A mais sábia recomendação que se pode dar a um amigo com um problema é mesmo:
“Olha, caga nisso!”
Espaço sobre tudo e mais alguma coisa, que isto de ter cantinhos muito específicozinhos sobre coisinhas pode ser, vá, esquisito
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quinta-feira, fevereiro 15, 2007
Dia de escatologia
A melhor maneira de rematar uma conversa desinteressante é, quase sempre, um redondo:
“Caguei nessa merda”
“Caguei nessa merda”
É cá uma limpeza…
Àqueles que andam amargurados e angustiados, deprimidos e entupidos, e que julgam necessitar de uma “limpeza espiritual” em suas vidas, eu começava por aconselhar assim… uma feijoada valente!
(claro que os viciados ficam em vantagem se lhe acrescentarem um café e um cigarro…)
(claro que os viciados ficam em vantagem se lhe acrescentarem um café e um cigarro…)
quarta-feira, fevereiro 14, 2007
Dia dos Namorados
Aqui menino não entra
Lê-se na Mônica a toda a hora
Hoje nos restaurantes há placas
Com “solteiros ficam de fora!”
Ficam tristes e sozinhos
Sem um ombro p’ra encostar
Sem cabelos p’ra mexer
Sem boca p’ra linguarar
Andam hoje aos caídos
Irritados com os casais
Que andam para aí feitos parvos
Contentes como os pardais
Pois já reservei minha mesa
Em local colado ao rio
Com bebida à fartazana
E comida ao desvario
Como boa namoradeira
Há coisa que não vai faltar
O carro junto ao rio
Todo, todo a abanar!
Lê-se na Mônica a toda a hora
Hoje nos restaurantes há placas
Com “solteiros ficam de fora!”
Ficam tristes e sozinhos
Sem um ombro p’ra encostar
Sem cabelos p’ra mexer
Sem boca p’ra linguarar
Andam hoje aos caídos
Irritados com os casais
Que andam para aí feitos parvos
Contentes como os pardais
Pois já reservei minha mesa
Em local colado ao rio
Com bebida à fartazana
E comida ao desvario
Como boa namoradeira
Há coisa que não vai faltar
O carro junto ao rio
Todo, todo a abanar!
domingo, fevereiro 11, 2007
Déjà vu… mais non trop!
Já não é a primeira vez que sou convocada a pronunciar-me a voto em referendo popular. Parece que o tema é repetido e nem tem nada que ver com partidos políticos.
Amanhã lá irei depositar na urna o papelito bem dobrado e vincado, e a minha resposta não terá mudado um milímetro. Mas desta vez espero que o resultado seja diferente…
Amanhã lá irei depositar na urna o papelito bem dobrado e vincado, e a minha resposta não terá mudado um milímetro. Mas desta vez espero que o resultado seja diferente…
quinta-feira, fevereiro 08, 2007
I'm a New Blogger now!

Las Meninas (Infanta Margarita)
Pablo Picasso
Dated 14/09/57 on the back
Oil on canvas - 194 x 260 cm
Donated by the artist, 1968
http://www.museupicasso.bcn.es/index.htm
Aceitam-se ajudas para...
... encontrar uma cama que leve com um colchão de 180 por 200 que não seja pirosa até dizer chega e que não custe os olhos da cara;
... descobrir um tema para o casamento que não seja despropositado e que não seja sobre ilhas paradisíacas, nomes de poetas e nomes de flores;
... encontrar um verniz de unhas de cor que ao fim de DOIS!! dias não esteja a estalar;
... convencer a minha directora de que eu valho a pena, de que sou uma mais-valia para a revista e que, por isso, não posso continuar com este ordenado;
... me tratarem de todas as burocracias que tenho penduradas, tais como alteração de moradas que ainda tenho de fazer, entrega do IRS, dar baixa de uns cartões Visa, ir pôr o carro a mudar o óleo, and so on, and so on;
... ter as boxes em DVD de TODAS as séries televisivas que se encontram à venda. Isso mesmo... TODAS!
... para conseguir um esquema de acordar a tempo para poder tomar o meu pequeno-almoço em casa e não vir feita louca pelas curvas da Tapada com um iogurte numa mão e uma sandes de fiambre na outra.
