Espaço sobre tudo e mais alguma coisa, que isto de ter cantinhos muito específicozinhos sobre coisinhas pode ser, vá, esquisito
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quinta-feira, janeiro 28, 2010
domingo, janeiro 24, 2010
A ver se ainda me lembro
Depois de ter estado seis meses em permanente convívio com o bebé, não vai ser fácil voltar a lidar com gente adulta. Ora vamos lá rever a matéria.
Diz-se "bom dia" sem ser em voz de falsete e sem estarmos a abanar a cabeça para cima e para baixo enquanto arregalamos os olhos. Não devemos ficar deprimidos porque, ao contrário dos bebés, é raro vir de lá um sorriso.
Quando chega a hora de comer não há lágrimas. Há antes um restolhar de rabos nas cadeiras, computadores a desligarem-se, telefonemas para as mães e namorados para fazerem o balanço da manhã. Há gente a sair de fininho para evitar companhias indesejadas à refeição e há quem convide meio mundo para fazer daquela meia-hora uma grande rambóia a terminar com licores beirão ao balcão. Aliás, durante a tarde, alguns bolsam para as secretárias.
Quando apanhamos com gente resmungona e mal disposta não somos obrigados a ver se têm xixi ou cocó. E se alguém tiver vontade de andar a brincar connosco podemos virar costas sem remorsos. Não temos de tirar cólicas a ninguém e, apesar de muitos o fazerem, não fica bem fazer colinho no local de trabalho. Ah, a chucha está igualmente proibida neste mundo de adultos onde quase toda a gente se esforça para andar à mama.
Diz-se "bom dia" sem ser em voz de falsete e sem estarmos a abanar a cabeça para cima e para baixo enquanto arregalamos os olhos. Não devemos ficar deprimidos porque, ao contrário dos bebés, é raro vir de lá um sorriso.
Quando chega a hora de comer não há lágrimas. Há antes um restolhar de rabos nas cadeiras, computadores a desligarem-se, telefonemas para as mães e namorados para fazerem o balanço da manhã. Há gente a sair de fininho para evitar companhias indesejadas à refeição e há quem convide meio mundo para fazer daquela meia-hora uma grande rambóia a terminar com licores beirão ao balcão. Aliás, durante a tarde, alguns bolsam para as secretárias.
Quando apanhamos com gente resmungona e mal disposta não somos obrigados a ver se têm xixi ou cocó. E se alguém tiver vontade de andar a brincar connosco podemos virar costas sem remorsos. Não temos de tirar cólicas a ninguém e, apesar de muitos o fazerem, não fica bem fazer colinho no local de trabalho. Ah, a chucha está igualmente proibida neste mundo de adultos onde quase toda a gente se esforça para andar à mama.
sexta-feira, janeiro 22, 2010
Acabou-se
E pronto. Chegou ao fim a minha licença de maternidade. Aliás, até me apetece dizer: "e prontos", que é bem mais forte. O trabalho começa já na segunda-feira (ui) e hoje, claro está, foi dia de lágrimas. Já há alguns dias que elas andam a espreitar. Uma aqui, outra acolá. Mas hoje pareço mais uma Maria Madalena e o soalho da minha sala está húmido.
O Rodrigo fica bem entregue. Eu sei disso. Mas hoje de cada vez que olhava para ele lá se me enchiam os olhos de lágrimas. Das saudades que vou sentir, acho. Sei que está bem entregue, mas cá no fundo o que eu penso é que eu é que sei tomar conta dele melhor do que ninguém. Na minha cabeça as coisas são assim. Eu sei ler o choro dele, as expressões, os movimentos das mãos. Sei quando não quer comer mais, quando tem cocó ou foram só puns. Sei quando lhe apetece brincar, quando quer relaxar e quando quer fazer colinho. Eu é que sei. A verdade é essa. E dá-me pena que vá passar pelos mal-entendidos próprios de quem não sabe falar. Como quando veio cá para casa e eu ainda não o conhecia. Mas a vida é mesmo assim e não podia ficar eternamente em casa à espera da idade em que ja soubesse andar com as chaves de casa sem as perder.
