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sexta-feira, julho 13, 2007

A nao perder...

A crónica de Vasco Pulido Valente no Público de hoje.

Sobre os DOZE!! candidatos à Câmara de Lisboa: “Cinco estão ali só por causa da publicidade: Garcia Pereira (como de costume), Manuel Monteiro (um caso patético); Pinto Coelho, Quartin Graça e Gonçalo da Câmara Pereira. É um espectáculo triste, que tristemente foi levado a sério. (...) Nunca houve que, me lembre, uma eleição tão degradante como esta.”

E é verdade. Fiquei envergonhada quando assisti esta semana a parte do debate organizado pela RTP com todos os candidatos, com destaque para a anormalidade de Gonçalo da Câmara Pereira. A Fátima Campos Ferreira pedia que cada um dos convidados dissesse se ia ou não aproveitar alguma coisa do Plano de Reabilitação da Baixa-Chiado elaborado por Maria José Nogueira Pinto. Bem ou mal, lá foram dizendo umas coisitas. Quando chegou a sua vez, o Câmara Pereira disse uma coisa absolutamente extraordinária: “Eu conheço parte desse projecto e para mim a Baixa está muito bem assim. Lisboa está muito bem, deixem-na ficar como está que está muito bem assim”.

Extraordinário! No mínimo, não?!

6 comentários:

Berta disse...

Para comentar este post (sobre o qual não podia discordar mais) envio um outro post sobre o mesmo artigo publicado no mesmo dia no http://eunaotunao.blogspot.com

É democracia a mais, tia
A crónica de Vasco Pulido Valente no "Público" de ontem, onde o vemos execrar o "circo" e a "degradação" a que o excesso de candidatos supostamente condena as eleições autárquicas em Lisboa, é bem elucidativo acerca do conceito de democracia que floresce entre a intelectualidade chique. O excesso de escolhas, sugere o cronista, só pode "confundir" o pobre eleitorado, já de si valha-nos deus tão taralhouco. Que não, que deviam ser menos, diz ele, pois a abundância de escolhas só é boa no supermercado; na política, quanto menos se confundir o rebanho eleitoral, melhor. O ideal seria dar-lhe só um candidato, para que não houvesse lugar a conflitos interiores, hesitações, confusões, perplexidades, "desinteresse". Daí que o cronista defenda a necessidade de um "critério editorial" por parte dos meios de comunicação, ou seja, que estes façam uma pré-selecção de candidatos, separem os bons dos maus, e lhes dêem (ou não) tempo de antena em conformidade. Ou seja, o que Valente defende é a censura e a parcialidade da imprensa; acha que cabe a esta fazer uma triagem política, determinar quais os candidatos legítimos e credíveis e quaos os que "estão ali só por causa da publicidade". Não é fácil, contudo, compreender que legitimidade tem a imprensa para decidir quem é ou não credível enquanto candidato, uma vez que não foi mandatada pelo povo para tais pré-selecções nem se lhe reconhece especial acuidade psicológica, moral ou política. Resta dizer que essa triagem que Valente advoga existe já e sempre existiu, lamentavelmente; razão pela qual, de resto, se pode dizer que não há nem nunca houve nenhuma verdadeira democracia. Mas o crónico cronista acha que a malha devia ser ainda mais apertada, para que isto pá não fosse a pouca-vergonha que é.
Deste modo, o seu conceito de democracia é o de uma democracia pré-cozinhada, enlatada e pronta a servir, uma democracia fast-vote & be quiet. E desse enlatado político, quem devem ser os cozinheiros, quem? Pois devem ser as "pessoas que sabem", os ilustres, os iluminados - as vanguardas políticas, enfim, à boa maneira leninista. E esta amostra de leninismo, por parte de um intelectual que sempre clamou a sua oposição ao comunismo, não deixa de ter a sua graça. E além de cómica, ainda nos permite supor duas coisas: a primeira, que a animosidade valentiana pelo comunismo se prendia mais com os fins do mesmo (o socialismo) do que com os meios (leninismo); e a segunda, que o desencanto com a política, de que Valente se faz eco desde o berço, deriva talvez apenas do facto de não haver, nesta porcaria de sistema democrático, um lugar de duce (ou pelo menos de fiscal ideológico) disponível para ele, o único homem capaz de pôr esta merda toda a funcionar como um relóginho suísso.
JMS

Anette disse...

