Antes de arrancar para o que me traz aqui hoje, devo contar-vos que as duas fraldas resultaram, mas as dicas deixadas são muito boas. Vou tentar o resguardo da cama e a fralda tamanho acima, neste caso o cinco, ele está com doze quilos.
Entretanto mal tenho tido tempo para pensar na festa de aniversário do Rodrigo, que faz três anos (xiça, já) no próximo sábado. A questão é que está muita gente fora, de férias, e não vai ser uma party de arromba, mas vai ser feliz. A ideia é fazer um piquenique num dos parques do concelho. É ar livre, os putos não nos partem a casa toda e é mais barato. O único inconveniente que antevejo é não conseguir falar muito com os convidados, porque estarei atrás do Rodrigo a caminhar de um lado para o outro do parque nos locais mais out, como valas, cercas, e caixotes de lixo. Eh eh, tadinho, desde que ele se divirta! Três anos são obra, por isso, venha de lá a festa, mesmo com poucos amiguinhos.
Espaço sobre tudo e mais alguma coisa, que isto de ter cantinhos muito específicozinhos sobre coisinhas pode ser, vá, esquisito
segunda-feira, julho 16, 2012
domingo, julho 15, 2012
Coincidência?
A minha mãe já me tinha dito que o Rodrigo fica sempre doente ao domingo. É verdade, é sempre ao domingo. Hoje lá está com febre outra vez, as babas, o ranho. E depois o Zé lembrou-se de uma coisa. O Rodrigo fica sempre doente no dia em que de manhã o vamos buscar à cama e está todo mijado, colchão, pijama, tudo. É que ao sábado ele nunca faz a sesta e por causa disso adormece a horas normais. Ao contrário dos dias de creche, em que só adormece por volta das onze porque dorme sempre à tarde, ao sábado está na cama às vezes ainda não são nove. Nestes dias, a fralda, pelos vistos, não aguenta tantas horas e o puto acorda todo molhado, com o xixi a sair fora. Mas não tem jeito acordá-lo a meio da noite para a muda, pois não? Hoje adormeceu cedo outra vez e optei por pôr-lhe duas fraldas, a ver se assim contenho o fluxo. A febre é que ninguém lha tira e está-me cá a parecer que o Rodrigo ainda vai precisar de mim durante a noite. Vou é tentar adormecer já, não vá passar a noite em branco. Amanhã digo-vos se a dupla fralda resulta.
sexta-feira, julho 13, 2012
Adeus Rosário
A minha empregada não morreu, graças a deus está de perfeita saúde e com a mesma inconveniência de sempre. Eu é que tive de dispensá-la. Parecendo que não, e nesta situação de quase desemprego que atravesso, cento e poucos euros todos os meses fazem a diferença.
Mas a diferença não é só a do dinheiro. Ó meu deus, que a senhora só não vem há uma semana e a minha casa está um caos. Na cozinha a coisa ainda se vai orientando, mas e a roupa senhores, a roupa?? O Zé ontem perguntava-me se eu queria que ele pusesse uma máquina a fazer e eu dei por mim a soltar um enorme NÃO aos berros, como se ele me estivesse a perguntar se eu queria levar com facas no meio da tola. A verdade é que a ideia de aumentar ainda mais a roupa que está para passar a ferro deixa-me assim, histérica. Hoje já tive alguma dificuldade em encontrar roupa lavada para o miúdo, lá encontrei umas calças, tadinho, um pouco quentes para a estação é certo, mas lindas e lavadas e passadas.
A casa tem pó, a casa de banho precisa de ser limpa e de toalhas novas, as camas precisam de ser feitas de lavado... Ai Rosário que me faz tanta falta. Ai Rodrigo querido que és muito lindo, mas isto de te deitares às onze da noite rebenta comigo. Ai que vou ter de dormir rápido rápido que amanhã acorda-se cedo e há uma revista para fechar e pôr nas bancas para que a empresa tenha dinheirinho para me pagar a indemnização.
Mas a diferença não é só a do dinheiro. Ó meu deus, que a senhora só não vem há uma semana e a minha casa está um caos. Na cozinha a coisa ainda se vai orientando, mas e a roupa senhores, a roupa?? O Zé ontem perguntava-me se eu queria que ele pusesse uma máquina a fazer e eu dei por mim a soltar um enorme NÃO aos berros, como se ele me estivesse a perguntar se eu queria levar com facas no meio da tola. A verdade é que a ideia de aumentar ainda mais a roupa que está para passar a ferro deixa-me assim, histérica. Hoje já tive alguma dificuldade em encontrar roupa lavada para o miúdo, lá encontrei umas calças, tadinho, um pouco quentes para a estação é certo, mas lindas e lavadas e passadas.
