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segunda-feira, agosto 30, 2010

As primeiras férias

E já passaram os meus dias de férias. Não posso dizer "as minhas duas semanas" porque este ano pus o gajo a tratar disso e deu numa linda coisa que foi uma semana e três dias de férias. "Hã? Humm? Mas por que não duas semanas Zé? Por que razão marcaste uma semana e três dias?" Daqui só dá mesmo para pareceber uma coisa: para o ano fico eu com esse pelouro. Leva com três semanas seguidas que até anda de lado, que é assim que eu gosto.
Continuando. As férias já lá vão, mas descansar que era bom, muito pouco. Aqui a menina, que em anos anteriores estava habituada a estender-se ao sol durante horas infindas a enfiar sandes, gelados, e bolas de Berlim no bucho, esteve este ano dedicada ao mais pirralho da família, ao Rodrigo. E tudo muda. Praia nas alturas pouco escaldosas, refeições a horas, despertar às nove e meia... O puto é que mandou no estaminé e não havia cá pão para malucos. O melhor? Tudo. O pior? Andar na praia ou na piscina em biquíni, de rabo para o ar, para lhe conseguir segurar as mãos enquanto ele treina o seu andar. E como ele treina, Meu Deus! Ai o que aquele miúdo quer andar. Eu bem o atafolhava de brinquedos na sombrinha do chapéu para ele ficar ali sossegado, mas nada a fazer. Ele queria dar voltas, muitas voltas. E ainda não consegue fazê-lo sozinho. Infelizmente ou não, já não digo nada, também não gatinha. O meu filho desloca-se com a barriga encostada ao chão, numa espécie de rastejo que ele lá inventou, mas que utiliza só em último recurso.
E então, escusado será dizer que estou com as minhas costas feitas num oito. Eu e o pai, que também entrou ao serviço. Mau, mau, era quando durante esta missão e debaixo de um calorzinho insuportável começava a sentir-me descomposta. Uma maminha quase de fora e o biquíni a querer desaparecer por entre as bimbas como se não houvesse amanhã. E eu naquela triste figura, de mãe empenhada e deicada, a pensar "Ai que eu tenho de soltar uma mão ao miúdo para me arranjar. Ai Rodrigo que vais bater com o teu trombil fofo na pedra da piscina mas é por uma boa causa, para a mamã ficar mais bonita, tá?".
Em Setembro há mais. E tirando serem umas férias mais cansativas, correu tudo optimamente bem. O bebé come tudo e mais alguma coisa, não estranha camas, dorme na praia, na piscina, aguenta-se bem me restaurantes, adora o mar, e, acima de tudo, diverte-nos imenso com as palhaçadas que começa a soltar.

sexta-feira, julho 30, 2010

Eles

Só mesmo um grupo de homens para se entreterem durante uns largos minutos a mostrarem uns aos outros como são as cartas de condução de cada um. Irra.

Adenda: Festa de um ano do Rodrigo foi um sucesso. Apesar da casa a abarrotar não foi preciso deitar nenhuma parede abaixo. Menos mal.

quinta-feira, julho 22, 2010

Um ano de vida

A ovelha de peluche que aparece em ambas as fotos continua do mesmo tamanho. O Rodrigo não. Parabéns filhote valentão.

21/07/2009 38 cm. 850 gr.



21/07/2010 71 cm. 8 quilos

terça-feira, junho 22, 2010

Quem é vivo sempre aparece

Que ausência enorme deste meu blog que há um ano foi a minha companhia e o meu muro de lamentações e mais algumas coisas. Mas quem é vivo sempre aparece (que é uma expressão que eu gosto muito) e cá estou eu para dar as últimas novidades.
O Rodrigo fez hoje onze meses e está um espectáculo. Está a desenvolver-se muito bem e, embora não faça todas as coisas que um bebé da idade dele faz, dá para perceber que está a seguir bem o seu caminho. É pequenito, mas faz-se valer. É cabeçudo, sai ao pai. Tem o meu nariz, não tenho a menor dúvida. E começa agora a fazer das dele, porque quer andar a mexer em tudo, quer andar pela casa toda sem no entanto conseguir fazê-lo sozinho e palra e ri muito. Agora começo é já a pensar na festinha dele de um ano. Não sei bem o que fazer, mas quero que seja muito especial. Vou ali deitar-me na cama para pensar nisso um bocadinhom, pode ser?

terça-feira, maio 18, 2010

Nem acredito que o calor está a chegar. Bom. Tão bom. Que eu estou a precisar tanto de apanhar sol, de receber vitamina D. Que tenho tantas roupas frescas e giras para o rodrigo vestir. E que finalmente, vou começar a desforrar-me do Verão de cama que tive o ano passado. Iupi.

domingo, maio 09, 2010

E já foi

Uma semana de férias que soube a pouco. O tempo não ajudou, mas sempred eu para esplanar um dia ou outro. Acima de tudo deu para alinhavar e treinar logístics para ir à rua com o Rodrigo. Os dias foram mais ou menos assim. Bebé a colaborar e a deixar-nos dormir até às onze. Nada mau! Depois começa a correria. Mais uma horita e já está na hora de ele almoçar. Convém haver sopa de carne ou peixe feita e fruta para lhe dar. Confesso que um dia ou outro não tinha uma das coisas e lá foi desenrasca de boião. Num abrir de fechar e olhos é uma da tarde e eu e o pai começamos aí a pensar o que vamos nós almoçar. Enquanto um vai fazendo umas coisas o outro fica de olho no baby, que está naquela fase de ainda não gatinhar e de querer andar ao colo em vários recantos da casa para mexer naquelas coisas que ele lá acha graça. Coisas que ficam sempre em posições que nos fazem doer os braços, longe de uma televisão, de um sofá e na zona mais fria da casa. Depois de comermos é arranjar tudo para sairmos. Biberões, papas, frutas, iogurtes, fraldas, termo com água quente, brinquedos e mais isto e mais aquilo. Sair. E não dar conta que já são oito da noite e que está na hora de voltar para casa. E dar banhos, e dar vitaminas e entretê-lo nas birrinhas da noite. Ah, é verdade, temos de jantar qualquer coisa. E apesar de todo este cansaço e correria continua a ser tão bom. Xiça. Que isto de ser mãe é mesmo uma coisa inexplicável. Xiça. Que já passou a tal semana de férias e ainda estou cansada. Xiça. Que este Verão é que eu quero ver como vai ser com a tralha toda para a praia e calor. Muito calor.

terça-feira, abril 27, 2010

Eu só quero ver

Eu só quero ver que tempinho vai estar no fim-de-semana. Irra, que caloraça.

sexta-feira, abril 16, 2010

Só dizer que ando assim para o cansado, mas que está tudo bem. O Rodrigo está à beira de completar nove meses e está com quase oito quilos e quase com 67 centímetros. E pensar que chegou às 800 gramas e que nasceu com 38 centímetros. Irra. Continua um bebé muito tranquilo, tadito, querido. Já tem dois dentes. Dorme como um anjo e come sopa, papa e fruta com ganas. O trabalho é que me mata. Os dias são pequenos para a quantidade de coisas que quero fazer. De maneiras que ando cansada. Quando reequilibrar as energias conto as minhas últimas peripécias.

segunda-feira, março 22, 2010

Perdi a cabeça

Estava hoje a sair de um café com uma sandes para o almoço, quando um anormal de um homem na casa dos 50 decidiu que era boa altura para disfarçadamente me apalpar o rabo enquanto eu passava por ele. Perdi a cabeça e dei-lhe um sopapão-estalo-cacetada tão grande na tola que ele nem percebeu muito bem se estava ao balcão ou onde é que estava. Como se isso não bastasse, fiz-lhe uma gritaria em pleno estabelecimento com o dedo em riste onde disse uma série de coisas com sentido mas que já nem me lembro e obriguei-o a pedir-me desculpa pelo que tinha feito. Saí porta fora e desatei num pranto de nervos, enquanto o dono do café me pedia desculpa. Já nem me soube bem a porcaria da sandes. E agora vou-me deitar para esquecer este episódio que já não vivia há uns 18 anos, quando andava no liceu. Ele há com cada uma.

sábado, março 20, 2010

Coisas muito parvas que uma mãe hipocondríaca dá por si a fazer

Contam-se pelos dedos das mãos e dos pés e ainda das mãos e dos pés de toda a vizinhança aqui do bairro as vezes que já fui ver se o bebé estava a respirar enquanto dorme.

quarta-feira, março 17, 2010

Crise de identidade

Há dias tive um serviço que metia muita pequenada junta, barulhenta, irreverente. Miúdos naquela idade dos oito, nove anos, em que elas se divertem em frente a uma vidraça a fazer as coreografias da Beyoncé e em que eles têm aquele bigodito muito ridículo, que ainda não dá para rapar mas que já se vê ao longe.
Enfim, feito este intróito, dizia eu que estava no meio dessa pequenada, que esperava ansiosamente a chegada da Luciana Abreu, quando um grupo de quatro meninos se pôs a olhar para mim, a rir, a segredar e a olhar outra vez com sobrolhos franzidos. Fiquei inquieta. Um deles lá tratou de me dizer o seguinte: "Tu és mesmo parecida com o Nuno da biblioteca da nossa escola". Hã? "A sério, és igualinha ao Nuno da nossa escola, o da biblioteca". Hã?

quinta-feira, março 11, 2010

Coisas soltas da minha vidinha

Quando ando de elevador não consigo sentir se está a subir ou a descer. Às vezes vou com alguém e dizem-me "xi... agora estamos a ir pra cima". Dizem-no sem olhar para os botões, ou para setas, ou algo do género. Dizem-no porque sentem no corpo. E eu fico assim com cara de parva, sem sentir nada. Não é grave pois não?

Ando cansadita, pois que ando. O baby adormeceu agora. Vai dormir para aí meia horita e depois é festa até à meia-noite. Mas mantê-lo acordado agora é muito complicado.

Há uma semana que anda aos guinchos. Aprendeu a gritar e então passa horas a mostrar a novidade. Ui, e como mostra.

As minhas maminhas já não estão deprimidas. E eu também não. Já me desforrei no sushi, já ponho picante na comida, já posso voltar à depilação definitiva, já posso aclarar o cabelo com tintas carregadinhas de amoníaco. E é uma delícia ver o baby a agarrar o biberão com as duas mãozitas.

Entretanto, a monotonia instalou-se aqui no lar. Passo a explicar. O senhor meu marido almoça todos os dias em casa e agora está numa de querer comer frango todos os dias. Arghh, que o bicho com penas já me cansa. Ele é no forno, é guisado, de caril, às coxas, à padeiro. Irra.

Esta semana chorei e disse muitas asneiras. Estacionei o carro num sítio dúbio (mas sem estorvar ninguém) e fui presenciada com dois maléficos riscos. Feios, fundos, dispendiosos. Não se faz. E o carro que é novo e tão lindo.

Novidade: consegui que o senhor meu marido me arranjasse uma empregada. Tããão bom. É a Dona I., querida, sem um dentinho à frente, mas muito querida. Tão querida que o meu gajo dizia-me há pouco: "Opá vamos dar uma limpeza geral para ela não ficar com má ideia nossa". Pois, pois.