De maneiras que é assim. E prontos. Agora com licença que vou ali choramingar mais um bocadito e já venho.
O Rodrigo fica bem entregue. Eu sei disso. Mas hoje de cada vez que olhava para ele lá se me enchiam os olhos de lágrimas. Das saudades que vou sentir, acho. Sei que está bem entregue, mas cá no fundo o que eu penso é que eu é que sei tomar conta dele melhor do que ninguém. Na minha cabeça as coisas são assim. Eu sei ler o choro dele, as expressões, os movimentos das mãos. Sei quando não quer comer mais, quando tem cocó ou foram só puns. Sei quando lhe apetece brincar, quando quer relaxar e quando quer fazer colinho. Eu é que sei. A verdade é essa. E dá-me pena que vá passar pelos mal-entendidos próprios de quem não sabe falar. Como quando veio cá para casa e eu ainda não o conhecia. Mas a vida é mesmo assim e não podia ficar eternamente em casa à espera da idade em que ja soubesse andar com as chaves de casa sem as perder.
De maneiras que é assim. E prontos. Agora com licença que vou ali choramingar mais um bocadito e já venho.
quinta-feira, janeiro 21, 2010
terça-feira, janeiro 19, 2010
Coisas de tintol
Fui notificada para ser ouvida no posto da GNR de Sintra por causa de um artigo que escrevi. Não sabia onde era e entrei numa churrasqueira da vila, onde perguntei para o ar.
- Alguém me sabe dizer onde é a GNR?
Saltaram três ou quatro a dizerem que sim, na segunda à esquerda, na rotunda em frente, blá blá, quando fui interrompida por um cota rosado que estava encostado em desiquilíbrio ao balcão com um copo de tinto à frente. Voz arrastada:
- Então mas tem mesmo que lá ir? Oiça, liga-se para lá e eles que venham cá.
Mais nada. Obrigadinhos.
- Alguém me sabe dizer onde é a GNR?
Saltaram três ou quatro a dizerem que sim, na segunda à esquerda, na rotunda em frente, blá blá, quando fui interrompida por um cota rosado que estava encostado em desiquilíbrio ao balcão com um copo de tinto à frente. Voz arrastada:
- Então mas tem mesmo que lá ir? Oiça, liga-se para lá e eles que venham cá.
Mais nada. Obrigadinhos.
sexta-feira, janeiro 15, 2010
Ou muito me engano
Ou o meu pequenote Rodrigo anda aqui a ler o blogue. Ontem foi um dia cheio de vitórias. O segredo? Eu não estar nem por perto. Os meus pais deram-lhe a papa sem o rapaz sequer pestanejar. O pai deu-lhe o biberão à noite e foi tudinho. Todas estas operações foram feitas comigo noutra divisão da casa, a fazer figas, a rezar, a espreitar de mansinho sem respirar e a esconder as minhas mamocas.
Obrigada a todos pelas dicas.
Obrigada a todos pelas dicas.
quinta-feira, janeiro 14, 2010
Em pânico
Falta pouco mais de uma semana para ir trabalhar e o Rodrigo não pega no leite artificial nem por nada. Já experimentei várias tetinas, inclusive as que ele sempre pegou com o meu leite congelado, e não há maneira. Quando está meio a dormir ainda bebe um pouco, mas depois começa a cuspi-lo e com vómitos. Estou em pânico porque não quero que o bebé passe fome. A papa ainda é uma verdadeira luta. Será que tenho de experimentar outra marca de leite? Nos dois primeiros dias bebeu a quantidade toda. Aiiii, heeeeelp, estão perante uma mãe desesperada e cheia de miaúfa. Ajudas, dicas e truques precisam-se.