A casa tem pó, a casa de banho precisa de ser limpa e de toalhas novas, as camas precisam de ser feitas de lavado... Ai Rosário que me faz tanta falta. Ai Rodrigo querido que és muito lindo, mas isto de te deitares às onze da noite rebenta comigo. Ai que vou ter de dormir rápido rápido que amanhã acorda-se cedo e há uma revista para fechar e pôr nas bancas para que a empresa tenha dinheirinho para me pagar a indemnização.
quarta-feira, julho 11, 2012
Mais uma decisão a tomar
Antes de mais, dizer que ainda não se sentem os efeitos do remédio no Rodrigo, mas hoje também foi apenas a segunda noite, penso que o efeito não se sentirá assim do dia para a noite.
Entretanto, hoje eu e o Zé tivemos de tomar mais uma decisão que pode ser fundamental para o futuro do nosso filho. Isto porque nos ligaram do agrupamento de escolas aqui do concelho a dizerem que o Rodrigo tem vaga numa escola que pusemos como terceira opção, por ser daquelas muito grandes. Mas explicaram-nos que é ali que funciona a unidade de apoio ao ensino especial, sendo mais fácil acompanhá-lo. Por outro lado, é um estabelecimento que tem já o primeiro ciclo, ou seja, evitamos que daqui a uns anos o miúdo passe outra vez pelo processo se adaptação a uma outra escola, com tudo o que as mudanças implicam para quem tem PEA.
As nossas primeiras opções recaíram sobre unidades mais pequenas, mais familiares, para que estivesse garantido um maior e melhor apoio. Mas a coordenadora diz-me que nesta escola grande o jardim de infância está separado e que o Rodrigo é factor redutor de turma, ou seja, a sala onde ele ficar não poderá ter mais de vinte crianças. Assim sendo, e obrigados a tomar uma decisão, optámos por aceitar a proposta, até porque os tempos não estão para brincadeiras e ter esta vaga na rede pública com todos os apoios garantidos é uma dádiva. Espero ter feito a escolha certa e espero atinar com a educadora dele, que estou desejosa de conhecer.
Futura senhora que vais cuidar do meu filho, tu livra-te de seres daquelas que já não pode ver criancinhas à frente, que está mais preocupada com as unhas do que em brincar com os putos, ou que é educadora de infância porque sim, ouviste? Tu livra-te.
Entretanto, hoje eu e o Zé tivemos de tomar mais uma decisão que pode ser fundamental para o futuro do nosso filho. Isto porque nos ligaram do agrupamento de escolas aqui do concelho a dizerem que o Rodrigo tem vaga numa escola que pusemos como terceira opção, por ser daquelas muito grandes. Mas explicaram-nos que é ali que funciona a unidade de apoio ao ensino especial, sendo mais fácil acompanhá-lo. Por outro lado, é um estabelecimento que tem já o primeiro ciclo, ou seja, evitamos que daqui a uns anos o miúdo passe outra vez pelo processo se adaptação a uma outra escola, com tudo o que as mudanças implicam para quem tem PEA.
As nossas primeiras opções recaíram sobre unidades mais pequenas, mais familiares, para que estivesse garantido um maior e melhor apoio. Mas a coordenadora diz-me que nesta escola grande o jardim de infância está separado e que o Rodrigo é factor redutor de turma, ou seja, a sala onde ele ficar não poderá ter mais de vinte crianças. Assim sendo, e obrigados a tomar uma decisão, optámos por aceitar a proposta, até porque os tempos não estão para brincadeiras e ter esta vaga na rede pública com todos os apoios garantidos é uma dádiva. Espero ter feito a escolha certa e espero atinar com a educadora dele, que estou desejosa de conhecer.
Futura senhora que vais cuidar do meu filho, tu livra-te de seres daquelas que já não pode ver criancinhas à frente, que está mais preocupada com as unhas do que em brincar com os putos, ou que é educadora de infância porque sim, ouviste? Tu livra-te.
terça-feira, julho 10, 2012
Uma ajuda do tamanho de uma colher de café
A poucos dias de completar três anos, o Rodrigo começou a ser medicado para o autismo. Um novo dado que me deixou muito assustada, mas que se for para ele ficar melhor e mais feliz, que se lixe o meu estado de pânico.
Na última semana o meu filho tem intensificado as suas obsessões (números e letras) e como resultado aumentaram também os seus níveis de frustração, ansiedade e irritabilidade. As birras, como já aqui vos relatei, estavam assustadoras e agredia-nos (também a ele mesmo) sem dó nem piedade, descontrolando-se numa questão de segundos.