Uma solução óptima visto que a senhora sem um dentinho à frente também passa a ferro. É que contratei uma pequena empresa para me passar a ferro com entrega ao domicílio. Mas o raio das senhoras nãon atinam com os dias de entrega e a minha roupa anda por aí algures na zona saloia. Hoje, por exemplo, era o dia de me virem entregar o cesto e nada. E tanto jeito me dava umas coisas que tinha para lá.

De maneiras que é isto.

terça-feira, março 02, 2010

A fonte secou

Tem havido lágrimas. Não muitas, não um lago de lágrimas, mas as suficientes para ficar com os olhos mais caídos e os lábios mais arqueados, como a minha mãe já tem do alto dos seus mais de 60 anos. Tudo porque o meu leite está a secar, está a acabar, a ir-se, a engolir-se para dentro.
As minhas maminhas estão descrentes e quando o Rodrigo as toma de assalto elas nem reagem e ficam-se. E eu fico-me também. Triste. Ao fim de sete meses sou obrigada a despedir-me de um dos momentos mais mágicos da minha relação com o meu filho. Uma mãe ontem dizia-me que as pupilas dos bebés dilatam quando se aproximavam da mama. Não sabia. Nunca estive atenta a isso. E ontem já fui tarde. Mas paciência. Este nó na garganta vai passar, como tantos outros que já tive e que pensei nunca mais conseguir desfazer. No final desfaço-os sempre. O que para já não tenho maneira de desfazer é o imbróglio que é ter de ir à cozinha no frio da noite e a dormir em pé para ir fazer e aquecer o biberão. Tenho as maminhas deprimidas.

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

Os meus serões

Os meus serões em casa estão diferentes. Já não são passados em frente ao televisor, a fazer zapping para apanhar uma série que nunca dava ou um filme anunciado fora de horas.
Os meus serões estão diferentes porque anda para aqui um puto charila que já mexe os braços energicamente quando me vê. Já esperneia até ficar com as meias fora dos pés e olha para tudo o que está à volta. O cusco.
Os meus serões estão diferentes porque ele me entretém. Já segura bem a cabeça, já se senta no canto do sofá. Dá-se o leite, muda-se a fralda, brinca-se, dorme-se, acorda-se, agora quer a chucha, agora quer colo. E remata tudo com uns punzitos deliciosos, fofos. Qual comando de televisão qual quê.
Os meus serões estão diferentes porque o baby já dobra o riso. E eu triplico em cima do dele. E desmancho-me a rir com as palhaçadas que já vai inventando. As tentativas de sozinho colocar a chucha na boca e ela ir parar invariavelmente à orelha fazem-me estar ali no sofá minutos, horas, a olhar para ele.
Os meus serões estão diferentes, para melhor.

Nota: E esta vontade de ter outro bebé que não me larga, hein?

terça-feira, fevereiro 23, 2010

Lecoldações

Pode ser parvoíce, mas já não vou a um restaurante chinês desde aquela altura em que a ASAE fechou não sei quantos estabelecimentos por falta de condições e com coisas esquisitas nas arcas e mais não sei o quê. Bom, digo eu que nunca mais fui a um restaurante chinês,mas a verdade é que os empregados dessas casas onde eu tenho andado a comer sushi parecem tudo menos japoneses. Enfim, quando digo restaurante chinês, falo daqueles que até tinham karaoke e tudo. Tenho saudades da sopa de barbatana de tubarão, da sopa de ninho de andorinha, do crepe chinês para entrada, do pato à Pequim, do chop soey de gambas, do família feliz, hummmm, no fim o crepe com gelado, a banana pa-si, aiii, que saudades, saudadinhas. E vai-se a ver, ando para aqui com estas mariquices, a estrangular a minha gula, a armar-me em esquisitinha... vai-se a ver e já muita gente fez as pazes com os restaurantes chineses. E sabem onde são os bons. E diziam-me onde eram. Os limpinhos. Os que não têm arcas frigoríficas e que passaram com distinção no exame da ASAE. Hum, que tal? E eu ia. Toda lampeira, de banhito tomado e família atrás.

segunda-feira, fevereiro 15, 2010

Escutas

Segunda-feira, 11h30, telefonema para a mãe

Anette - Tou? Então, ele comeu bem a papa?

Terça-feira, 13h00, telefonema para a amiga

A. - Tenho uma bomba para te contar. Almoçamos?

Quarta-feira, 12h00, telefonema para o marido

A.- Pagas-me a TMN?

Quinta-feira, 19h00, telefonema para o pai

A. - O bebé já fez cocó? Como é que era?

Sexta-feira, 18h30, telefonema para o marido

A. - Vou sair agora

Sexta-feira, 18h35, telefonema para o marido

A. - Já não tenho tempo, anota aí, 5-8-26-28-45 e as estrelas quero o 2 e o 6

As minhas escutas são uma grande seca.

sábado, fevereiro 13, 2010

Tudo o que é pequenino tem graça

Chega-se ao limite quando damos por nós a fotografar o primeiro cocó em forma de cagalhotinho do nosso filho. O cocó deixa de ser pastoso, ganha aquela forma de alheira e nós achamos isso muito fofinho e guardamos para a posteridade numa parte do álbum inventada por nós. Vem a seguir ao capítulo "A minha primeira papa" e damos-lhe o nome de "O meu primeiro cocó de homem".

terça-feira, fevereiro 09, 2010

Erro logístico

Nota prévia: Entre os mil e um problemas de saúde que eu de facto tenho e que as pessoas à minha volta insistem em definir como sintomas da minha hipocondrice, consta uma alergia à roupa que fica mais de duas semanas no roupeiro sem que eu a use. Ou seja, se pego num casaco, numa saia, numa camisola que já não visto há algum tempo fico com espirros, com ranho e com os olhos vermelhos como se tivesse fumado trinta ganzas à marroquina. Esta alergia faz com que eu tenha de lavar a minha roupa constantemente, mesmo que não a tenha usado e mesmo que esta esteja alva e limpa e ainda a cheirar a Skip Roupa Macia. Escusado será dizer que não tenho tempo para fazê-lo. A solução passa por ir rodando uma dúzia de peças que vou vestindo com mais frequência.

E agora o tal erro logístico

Sou preguiçosa e desarrumada. Ao final do dia, quando vou para a banheira, dispo a roupa, ponho meias e cuecas para lavar e as restantes peças ficam em cima de uma cadeira. Isto acontece segunda, terça, quarta, quinta, e por aí fora. O monte vai-se avolumando e as roupas no roupeiro que pertencem ao leque de "prontas-a-usar-que-não-fazem-alergia-porque usei-há-pouco-tempo-ou-foram-lavadas-ontem" vai definhando. Por ser lanzona, não arrumei nada no fim-de-semana, muito menos lavei ou passei. Cheguei agora ao ponto de não poder usar nada da montanha da cadeira por estar tudo mais do que amachucado e não ter tempo nem paciência para passar a ferro e no roupeiro não há nada que possa usar. Hoje arrisquei uma das peças do cabide e passei o dia a lenços de papel e a falar pelo nariz. O que não é nada agradável.
Como de costume, penso hoje à noite na roupa que vou vestir amanhã. E surpresa. Não tenho nada em condições. N-A-D-A! Das duas uma: ou vou de pijama, que por sinal até é bem catita; ou acordo meia hora mais cedo e passo ali na Modalfa (sim, em Mafra só há Modalfa) para arranjar um modelito. Ou então, faço aqueles meus olhinhos fofos e peço ao maridão para dar uma passadela a ferro muito rápida num vestidinho que ali está no monte da cadeira e que me apetecia mesmo muuuuito vestir amanhã.

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

O Pedro Abrunhosa entrou com tanto estilo no palco do Ídolos e depois acontece-lhe isto.

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

Tudo sobre futebol

A partir de hoje, não percam pitada sobre o mundo do futebol através do blog fresco, fresquinho Match Day News. Uma baforada de boa escrita nesta era em que qualquer caramelo com roupas muito más vai à televisão comentar tudo e mais alguma coisa do que se passa dentro e fora dos relvados. A não perder.

terça-feira, fevereiro 02, 2010

Os meus ais

Ai, que eu ainda não entrei neste ritmo de trabalho;
Ai, que eu ando tão cansada que às dez da noite só quero ir para a cama;
Ai, que custa tanto acordar às oito e meia da manhã;
Ai, que custa ainda mais deixar o meu bebé Rodrigo;
Ai, que ao longo do dia tenho tantas saudades dele;
Ai, que chego ao final do dia com as maminhas a rebentar de tanto leite;
Ai, que o cocó do Rodrigo já cheira como o das pessoas crescidas por estar a comer papa e sopa;
Ai, que voltei a fumar;
Ai, voltei a fumar, mas pouquinho;
Ai, que sou tão fraca que estou a fumar outra vez;
Ai, que estou a fumar e ainda a dar maminha;
Ai ai.

domingo, janeiro 24, 2010

A ver se ainda me lembro

Depois de ter estado seis meses em permanente convívio com o bebé, não vai ser fácil voltar a lidar com gente adulta. Ora vamos lá rever a matéria.
Diz-se "bom dia" sem ser em voz de falsete e sem estarmos a abanar a cabeça para cima e para baixo enquanto arregalamos os olhos. Não devemos ficar deprimidos porque, ao contrário dos bebés, é raro vir de lá um sorriso.
Quando chega a hora de comer não há lágrimas. Há antes um restolhar de rabos nas cadeiras, computadores a desligarem-se, telefonemas para as mães e namorados para fazerem o balanço da manhã. Há gente a sair de fininho para evitar companhias indesejadas à refeição e há quem convide meio mundo para fazer daquela meia-hora uma grande rambóia a terminar com licores beirão ao balcão. Aliás, durante a tarde, alguns bolsam para as secretárias.
Quando apanhamos com gente resmungona e mal disposta não somos obrigados a ver se têm xixi ou cocó. E se alguém tiver vontade de andar a brincar connosco podemos virar costas sem remorsos. Não temos de tirar cólicas a ninguém e, apesar de muitos o fazerem, não fica bem fazer colinho no local de trabalho. Ah, a chucha está igualmente proibida neste mundo de adultos onde quase toda a gente se esforça para andar à mama.

sexta-feira, janeiro 22, 2010

Acabou-se

E pronto. Chegou ao fim a minha licença de maternidade. Aliás, até me apetece dizer: "e prontos", que é bem mais forte. O trabalho começa já na segunda-feira (ui) e hoje, claro está, foi dia de lágrimas. Já há alguns dias que elas andam a espreitar. Uma aqui, outra acolá. Mas hoje pareço mais uma Maria Madalena e o soalho da minha sala está húmido.
O Rodrigo fica bem entregue. Eu sei disso. Mas hoje de cada vez que olhava para ele lá se me enchiam os olhos de lágrimas. Das saudades que vou sentir, acho. Sei que está bem entregue, mas cá no fundo o que eu penso é que eu é que sei tomar conta dele melhor do que ninguém. Na minha cabeça as coisas são assim. Eu sei ler o choro dele, as expressões, os movimentos das mãos. Sei quando não quer comer mais, quando tem cocó ou foram só puns. Sei quando lhe apetece brincar, quando quer relaxar e quando quer fazer colinho. Eu é que sei. A verdade é essa. E dá-me pena que vá passar pelos mal-entendidos próprios de quem não sabe falar. Como quando veio cá para casa e eu ainda não o conhecia. Mas a vida é mesmo assim e não podia ficar eternamente em casa à espera da idade em que ja soubesse andar com as chaves de casa sem as perder.
De maneiras que é assim. E prontos. Agora com licença que vou ali choramingar mais um bocadito e já venho.

terça-feira, janeiro 19, 2010

Coisas de tintol

Fui notificada para ser ouvida no posto da GNR de Sintra por causa de um artigo que escrevi. Não sabia onde era e entrei numa churrasqueira da vila, onde perguntei para o ar.
- Alguém me sabe dizer onde é a GNR?
Saltaram três ou quatro a dizerem que sim, na segunda à esquerda, na rotunda em frente, blá blá, quando fui interrompida por um cota rosado que estava encostado em desiquilíbrio ao balcão com um copo de tinto à frente. Voz arrastada:
- Então mas tem mesmo que lá ir? Oiça, liga-se para lá e eles que venham cá.
Mais nada. Obrigadinhos.

sexta-feira, janeiro 15, 2010

Ou muito me engano

Ou o meu pequenote Rodrigo anda aqui a ler o blogue. Ontem foi um dia cheio de vitórias. O segredo? Eu não estar nem por perto. Os meus pais deram-lhe a papa sem o rapaz sequer pestanejar. O pai deu-lhe o biberão à noite e foi tudinho. Todas estas operações foram feitas comigo noutra divisão da casa, a fazer figas, a rezar, a espreitar de mansinho sem respirar e a esconder as minhas mamocas.