... descobrir um tema para o casamento que não seja despropositado e que não seja sobre ilhas paradisíacas, nomes de poetas e nomes de flores;
... encontrar um verniz de unhas de cor que ao fim de DOIS!! dias não esteja a estalar;
... convencer a minha directora de que eu valho a pena, de que sou uma mais-valia para a revista e que, por isso, não posso continuar com este ordenado;
... me tratarem de todas as burocracias que tenho penduradas, tais como alteração de moradas que ainda tenho de fazer, entrega do IRS, dar baixa de uns cartões Visa, ir pôr o carro a mudar o óleo, and so on, and so on;
... ter as boxes em DVD de TODAS as séries televisivas que se encontram à venda. Isso mesmo... TODAS!
... para conseguir um esquema de acordar a tempo para poder tomar o meu pequeno-almoço em casa e não vir feita louca pelas curvas da Tapada com um iogurte numa mão e uma sandes de fiambre na outra.
quarta-feira, fevereiro 07, 2007
Portugal
Não foi uma delícia ver ontem as manobras de diversão do Cristiano Ronaldo, do Quaresma e do Simão?
Os putos não são uma maravilha? Ah, pois são!!
*ok, o Deco também não vai nada mal, mas não é tão engraçado como os outros...
Os putos não são uma maravilha? Ah, pois são!!
*ok, o Deco também não vai nada mal, mas não é tão engraçado como os outros...
terça-feira, fevereiro 06, 2007
Como os referendos alteram a forma como olhamos os outros e como os outros nos olham
Estamos numa fase em que pouco interessam os nomes próprios das pessoas. Agora ninguém quer saber se eu sou a Ana ou a Paula, querem é saber se sou um "sim" ou um "não".
segunda-feira, fevereiro 05, 2007
quinta-feira, fevereiro 01, 2007
Ai, ai...
Amanhã já é sexta-feira. amanhã já é dia 2 de Fevereiro do ano de 2007. E eu ainda tenho tanta coisa para fazer antes de 2010.
terça-feira, janeiro 30, 2007
Nao se faz, volta Fabio!
Opá... então os totós do Middlesbrough estão armados em parvos e não deixam vir o nosso Fábio Rochemback porquê?
Acham que o banco do Boro fica mais compostinho com a bunda do brasileirinho lá sentada, é isso? Ok, hoje vão pô-lo a jogar, naquela...
Vá lá senhor que manda no clubezeco... ainda faltam algumas horas para fecharem as inscrições. Deixa vir o cu de chumbo para o Sporting, vá láááááá.
Acham que o banco do Boro fica mais compostinho com a bunda do brasileirinho lá sentada, é isso? Ok, hoje vão pô-lo a jogar, naquela...
Vá lá senhor que manda no clubezeco... ainda faltam algumas horas para fecharem as inscrições. Deixa vir o cu de chumbo para o Sporting, vá láááááá.
sexta-feira, janeiro 26, 2007
Castigos da escola
Esta prosa vem a propósito da notícia do 24 Horas de hoje que denuncia um castigo praticado numa escola do interior sobre os alunos mal comportados. Para quem não leu, quem se porta mal vem para o recreio com um cartaz preso ao peito onde se lê, por exemplo: “Sou agressivo, não tenho o direito de brincar. Estou de castigo”.
Como podem calcular não vou perder muito tempo com esta parte da história que não seja a de defender que aquela professora devia ser imediatamente despedida com um cartaz ao peito a dizer: “Sou parva, não tenho o direito de humilhar. Estou no desemprego.”
Enfim... esta notícia acabou por me fazer regressar aos meus tempos de escola para constatar que nunca fui castigada, ok... à excepção de duas vezes.
Numa delas estava a falar muito durante a aula. Estava para aí na terceira classe e a minha grande paixão era o João Filipe (João se me estás a ler ficas a saber que quem gostava de ti era eu e não aquela parva da Rita com quem escolheste namorar durante a primária INTEIRA!). Como gostava dele, estava a armar-me perante o seu olhar atento e acabei em frente à secretária da professora a levar duas valentes reguadas. Ui, e doeu!