Hoje, na consulta de desenvolvimento do hospital de Santa Maria, lá veio a solução: risperidona. Um antipsicótico recentemente aprovado para o tratamento de sintomas do autismo e que o Rodrigo começou hoje a tomar. O objectivo é essencialmente acalmar as obsessões e a agressividade. Para já, estamos com uma dose mínima (0,25ml) e só estamos a dar-lhe à noite. Durante esta semana teremos de ver como ele reage e rezar para que a dose não tenha de ser aumentada. Em aberto fica ainda a hipótese de vir a tomar também de manhã, mas isso apenas acontecerá se mais para a frente se verificar o agravamento das obsessões, ao ponto de ele não se interessar por mais nada. A verdade é que apesar dos números e das letras ocuparem grande parte das brincadeiras do Rodrigo, ele brinca com outras coisas e diverte-se.
Entretanto já andei mergulhada na net para saber mais sobre este medicamento e há estudos e relatos muito positivos. Entristece-me a ideia de ele ficar dependente de um remédio para estar mais feliz, agrada-me a ideia de ele estar mais feliz. Ponto. E neste caso os meios justificam o fim. Ele precisa de ajuda. E esta noite já lhe comecei a dar... uma ajuda que tem nome de espirro e o tamanho de uma colher de café.
Na última semana o meu filho tem intensificado as suas obsessões (números e letras) e como resultado aumentaram também os seus níveis de frustração, ansiedade e irritabilidade. As birras, como já aqui vos relatei, estavam assustadoras e agredia-nos (também a ele mesmo) sem dó nem piedade, descontrolando-se numa questão de segundos.
Hoje, na consulta de desenvolvimento do hospital de Santa Maria, lá veio a solução: risperidona. Um antipsicótico recentemente aprovado para o tratamento de sintomas do autismo e que o Rodrigo começou hoje a tomar. O objectivo é essencialmente acalmar as obsessões e a agressividade. Para já, estamos com uma dose mínima (0,25ml) e só estamos a dar-lhe à noite. Durante esta semana teremos de ver como ele reage e rezar para que a dose não tenha de ser aumentada. Em aberto fica ainda a hipótese de vir a tomar também de manhã, mas isso apenas acontecerá se mais para a frente se verificar o agravamento das obsessões, ao ponto de ele não se interessar por mais nada. A verdade é que apesar dos números e das letras ocuparem grande parte das brincadeiras do Rodrigo, ele brinca com outras coisas e diverte-se.
Entretanto já andei mergulhada na net para saber mais sobre este medicamento e há estudos e relatos muito positivos. Entristece-me a ideia de ele ficar dependente de um remédio para estar mais feliz, agrada-me a ideia de ele estar mais feliz. Ponto. E neste caso os meios justificam o fim. Ele precisa de ajuda. E esta noite já lhe comecei a dar... uma ajuda que tem nome de espirro e o tamanho de uma colher de café.
segunda-feira, julho 09, 2012
A festa da escola
Foi a primeira. A festa de final do ano da creche do Rodrigo. Fui eu, o Zé, os avos todos e só não foram os tios que não podiam. Em punho máquina de filmar, a fotográfica e ainda iPhone para completar. As máquinas despachei-as todas para a família, para ficar livre para o que se ia passar. Tempo ameno, tudo preparado ao ar livre para a entrada dos miúdos, eu toda risonha em pulgas para que tudo começasse. E começou. Arrancou a música do eu sou um pinguim, e mal avistei os miúdos do berçário desatei num pranto que se manteve fluido até ao fim. Acho mesmo que ganhei o prémio da mãe mais chorona, com o grande pico da parvoíce pegada a atingir o auge quando vi o Rodrigo a encabeçar a fila da sua sala vestido de golfinho. Xiça, foi mesmo emocionante e ele portou-se tão bem. Juntou-se ainda a algumas coreografias dos amiguinhos e esteve sempre feliz. Quando a festa terminou, eu de nariz vermelho mas já composta, dou de caras com a educadora do Rodrigo... e começou tudo outra vez. Mais uma rodada de lágrimas e fungos com ela a desmanchar-se também. De maneiras que foi isto. Para o ano nova escola, ai ai.
domingo, julho 08, 2012
Resulta
Não sei se é só Melamil, mas Rodrigo tem adormecido que nem um anjo. Hoje então esteve fantástico, também durante o dia, sem birras de maior. E que bom é vê-lo feliz.
Amanhã conto como foi festa do fim da creche. Ui, ui.