Obrigada a todos pelas dicas.

quinta-feira, janeiro 14, 2010

Em pânico

Falta pouco mais de uma semana para ir trabalhar e o Rodrigo não pega no leite artificial nem por nada. Já experimentei várias tetinas, inclusive as que ele sempre pegou com o meu leite congelado, e não há maneira. Quando está meio a dormir ainda bebe um pouco, mas depois começa a cuspi-lo e com vómitos. Estou em pânico porque não quero que o bebé passe fome. A papa ainda é uma verdadeira luta. Será que tenho de experimentar outra marca de leite? Nos dois primeiros dias bebeu a quantidade toda. Aiiii, heeeeelp, estão perante uma mãe desesperada e cheia de miaúfa. Ajudas, dicas e truques precisam-se.

terça-feira, janeiro 12, 2010

Agenda a 13 dias de ir trabalhar

- Comprar algumas coisas do Rodrigo a dobrar para levar para casa dos meus pais, que vão ficar com ele;
- Pintar o cabelo e pôr a franja para o lado, que já não a quero para baixo. Ando cheia de vontade de mostrar a testa;
- Fazer a depilação (esta não é por ir trabalhar, é porque sim);
- Comprar mais umas roupas, nem tudo o que está no roupeiro do último Inverno me serve;
- Ter ideias, muitas, uma vez que entro ao serviço numa nova revista e num novo desafio profissional;
- Habituar o Rodrigo a comer papa e a beber leite artificial. As minhas maminhas não vão estar tão presentes;
- Comprar a agenda para ajudar a Associação XS que apoia bebés prematuros para organizar os meus dias (à venda na Fnac, comprem também, é liiinda);
- Aproveitar os últimos cartuchos de papo para o ar a tratar do meu baby que, ai Jesus, é a cara chapadinha do pai.

segunda-feira, janeiro 11, 2010

Iupii

Sem a firmeza de outrora, mas a apenas quatro quilos do que era antes de engravidar. (tinha engordado dez)

domingo, janeiro 10, 2010

A primeira papa

Vómitos. Muitos vómitos. Acho que fiz a papa muito grossa. A pediatra disse-me para não a dar muito líquida porque ele ia cuspir muito e, exageradita como eu sou, acho que dei argamassa ao pirralho. Coitadito. Não deve ser agradável passar do leite escorregadio da maminha para pedaços de cimento a saber a milho e arroz. A colher ficava em pé e não deve ser assim que se quer. Mesmo assim colaborou. Só à oitava colher é que começou a querer vomitar. E depois é a colher, mais propriamente o tamanho. Procurei a mais pequena da farmácia, mas mesmo assim é muito grande. O piqueno tem de abrir muito a boca para ela entrar e quando não quer colaborar é difícil ser eu a fazer esse trabalhinho.
Enfim, vai com calma, não é assim? O sabor acho que está aprovado, falta agora acertar na consistência, na temperatura, na colher. Falta o Rodrigo aprender a pôr a língua para baixo e a engolir a papa, que ainda se atrapalha um pouco. Hoje então não correu mesmo nada bem. Chorou, não queria. Não insisti. Temos tempo. As médicas bem me dizem para não me apoquentar com o choro do bebé, mas que hei-de eu fazer se não consigo ver-lhe as lágrimas e as campainhas da garganta por mais de dois segundos?

Para já uma vitória. O Rodrigo já dorme na cama de grades. Sim, o rapaz ainda dormia na cama dos pais até a pediatra nos arregalar os olhos, deitar fumo pelo nariz, pôr o indicador em riste e ordenar-nos para acabarmos imediatamente com isso. Checked senhora doutora. Cumprimos nesse mesmo dia. Agora segue-se a cama no quarto dele, o colchão insuflável no acampamento de escuteiros e a a cama da namorada. Isto está a ir.

terça-feira, janeiro 05, 2010

Sou mesmo muito parva

Só mesmo uma mãe parva como eu desata numa choradeira de alegria em pleno consultório de pediatria, depois da médica anunciar que está na hora do Rodrigo começar a aventurar-se nas papas. Xiça, mas por que raio fui sair assim tão lamechinha, tão nham nham nham?

segunda-feira, janeiro 04, 2010

Coração apertado, apertadinho

2010 começa com um nó na garganta: arrancou a contagem decrescente para regressar ao trabalho. Ai que saudades do meu baby e dos nossos programinhas a dois. Para já, uma missão: regularizar os sonos, que isto de andar a adormecer às quatro da manhã e a acordar às duas da tarde não vai resultar.

quarta-feira, dezembro 30, 2009

Bom anooooooo 2010

Este ano foi um ano feliz por ter tido o meu primeiro filho, mas não foi fácil. Há que dizê-lo. Por tudo o que foram acompanhando aqui no blog, foram meses cheios de emoção, angústias e muitas dúvidas. Foi um ano de pouco trabalho, uma vez que estou em casa desde Abril, e seguramente 2009 ficará marcado como aquele em que mais tempo passei deitada (espero). Ora na cama, ora no sofá, ora no chão, aqui a menina precisou de muito repouso e por isso as minhas maiores recordações deste ano que agora finda são os tectos, vários e diferentes. Uns tristes, rachados, outros alegres, pintados, com luzes vermelhas, luzes fluorescentes. Alguns sem luz.
E pronto, 2010 (como eu adoro este número) está mesmo à porta e estou pronta para recebê-lo com o pé direito, de braços abertos, de sorriso rasgado. E como eu tenho jeito para rasgar o meu sorriso. Por enquanto, uma preocupação: acho que tenho mais do que doze desejos para pedir ao som das badaladas. Mas vou apelar ao meu poder de síntese e não vou exigir demais destes 365 dias que se aproximam. Bom ano a todos.

terça-feira, dezembro 22, 2009

Em black out

Estive sem computador e agora ressuscitei, graças à minha amiga C. que me safou desta e me devolveu à vida cibernáutica.
O Natal está à porta e os presentes comprados são muito poucos. Ao contrário de anos anteriores a minha árvore de Natal pedincha por embrulhos em seu redor. Mas não é fácil andar às compras com um bebé tão piqueno e com estas temperaturas tão pouco convidativas. Para além de que estou proibida de andar com o Rodrigo em shoppings, por causa das bicharadas, o que, diga-se, reduz em muito as boas chances de despachar dez presentes numa hora.
E dito isto, amigos, família: para o ano vingo-me e encho-vos de miminhos.

terça-feira, dezembro 15, 2009

Matemáticas

Isto de ser prematuro não é mesmo fácil. O Rodrigo vai fazer agora cinco meses de vida, mas ainda não liga a brinquedos para três meses. Veste roupa de um mês e amanhã faz dois meses de idade corrigida (visto que eu completava as 40 semanas dia 16 de Outubro). Tem o tamanho de um recém-nascido mas já gargalha como gente grande, não se sabe muito bem o que vê e os médicos dizem que só aos três anos se deixarão de notar as diferenças em relação aos outros meninos. Peso oficial: 4.700 quilos!

segunda-feira, dezembro 14, 2009

Ídolos: dúvidas

Quem é que anda a vestir a Cláudia Vieira? Quem anda a penteá-la? E porque é que ela e o Manzarra não ensaiam melhor a gala dos Ídolos? É que é argolada atrás de argolada. E quando é que o Boucherie perde vergonha dos dentes tortos e se ri de boca aberta?

domingo, dezembro 06, 2009

Oi?

Até aos bombons "Merci" eu ainda aguentava (apesar daquele anúncio de bradar aos céus), mas caramba, bombons "Lindor"? "Lindor"? Não sou especialista em marketing, mas tenho para mim que não é lá muito bem jogado dar o nome de uma marca de fraldas para incontinentes a uma coisa que se come, que se põe na boca, que derrete nas beiças, enfim, não me parece nada bem.

quinta-feira, dezembro 03, 2009

Pôr o lixo

Para quando uma portinhola nas nossas cozinhas em que despejamos para lá o saco do lixo e pronto, não pensamos mais no assunto? Para quando uma solução na lógica do que faz o autoclismo que acabe de uma vez por todas com o irritante e nojento saquinho do lixo à espera que alguém lhe pegue?
É que levar o lixo à rua nunca dá jeito. Ou porque já vamos todos arranjadinhos e não queremos ficar com as mãos a cheirar a atum; ou porque já levamos o casaco numa mão, a mala na outra e o lixo não dá propriamente para levar na boca como fazemos com as chaves do carro; ou porque está a chover; ou porque ele à noite leva; ou porque blá blá. Enfim, há sempre mil e uma razões para o saco mal cheiroso demorar em seguir o seu destino. E fica ali pela cozinha, dias (poucos, para não parecer mal), de asas caídas, a ganhar cada vez mais decadência, a perder a frescura própria do lixo acabado de fazer.
Acredito mesmo que em cada doce lar a discussão de quem é a vez de levar o lixo à rua se torne muitas vezes num braço de ferro sem fim. Ah, e com a eterna argumentação “eh pá, desta vez vai lá tu que o último saco fui eu que o levei”. O que é mais irritante é que esses últimos sacos perdem validade num piscar de olhos. Eu não sei se é só cá em casa, mas fabrica-se lixo que é uma coisa de doidos. Ainda estamos a bater as palminhas porque o próximo saco cabe-lhe a ele e já estão dois nojentinhos a abarrotar de cascas de batata e espinhas de peixe à espera de ser atendidos no nosso guichet. Porra, já?!
Há outras tarefas domésticas igualmente chatas, mas caramba, para nos livrarmos dessas temos sempre o velho recurso de contratar uma empresa. Limpam-nos o pó numa manhã, passam-nos a roupinha toda a ferro e ainda a trazem a casa à hora marcada. Agora, que eu saiba, não se pode fazer um telefonema para nos irem pôr o lixo, se faz favor. Não se pede a um amigo que está a ir embora depois de uma visita “leva-me isto lá abaixo, o caixote fica na esquina no lado direito”.
Sim, porque depois é isto. Os caixotes onde deitamos o nosso lixo ficam sempre longe, longe. Aliás, confesso que algumas vezes enfio o meu rabo preguiçoso no carro e com ele o saco do lixo. Paro perto do contentor e lá vai bogalho que o próximo é dele. Mas esta solução também não é boa. Voltamos ao volante com a sensação de mão peganhenta e serão ainda precisos alguns quilómetros de vidro aberto para sair o cheiro das cascas de queijo e banana misturados com as magnólias do campo próprias dos sacos de lixo perfumados.
Uma coisa é certa. Já não sei quem levou o último, mas o saco que está ali na cozinha fechado e pronto a ir para outro lado não me vai calhar na rifa porque, hummm, deixa ver, hummm, porque está frio e não me quero constipar e porque depois pode fazer mal ao bebé, oh pá, vai lá tu. Amo-te.