terça-feira, janeiro 12, 2010
Agenda a 13 dias de ir trabalhar
- Comprar algumas coisas do Rodrigo a dobrar para levar para casa dos meus pais, que vão ficar com ele;
- Pintar o cabelo e pôr a franja para o lado, que já não a quero para baixo. Ando cheia de vontade de mostrar a testa;
- Fazer a depilação (esta não é por ir trabalhar, é porque sim);
- Comprar mais umas roupas, nem tudo o que está no roupeiro do último Inverno me serve;
- Ter ideias, muitas, uma vez que entro ao serviço numa nova revista e num novo desafio profissional;
- Habituar o Rodrigo a comer papa e a beber leite artificial. As minhas maminhas não vão estar tão presentes;
- Comprar a agenda para ajudar a Associação XS que apoia bebés prematuros para organizar os meus dias (à venda na Fnac, comprem também, é liiinda);
- Aproveitar os últimos cartuchos de papo para o ar a tratar do meu baby que, ai Jesus, é a cara chapadinha do pai.
- Pintar o cabelo e pôr a franja para o lado, que já não a quero para baixo. Ando cheia de vontade de mostrar a testa;
- Fazer a depilação (esta não é por ir trabalhar, é porque sim);
- Comprar mais umas roupas, nem tudo o que está no roupeiro do último Inverno me serve;
- Ter ideias, muitas, uma vez que entro ao serviço numa nova revista e num novo desafio profissional;
- Habituar o Rodrigo a comer papa e a beber leite artificial. As minhas maminhas não vão estar tão presentes;
- Comprar a agenda para ajudar a Associação XS que apoia bebés prematuros para organizar os meus dias (à venda na Fnac, comprem também, é liiinda);
- Aproveitar os últimos cartuchos de papo para o ar a tratar do meu baby que, ai Jesus, é a cara chapadinha do pai.
segunda-feira, janeiro 11, 2010
Iupii
Sem a firmeza de outrora, mas a apenas quatro quilos do que era antes de engravidar. (tinha engordado dez)
domingo, janeiro 10, 2010
A primeira papa
Vómitos. Muitos vómitos. Acho que fiz a papa muito grossa. A pediatra disse-me para não a dar muito líquida porque ele ia cuspir muito e, exageradita como eu sou, acho que dei argamassa ao pirralho. Coitadito. Não deve ser agradável passar do leite escorregadio da maminha para pedaços de cimento a saber a milho e arroz. A colher ficava em pé e não deve ser assim que se quer. Mesmo assim colaborou. Só à oitava colher é que começou a querer vomitar. E depois é a colher, mais propriamente o tamanho. Procurei a mais pequena da farmácia, mas mesmo assim é muito grande. O piqueno tem de abrir muito a boca para ela entrar e quando não quer colaborar é difícil ser eu a fazer esse trabalhinho.
Enfim, vai com calma, não é assim? O sabor acho que está aprovado, falta agora acertar na consistência, na temperatura, na colher. Falta o Rodrigo aprender a pôr a língua para baixo e a engolir a papa, que ainda se atrapalha um pouco. Hoje então não correu mesmo nada bem. Chorou, não queria. Não insisti. Temos tempo. As médicas bem me dizem para não me apoquentar com o choro do bebé, mas que hei-de eu fazer se não consigo ver-lhe as lágrimas e as campainhas da garganta por mais de dois segundos?
Para já uma vitória. O Rodrigo já dorme na cama de grades. Sim, o rapaz ainda dormia na cama dos pais até a pediatra nos arregalar os olhos, deitar fumo pelo nariz, pôr o indicador em riste e ordenar-nos para acabarmos imediatamente com isso. Checked senhora doutora. Cumprimos nesse mesmo dia. Agora segue-se a cama no quarto dele, o colchão insuflável no acampamento de escuteiros e a a cama da namorada. Isto está a ir.
Enfim, vai com calma, não é assim? O sabor acho que está aprovado, falta agora acertar na consistência, na temperatura, na colher. Falta o Rodrigo aprender a pôr a língua para baixo e a engolir a papa, que ainda se atrapalha um pouco. Hoje então não correu mesmo nada bem. Chorou, não queria. Não insisti. Temos tempo. As médicas bem me dizem para não me apoquentar com o choro do bebé, mas que hei-de eu fazer se não consigo ver-lhe as lágrimas e as campainhas da garganta por mais de dois segundos?