Amanhã conto como foi festa do fim da creche. Ui, ui.
quinta-feira, julho 05, 2012
Acabei de viver um dos momentos mais angustiantes e assustadores com o Rodrigo. Não consigo parar de chorar e ainda tremo. Na hora de ir dormir, eram cerca das nove e meia, fez uma birra ENORME e ficou descontrolado como nunca o vi. Bateu-me, gritou, lutou literalmente comigo, enquanto eu tentava acalmá-lo, mas sem êxito. Não queria colo, não queria chão, não queria ir para a cama, não queria ficar sozinho e andou nisto perto de meia hora. A atirar-se a tudo o que encontrava à frente, enquanto gritava para todo o bairro ouvir. Só consegui acalmá-lo junto aos números do microondas. A verdade é que está cada vez mais obcecado com números e letras, tanto que a médica já disse que provavelmente teremos de dar-lhe medicação em breve para atenuar estas obsessões. E foi a única forma de parar com o inesperado e monstruoso ataque de nervos. Consegui dar-lhe leite morno para acalmar mais um pouco e perto das onze virei-me para ele com o coração aos pulos com medo de desencadear outra crise e perguntei-lhe estendendo-lhe os braços: "Rodrigo, vamos fazer o oó?" Ele retribuiu-me os braços, aceitou o colo e ainda a caminho do quarto adormeceu. Assim. Adormeceu de cansaço, acho, tal foi a energia que pôs na birra de hoje. Que alívio não ter passado por tudo outra vez. E que nervos eu e o pai ainda temos depois de termos vivenciado isto.
Entretanto, a partir de amanhã vamos começar a dar-lhe umas gotas para adormecer melhor. O remédio é natural, chama-se Melamil e é para dar quatro gotas antes de deitar durante um mês. Vamos ver se resulta. Nunca tinha ouvido falar.
Ah, e escusado será dizer que estou já numa angústia enorme por causa da hora de dormir amanhã. Mas eu sei que os bebés sentem, por isso terei de ter muita calma e segurança.
Entretanto, a partir de amanhã vamos começar a dar-lhe umas gotas para adormecer melhor. O remédio é natural, chama-se Melamil e é para dar quatro gotas antes de deitar durante um mês. Vamos ver se resulta. Nunca tinha ouvido falar.
Ah, e escusado será dizer que estou já numa angústia enorme por causa da hora de dormir amanhã. Mas eu sei que os bebés sentem, por isso terei de ter muita calma e segurança.
terça-feira, julho 03, 2012
O diagnóstico
"Não sei". Esta foi a resposta da pediatra (uma querida e em quem confio) face aos sinais que o Rodrigo tem manifestado. A médica diz que de facto o miúdo pode apanhar constipações, viroses e gastroentrites de quinze em quinze dias e que as babas podem ser a forma do corpo dele dizer: "Estou ou vou ficar doente".
Ela descartou totalmente as hipóteses de alergia, intolerância a algum alimento ou outra doença associada a estes sintomas.
A verdade é que sem medicação, e passados dois dias de febre e algumas babas, o Rodrigo está novamente bem. O conselho dela no final? "Façam muita praia com ele, é a única coisa que vos posso dizer tendo em conta que, à partida, ele possa estar a apanhar tantas doenças por ter as defesas um pouco em baixo". De modo que é isto, praia com ele. Por acaso já tenho saudades de andar ali pelo areal de rabo para o ar, a apanhar escaldões nas costas, e a rezar para que nenhuma das minhas maminhas me salte de fora com tanta descompostura maternal.
domingo, julho 01, 2012
Outra vez...
As babas, a febre... Ainda bem que terça há pediatra. Vou pedir-lhe análises mais pormenorizadas ao Rodrigo, de quinze em quinze dias tenho o miúdo com este quadro clínico.
quarta-feira, junho 27, 2012
Eu bem tento contrariar...
...mas estou tão deprê. Ainda pensei duas vezes se hoje viria postar alguma coisa, tal é a energia negativa, mas caramba, isto também tem de ser para os maus momentos, como nos casamentos. E a verdade é que ninguém tem vidas perfeitas. A minha não é.
Por um lado, saber que estou com um pé fora do emprego, mas ter de continuar a ir, a trabalhar, a dar o litro, a aborrecer-me e a decidir num projecto que sinto que já não é o meu, que já não me pertence, até que a burocracia fique toda tratada. Sei que estou no despedimento colectivo e o raio da carta que me permite avançar com tudo e seguir a minha vida não chega ao correio. E isto aborrece-me, ando enervada.