segunda-feira, novembro 30, 2009

É oficial

O Rodrigo não prega o olhos em todas as noites de domingo para segunda. Quando começar a trabalhar vou ter umas belas segundas-feiras.

quarta-feira, novembro 25, 2009

Pronto, já tem pediatra

A médica fez-lhe trinta por uma linha e ele, nem uma lágrima. Não fosse ter-se borrado de cocó até às costas e eu não estar preparada com um segundo body e a primeira ida à pediatra teria sido um sucesso.

quinta-feira, novembro 19, 2009

Novelices

Ai que isto de ser mãe mudou mesmo a minha vida. Então não é que estou fã da novela brasileira Viver a Vida? Aquilo é tudo muito bom, não é? Verdade que ainda não cheguei ao ponto de largar tudo para não perder um episódio, mas sempre que posso lá estou eu, grudadinha no ecrã.
Já não me lembrava de seguir assim uma novela desde a Páginas da Vida, acho... Mentira, adorei aquela portuguesa com a personagem Maria Laurinda (interpretada pela Vila-Nova) Não me lembro agora do nome, mas tinha diálogos muito bons e, tirando a saga de quem era o tubarão, até me enchia as medidas.
E nesta matéria das novelas, confesso ainda que agora que estou de licença de maternidade também não falho um episódio de Mulheres Apaixonadas, que está a dar de novo e que também é muito boa. Não se lembram? A Santana que não pára de beber, o marido que bate na professora de cabelo curtinho, as loucuras da Helóísa por ter ciúmes do seu Sérgio, as alunas lésbicas, a filha do contínuo que quer ser rica. Enfim, lembro-me de quase todas estas personagens e tenho aproveitado para recordar a trama. Muito bacana!

segunda-feira, novembro 16, 2009

Pura sedução

Hoje vou encher a banheira e no fim vou esticar pacientemente o cabelo como faço quando tenho eventos mais ou menos importantes. Naqueles que são mesmo importantes não deixo essa tarefa nas minhas mãos e entrego-me nas de um cabeleireiro.
Depois vou preparar um jantar gostoso, mas daqueles que não deixam cheiros nas roupas nem nas cozinhas. Como quando ao final do dia chego ao prédio e no patamar do elevador consigo adivinhar o borrego assado no forno da vizinha do rés-do-chão, que é também a porteira.
A lingerie vai ser uma daquelas que guardo num saquinho da primeira gaveta para ver se dou descanso às de algodão, de cores já meio agastadas e elásticos meio torcidos, de tantas voltas que já deram na máquina de lavar.
Esta noite, antes de entrares por aquela porta, vou pôr um corrector de olheiras, um gloss nos lábios, um risco disfarçado nos olhos. Creme hidratante e perfumado por todo o corpo. As minhas pantufas desajeitadas vão ficar escondidas, assim como o meu pijama aos quadrados, o meu rabo de cavalo mal apanhado, o cheiro a leite nas golas.
Esta noite, quando entrares em casa, vou levantar o rabo do sofá e vou receber-te à porta, assim toda pronta, para te dizer "olá".

quinta-feira, novembro 12, 2009

I need time

Ai, ai, que já me começam a perguntar o que quero para o Natal e não tenho a resposta na ponta da língua. Ou seja, o resto da tarde terá necessariamente de ser passada com bloco na mão e caneta para a bendita lista. Dêem-me só mais um bocadinho, vá lá, não se ponham a comprar coisas ao calhas só para desenrascar.
Se bem que verdade, verdadinha, o que eu preciso mesmo é de roupa, muita, grande, que me sirva, que me disfarce, que me estreite a cintura, que me encolha as ancas e que me engula estas mamas do tamanho de duas melancias cuja única alegria que neste momento me dão é mesmo terem muito leitinho para o meu pequenote. Não se pode ter tudo, não é? Eu só gostava de saber se quando deixar de amamentar vou poder voltar ao meu antigo número de sutiã. E pronto, assim estou eu. Começo a falar no Natal e acabo a falar das minhas mamocas.

Vou atirar-me a esta lista.

terça-feira, novembro 10, 2009

Desejo

Que o meu pai voltasse a ter cheiro, para não ficar com aqueles olhos em baixo de cada vez que alguém diz o quanto o neto cheira bem.

E a propósito dos sentidos, dizia-me uma senhora ontem "pois, porque a nós mulheres é mais difícil de enganar, temos cinco sentidos e não é com meia conversa que nos deixamos levar".

segunda-feira, novembro 09, 2009

Quando a sabedoria popular vira estupidez

Este fim-de-semana um senhor para mim:
- Beba cerveja que faz bem ao seu leite. A sério, diz que faz muito bem, era o que eles davam às senhoras na maternidade.

(Ui se a Maitê apanha este senhor lá temos novo material de vídeo)

quinta-feira, novembro 05, 2009

Queixa

Para quando fraldários nas casas-de-banho públicas dos homens? Por que raio se parte do princípio que a mamã é que está incumbida de mudar o cocó à criança?
A situação desenrasca-se porque o pai pede licença e entra na mesma nos sanitários das senhoras, mas caramba, é aborrecido. É errado. É ultrapassado. É feio.

terça-feira, novembro 03, 2009

É isso, é


Agora virou moda vender em supermercados champôs que alegadamente são profissionais. A pessoa vai comprar uma chouriça e ali de caminho, no corredor dos cotonetes, lá está a grande novidade do mercado. Já não é preciso gastar rios de dinheiro em mises e madeixas para se ficar com o cabelo que é uma beleza.
Estranho é que tenham aparecido logo quatro ou cinco marcas a promover este tipo de venda "profissional" em grandes superfícies. Descobriram a pólvora ou quê? Houve alguma conferência de novos negócios a que eu faltei? Foi algum assunto em destaque no Dr. Phill? Não sei. O que sei é que já experimentei essas grandes novidades e, tal como estava à espera, estes champôs e acondicionadores não passam dos mesmíssimos produtos de supermercado, mas desta vez enfiados em embalagens grandes e com algum design.
Ainda depositei alguma esperança num bálsamo que dizia "efeito alisamento japonês", mas mais uma vez vi as minhas expectativas defraudadas. As minhas ondulações lá estavam, as mesmas de sempre, iguais a elas próprias, irritantemente semelhantes a outros dias, a outros banhos. Grandes aldrabões.

segunda-feira, novembro 02, 2009

Olha, e não é que resultou?

E não é que a empresa do maridão deixou no correio um voucherzinho catita para um fim-de-semana em turismo rural à nossa escolha? Eh lá, isto de fazer listinhas com pedidos funciona.

sexta-feira, outubro 30, 2009

Coisas que prometo conseguir fazer mais tarde ou mais cedo agora que sou mãe

- Ir ao meu cabeleireiro em Lisboa para cortar e pintar o cabelo (ai Jesus, que preciso muito);
- Dormir cinco horas seguidas;
- Andar a tarde inteira a cirandar no shopping e a experimentar as últimas modas;
- Começar a fazer dieta para perder os oito quilos que ganhei com a gravidez;
- Ir ao cinema ver um bom filme;
- Passar um fim-de-semana com a família numa das casas de turismo rural deste nosso Portugal;
- Jantar fora ( e quem diz jantar, diz almoçar).

Enquanto isso não acontece, ando por casa com sorrisos parvos e derretidos na companhia de um bebé lindo, que cada vez se mostra mais simpático. Já passa várias horas do dia acordado, apesar de notar que tenho menos leite, continuo a amamentar. Apesar de sentir uma enorme tristeza com a ideia de que poderei ficar sem leite, consola-me saber que tenho ainda duas gavetas da arca frigorífica carregadinhas de leite meu congelado, que fui tirando em casa desde que ele nasceu.

Próxima missão: encontrar um bom pediatra nos arredores de Mafra.

Por último, deixar aqui um abraço daqueles que ela tão bem sabe (e que tanto gosta) para a minha amiga M. que finalmente venceu a doença, dando-lhe um forte chuto no rabiosque. Amiga, para o próximo Verão desforramo-nos na praia e nas caracoladas e nessas coisas todas boas que este ano nos passaram ao lado. Eu acreditei sempre.

segunda-feira, outubro 26, 2009

Tudo estaria bem

Não fossem estas chinezices que me invadiram aqui os comentários e que me deixam louca. Detesto bicharada, vírus, viroses, maleitas, sejam elas informáticas ou não. Alguém me diz como me vejo livre disto, ou o melhor mesmo é não permitir comentários?

quarta-feira, outubro 21, 2009

Amor é...

Permanecer bem disposta ao seu lado no sofá enquanto ele se ri ao desbarato com as piadas do gordo no Preço Certo e me tenta explicar por que razões gosta de ver aquele programinha.

terça-feira, outubro 20, 2009

É normal, não é?

Passou-se agora o seguinte. O Rodrigo vai amanhã pela primeira vez ao médico, naquela que é por alto a sua quinta saída de casa. Opá, é normal eu perder uns minutinhos a escolher a roupa que lhe vou vestir, não é? É que quando peço ajuda ao pai para me decidir entre esta ou aquela, ele fica a olhar para mim a dizer que tanto faz, como se isso não importasse nada e como se eu fosse maluca. Importa, não importa? Ok, é cena de gaja, né?

Bom, o modelito já está escolhido e o'Digo' vai fazer um brilharete naquele hospital.

Missão cumprida: trocámos-lhe as voltas e as noites agora são santas. E é tããããão bom voltar a dormir.

sábado, outubro 17, 2009

Sobre ele


Revelou-se um pai maravilhoso e tem sido uma delícia vê-los juntos.
As mãos grandes, de veias grossas e pelos marcantes, tornam-se em plumas face à delicada e frágil pele do Rodrigo. Os dois entendem-se muito bem e felizmente não tenho de ser eu a promover os momentos de pai e filho. Sejam quatro da tarde ou quatro da manhã, é ele que se chega à frente para mudar fraldas, dar banho, dar o biberão. Às vezes não há nenhuma destas tarefas para fazer e ele vai até ao berço e pega no bebé. "Vou fazer colinho" ou "vamos pró namoro filho". E ficam os dois peito com peito numa conversa pegada de olhares e mãos no ar que só eles percebem. Eu derretida, a olhar, contente por saber que aquilo que eu sinto pelo Rodrigo também ele sente, apesar de não ter crescido dentro da sua barriga e das suas maminhas não deitarem leite.
Fico a olhar, muitas vezes a dormir, descansada, tranquila, por o ver em boas mãos.´Outras a ir buscar a máquina, a de fotografar, logo de seguida a de filmar. Mas quase sempre as imagens que depois descarrego nunca correspondem ao que aconteceu na verdade.
O pai é obssessivo-complusivo. Tudo tem de estar arrumado, limpo, orientado por cores, imaculadamente passado, tudo muito certinho. Ver essas manias aplicadas a um filho é uma outra delícia. Apesar do pouco cabelo, este é sempre impecavelmente penteado a seguir ao banho, o rabo limpo como se não viesse aí outro cocó, o bebé perfeito no ovo, com a roupa toda esticadinha, as mantas dobradas, direitas, alvas. A chupeta naquele cantinho, o boneco no outro, tudo a parecer desenhado. Um mimo.
A licença de paternidade está a acabar. Pena. Minha e dele, que agora vai ter de esperar mais uns meses para voltar a este namoro pegado. O pai vai fazer o sexto mês com o bebé. Abençoada legislação. E eu, vou ter mesmo de voltar ao trabalho um dia? É mesmo? Ai, que ainda falta tanto e o coração já aperta. Vai ser bonito vai.