Bom, a segunda foi à hora da refeição. O almoço era carne guisada com massa e eu decidi não comer nada e atirar a carne que tinha no prato para debaixo das mesas corridas em cavalete. No final do almoço, ao desmancharem as mesas as funcionárias repararam nos pedaços de carne espalhados pelo chão (davam para reparar bem porque era aquela carne de vaca que ainda trazia o carimbo roxo por todo o lado, biec). O assunto deu confusão e em cada sala da escolinha, os professores reuniram os seus alunos e perguntaram quem é que tinha feito aquela proeza. No meio de, sei lá, 80 crianças, houve uma que se lembrou de levantar o braço e afirmar bem alto, perante o óbvio silêncio dos restantes: “Eu não fui!”. Ok, lá seguiu o castigo – nada de recreio e mais um prato de carne com massa.
Bom fim-de-semana a todos
Como podem calcular não vou perder muito tempo com esta parte da história que não seja a de defender que aquela professora devia ser imediatamente despedida com um cartaz ao peito a dizer: “Sou parva, não tenho o direito de humilhar. Estou no desemprego.”
Enfim... esta notícia acabou por me fazer regressar aos meus tempos de escola para constatar que nunca fui castigada, ok... à excepção de duas vezes.
Numa delas estava a falar muito durante a aula. Estava para aí na terceira classe e a minha grande paixão era o João Filipe (João se me estás a ler ficas a saber que quem gostava de ti era eu e não aquela parva da Rita com quem escolheste namorar durante a primária INTEIRA!). Como gostava dele, estava a armar-me perante o seu olhar atento e acabei em frente à secretária da professora a levar duas valentes reguadas. Ui, e doeu!
Bom, a segunda foi à hora da refeição. O almoço era carne guisada com massa e eu decidi não comer nada e atirar a carne que tinha no prato para debaixo das mesas corridas em cavalete. No final do almoço, ao desmancharem as mesas as funcionárias repararam nos pedaços de carne espalhados pelo chão (davam para reparar bem porque era aquela carne de vaca que ainda trazia o carimbo roxo por todo o lado, biec). O assunto deu confusão e em cada sala da escolinha, os professores reuniram os seus alunos e perguntaram quem é que tinha feito aquela proeza. No meio de, sei lá, 80 crianças, houve uma que se lembrou de levantar o braço e afirmar bem alto, perante o óbvio silêncio dos restantes: “Eu não fui!”. Ok, lá seguiu o castigo – nada de recreio e mais um prato de carne com massa.
Bom fim-de-semana a todos
quarta-feira, janeiro 24, 2007
segunda-feira, janeiro 22, 2007
Mulheres, ouçam-me!
Este fim-de-semana aconteceu um milagre lá em casa e vim partilhar convosco. Depois de ter pedido a mil quinhentas pessoas como prenda de Natal e nenhuma delas que me ter dado, decidi eu própria comprar as chapas alisantes da Babyliss.
De facto, já me tinham dito que aquilo dava mesmo resultado e que punha os cabelos lisos, lisos. AMIGAS: E não é que o raio da máquina funciona mesmo? Não é que a gente passa aquilo pelo cabelo e ele fica mesmo liso, liso, liso.
Estou tão contente que nem podem imaginar. Só de pensar nas idas ao cabeleireiro que vou riscar da minha agenda e dos mil e um penteados que vou poder desbravar no sossego do meu chalé... Comprem, a sério! Fim aos cabelos esgrenhados!
Notas de início de semana:
- Ri a bom rir com o "Big Brother dos Grandes Portugueses" feito pelos Gato. A participação do brutamontes estava demais!
- Este fim-de-semana foi bem mais produtivo no que se refere a quintas para o casório. Parece que está tudo encaminhado, mas é tudo para manter em segredo.
Boa semana para todos e um beijinho especial para a minha amiga e parceira aqui do blog, Gui.
De facto, já me tinham dito que aquilo dava mesmo resultado e que punha os cabelos lisos, lisos. AMIGAS: E não é que o raio da máquina funciona mesmo? Não é que a gente passa aquilo pelo cabelo e ele fica mesmo liso, liso, liso.