Por outro lado, é o Rodrigo, que anda super irritável, voltou àquelas coisas de me bater, morder, espernear, atirar-se para o chão, não me deixar mudar-lhe a fralda, dar banho... Enfim, mal acorda começa a fazer birras na cama sem eu perceber o porquê. E isso angustia-me. Quero que ele seja feliz, que ande a rir, e que não ande neste disparate de se enervar até com o meu respirar.
E por isto estou assim em baixo, a tentar animar-me e desejosa que cheguem os melhores dias. Eles vão chegar.
Por um lado, saber que estou com um pé fora do emprego, mas ter de continuar a ir, a trabalhar, a dar o litro, a aborrecer-me e a decidir num projecto que sinto que já não é o meu, que já não me pertence, até que a burocracia fique toda tratada. Sei que estou no despedimento colectivo e o raio da carta que me permite avançar com tudo e seguir a minha vida não chega ao correio. E isto aborrece-me, ando enervada.
Por outro lado, é o Rodrigo, que anda super irritável, voltou àquelas coisas de me bater, morder, espernear, atirar-se para o chão, não me deixar mudar-lhe a fralda, dar banho... Enfim, mal acorda começa a fazer birras na cama sem eu perceber o porquê. E isso angustia-me. Quero que ele seja feliz, que ande a rir, e que não ande neste disparate de se enervar até com o meu respirar.
E por isto estou assim em baixo, a tentar animar-me e desejosa que cheguem os melhores dias. Eles vão chegar.
segunda-feira, junho 25, 2012
Dia não
A vida é mesmo complicada. No mês em que o Rodrigo começa a despontar na fala, perco o emprego. Tal e qual. Ao fim de doze anos de carreira, seis naquela casa, estou desempregada.
E agora já posso dizer. Estava como editora da revista VIP. Fui incluída numa lista de despedimento colectivo para redução de custos e hoje comunicaram-me a decisão. Estou triste. Gostava do que fazia, do projecto. Ainda esta semana, foi com muito orgulho que fiz aquela capa, cheia de pica, cheia de motivação. Mas a vida é isto, tal como na moda: one day you're in, one day you're out. E estou out. Agora é fazer o luto e seguir com a bola para a frente, contrariando a crise. É procurar até encontrar. E, como fadista que sou, ter esperança no destino.
E agora já posso dizer. Estava como editora da revista VIP. Fui incluída numa lista de despedimento colectivo para redução de custos e hoje comunicaram-me a decisão. Estou triste. Gostava do que fazia, do projecto. Ainda esta semana, foi com muito orgulho que fiz aquela capa, cheia de pica, cheia de motivação. Mas a vida é isto, tal como na moda: one day you're in, one day you're out. E estou out. Agora é fazer o luto e seguir com a bola para a frente, contrariando a crise. É procurar até encontrar. E, como fadista que sou, ter esperança no destino.
domingo, junho 24, 2012
Pergunta de invejosa
Como é que estas gajas dão à luz como eu dei e passado um mês não é nada com elas e nem barriga têm? Vi eu com estes olhos. Como? Eu já fui mãe há quase três anos e ainda estou a recuperar! Não é justo pá.
sexta-feira, junho 22, 2012
O descanso da guerreira
Estão a ver um oito? Estão a ver as minhas costas? São a mesma coisa.
O Rodrigo andou a semana toda a vomitar durante a noite. Como não dava conta de absolutamente nada, continuando descansada nos meus sonhos enquanto o miúdo no quarto ao lado vivia um pesadelo sozinho, decidi que o melhor era mudar-me para o quarto dele. Até aqui tudo muito bem, não se tivesse dado o caso de ter planeado muito mal as coisas. Eu diria antes, não se tivesse dado o caso de não ter planeado nada. Resumindo, a história é a seguinte: no quarto dele há uma cama de grades onde ele habitualmente dorme e um sofá cama. Sei que com tantos vómitos e mau estar o Rodrigo acabou no sofá (que por estar fechado só dava mesmo para ele) e eu fiquei sem sítio para fazer a sentinela. Ainda olhei para a camita de grades, mas passou-me logo a parvoíce. Ele, naquele meio sono, olho aberto, olho fechado, estava preparado para desatar num berreiro e a vomitar se eu ousasse qualquer movimento mais brusco. Então olhem, dormi no chão, assim, à maluca, a recordar os tempos em que tinha 17 anos e ia acampar sem colchão. Com a diferença que agora tenho 35! Uma diferença suficiente para andar aqui com as costas feitas num 8, já que estamos nesta de números. Nas noites seguintes já montei o sofá cama e lá fiquei. Mas não há nada como a nossa caminha. Hoje já estou de regresso a ela, a desfrutar, e as cruzes agradecem.