'Digo' chegou aos três quilos e os fatos de prematuro começam a ficar justinhos. Deve estar com 45 centímetros.

quarta-feira, outubro 14, 2009

Olha a grande cabra

Entrevistei-a na sua última visita a Portugal e não gostei. Cada jornalista tinha vinte minutos de conversa e Maitê Proença marcou todos os órgãos para o mesmo dia. Mal nos apresentámos fez questão de dizer que estava muito cansada e que já tinha falado com muitos colegas meus. Azar! Não tivesse combinado tudo para o mesmo dia. Gastei os meus vinte minutos e não fiquei com saudades de voltar a encontrá-la. Agora a cabra confirma a má impressão que tinha dela e põe-se a gravar videozinhos ao estilo caseiro para gozar aqui com a malta. Quem acabou a fazer a figurinha foi ela. E nem o pedido de desculpas que fez à posteriori, onde explicava que era uma brincadeira e que nós é que não temos sentido de humor, minimiza a imagem que passou. A de uma verdadeira cabra. Olha a gaja, hein? Volta a Portugal, volta, que a gente dá-te os vinte minutinhos de entrevista. Então não dá?

domingo, outubro 11, 2009

Alguém me explica


É um dos piores anúncios do momento e mostra este rapaz, o Ricardo Pereira, numa parvoíce pegada em torno de uma cerimónia de óscares e um champô. "Senhor Pereira? Senhor Pereira?" é a frase que fica desta produção fraquinha, sem graça, sem mensagem. Ou isso, ou eu sou mesmo muito burra. É que por mais vezes que veja este anúncio da Head and Shoulders não consigo perceber a ideia. Sou só eu? Opá, ninguém percebe, pois não? Digam-me que não. Nem o próprio Ricardo Pereira perceeu muito bem o que andava ali a fazer, não foi assim?

terça-feira, outubro 06, 2009

Remédio Santo

E já lá vão menos três quilos em pouco mais de uma semana. Realmente não há nada como não dormir mais do que duas horas seguidas para o corpinho voltar à sua boa forma.
Pois que senhor Rodrigo é muito fofo, muito quiducho, é um amor, mas transforma-se ali a seguir à mamada da meia-noite. Passa o dia todo a dormir que nem um pachá e a dizer às visitas que é um santinho que só come e dorme e depois, no sossego da noite, toca de ficar esperto e de não deixar ninguém dormir. Eu bem tento trocar-lhe os sonos, mas para já nada feito. À noite ele quer é festa e colo e passeatas pela casa e comer. À noite come taaaaaanto.
E como este pilocas dorme o dia inteiro, resta-me a companhia da televisão. Muita televisão eu tenho visto nossa senhora. E muito me tenho rido com o Rui Unas. O tipo está mesmo com muita piada e pena é que só seja aproveitado pela SIC Radical.
Para já, gozo o meu último dia sozinha em casa com o filhote. A partir de amanhã o pai entra em licença de paternidade. Família feliz.

sábado, setembro 26, 2009

Full Time

Ao fim de 66 dias e com 2210 quilos o Rodrigo veio finalmente para casa. Agora sim, sinto-me mãe a full time e tê-lo sempre perto de mim compensa todos os momentos menos bons pelos quais eu e o pai passámos.
É um bebé ainda muito frágil, a lutar todos os dias contra a sua prematuridade. Caramba! Cada vez que penso, já fez dois meses de vida e ainda devia estar dentro da minha barriga. É obra, não é?
Escusado será dizer que eu e o pai andamos de rastos. Felizes, mas de rastos. Mamadas e fraldas de três em três horas não é canja, mas tudo se faz.
Obrigada a todos os que acreditaram que tudo ia correr bem e que ao longo dstes 66 longos dias foram-me transmitindo essas energias. Obrigada às "tias" da Neonatologia de Santa Maria. Trataram do Rodrigo como um filho e ampararam-me sempre nas alturas em que as coisas não estavam nada fáceis. Beijinhos às enfermeiras Maria, Mónica, Patrícia, Liliana, Catarina e Fátima.
E lá vou eu para mais um round.

domingo, setembro 13, 2009

Já lá vão 55

Sem darmos por ela, já passaram 55 dias desde que o piqueno Rodrigo veio a este mundo em versão mini. Nascer com apenas 27 semanas de gestação e um quilo de peso não é mesmo fácil, mas tudo tem corrido como o previsto e o baby tem estado à altura. Como há muito tempo não escrevo, segue o ponto da situação:
- Peso: 1876 gramas (quase a chegar aos confortáveis dois quilitos);
- Já abandonou a incubadora T0 para habitar um belo berço open space;
- Trata por "tu" o ar ambiente e raramente precisa de oxigénio;
- No início da semana deixou por momentos a sonda que o alimenta e aventurou-se no biberão;
- Há dois dias atirou-se com unhas e sem dentes à minha mamoca (momento inesquecível que ainda não repetimos);
- Começam a aparecer preguinhas nas pernas e braços, por causa da engorda;
- O cocó do Rodrigo já cheira a cocó;
- Já não anda só em roupa interior.

Amanhã mais um grande dia: mamãe vai cedíssimo para a neonatologia para lhe dar o primeiro banho. Ui, c'a nervos. Tu ajuda-me filhote e fica assim muito quietinho. Não chora, não faz cara zangada, não mexe as pernas energicamente e não encaracola os dedos dos pés quando chega a hora de vestir. Tu colabora Rodrigo e eu prometo que quando tiveres 18 anos te deixo ir beber um copo ao Bairro Alto. Combinado?

segunda-feira, agosto 31, 2009

Help

Já reparei que desde que comecei a relatar neste espaço as aventuras da minha gravidez ganhei novas leitoras. Mães apaixonadas que através das mais variadas palavras me têm dado muita força e confiança. Pois então mamãs, ajudem-me lá: haverá assim alguma loja na zona da Grande Lisboa com muitos carrinhos de bebé em exposição? Não me apetecia nada estar a escolher coisas de catálogo. Quero ver um que tenha alcofa e o ovinho que também dá para o carro. Um assim maneirinho, catita, fofo, modernaço. Nas lojas onde tenho ido há sempre poucos modelos e os mais giros são já de passeio e não dão para o meu pequenote, que entretanto já está um matulão com mais de um quilo e meio. Hoje as enfermeiras disseram-me que em breve posso experimentar dar-lhe mama. Ui, lá estou eu outra vez a contar os dias. Mas vá, venham de lá essas dicas que bem preciso.

sexta-feira, agosto 28, 2009

Com a cabeça nas nuvens

E dava muito trabalho por uma vez que fosse que a noite aqui em Mafra não estivesse nublada? Marte andou a pavonear-se em todo o seu esplendor e no meu céu, nicles. Não se faz, pá.

terça-feira, agosto 25, 2009

Um mês já lá vai


O Rodrigo é um valente. Não é só ele, pois pelo que tenho percebido junto dos prematuros, estes bebés são mesmo uma força da Natureza e muitas vezes quando nós, os crescidos, perdemos a esperança, eles lá arranjam maneira de nos surpreender.
É isso que o meu filho tem feito. Uma luta do caraças ao longo do último mês. Chiça, já passou um mês. Parece que foi ontem e já lá vão mais de 30 dias desde que ele nasceu.
E pronto, o puto charila, do alto dos seus 1363 gramas, já deixou os cuidados intensivos para a sala dos intermédios. Escusado será dizer que eu e o pai chorámos como uns desalmados perante a notícia. Eu mais desalmada do que ele, é certo.
O Rodrigo já conhece de cor os cantos desta sua incubadora T0 onde uma linda ovelha de peluche o acompanha. E estou convencida que todos os dias aguarada ansiosamente que as portinholas redondas se abram para uma pequena conversa com as mãos da mãe e do pai. Depois segue-se o colo (tão bom), a muda de fralda e de volta ao T0, que o baby já está cansado.
Em princípio, mais um mês antes de vir para casa. Só mais um mês.

sábado, agosto 22, 2009

Coisas ao contrário

Eu é que estou a precisar de reforçar as minhas necessidades calóricas por estar a tirar leite e o meu gajo é que parece insaciável. Come como se não houvesse amanhã, todas as noites promete que no dia seguinte é que vai começar a dieta e neste momento é muito pouca a roupa que ainda lhe serve.
Pena é que não se vingue em frutas, legumes e essas coisas que fazem os olhos bonitos. Só come merdas e, sem entrar em grandes pormenores, basta dizer que já não é a primeira vez que me diz: "Não quero comer muito ao jantar que depois vou comer pipocas, tá?". Oi?

quinta-feira, agosto 20, 2009

Iupiiiiii. Fui à praia

Ah pois fui. Arranjei um tempinho pela manhã e lá fui, louca, para a minha prainha de estimação. Que saudades eu tinha daquela areia que quase faz sangrar a planta dos opés e que faz muito boa gente andar de forma ridícula, de tão grossa que é.
O meu gajo carregou com a bela da cadeirinha para não ter de andar a forçar a costura da cesariana e, por enquanto, os bíquinis ainda ficaram na gaveta. Optei por um fato-de-banho de grávida que tapa a barriguita (que ainda tá para aí de três meses) e tudo correu muito bem. Quatro horinhas que fizeram aqui a menina feliz.

quarta-feira, agosto 19, 2009

1222 gramas...

Eu tenho dois amores.

segunda-feira, agosto 17, 2009

E para quando...