Estou tão contente que nem podem imaginar. Só de pensar nas idas ao cabeleireiro que vou riscar da minha agenda e dos mil e um penteados que vou poder desbravar no sossego do meu chalé... Comprem, a sério! Fim aos cabelos esgrenhados!
Notas de início de semana:
- Ri a bom rir com o "Big Brother dos Grandes Portugueses" feito pelos Gato. A participação do brutamontes estava demais!
- Este fim-de-semana foi bem mais produtivo no que se refere a quintas para o casório. Parece que está tudo encaminhado, mas é tudo para manter em segredo.
Boa semana para todos e um beijinho especial para a minha amiga e parceira aqui do blog, Gui.
sexta-feira, janeiro 19, 2007
Insolitos do dia... (desculpem mais uma vez a falta de acentos)
Imaginem uma qualquer loja 5 à Sec. Agora juntem-lhe uma senhora a passar a ferro junto ao vidro que funciona como montra. E agora pespeguem-lhe um velho cá fora a vê-la passar a ferro de braços atrás nas costas como quando se põem a ver as obras ou o futebol numa televisão da loja de electrodomésticos. Haja paciência para quem não tem mais nada para fazer!!
quinta-feira, janeiro 18, 2007
...mas é a única!!
A coisa má das mulheres que me rodeiam terem desatado a engravidar todas ao mesmo tempo, é que as minhas escolhas para nomes de futuros filhos começam a ficar algo limitadas...
quarta-feira, janeiro 17, 2007
A 30%
Hoje acordei a 30% e isso complica-me de imediato o bom andamento do resto do dia.
Tudo terá começado há cerca de uma semana, quando me lembrei que tinha sede e toca de beber uma grande copaneira de água, daquela bem fresquinha que costuma dar o ar da sua graça nos canos de Mafra.
Conhecem aquela senssação de pôr o pé dentro da água ali da Ericeira e parecer que os ossos querem sair fora da carne? Pois foi o que eu senti na garganta.
A coisa ainda se aguentou... vá, um dia! Primeiro veio a rouquidão. Até achei graça porque acho que na minha vida que já leva 29 anos foi a segunda vez que fiquei sem voz. Não tive febre, dormia bem e, por isso, o cenário não estava mau. Os primeiros sinais do que a seguir viria a acontecer aconteceram ontem. Em três alturas diferentes do dia tive ataques de tosse seca absolutamente desesperantes que me deixaram sem conseguir respirar e com os olhos todos cheios de lágrimas.
Mas o que aconteceu durante esta última noite foi indescritível! Era o sono a tentar vingar e a ser sucessivamente interrompido por uma tosse aborrecida e insistente que fez questão de me abrilhantar a madrugada até às oito da manhã, altura em que tive de me levantar. Durante esta maratona, devo ter comido para aí uns 25 rebuçados Halls e ter posto no peito para aí uns 4 metros de Vicks.
Hoje acordei a 30% porque ainda tenho tosse, estou cheia de sono e muito trabalho pela frente.
Que este dia passe depressa e que esta noite consiga dormir dez minutos seguidos sem um cof cof que seja!
Tudo terá começado há cerca de uma semana, quando me lembrei que tinha sede e toca de beber uma grande copaneira de água, daquela bem fresquinha que costuma dar o ar da sua graça nos canos de Mafra.
Conhecem aquela senssação de pôr o pé dentro da água ali da Ericeira e parecer que os ossos querem sair fora da carne? Pois foi o que eu senti na garganta.
A coisa ainda se aguentou... vá, um dia! Primeiro veio a rouquidão. Até achei graça porque acho que na minha vida que já leva 29 anos foi a segunda vez que fiquei sem voz. Não tive febre, dormia bem e, por isso, o cenário não estava mau. Os primeiros sinais do que a seguir viria a acontecer aconteceram ontem. Em três alturas diferentes do dia tive ataques de tosse seca absolutamente desesperantes que me deixaram sem conseguir respirar e com os olhos todos cheios de lágrimas.
Mas o que aconteceu durante esta última noite foi indescritível! Era o sono a tentar vingar e a ser sucessivamente interrompido por uma tosse aborrecida e insistente que fez questão de me abrilhantar a madrugada até às oito da manhã, altura em que tive de me levantar. Durante esta maratona, devo ter comido para aí uns 25 rebuçados Halls e ter posto no peito para aí uns 4 metros de Vicks.