Bom fim de semana. Sugestão para programa familiar: open day na Tapada de Mafra amanhã. Tudo grátis e muita animação no meio da bicharada. Eu vou!
O Rodrigo andou a semana toda a vomitar durante a noite. Como não dava conta de absolutamente nada, continuando descansada nos meus sonhos enquanto o miúdo no quarto ao lado vivia um pesadelo sozinho, decidi que o melhor era mudar-me para o quarto dele. Até aqui tudo muito bem, não se tivesse dado o caso de ter planeado muito mal as coisas. Eu diria antes, não se tivesse dado o caso de não ter planeado nada. Resumindo, a história é a seguinte: no quarto dele há uma cama de grades onde ele habitualmente dorme e um sofá cama. Sei que com tantos vómitos e mau estar o Rodrigo acabou no sofá (que por estar fechado só dava mesmo para ele) e eu fiquei sem sítio para fazer a sentinela. Ainda olhei para a camita de grades, mas passou-me logo a parvoíce. Ele, naquele meio sono, olho aberto, olho fechado, estava preparado para desatar num berreiro e a vomitar se eu ousasse qualquer movimento mais brusco. Então olhem, dormi no chão, assim, à maluca, a recordar os tempos em que tinha 17 anos e ia acampar sem colchão. Com a diferença que agora tenho 35! Uma diferença suficiente para andar aqui com as costas feitas num 8, já que estamos nesta de números. Nas noites seguintes já montei o sofá cama e lá fiquei. Mas não há nada como a nossa caminha. Hoje já estou de regresso a ela, a desfrutar, e as cruzes agradecem.
Bom fim de semana. Sugestão para programa familiar: open day na Tapada de Mafra amanhã. Tudo grátis e muita animação no meio da bicharada. Eu vou!
quinta-feira, junho 21, 2012
Coisas sobre despensas e a falta que elas fazem
(post que surge depois do assunto vir à baila no meu trabalho)
A minha casa não tem despensa. Tem uma sala muito linda, roupeiros enoooormes que a Rosário adora organizar (eh eh), uma varanda com vista larga, churrasqueira, uma cozinha catita, lareira, vizinhas lésbicas que são um mimo porque não fazem barulho, boas áreas... mas não tem despensa. E a falta que ela me faz. Parece que agora virou moda as casas não terem despensa e confesso que quando a comprei não me preocupei muito com isso. Aliás, quando a comprei estava muito naquela fase de me preocupar apenas com o quarto de casal, com a cama, os espelhos no quarto, a roupa de cama... Bem, acho que já se percebeu onde é que eu estava focada. Acontece que actualmente a inexistência dessa divisão me transtorna. As especiarias, massas, arrozes, enlatados e afins estão arrumados nos armários da cozinha, tudo bem, mas a tábua de passar a ferro, o próprio do ferro, os alguidares, as esfregonas, vassouras, os baldes e o aspirador andam por aí ao deus dará, em sítios que não lembram a ninguém, a estragar-me o raio da decoração hippie chic. Tudo porque não tenho a porra de uma despensa para enfiar com tudo lá para dentro. Já experimentei um móvel exterior na varanda, mas as intempéries aqui da zona oeste rebentaram com ele. De modos que ando assim, revoltada, enervada, agastada, com esta coisa de não ter despensa, de não ter o meu cantinho secreto da bagunça. É tábua atrás da porta do quarto, ferro em cima do móvel, a roupa para passar anda sempre à vista, o aspirador vive no roupeiro lado a lado com lençóis e toalhas de casa de banho, e na varanda a minha magnífica e esplendorosa churrasqueira convive contrariada com as esfregonas, o desentupidor e as vassouras. Olha que coisa mais linda! Então mas isto tem algum jeito senhores construtores?
A minha casa não tem despensa. Tem uma sala muito linda, roupeiros enoooormes que a Rosário adora organizar (eh eh), uma varanda com vista larga, churrasqueira, uma cozinha catita, lareira, vizinhas lésbicas que são um mimo porque não fazem barulho, boas áreas... mas não tem despensa. E a falta que ela me faz. Parece que agora virou moda as casas não terem despensa e confesso que quando a comprei não me preocupei muito com isso. Aliás, quando a comprei estava muito naquela fase de me preocupar apenas com o quarto de casal, com a cama, os espelhos no quarto, a roupa de cama... Bem, acho que já se percebeu onde é que eu estava focada. Acontece que actualmente a inexistência dessa divisão me transtorna. As especiarias, massas, arrozes, enlatados e afins estão arrumados nos armários da cozinha, tudo bem, mas a tábua de passar a ferro, o próprio do ferro, os alguidares, as esfregonas, vassouras, os baldes e o aspirador andam por aí ao deus dará, em sítios que não lembram a ninguém, a estragar-me o raio da decoração hippie chic. Tudo porque não tenho a porra de uma despensa para enfiar com tudo lá para dentro. Já experimentei um móvel exterior na varanda, mas as intempéries aqui da zona oeste rebentaram com ele. De modos que ando assim, revoltada, enervada, agastada, com esta coisa de não ter despensa, de não ter o meu cantinho secreto da bagunça. É tábua atrás da porta do quarto, ferro em cima do móvel, a roupa para passar anda sempre à vista, o aspirador vive no roupeiro lado a lado com lençóis e toalhas de casa de banho, e na varanda a minha magnífica e esplendorosa churrasqueira convive contrariada com as esfregonas, o desentupidor e as vassouras. Olha que coisa mais linda! Então mas isto tem algum jeito senhores construtores?