Para já uma vitória. O Rodrigo já dorme na cama de grades. Sim, o rapaz ainda dormia na cama dos pais até a pediatra nos arregalar os olhos, deitar fumo pelo nariz, pôr o indicador em riste e ordenar-nos para acabarmos imediatamente com isso. Checked senhora doutora. Cumprimos nesse mesmo dia. Agora segue-se a cama no quarto dele, o colchão insuflável no acampamento de escuteiros e a a cama da namorada. Isto está a ir.
terça-feira, janeiro 05, 2010
Sou mesmo muito parva
Só mesmo uma mãe parva como eu desata numa choradeira de alegria em pleno consultório de pediatria, depois da médica anunciar que está na hora do Rodrigo começar a aventurar-se nas papas. Xiça, mas por que raio fui sair assim tão lamechinha, tão nham nham nham?
segunda-feira, janeiro 04, 2010
Coração apertado, apertadinho
2010 começa com um nó na garganta: arrancou a contagem decrescente para regressar ao trabalho. Ai que saudades do meu baby e dos nossos programinhas a dois. Para já, uma missão: regularizar os sonos, que isto de andar a adormecer às quatro da manhã e a acordar às duas da tarde não vai resultar.
quarta-feira, dezembro 30, 2009
Bom anooooooo 2010
Este ano foi um ano feliz por ter tido o meu primeiro filho, mas não foi fácil. Há que dizê-lo. Por tudo o que foram acompanhando aqui no blog, foram meses cheios de emoção, angústias e muitas dúvidas. Foi um ano de pouco trabalho, uma vez que estou em casa desde Abril, e seguramente 2009 ficará marcado como aquele em que mais tempo passei deitada (espero). Ora na cama, ora no sofá, ora no chão, aqui a menina precisou de muito repouso e por isso as minhas maiores recordações deste ano que agora finda são os tectos, vários e diferentes. Uns tristes, rachados, outros alegres, pintados, com luzes vermelhas, luzes fluorescentes. Alguns sem luz.
E pronto, 2010 (como eu adoro este número) está mesmo à porta e estou pronta para recebê-lo com o pé direito, de braços abertos, de sorriso rasgado. E como eu tenho jeito para rasgar o meu sorriso. Por enquanto, uma preocupação: acho que tenho mais do que doze desejos para pedir ao som das badaladas. Mas vou apelar ao meu poder de síntese e não vou exigir demais destes 365 dias que se aproximam. Bom ano a todos.
E pronto, 2010 (como eu adoro este número) está mesmo à porta e estou pronta para recebê-lo com o pé direito, de braços abertos, de sorriso rasgado. E como eu tenho jeito para rasgar o meu sorriso. Por enquanto, uma preocupação: acho que tenho mais do que doze desejos para pedir ao som das badaladas. Mas vou apelar ao meu poder de síntese e não vou exigir demais destes 365 dias que se aproximam. Bom ano a todos.
terça-feira, dezembro 22, 2009
Em black out
Estive sem computador e agora ressuscitei, graças à minha amiga C. que me safou desta e me devolveu à vida cibernáutica.
O Natal está à porta e os presentes comprados são muito poucos. Ao contrário de anos anteriores a minha árvore de Natal pedincha por embrulhos em seu redor. Mas não é fácil andar às compras com um bebé tão piqueno e com estas temperaturas tão pouco convidativas. Para além de que estou proibida de andar com o Rodrigo em shoppings, por causa das bicharadas, o que, diga-se, reduz em muito as boas chances de despachar dez presentes numa hora.
E dito isto, amigos, família: para o ano vingo-me e encho-vos de miminhos.
O Natal está à porta e os presentes comprados são muito poucos. Ao contrário de anos anteriores a minha árvore de Natal pedincha por embrulhos em seu redor. Mas não é fácil andar às compras com um bebé tão piqueno e com estas temperaturas tão pouco convidativas. Para além de que estou proibida de andar com o Rodrigo em shoppings, por causa das bicharadas, o que, diga-se, reduz em muito as boas chances de despachar dez presentes numa hora.