Hoje acordei a 30% porque ainda tenho tosse, estou cheia de sono e muito trabalho pela frente.
Que este dia passe depressa e que esta noite consiga dormir dez minutos seguidos sem um cof cof que seja!
segunda-feira, janeiro 15, 2007
Começou a saga...
Então não é que passei o sábado inteirinho a ver quintas para casamentos e fiquei deprimida?
Porque é que têm de ter sempre carroças e repuxos? Porque é que as cadeiras têm de ser sempre brancas com um lençol por cima e um laço enorme nas costas?
Porque é que numa das quintas o vendedor teimava em repetir que os empregados entravam na sala sempre "perfiladinhos" (era o termo que o senhor usava). Que me interessa a mim que eles entrem "perfiladinhos"?
Porque é que insistem nas decorações em organza e nos marcadores de casquinha? Porque é que a mesa dos noivos é sempre sob o comprido e virada para o resto da sala como se estivéssemos na jaula dos gorilas?
Porque é que eu não posso reinventar tudo e pagar e pronto? E ser feliz?
Calma noivo, a esperança ainda não morreu e temos mais visitas para fazer. (Isto sou eu num processo de auto-mentalização de que daqui até lá tudo vai correr bem!)
Porque é que têm de ter sempre carroças e repuxos? Porque é que as cadeiras têm de ser sempre brancas com um lençol por cima e um laço enorme nas costas?
Porque é que numa das quintas o vendedor teimava em repetir que os empregados entravam na sala sempre "perfiladinhos" (era o termo que o senhor usava). Que me interessa a mim que eles entrem "perfiladinhos"?
Porque é que insistem nas decorações em organza e nos marcadores de casquinha? Porque é que a mesa dos noivos é sempre sob o comprido e virada para o resto da sala como se estivéssemos na jaula dos gorilas?
Porque é que eu não posso reinventar tudo e pagar e pronto? E ser feliz?
Calma noivo, a esperança ainda não morreu e temos mais visitas para fazer. (Isto sou eu num processo de auto-mentalização de que daqui até lá tudo vai correr bem!)
domingo, janeiro 14, 2007
Carta para a Leonor no dia em que faz 22 anos
«Só tem valor o que não se pode comprar. Podem-se comprar pêssegos mas não podemos comprar o pessegueiro em flor no campo em que floresce. Isto não tem a ver com o dinheiro. Pode-se dar dinheiro por coisas que têm valor. Uma fotografia, por exemplo, tem um custo, mas o seu valor está onde ela não está, de mistura com o sonho que nos agarra quando a vemos. É também assim o amor.
É sempre preciso voltar à banalidade das coisas. O espírito é só o contraste que revela. Somos pesados como a água e leves como o vento. Não paramos de passar. E o mistério das coisas não está nelas, nem em nós. O mistério existe e é tudo. E se quisermos saber tudo ficamos logo cegos. A bondade é o que há de mais belo, Leonor, e não se sabe o que é. É urgente que aprendas a viajar.
E não voltamos nunca. E vamos acabar. O que nos espera não espera por nós. Ficaremos cansados de qualquer maneira, e não há nada a fazer e isso já o sabíamos no começo e no fim não nos podemos queixar. E no entanto vale a pena este lugar, este tempo, esta vida que é um erro. Vale a pena esperar, não esquecer o que nunca está presente. Vamos indo, aos poucos, a um encontro secreto. Leonor, não tenhas medo.
A maldade turva o olhar, não o dos outros mas o nosso. Não é preciso ter em conta as consequências, é no próprio fazer que a culpa se mede. Olha para os teus olhos antes de olhares para os dos outros. O que os teus olhos vêem vem da luz que tens em ti. Foge do escuro, foge. Foge sobretudo das sombras do teu olhar. O mais precioso, por mais ténue, vale mais do que tudo o resto, mesmo sem existir. Todo o tempo é precioso. Dorme menos.