quarta-feira, junho 20, 2012
A minha empregada
A Rosário é indispensável cá em casa. Não há dúvidas quanto a isso e acredito que se ela não existisse a minha vida doméstica seria um caos. Mas como em tudo, tem o seu lado mau. A Rosário, como é que eu hei de dizer isto sem ser injusta? A Rosário é, digamos, espevitada.
Decidiu que tem de arrumar os roupeiros, é de louvar, garanto-vos. Mas é ela quem decide o que já não uso e coloca em sacos e, tchan tchan, leva-os para o lixo. Assim, sem me consultar, sem me ligar, sem me dar cavaco. O Zé um dia destes veio a casa enquanto ela cá estava nessas "limpezas" e deu com um desses sacos prontos para ir para o lixo. Como estava de saída ofereceu-se para o levar. Já na rua espreitou-o e deu com um saco de praia meu, QUE EU USO, mas que a Rosário provavelmente achou que estava fora de moda, e com a protecção para a chuva que se põe no carrinho de bebé! FOGO! O que é que tem ido nos sacos?
Outra. Gosto de fazer puzzles, daqueles com muitas peças, difíceis. Passei um sábado inteiro a fazer um em cima da mesa de jantar e deixei-o ali, a poucas peças de terminar. Pois a Rosário achou que aquilo se faz seguindo uma numeração invisível que tem atrás de cada peça e escangalhou-o todo. Quando cheguei a casa tinha a mesa incrivelmente reluzente e todo o meu trabalho amontoado num cantinho como que a dizer-me "menina Ana, quando acaba de brincar arruma tudo outra vez que isto assim é uma grande bandalheira" FOGO!
Enfim, é uma senhora que é capaz do pior e do melhor. Como o melhor dela me dá um jeito do caraças nesta altura vou continuar a recebê-la com um sorriso como que a implorar-lhe "nunca ache minha senhora que as minhas jóias estão demodé e que as minhas fotografias estão desfocadas. Please."
Decidiu que tem de arrumar os roupeiros, é de louvar, garanto-vos. Mas é ela quem decide o que já não uso e coloca em sacos e, tchan tchan, leva-os para o lixo. Assim, sem me consultar, sem me ligar, sem me dar cavaco. O Zé um dia destes veio a casa enquanto ela cá estava nessas "limpezas" e deu com um desses sacos prontos para ir para o lixo. Como estava de saída ofereceu-se para o levar. Já na rua espreitou-o e deu com um saco de praia meu, QUE EU USO, mas que a Rosário provavelmente achou que estava fora de moda, e com a protecção para a chuva que se põe no carrinho de bebé! FOGO! O que é que tem ido nos sacos?
Outra. Gosto de fazer puzzles, daqueles com muitas peças, difíceis. Passei um sábado inteiro a fazer um em cima da mesa de jantar e deixei-o ali, a poucas peças de terminar. Pois a Rosário achou que aquilo se faz seguindo uma numeração invisível que tem atrás de cada peça e escangalhou-o todo. Quando cheguei a casa tinha a mesa incrivelmente reluzente e todo o meu trabalho amontoado num cantinho como que a dizer-me "menina Ana, quando acaba de brincar arruma tudo outra vez que isto assim é uma grande bandalheira" FOGO!
Enfim, é uma senhora que é capaz do pior e do melhor. Como o melhor dela me dá um jeito do caraças nesta altura vou continuar a recebê-la com um sorriso como que a implorar-lhe "nunca ache minha senhora que as minhas jóias estão demodé e que as minhas fotografias estão desfocadas. Please."
segunda-feira, junho 18, 2012
Estamos no bom caminho
E a um mês de completar três anos de idade, depois de ter nascido às 27 semanas, o Rodrigo já tem percentil e os pontinhos que a pediatra inscreve no boletim já não ficam ali a nadar no meio do nada, a olhar com inveja a curva que tem estado sempre mais acima:
Altura: percentil 25
Peso: percentil 5
Iupiiiiiiiiiiii!