... umas fichas eléctricas no areal da praia para que eu não tenha de me vir embora ao fim de quatro horas para tirar leite? É que enquanto o meu filho não vem para casa não fazia mal apanhar uma corzina e livrar-me de uma vez por todas dos comentários sobre a minha palidez. Epá, estive de cama desde Março e fiz uma cesariana ainda nem fez um mês. O que é que queriam? Que estivesse com aquele tom dourado à manas Jardim?

quarta-feira, agosto 12, 2009

A verdadeira bandalheira



É assim que está a minha vida meus amigos: uma autêntica bandalheira. Os meus dias resumem-se a comer, dormir, tirar leite e ir ao hospital. Amanhã? Comer, dormir, tirar leite e ir ao hospital.
A casa está imunda, as roupas vão-se acumulando, a comida já escasseia e as toalhas da casa-de-banho precisam mesmo de ser mudadas.
Ando esgotada, ah pois ando. Adormeço em qualquer cantinho e ando meio assoberbada. Não me lembro das palavras certas a usar, a cama e a almofada são as minhas melhores amigas e ando a viver estes dias em versão piloto-automático. Custa-me horrores mexer uma palha e a preguiça para acordar de quatro em quatro horas durante a noite para tirar leite é cada vez maior.
Nos pequenos momentos de lucidez ponho-me a pensar o que seria de mim se o Rodrigo estivesse cá em casa. Sim, porque se agora ando assim, queria ver como seria se tivesse de cuidar de um recém-nascido, se o baby tivesse vindo comigo para casa. E já nem me ponho a imaginar o que seria a versão gémeos. Enfim, eu sei que tudo se faria na mesma, porque já aprendi que as forças se vão buscar a sítios obscuros e que na hora H tudo se consegue.
O Rodrigo lá está no seu T0 com vista para o helioporto do Santa Maria. Está a apenas 80 gramas do peso com que nasceu (que foi 1190) e já não é o caçula da la dos cuidados intensivos. Ontem deram entrada duas gémeas giraças com 24 semanas e que não param de olhar para o meu rapagão. Sim, rapagão. Já deixou o mecónio e já faz cocó à homenzinho, já não anda em tronco nu e já chora sem parecer um gatinho. Os pulmões continuam a desenvolver-se e acredito que para a semana já respire com mais energia e sem ajudas. A ver vamos. Para já, uma certeza muito pouco suspeita: o Rodrigo é o bebé mais lindo da neonatologia.

quinta-feira, agosto 06, 2009

A habituar-me aos passos atrás


As enfermeiras bem me vão dizendo para não me angustiar, que é mesmo assim, é tudo normal, ele ainda é muito pequenino. Mas a verdade é que não consigo esconder a tristeza quando vejo que se deu um passito atrás. E elas, queridas, reforçam a ideia de que vai ser assim até ao fim, para me ir habituando, um dia é um passo à frente, no outro, pode ser um passo atrás.
O Rodrigo tem feito muitas apneias e voltaram a ligá-lo a uma máquina que o ajuda a não esquecer-se de inspirar e expirar quando adormece profundamente. E apesar da médica me assegurar que tudo isto faz parte da prematuridade dele, sinto muita vontade de chorar. E choro. E visto-me de castanho e preto sem me aperceber (que horror, fui mesmo mal vestida para o hospital. Onde é que eu estava com a cabeça?). E depois o Rodrigo está com uma anemia. E elas, tão queridas, a dizerem que é normal nos bebés como ele, para não me preocupar, que vão fazer uma transfusão de sangue e que tudo fica bem. O coração volta a apertar e os recantos para se deixar escapar mais umas lágrimas são escassos, no meio de tanta agitação clínica.
Hoje, lá estava o meu filho. A recuperar bem mas com tubos que eu já julgava arrumados a um canto. Enfim, há que ter muita força e paciência. Amanhã será um daqueles dias de passito à frente. Eu sei que sim.

E é o regresso à loucura do dia-a-dia

E eis que as dores vão desaparecendo e eu vou regressando à vida. Já fui jantar com amigas (que saudades), já fui ao supermercado (meu Deus, como é que o gajo consegue sobreviver sem nada na despensa e sem fruta e sem azeite e sem leite), ao cabeleireiro (como estava a precisar) e para a semana a parte mais entusiasmante: comprar mobílias e outros mimos para o quarto do baby.

segunda-feira, agosto 03, 2009

Coisas do estômago

Dêem-me bofetadas fortes, pontapés nos rins, ponham-me um adesivo bem forte na boca. Mas por favor, alguém me salve desta fome constante e que alguém ponha termo aos assaltos ferozes que faço à comida. Não estou com forças para conter-me e começo mesmo a ter medo de me aproximar da cozinhs ou de qualquer outro espaço onde existam coisas comestíveis. Não quero mesmo engordar e não sei como pôr um ponto final nesta minha versão enfardadeira que já não distingue refeições, porque as cola umas às outras. Vergonha.

domingo, agosto 02, 2009

Um valentão, é o que é!


Um quilo e quarenta gramas. Este é o peso actual do Rodrigo, que tem mostrado nestes 13 dias de vida que está cheio de vontade de desbravar terreno. Para já, a incubadora que o mantém a uma temperatura de 37 graus e o protege de todos os estímulos stressantes, vai sendo o seu refúgio de ouro, onde ele se deverá manter por pelo menos mais um mês.
O momento mais ansiado do dia é aquele em que atravesso o corredor estreito da Unidade de Cuidados Intensivos de Neonatologia (onde estão os prematuros) de olhos postos na incubadora lá do fundo, a última, para me certificar de que o bebé continua lá, que está tudo bem, que se mexe e que não tem tubos nem máquinas novas. E então respiro de alívio, desinfecto-me, visto a bata, e atravesso a porta de vidro que me vai fazer chegar bem perto do Rodrigo. A evolução tem sido enorme e todos os dias eu e o maridão temos boas surpresas. Primeiro passou a respirar sozinho, depois deixou de precisar de ajuda para fazer cocó, a seguir deixou o soro para começar a beber do meu leite, aumemtaram-lhe a dose e ele tolerou, o papá estreou-se em recebê-lo no colo a sentir o seu acelerado coraçãozito, e hoje mudei-lhe a fralda.
Tão bom. Ó puto charila, tu engorda-me para vires depressa para a tua casa, que isto de sair todos os dias do hospital sem te trazermos nos braços parte-nos o coração. Ah, e isto de andar a acordar de quatro em quatro horas para dar de mamar a uma máquina também não tem graça nenhuma.

quarta-feira, julho 29, 2009

Já sou mãe!

Mais valia ter estado calada. Pus-me a queixar disto e daquilo e toma lá. Mas vamos ao início. O post anterior foi escrito a dia 19. Dia 20, desde o final da tarde e durante toda a noite, tive umas dores do género moinhas menstruais abaixo do umbigo. No dia seguinte, a 21, e já a estranhar as tais dorzinhas não passarem, decidi ligar à minha médica. “Deve ser alguma alteração ao nível do colo do útero. Venha cá ao hospital porque temos de vigiar isso”. “Hum… pronto, mas doutora, as dores não têm regularidade e não são assim muito fortes. Eu estou em Mafra, acha mesmo que é melhor ir, é isso?”. E foi isso.
Os meus pais chegaram a minha casa para me darem o habitual almoço e lá lhes disse que tinha sido aconselhada a ir, mais uma vez, às urgências. Tomei banho, almocei peixe frito com arroz de tomate e lá fomos para mais uma trivial viagem para as urgências, a menos stressante das tantas que já tínhamos feito com perdas de líquido e de sangue pelo meio.
Já com o médico, deitei-me na marquesa para o exame ginecológico. Meteu-me o chamado bico de pato e ficou com cara de parvo a olhar lá para dentro. Perguntei-lhe o que se passava, para não me esconder nada. “Não se assuste, mas eu estou a ver aqui um pé”. Isso mesmo, um dos bebés, o que tinha pouco líquido, estava com pressa de sair e decidiu dar o ar da sua graça às 27 semanas com um pé a espreitar no meu colo. Perplexo, o médico pediu-me de imediato autorização para chamar uns colegas para ver aquilo e tirar uma fotografia ao “fenómeno” com o telemóvel. Deitada, eu mal conseguia pensar no que estava a acontecer e o meu coração pulava que nem louco ao aperceber-me que tinha chegado a hora. E a hora era definitivamente cedo demais. Eu devia estar com uma cara que o médico sentiu-se na necessidade de explicar: “Esteja descansada que não vou apanhar a cara”. Eu queria lá saber da foto, eu já só pensava que ia ser mãe naquele momento e que quando voltasse a cruzar-me com os meus pais na sala de urgências era para lhes dizer que iam ser avós.
As lágrimas escorriam-me pela cara, mas pararam na sala de partos, tal era o estado de pânico em que eu estava. Levada pela minha hipocondrice, entrei por ali dentro a dizer que tinha isto, e aquilo, ah e cuidado também que sofro disto e (a melhor) almocei peixe frito com arroz de tomate, isto não me pára a digestão?
Em trinta minutos e já com a epidural dada dava-se início à cesariana. Primeiro saiu o Tomás, o que tinha pouco líquido, com pouco mais de um quilo, depois saiu o Rodrigo, com um quilo e cem gramas. Uns ratitos lindos que ainda tive a oportunidade de espreitar quando nasceram, mas que foram logo levados para serem preparados para as incubadoras. Passadas oito horas, e enfrentando várias dificuldades respiratórias e deformações físicas, o Tomás acabou por não resistir. Passo à frente os sentimentos e as emoções que ainda agora em mim vivem e o que eu em maridão passámos a tratar de coisas tão opostas como certidões de nascimento, e de óbito, subsídios de nascimento, e funerais.
Ficou o Rodrigo. Um bebé lindo que está a reagir muito bem à vida e para o qual cada dia que passa é uma vitória. Em apenas oito dias, já respira sozinho, já faz cocó, está a ganhar peso e a única coisa que está por ultrapassar é aprender a comer sozinho. Médicos dizem que está para muito breve.
Custa muito estar em casa sem ele, mas todos os dias o Rodrigo recebe a visita dos papás no hospital, bem como boas doses de leite, que retiro de três em três horas com uma bomba. Sem estar à espera, a minha vida mudou. Sou mãe e agora só penso no dia em que o Rodrigo vai poder vir para casa. E sem dar conta, lá continuo eu a riscar os dias no calendário.

E com toda esta história, confirmei que sou mesmo uma mariquinhas do caraças. Sofri horrores com as dores da cesariana e chorei em desespero enquanto as colegas de quarto faziam mortais encarpados com os bebés equilibrados na cabeça e os analgésicos esquecidos em cima da mesa. E eu em lágrimas, a rastejar aos pés das enfermeiras para me encherem as veias de morfina e me porem a dormir. Uma fraquinha, portanto.

domingo, julho 19, 2009

Porque só damos importância às coisas quando não podemos tê-las: coisas que quero fazer quando deixar o repouso

Ir comer caracóis a uma esplanada que eu cá sei na Ericeira;
Ir comer uma mariscada a Ribamar;
Ir comer... (estou a brincar, já chega de comidas), ir com a família à Praia Fluvial de Freixo de Espada a Cinta e a uma que é não sei quê do Mato, em Abrantes;
Dar um mergulho no mar e apanhar conquilhas na maré baixa, de preferência na Ilha de Tavira;
Comprar coisas para o quarto dos babys, que estou a zeros (ui, vai ser bonito);
Arranjar a arrecadação;
Comprar um móvel de exterior para pôr as vassouras e as esfregonas que andam à solta ao pé do churrasco;
Pintar o cabelo;
Arranjar os pés;
Aproveitar um voucher que tenho para depilação definitiva;
Conduzir à maluca sem destino (saudades do volante);
Cozinhar como se não houvesse amanhã, tenho tido tantas ideias para receitas novas.

sábado, julho 18, 2009

Que dia é hoje?

Um dia igual aos outros. Zzzzzzzz.

sexta-feira, julho 17, 2009

Ui

Vamos lá ver no que dá esta brincadeira das bolachas Maria e dos Cornetos de morango. Hoje fiz a análise do açúcar e tenho medo, muito medo dos resultados, porque sei que não me tenho portado muito bem.

Para fazer o exame saí de casa e confesso que já não consigo estar muito tempo em pé ou a andar. Deve ser de estar há um mês deitada. Os ossos da bacia dóem e os putos charilas carregam-me muito a bexiga quando estou na vertical.

