco da velha pelo meio, e terminando algumas delas com "Olha, são pérolas p’ra porcos, pá" ou "É dar bons vinhos a maus fígados, sabem lá o que é essa merda...".
O estado civil do Fanecas era algo que permanecia um mistério. Casado não era, não existia registo de nenhum acontecimento do género, mas não perdia uma despedida de solteiro. Também não constava que tivesse namorada oficial; claro que os amigos perceberam logo que a Ana Maria era alguém mais especial mas, como não falava nisso, também não lhe perguntavam. Trazia a tiracolo mulheres dos géneros mais diversificados, que iam, e às vezes voltavam, com uma frequência espantosa. Era um predador romântico: chegava a enviar flores e bombons às miúdas giras que apareciam na televisão, na internet, nos bares, esperando uma recompensa mas fingindo não a esperar. Conservava com as mulheres a sua educação da infância: o cuidado no evitar o vernáculo perto da mãe e as caralhadas e risadas que soltava com o pai.
Na política, assumia-se como um gajo do contra. Até nem se importava de levar outra vez com o Mário Soares e o Cavaco Silva, só para poder dizer mal à vontade devidamente fundamentado no passado. Mas não ia votar. Dizia com sarcasmo dos políticos: "É só injustiças de merda, eu não acredito em mentiras pá. ‘Tou-me a cagar p’ra eles todos, são todos uns corruptos. Puta que os pariu mais a recessão..."
O Necas gostava de folhear A BOLA logo pela manhã ainda cheia de tinta. E gostava de ver a bola com os amigos no café, até porque era forreta e nunca ia ao estádio. "Aqui é mais emocionante, um gajo lá não vê nada.", nunca se sabendo se a emoção lhe surgia com as fresquinhas que despejava ou com a visão mais toldada que disparava para o écran. Nas faltas dos jogadores da sua equipa justificava: "Ele ‘tava a ir à bola, a fazer jogo... e o outro gajo atirou-se pr’ó chão, pá! Qual é o árbitro que não vê esta merda?" O Necas levava as mãos à cabeça quando era golo da outra equipa ao passo que sorria tranquila e desdenhosamente quando a sua marcava.
O Necas era um ex-fumador desejoso de reincidir. Andava numa espécie de liberdade condicional pois havia largado há pouco tempo, e o que ele sofria!... Às vezes abanava a mão incomodado, a afastar o fumo do cigarro dos outros. Mas à noite, já com os copos, apetecia-lhe fumar este mundo e o outro. Ficava para ali a salivar qual canino de Pavlov mas como "um gajo é um animal racional" lá controlava os ímpetos, não deixando de fixar exaustivamente o objecto de desejo.
O Necas era funcionário público. Não gostava de falar do trabalho, a não ser para reclamar do facto de ter de trabalhar. Tinha muitas regalias mas fingia não as ter. Na verdade poder-se-ia dizer que o Necas trabalhava apenas quatro dias úteis, dado que às segundas de manhã e sextas à tarde não fazia a ponta de um corno. Andava a estrebuchar em frequência FDS Mega Hertz – FDS de fim de semana, ou em interpretação livre: "Foda-se, já aqui ‘tou outra vez?" e "Foda-se, o que’é qu’eu ainda aqui ‘tou a fazer?". No regresso das férias ao trabalho emitia em frequência pirata intraduzível.
O Necas tinha as suas particularidades, "Deixem-me cá com as minhas merdas, pá!". Por exemplo, gostava de sumo de mamão e não admitia piadas sobre o assunto. E depois existiam outros temas intocáveis como dizerem-lhe que era sovina, que guardava trocos por vocação, perguntarem-lhe por que é que lhe chamavam Fanecas e qual o seu verdadeiro nome. Mas o que realmente deixava o Necas chateado era dizerem-lhe que cheirava mal dos pés, "Ouve lá, mas tu queres levar uma pêra?". No entanto à noite largava os ténis a espantar o odor na varanda... mas isso só eu é que sei porque sou uma narradora omnisciente e inventei o personagem do Fanecas.
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