Altura: percentil 25
Peso: percentil 5
Iupiiiiiiiiiiii!
domingo, junho 17, 2012
Mae sofre - parte 23
O Rodrigo está doente. Outra vez! Ontem, quando fui acordá-lo à cama estava envolto em vomitado e o cocó (diarreia) tinha saído da fralda. Passou todo o dia a dieta, não tem febre e anda bem disposto. Durante o dia não vomitou mais. Esta manhã o mesmo cenário, mas misturado com ranho e umas babas que vão aparecendo e desaparecendo em várias partes do corpo. No hospital dizem que é virose, que é sempre aquele diagnostico um pouco duvidoso. Dá ideia que quando não sabem muito bem o que é, espetam-lhes como uma virose. A questão é que de mês a mês o Rodrigo vai repetindo este quadro clínico de ranho, babas e vómitos. Vou pedir à pediatra que lhe faça análises mais concretas para dar conta de uma vez deste bicho. Esta noite vou também pôr o despertador para várias vezes a meio da noite, que é uma vergonha dormir tão ferrada que nem o oiça a vomitar, coitadinho, e ninguém merece acordar naquela imundice. Vamos ver como corre hoje.
sábado, junho 16, 2012
15 de Junho de 2012 - hoje
Cheguei a casa estafada. O dia começou muito cedo por causa da sessão de terapia ocupacional (Rodrigo portou-se muito bem e colaborou em todos os estímulos), no trabalho foi de loucos e quando finalmente meti a chave à porta já passava das oito e meia da noite. Zé já tinha tratado do banho e do jantar do miúdo. Entrei com aquelas saudades que sentimos como se um dia de creche equivalesse a uma semana no Qatar. Como sempre, o sorriso do Rodrigo abriu-se num raio, feliz por me ver, e de imediato procurou a minha atenção. E eis senão quando, meus queridos leitores que me têm acompanhado nesta vivência e nestes meus dramas, eis senão quando daquela boquinha pequenina e cheirosa de frutas doces sai o seguinte som: "mamã". Olhei para o Zé, ele confirmou-me com o olhar também incrédulo, feliz, que eu tinha escutado bem. "mamã". Assim, tal e qual. Não era cansaço, não era eu sempre a querer que fosse mais do que era, o Rodrigo pronunciou a palavra "mamã" a olhar para mim, a apontar-me. E eu baixei-me e enchi-o de beijos como se ele fosse um balão. E chorei, claro está, de alegria, de emoção, de saber que mesmo que ele tão depressa não consiga dizer mais nada, já consegue chamar por mim. E eu estarei sempre lá para o abraçar.
segunda-feira, junho 11, 2012
Os pequenos grandes passos
Depois de um período de estagnação que já me estava a deixar deprimida, eis que Rodrigo deu outro salto no desenvolvimento. São pequenas coisas que para mim, mãe, são passos de gigante e mantêm acesa a luzinha no fundo do túnel.
Então: já voltou a dizer o adeus com a mão, bem como a dar beijinhos;
já come outra vez pão e demonstra muito mais curiosidade pelos alimentos;
já come banana sem ser esmagada e pela própria mão;
faz duas novas vocalizações, com consoantes diferentes;
diz que sim com a cabeça;
apesar de ainda não pedir para ir à casa de banho, já faz chichi na sanita e bate palmas no fim;
nas brincadeiras com os bonecos já os põe a fazer as rotinas imaginando que comem ou que dormem;
consegue descer dois a três degraus sem se apoiar;
e, vitória das vitórias, consegue finalmente soprar, ou seja, daqui a um mês vai conseguir apagar as velas dos três anos.
São ou não são pequenos passos de gigante hein?
Então: já voltou a dizer o adeus com a mão, bem como a dar beijinhos;
já come outra vez pão e demonstra muito mais curiosidade pelos alimentos;
já come banana sem ser esmagada e pela própria mão;
faz duas novas vocalizações, com consoantes diferentes;
diz que sim com a cabeça;
apesar de ainda não pedir para ir à casa de banho, já faz chichi na sanita e bate palmas no fim;
nas brincadeiras com os bonecos já os põe a fazer as rotinas imaginando que comem ou que dormem;
consegue descer dois a três degraus sem se apoiar;
e, vitória das vitórias, consegue finalmente soprar, ou seja, daqui a um mês vai conseguir apagar as velas dos três anos.
São ou não são pequenos passos de gigante hein?
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