E pronto, já estou outra vez deitadinha, neste meu quarto catita que não me tem defraudado nestes dias de repouso. Quem também não vai certamente defraudar e que quer distância do repouso é a minha querida Boop, que após uma paragem regressa ao blog para contar as suas histórias.

E para terminar, notícias ainda melhores: babys fazem hoje as 27 semanas! Iupiii.

quinta-feira, julho 16, 2009

Gosto!

Para quem não conhece, este rapaz chama-se João Manzarra e tem sido aposta recente da SIC como apresentador. Começou por entrar no casting para o Curto Circuito, ganhou, e em pouco tempo pôs a um canto caras já conhecidas da estação.
O rapaz tem muita piada, sem ser ridículo ou inconveniente. Gosto! Tem pinta, faz-me rir e aquele sentido de humor que nos faz soltar a gargalhada no silêncio do quarto.

quarta-feira, julho 15, 2009

Os meus dias de há três semanas para cá

07.00 - Despertar para comer quatro bolachas Maria. Volto a dormir;
09.00 - Marido traz pequeno-almoço à cama, inclui sempre iogurte e pão. Volto a adormecer até às 11.30 e não torno a dormir mais durante todo o dia;
12.00- Levanto-me pela primeira vez da cama para ir tomar banho e volto a deitar-me;
13.00 - Pais ou marido entram em casa com almoço feito e chamam-me à mesa quando está tudo pronto. Como, lavo os dentes e deito-me na cama. Antes de irem às suas vidas, deixam-me ao lado da cama um saco térmico com o lanche e tudo o que preciso para esse dia, como revistas, água, remédios, telemóveis, computador...;
17.00 - Sento-me na beira da cama e lancho. Inclui sempre um iogurte e uma sandes. Volto a deitar-me;
18.30 - Como algumas bolachas Maria;
20.00 - Marido ou pais dão-me o jantar e volto a deitar-me;
22.30 - Marido traz-me à cama um chá, que bebo com algumas bolachas Maria;
24.00 - Por esta hora, já estou mais para lá do que para cá e acabo por adormecer.

As horas na cama são passadas a ler, a ver televisão e aqui no computador. Felizmente, entretenho-me sozinha com alguma facilidade.

Esta noite vou trocar as camisas de dormir e os pijamas por um vestidinho de grávida, pois o meu pai faz anos e o bolo é apagado na minha casa. Se Maomé não pode ir à montanha...

terça-feira, julho 14, 2009

segunda-feira, julho 13, 2009

Slogans que tal (PSD)

"Nunca baixamos os braços"

porque passamos a campanha aos abraços,
quer dizer não são bem abraços, é mais um encostar ao de leve acompanhado de duas pancadinhas repetidas e amistosas no ombro, para salvaguardar a devida distância.

Slogans que tal (PS)

"Juntos conseguimos"

Alto lá! A moça que aparece no cartaz, ao lado do Sócrates, pareço eu com mais uns quilos, mas não. Não emprestei direitos de imagem ao PS. E ela se calhar também não.

Prova superada

O repouso absoluto está a dar frutos. A ecografia de hoje mostrou dois putos fabulosos, a darem pontapés na cabeça um do outro e a crescerem como gente grande. Com 26 semanas, um deles já atingiu um quilo, o mais piqueno está com 900 gramas. Uns matulões, portanto. Mais feliz fiquei quando a médica disse que, para já, tudo bem com os pulmões do baby com menos líquido. Líquido esse que, apesar de ainda ser pouco, aumentou um tiquinho.

E pronto. Há lá coisa melhor do que irmos vendo o nosso esforço recompensado? DEpois de alguns minutos com o vento a tocar-me a pele, já estou de novo na toca. Mas feliz. Tão feliz.

Amanhã, segue a minha barriga.

Adenda: Varejeiras extintas.

sexta-feira, julho 10, 2009

Arghhhh

Ui, c'a nojo. Tenho a cozinha invadida por moscas varejeiras. Há dois dias que elas aparecem não se sabe bem de onde e se fazem passear alegremente pelos vidros. Juro que sou muito asseadinha, a casa é novinha em folha, não há alimentos podres pelo chão, nada disso. Fogo, de onde é que as danadinhas apareceram? E eu que não posso andar ali em pé a arrastar máquinas para lhes deitar veneno. Já incumbi marido e pai para vestirem os fatos de exterminadores e acabarem com a brincadeira. "Se for preciso desmancha-se a cozinha toda". Exagerada? Epá, é que à semelhança das baratas, estas gajas gordas com brilhos esverdeados são do mais nojentinho que para aí anda.

quinta-feira, julho 09, 2009

Como é que se fecha a torneira?

Eu bem que tento manter o espírito positivo, mas a quantidade de líquido amniótico que tenho perdido nos últimos dois dias tem sido tanto que sinceramente estranho o bebé ainda não ter dado o alarme.
E a ecografia ainda tão longe.
Acho que amanhã, que tenho consulta (iupi, vou sair de casa, sentir o sol e o vento na pele e ver pessoas e pôr sapatos), vou fazer um choradinho à médica para conseguir que ela me mande para o piso das ecografias, para ficar mais descansada. Um bocadinho mais descansada. E por mais que tente estar alegre, a minha expressão muda de cada vez que sinto a torneira a abrir sem nada poder fazer. Entretanto, estou desejosa que o dia de amanhã chegue ao fim, faço as 26 semanas. E vai mais uma.

quarta-feira, julho 08, 2009

Fica para o ano

O telefone tem tocado várias vezes desde que me encontro nestas férias prolongadas na horizontal. Convidam-me para aniversários, casamentos, jantaradas e cineminhas e eu lá declino, explicando que não posso estar nessas andanças, que estou de repouso e por aí fora.
Mas o telefonema desta manhã custou muito. Ai o que me custou, caramba, ter de recusar um convite para ir cantar o fado num espaço onde já cantei por diversas vezes e que adoro. Já tinha comentado com maridão que nunca mais tinha cantado em público e que tinha imensas saudades. E o telefonema tão ansiado aconteceu. Enfim, é daquelas coisas. É óbvio que não trocava os meus babys por nada deste Mundo, mas que fico a remoer, ai isso fico. E olhem, vou cantando aqui no quarto, a pensar que tudo vai correr bem e que para o ano lá vou estar, a cantarolar... "Zangueeeei-me com o meu amoooooor...".

terça-feira, julho 07, 2009

Pois pois

No Você na TV (sim, é a minha companhia pela manhã) falava-se sobre as mentiras entre mães e filhas. A Carla Andrino e a sua pequena a dizerem que nunca mentiram uma à outra. Tá bem abelha.

segunda-feira, julho 06, 2009

Os meus cabelos brancos e o meu rabo de macaco

Vinte. Serão seguramente vinte os novos cabelos brancos que cresceram na minha cabeça desde que soube que estou grávida. Eu, que sempre me imaginei vaidosíssima a exibir a minha pança por esse Verão escaldante com modelitos fora de série e enjoos deitados para trás das costas, tenho, na verdade, passado todo o tempo fechada em casa e a exibir as camisas de dormir ao marido e aos pais. Mas isto não são queixas, pois estes meus ricos filhos são mais do que desejados e conseguiria aguentar uma farta cabeleira branca só para que estivessem bem.

Depois de apenas três dias em casa após ter estado internada, voltei a perder sangue. E entre um choro assustado e desesperado, lá fui eu de charola para as urgências, não sem antes preparar uma pequena babagem para o caso de me internarem de novo. Nunca mais me apanham com aquelas camisas de dormir traçadas que nos deixam o rego à mostra, aquelas cuecas descartáveis que nos apanham as maminhas cá em cima e aqueles chinelitos de pano que ensopam tudo o que pisam.

Felizmente, mandaram-me para casa para continuar o repouso. Não é hemorragia. Não há descolamento de placenta. Não tenho dores. O CTG não acusou contracções. Os resultados são negativos para infecções. O que os médicos me dizem é que pode ser alguma coisa ao nível do colo do útero, talvez um dos manos que goste de se esticar um pouco mais em direcção à saída.

Para ajudar à festa - e perdoem-me a crueldade da descrição - o meu rabo está parecido ao de um macaco devido a uma crise hemorroidal que me tem atazanado a vida. Há três dias que não me sento na sanita e a única questão que me assola é para onde raio vão os quilos de comida que vou ingerindo ao longo do dia.

Por último, um pedido ao pessoal que me conhece: pensei muito antes de publicar aqui o meu problema de hemorróidas acompanhado pela comparação ao rabo do macaco. Que esta imagem morra aqui para sempre e que continuem a ver-me como sempre me viram.

sexta-feira, julho 03, 2009

EUREKA

Há uma semana atrás fui à casa-se-banho e tinha sangue nas cuecas. Senti o mundo desabar em cima da cabeça perante a certeza de que estava a perder um dos gémeos. Corri para as urgências e fiquei de imediato internada, com a hemorragia a estancar durante essa noite e com a garantia de que estava tudo bem com os bebés. No entanto, conseguiu confirmar-se que ando a perder líquido amniótico há 13 semanas (!!), apesar de ter ido várias vezes antes às urgências e de me terem garantido que o fluído que eu sentia não era líquido amniótico. Ok, Eureka, agora percebe-se porque razão um dos manos tem pouco líquido.
Nem sei que diga e que vos conte acerca da última semana, em que estive literalmente presa a uma cama de hospital.
Ontem deram-me alta (ufa) e agora é aguentar os babys o máximo de tempo possível, para nascerem sem perigo. Deitada na cama todo o dia, tenho um calendário ao meu lado onde vou riscando os dias que passam para poder respirar um pouco de alívio. Ainda me faltam riscar pelo menos mais cinco semanas. Mas estou muito feliz de já ter ordem para me levantar para poder ir à casa de banho e para comer. Nem vos vou relatar como foi ter de fazer tudo (mesmo tudo) numa cama do Santa Maria e rodeada de mais três mães internadas. Hoje fazemos 25 semanas. Lá fora vai anoitecendo e para mim é mais um dia ganho. Nunca até agora tinha tido tanta noção do tempo. De como ele custa a passar.

Obrigada pelas dicas preciosas de post anterior.

quarta-feira, junho 24, 2009

Ui... que estou tão baralhada

Nota prévia: E o tema do post de hoje está relacionado com... tchan tchan tchan tchaaaaan... gravidez. Sim, para variar, transformo aqui o estaminé em diário deste meu estado de graça e desde já peço desculpa pela monotonia temática. Garanto que pessoalmente consigo manter todo o tipo de conversação.

E vamos então ao que interessa. Como ainda não comecei com as aulas pré-parto, são várias as dúvidas que me assolam:

- Opto por aqueles fraldários com banheira incorporada para pôr no quarto ou compro banheira de bebé para lhes dar banho na minha casa-de-banho?

- Não vou passar pelos berços. Ando com as camas de grade entre o quarto deles (dia) e o meu (durante a noite) ou ponho-os a dormir no meu quarto numas alcofas?

- Ponho os gémeos a dormir na mesma cama de grades ou cada um na sua?

- Como é que vou fazer para que os avós paternos, que moram a uma hora da nossa casa e com a Ponte 25 de Abril pelo meio, também acompanhem de perto o crescimento dos netos? (ok, nesta questão nem o curso me safa)

- Moro num terceiro andar e o elevador é estupidamente tão pequeno que não cabe um carrinho de gémeos. Como resolvo isto?