Não vale a pena dormir com um homem com quem se dorme. O prazer vem só com o que acompanha da melhor maneira. De resto está só em passar e não há caixa em que se guarde que depois se possa oferecer. Só o longo trabalho salva. E o amor precisa de mais cuidados que um jardim. Todos os dias é preciso regar o nosso amor. E podar os ramos mortos. Trabalhemos pois, Leonor, que o amor requer trabalho e o trabalho precisa de amor.
Nunca saberemos o que nos une. Nem o que nos separa. Foi sempre assim. É essa a pequena grandeza que nos distingue. Só nisso somos todos iguais. O homem do lixo vale mais que eu. A ideia que temos do que somos ou seremos é uma luz incerta. O mais das vezes enganamo-nos. Mais ainda quando julgamos acertar, felizmente. Temos sempre de recomeçar e é nisso que somos eternos. Louvemos pois o que nos separa e nos une, isso mesmo a que é preciso não desagradar.
E quando o corpo cansa e a alma entristece não faças caso. De vez em quando o mundo também precisa de descansar. Admira as árvores e a sua indiferença por ti. Não queiras ser o centro de nada. À tua volta descobre o que não és. A frivolidade gasta a alma numa inútil correria. Sê humilde e sensata. Se for preciso torna-te pesada como uma pedra que, embora pisada, não se levanta contra ninguém. E se for preciso sê como o chicote que corta, doce e alegre Leonor.»
Pedro Paixão in Vida de Adulto
É sempre preciso voltar à banalidade das coisas. O espírito é só o contraste que revela. Somos pesados como a água e leves como o vento. Não paramos de passar. E o mistério das coisas não está nelas, nem em nós. O mistério existe e é tudo. E se quisermos saber tudo ficamos logo cegos. A bondade é o que há de mais belo, Leonor, e não se sabe o que é. É urgente que aprendas a viajar.
E não voltamos nunca. E vamos acabar. O que nos espera não espera por nós. Ficaremos cansados de qualquer maneira, e não há nada a fazer e isso já o sabíamos no começo e no fim não nos podemos queixar. E no entanto vale a pena este lugar, este tempo, esta vida que é um erro. Vale a pena esperar, não esquecer o que nunca está presente. Vamos indo, aos poucos, a um encontro secreto. Leonor, não tenhas medo.
A maldade turva o olhar, não o dos outros mas o nosso. Não é preciso ter em conta as consequências, é no próprio fazer que a culpa se mede. Olha para os teus olhos antes de olhares para os dos outros. O que os teus olhos vêem vem da luz que tens em ti. Foge do escuro, foge. Foge sobretudo das sombras do teu olhar. O mais precioso, por mais ténue, vale mais do que tudo o resto, mesmo sem existir. Todo o tempo é precioso. Dorme menos.
Não vale a pena dormir com um homem com quem se dorme. O prazer vem só com o que acompanha da melhor maneira. De resto está só em passar e não há caixa em que se guarde que depois se possa oferecer. Só o longo trabalho salva. E o amor precisa de mais cuidados que um jardim. Todos os dias é preciso regar o nosso amor. E podar os ramos mortos. Trabalhemos pois, Leonor, que o amor requer trabalho e o trabalho precisa de amor.
Nunca saberemos o que nos une. Nem o que nos separa. Foi sempre assim. É essa a pequena grandeza que nos distingue. Só nisso somos todos iguais. O homem do lixo vale mais que eu. A ideia que temos do que somos ou seremos é uma luz incerta. O mais das vezes enganamo-nos. Mais ainda quando julgamos acertar, felizmente. Temos sempre de recomeçar e é nisso que somos eternos. Louvemos pois o que nos separa e nos une, isso mesmo a que é preciso não desagradar.
E quando o corpo cansa e a alma entristece não faças caso. De vez em quando o mundo também precisa de descansar. Admira as árvores e a sua indiferença por ti. Não queiras ser o centro de nada. À tua volta descobre o que não és. A frivolidade gasta a alma numa inútil correria. Sê humilde e sensata. Se for preciso torna-te pesada como uma pedra que, embora pisada, não se levanta contra ninguém. E se for preciso sê como o chicote que corta, doce e alegre Leonor.»
Pedro Paixão in Vida de Adulto
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