E dito isto, amigos, família: para o ano vingo-me e encho-vos de miminhos.
terça-feira, dezembro 15, 2009
Matemáticas
Isto de ser prematuro não é mesmo fácil. O Rodrigo vai fazer agora cinco meses de vida, mas ainda não liga a brinquedos para três meses. Veste roupa de um mês e amanhã faz dois meses de idade corrigida (visto que eu completava as 40 semanas dia 16 de Outubro). Tem o tamanho de um recém-nascido mas já gargalha como gente grande, não se sabe muito bem o que vê e os médicos dizem que só aos três anos se deixarão de notar as diferenças em relação aos outros meninos. Peso oficial: 4.700 quilos!
segunda-feira, dezembro 14, 2009
Ídolos: dúvidas
Quem é que anda a vestir a Cláudia Vieira? Quem anda a penteá-la? E porque é que ela e o Manzarra não ensaiam melhor a gala dos Ídolos? É que é argolada atrás de argolada. E quando é que o Boucherie perde vergonha dos dentes tortos e se ri de boca aberta?
domingo, dezembro 06, 2009
Oi?
Até aos bombons "Merci" eu ainda aguentava (apesar daquele anúncio de bradar aos céus), mas caramba, bombons "Lindor"? "Lindor"? Não sou especialista em marketing, mas tenho para mim que não é lá muito bem jogado dar o nome de uma marca de fraldas para incontinentes a uma coisa que se come, que se põe na boca, que derrete nas beiças, enfim, não me parece nada bem.
quinta-feira, dezembro 03, 2009
Pôr o lixo
Para quando uma portinhola nas nossas cozinhas em que despejamos para lá o saco do lixo e pronto, não pensamos mais no assunto? Para quando uma solução na lógica do que faz o autoclismo que acabe de uma vez por todas com o irritante e nojento saquinho do lixo à espera que alguém lhe pegue?
É que levar o lixo à rua nunca dá jeito. Ou porque já vamos todos arranjadinhos e não queremos ficar com as mãos a cheirar a atum; ou porque já levamos o casaco numa mão, a mala na outra e o lixo não dá propriamente para levar na boca como fazemos com as chaves do carro; ou porque está a chover; ou porque ele à noite leva; ou porque blá blá. Enfim, há sempre mil e uma razões para o saco mal cheiroso demorar em seguir o seu destino. E fica ali pela cozinha, dias (poucos, para não parecer mal), de asas caídas, a ganhar cada vez mais decadência, a perder a frescura própria do lixo acabado de fazer.
Acredito mesmo que em cada doce lar a discussão de quem é a vez de levar o lixo à rua se torne muitas vezes num braço de ferro sem fim. Ah, e com a eterna argumentação “eh pá, desta vez vai lá tu que o último saco fui eu que o levei”. O que é mais irritante é que esses últimos sacos perdem validade num piscar de olhos. Eu não sei se é só cá em casa, mas fabrica-se lixo que é uma coisa de doidos. Ainda estamos a bater as palminhas porque o próximo saco cabe-lhe a ele e já estão dois nojentinhos a abarrotar de cascas de batata e espinhas de peixe à espera de ser atendidos no nosso guichet. Porra, já?!
Há outras tarefas domésticas igualmente chatas, mas caramba, para nos livrarmos dessas temos sempre o velho recurso de contratar uma empresa. Limpam-nos o pó numa manhã, passam-nos a roupinha toda a ferro e ainda a trazem a casa à hora marcada. Agora, que eu saiba, não se pode fazer um telefonema para nos irem pôr o lixo, se faz favor. Não se pede a um amigo que está a ir embora depois de uma visita “leva-me isto lá abaixo, o caixote fica na esquina no lado direito”.