- Qual a melhor opção de carrinhos? Bebés lado a lado, em comboio, ou um virado para o outro?

- O que faço a uma sofá-cama do Ikea novo em folha que comprei a pensar em quarto de hóspedes e que agora atrapalha em muito toda a organização do espaço?

Agradeço boas dicas, a sério, help me.

segunda-feira, junho 22, 2009

sexta-feira, junho 19, 2009

A segunda opinião

Em busca de uma segunda opinião para o dossiê "gémeos em que um dos fetos tem pouco líquido amniótico" fui a um dos maiores cromos em ecografias do pedaço. Tirando o facto de quase ter deixado escapar uma lágrima quando foi a hora de pagar (caro mesmo, enfim), eu e pai das crianças saímos do consultório bastante descansados. O cromo da bola é da opinião que os dois babys estão óptimos e que não há qualquer sinal de alerta para se proceder ao feticídio de um deles. O importante é vigiar. E pronto. Depois de uma depressão de uma semana, o meu coração recomeçou a bater com ritmo de samba, este calor voltou a ser maravilhoso, o sofá é de novo o meu melhor companheiro, a canja do maridão parece que sabe a pato e as minhas maminhas não estão enormes e assassinas, estão, digamos, encorpadas. E com este espírito, ou muito me engano, ou hoje ainda vou soltar umas gargalhadas a ver o Preço Certo. Ou isso, ou vou cantar alegremente quando começar o anúncio do sumo Sunny, que é assim numa praia ao estilo Marés Vivas, onde uma voz off com sotaque brasileiro grita e canta "SUNNYYYYYYYYY, o mélhórr rêfrescu pára txiiii".

quarta-feira, junho 17, 2009

Procura-se cozinheira

Ele é um querido e não o trocava por nada deste mundo. Mas a verdade é que o marido não tem - há que dizê-lo - muito jeito para as coisas da cozinha. Eu, que estou em repouso absoluto e por isso impossibilitada de mergulhar nos meus habituais e brilhantes devaneios culinários, fico à mercê do que ele carinhosamnete se esforça por confeccionar. E aqui entre nós, que ninguém nos lê, é assim, uma semana eu aguento, agora mais não sei. É que daquelas panelas só sai canja, hamburgueres e bifes e eu não sei se aguento esta variedade na ementa por muito mais tempo. Não há por aí um avental amigo que queira fazer umas visitas cá a casa para deixar uns tupperwares prontos a aquecer, não? Pleeeeease, pagamos bem.

Obrigada à também ela grávida Cocó na Fralda que atribuiu a este espaço um prémio muito querido e simpático. Bem que estranhei quando hoje fui ver as audiências, tinham disparado.

Sobrinhos

Catarina, 5 anos e meio:
- Ó Mi, porque é que tomas cigarros? Não sabes que fazem os pulmões pretos?
- Pois é…
- …?

Sou tia de muitos sobrinhos, dos Batista e dos Amigos. A Joana ainda só abana a mão em frente ao nariz e diz: Caca. É lindo vê-los crescer.
E daqui mando força, beijinhos e abracinhos para a Anette e o Zé, que vão trazer mais sobrinhos para nos animar a vida!

As minhas vinhas da ira

Irrita-me este revivalismo dos ABBA, é certo que me recorda a infância mas nem assim me apazigua os tímpanos. Aliás irritam-me revivalismos em geral, da moda à música; agora os 80’s já foram, revivamos alegremente os 90’s?… gente, ainda não passou uma década completa sequer!
Será que dá para mergulhar no passado seriamente e daí retirar ensinamentos, sem ser de coisas à toa, talvez a década de 30?

terça-feira, junho 16, 2009

Já estive melhor

Sim. Confesso. As coisas não estão fáceis aqui para as minhas bandas. A situação mantém-se mais ou menos igual (um dos bebés tem pouco líquido amniótico e os médicos não me sabem dizer se irá ter sequelas ou não), mas o meu espírito positivo e a minha boa disposição vão sucumbindo a esta vida de sofá, às dúvidas, à ansiedade de não conhecer o desfecho desta história.
A minha cabeça sente-se um pouco cansada, ando meia triste, muito chorona e tenho medo de me afeiçoar a bebés que podem nem vir a nascer. É o que oiço dos médicos de cada vez que lá vou. Que isso pode acontecer. Estou com quase seis meses de gravidez e a minha barriga está enorme. Os bebés dão muitos pontapés, fazem questão de se fazer notar e eu rendo-me a esta magia que vai crescendo na minha barriga com uma angústia enorme do cenário se alterar de um momento para o outro. Os nomes estão escolhidos, mas o quarto continua por decorar e contam-se pelos dedos as roupas já compradas. Não haverá por aí uma bolita de cristal aqui para esta menina, não?

segunda-feira, junho 15, 2009

Estações que tal

Uma estação de comboios à tarde. Três miúdos, que suponho entre os 19 e 20 anos, a rodar entre si um papel amarelo povoado de exercícios. De quando em quando conversam, num emaranhado de primitivas, derivadas direccionais e funções vectoriais. Às tantas vira-se um e diz:
- Deu muito trabalho mas começo a ter raciocínio geométrico, quando olho para um exercício já quase que o resolvo automaticamente…

Rio-me para dentro durante muito tempo.
Se calhar tinha sido boa ideia ir às aulas de Álgebra Linear e Geometria Analítica, ao invés de calcorrear as festas das faculdades e os alfarrabistas da baixa portuense.

sábado, junho 13, 2009

Esplanadas que tal

Uma esplanada à tarde. Três miúdas, que suponho entre os 17 e 18 anos, a estudar para um teste de Português. Uma vai lendo alto numa espécie de sebenta parágrafos a fio sobre os heterónimos. De quando em quando conversam, numa confusão com o próprio do Pessoa. Às tantas vira-se uma e diz:
- Deixa lá ver se eu estou a perceber... o Alberto Caeiro era tipo um hippie, aquilo da natureza, ya?

Rio-me para dentro durante muito tempo.
Afinal de contas, Cristo também foi o primeiro comunista, ya?

segunda-feira, junho 08, 2009

A luz ao fundo do túnel

(Não, não vou falar do meu umbigo que era profundo e agora já não é, mas sim em como um livro perdido numa das estantes da Fnac pode mudar a nossa vida)

Eu já gostava da Fnac e agora ainda mais. Pois foi ali que descobri que o nome Tomás quer dizer gémeo. Houve lá maneira mais fácil e ternurenta de convencer o pai das crianças a aceitar esse nome para um dos babys? Pois que foi canja.

E pronto, agora só falta o nome do mano. O pai quer Rodrigo, nome pelo qual não morro de amores, até por usar muito a expressão "deixa-te lá de rodriguices" quando me refiro a pessoas que estão a complicar em demasia. Gosto muito de Vasco, mas aborrece-me o diminutivo a que será quase impossível escapar que é a do Vasquinho. Depois? Bom, depois gosto de imensos outros nomes que o pai nem vê-los. Adoro Duarte, Guilherme, Jaime, Afonso, Vicente, Dinis. Ai, que preciso aí de outro golpe de sorte.

Balanço: estou de cinco meses e meio de gravidez. Bebé que nos tem dado dores de cabeça continua com menos líquido que o mano, mas o suficiente para se continuar a desenvolver normalmente. Estão com 60 gramas de diferença no peso e as ecografias repetem-se de semana a semana. Já os sinto a mexer muito e ontem, pela primeira vez, pai sentiu um dos pontapés.

quarta-feira, junho 03, 2009

Coisas que agora sei que devia ter feito antes de engravidar

Apesar dos sobressaltos, estou a adorar estar grávida. Mas são várias as vezes ao longo do dia em que me lembro de coisas que devia ter feito antes de estar em estado de graça. E são elas:

- Ter feito um seguro de saúde. Ó como era tão importante eu tê-lo feito com pés e cabeça para poder dar à luz num quartinho só meu, com wc privativo e com o maridão a poder passar lá comigo a noite.

- Uma festa de despedida de sushi. Não tive tempo de me despedir como devia de ser. Queria ter feito assim grande jantarada, com todas as qualidades e feitios daquela iguaria inventada pela malta dos olhos em bico. Devia ter apanhado uma barrigada, ah pois devia.

- Depilação definitiva em todo o corpo. É que me dava um jeitão tremendo nesta fase em que a barriga já nos vai dificultando as voltas e as posições na marquesa.

- Não ter tido a brilhante ideia de mobilar o quarto de hóspedes como se fosse para hóspedes na mesma semana em que soube que estou grávida. Afinal, o quarto será para os babys e tenho agora um sofá cama e um móvel novíssimos em folha e que vou ter de adaptar.

- Ter arrumado a minha arrecadação. Acho que nunca mais na vida vou conseguir ter paciência para pô-la como eu tinha idealizado.

- Apesar de ter viajado para Cabo Verde há pouco tempo, queria ter feito só mais uma ou duas viagens a dois sem ter de deixar os filhotes nos avós.

- E por fim, devia ter obrigado o gajo a assinar um papel em como aceitava os nomes que eu propunha para os nossos filhos antes mesmo sequer de haver cambalhotas. Isso é que era.

terça-feira, junho 02, 2009

O meu misterioso umbigo

Tenho um umbigo muito fundo. Não sei até que ponto isto reflecte algum traço da minha personalidade, mas a verdade é que ao longo dos meus 32 anos tenho tido especial atenção ao meu umbigo, nomeadamente em termos de higiene pessoal, por o mesmo ser muito fundo.
Tão fundo que nunca consegui ver como ele acaba e que surpresas guarda lá em baixo. Só para terem uma ideia, quando o limpo com um cotonete, o mesmo fica enfiado até metade, de tão fundo que o meu umbigo é. De quando em quando, quando aventurava o meu dedo indicador a ir um pouco mais longe, sentia uma saliência, pequena, singela, misteriosa.
Pois que com o crescimento da barriga o umbigo tem ficado cada vez mais para fora. E eu todos os dias a tentar ver o que lá se passa. E o pai das crianças sem me poder ouvir mais, a dizer-me para esquecer isso, que depois logo se via.
E não é que já consigo? E não é que já sei que saliência é essa que sentia dentro de mim durante mais de três décadas? E não é que passado todo este tempo consigo ver o que se passa no fundo do meu umbigo, que agora não é fundo coisíssima alguma?
Pois é, plantado no final do meu umbiguito, existe nada mais nada menos, do que... tchan tchan tarãããããã.... um daqueles sinais saídos, uma espécie de bolinha de carne, pequena, não muito bonita, é verdade, mas bem menos assustadora do que os cenários que me assolaram em noites de sono. Não sei que nome têm, mas é fofinha, não me incomoda, nasceu comigo e acabámos de nos conhecer. Acho, sinceramente, que este vai ser o início de uma grande amizade. Aliás, já sofro só de pensar que quando tudo isto for ao lugar, lá se vai o sinalinho esconder, como foi até aqui, com a diferença de eu a partir de agora já saber o que esconde o fundo do meu longo umbigo.

segunda-feira, junho 01, 2009

Recadinho

Já estou acordada há mais de uma hora e ainda não caiu no meu colo nenhum presente do Dia da Criança. Como é? Alimentar e carregar dois babys não merece o gesto? Como é maridão?