Ó amiga Berta, agradeço o contributo mas não posso deixar de frisar que isto nada tem a ver com democracia. Concordo com essa questão de existir escolha, mas o que nos apareceu em Lisboa nem escolha foi. Um candidadto que diz que Lisboa está bem assim, nem mexam nela, não é nenhuma escolha, é uma inutilidade! Outro que diz que Lisboa gasta muito dinheiro a patrocinar os lobbies dos homossexuais, não é uma escolha, é uma absurdidade! isto nada tem a ver com liberdade de pensamento e de voto. O meu apreço pela crónica do Pulido Valente vai precisamente para o facto de, havendo a possibilidade de existirem vários candidatos, terem aparecido tantos que nem sequer conhecem a cidade. É bonito haver 12 candidatos só para podermos dizer que vivemos numa democracia e que assim há escolha, quando metade deles nem sequer sabe o que quer fazer da cidade?
Os eleitores não estão a votar em nomes. Os eleitores votam em pessoas com projectos para a cidade. E quando existem candidadtos que não têm esses projectos porque acham que a cidade está bem assim, desculpa, mas não posso concordar. Porque a democracia não se mede com variedade, mas com qualidade.

Berta disse...

Cara Anette,
A democracia, por definição, permite que qualquer candidato que consiga reunir as tais 5000 assinaturas se possa candidatar. Se este tiver uma votação mais ou menos relevante, até consegue que o estado lhe pague as despesas da campanha. Eu não tenho qualquer problema com isso. A motivação dos candidatos é outro assunto e depende da qualidade da democracia que temos. Se uns se candidatam por vaidade, é lá com eles (são mais benignos que aqueles que se candidatam para ajudar as grandes empresas do costume a arranjar uns bons negócios com o Estado) , o povo que decida e escolha, que é o que tu também dizes no no teu comentário. Quem parece ter problema com isto é o VPV, que com esta retórica sobre a motivação dos candidatos, assim como o seu número, vai desvirtuando o que este acto tem de mais importante. A câmara caiu por vários motivos, alguns deles muito graves. Estas eleições têm um contexto. Um administrador de uma empresa de construção civil é formalmente acusado de tentativa de corrupção activa de um vereador da câmara, mas VPV passa por cima de todos estes apetitosos tópicos e parece só encontrar assunto no excesso de candidatos e nas suas motivações de vaidade e publicidade. O VPV entretém-se com faits divers. Aliás, não é o que fazem quase todos?

Berta disse...

Gostava também de acrescentar que VPV ao menorizar todo o conjunto dos candidatos (ainda há alguns que se aproveitam e que estão lá para servir a causa pública), está de certa forma a contestar o próprio carácter desta eleição. O que VPV se recusa a fazer é reconhecer que os problemas da câmara foram causados pela direita em exercício e que Sá Fernandes teve um papel importante na denúncia desses problemas. Mas o que faz VPV? Critica a promiscuidade da autarquia com os empreiteiros? Não. Sobre isso nem uma vírgula. Prefere estranhamente achincalhar as eleições, misturar convenientemente o trigo com o joio e até quiçá lamentar os gastos com esta desnecessária eleição intercalar feitos à conta do erário público. O discurso da "choldra" já tem barbas e antecessores bem mais creditados do que ele.

Anette disse...

O VPV podia ter escrito sobre mil e uma coisas. Escreveu sobre isto... e eu identifiquei-me com as ideias dele. Tive vergonha do que aconteceu nesta corrida intercalar e achei muito bem ele ter dedicado umas linhas ao assunto. Foi uma vergonha o que aconteceu antes? Foi. Há espaço para todas as opiniões. Eu achei esta oportuna, mas admito que tivesses achado que outros assuntos tivessem mais interesse público.

Beijinhos

Berta disse...

Eu compreendo que te possas rever nas opiniões do VPV. Eu própria me revejo em algumas opiniões avulsas. O que acontece é que depois de ler uma crónica, duas , três e acompanhar semanalmente o cronista me apercebo que ele não faz mais nada além de criticar. O seu alvo preferencial é normalmente a Esquerda, vendo em tudo os espectros do velho leninismo. Quando não pode criticar a esquerda critica o país como um todo. Realçando sempre com imenso tédio o quanto a nação é néscia, boçal e incapaz. A única vez em que o vi elogiar alguém foi (pasme-se) a Clara Pinto Correia, mas claro está para criticar (de forma bastante elíptica diga-se de passagem) o PREC.
Para mim, não há pachorra para este gajo.

Quanto a mim, esta conversa pode acabar por aqui. Aproveito e desejo-te boa sorte para o preparativos do casamento e que continues a postar com regularidade.
Beijinhos