Sim, porque depois é isto. Os caixotes onde deitamos o nosso lixo ficam sempre longe, longe. Aliás, confesso que algumas vezes enfio o meu rabo preguiçoso no carro e com ele o saco do lixo. Paro perto do contentor e lá vai bogalho que o próximo é dele. Mas esta solução também não é boa. Voltamos ao volante com a sensação de mão peganhenta e serão ainda precisos alguns quilómetros de vidro aberto para sair o cheiro das cascas de queijo e banana misturados com as magnólias do campo próprias dos sacos de lixo perfumados.
Uma coisa é certa. Já não sei quem levou o último, mas o saco que está ali na cozinha fechado e pronto a ir para outro lado não me vai calhar na rifa porque, hummm, deixa ver, hummm, porque está frio e não me quero constipar e porque depois pode fazer mal ao bebé, oh pá, vai lá tu. Amo-te.
É que levar o lixo à rua nunca dá jeito. Ou porque já vamos todos arranjadinhos e não queremos ficar com as mãos a cheirar a atum; ou porque já levamos o casaco numa mão, a mala na outra e o lixo não dá propriamente para levar na boca como fazemos com as chaves do carro; ou porque está a chover; ou porque ele à noite leva; ou porque blá blá. Enfim, há sempre mil e uma razões para o saco mal cheiroso demorar em seguir o seu destino. E fica ali pela cozinha, dias (poucos, para não parecer mal), de asas caídas, a ganhar cada vez mais decadência, a perder a frescura própria do lixo acabado de fazer.
Acredito mesmo que em cada doce lar a discussão de quem é a vez de levar o lixo à rua se torne muitas vezes num braço de ferro sem fim. Ah, e com a eterna argumentação “eh pá, desta vez vai lá tu que o último saco fui eu que o levei”. O que é mais irritante é que esses últimos sacos perdem validade num piscar de olhos. Eu não sei se é só cá em casa, mas fabrica-se lixo que é uma coisa de doidos. Ainda estamos a bater as palminhas porque o próximo saco cabe-lhe a ele e já estão dois nojentinhos a abarrotar de cascas de batata e espinhas de peixe à espera de ser atendidos no nosso guichet. Porra, já?!
Há outras tarefas domésticas igualmente chatas, mas caramba, para nos livrarmos dessas temos sempre o velho recurso de contratar uma empresa. Limpam-nos o pó numa manhã, passam-nos a roupinha toda a ferro e ainda a trazem a casa à hora marcada. Agora, que eu saiba, não se pode fazer um telefonema para nos irem pôr o lixo, se faz favor. Não se pede a um amigo que está a ir embora depois de uma visita “leva-me isto lá abaixo, o caixote fica na esquina no lado direito”.
Sim, porque depois é isto. Os caixotes onde deitamos o nosso lixo ficam sempre longe, longe. Aliás, confesso que algumas vezes enfio o meu rabo preguiçoso no carro e com ele o saco do lixo. Paro perto do contentor e lá vai bogalho que o próximo é dele. Mas esta solução também não é boa. Voltamos ao volante com a sensação de mão peganhenta e serão ainda precisos alguns quilómetros de vidro aberto para sair o cheiro das cascas de queijo e banana misturados com as magnólias do campo próprias dos sacos de lixo perfumados.
Uma coisa é certa. Já não sei quem levou o último, mas o saco que está ali na cozinha fechado e pronto a ir para outro lado não me vai calhar na rifa porque, hummm, deixa ver, hummm, porque está frio e não me quero constipar e porque depois pode fazer mal ao bebé, oh pá, vai lá tu. Amo-te.
segunda-feira, novembro 30, 2009
É oficial
O Rodrigo não prega o olhos em todas as noites de domingo para segunda. Quando começar a trabalhar vou ter umas belas segundas-feiras.
quarta-feira, novembro 25, 2009
Pronto, já tem pediatra
A médica fez-lhe trinta por uma linha e ele, nem uma lágrima. Não fosse ter-se borrado de cocó até às costas e eu não estar preparada com um segundo body e a primeira ida à pediatra teria sido um sucesso.
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