Xiiii, o recado chegou hoje no caderninho da creche. No Carnaval o Rodrigo pode ir mascarado. Claro que vai! Os meus pais sempre me mascararam e era sempre uma festa.
Agora, de que é que se mascara um pirralho de dois anos? Já tive a puxar pela cabeça a ver se em casa teria alguma fatiota que pudesse adaptar, mas nada. Também não vou dar trinta euros por uma máscara. Solução? Amanhã vou correr aí uns chineses para ver se me inspiro, mas assim à partida acho que quero um bicho.
Espaço sobre tudo e mais alguma coisa, que isto de ter cantinhos muito específicozinhos sobre coisinhas pode ser, vá, esquisito
terça-feira, fevereiro 07, 2012
segunda-feira, fevereiro 06, 2012
Voltando à vaca fria
Hoje o Rodrigo foi avaliado pela terapeuta ocupacional e correu tudo muito bem. Ainda andou quinze minutos encaracolado no meu colo sem dar muitas confianças à terapeuta, mas caramba, ela era tão boa (adorei) que não tardou muito para o Rodrigo começar a interagir com ela e a sorrir-lhe com pequenas brincadeiras. Foram passos pequeninos mas que me deixaram verdadeiramente feliz. Agora, é esperar que a vaga que existe seja para ele. Estou confiante que sim. Caso isso aconteça, passarei a ir com ele uma vez por semana à terapia. Caso isso não aconteça, bom, logo se vê. Um problema de cada vez senão não ganho para tapar os brancos, que já são aos molhos.
Pequena adenda (só eu): Mal entramos na sala da terapia, vejo que a técnica se descalça. Comecei a olhar para o ambiente esterilizado próprio de uma sala onde é suposto as crianças brincarem no chão, reparei nos colchões que cobriam metade da sala... e pronto, não havia volta a dar, o recado estava dado. Descalcei-me. Problema? Hoje vesti umas calças pretas e uma camisola cinzenta (eu sei, boring, mas não estava virada para grandes avarias) e as meias, meus amigos e amigas... as meias, oh meu Deus, as meias eram...tcham tcham tcham... de um azul turquesa que até ofuscava. Opá, as minhas amigas mais chegadas sabem que as minhas meias, quando não se vêem, são mesmo escolhidas ao acaso e nunca condizem. Até gozam comigo. Confesso que ali fiquei um pouco atrapalhada, mas também vos digo: mais vale meias à palhaço do que sujas, velhas ou rotas no dedão, é ou não é?
E pronto, agora é esperar que o telefone toque com good news, que é para isso que cá andamos.
É verdade, terceira opinião marcada para Março. Unidade da Primeira Infância da Estefânea, com Pedro Caldeira, o supra sumo dos assuntos do autismo. Até dá medo.
Pequena adenda (só eu): Mal entramos na sala da terapia, vejo que a técnica se descalça. Comecei a olhar para o ambiente esterilizado próprio de uma sala onde é suposto as crianças brincarem no chão, reparei nos colchões que cobriam metade da sala... e pronto, não havia volta a dar, o recado estava dado. Descalcei-me. Problema? Hoje vesti umas calças pretas e uma camisola cinzenta (eu sei, boring, mas não estava virada para grandes avarias) e as meias, meus amigos e amigas... as meias, oh meu Deus, as meias eram...tcham tcham tcham... de um azul turquesa que até ofuscava. Opá, as minhas amigas mais chegadas sabem que as minhas meias, quando não se vêem, são mesmo escolhidas ao acaso e nunca condizem. Até gozam comigo. Confesso que ali fiquei um pouco atrapalhada, mas também vos digo: mais vale meias à palhaço do que sujas, velhas ou rotas no dedão, é ou não é?
E pronto, agora é esperar que o telefone toque com good news, que é para isso que cá andamos.
É verdade, terceira opinião marcada para Março. Unidade da Primeira Infância da Estefânea, com Pedro Caldeira, o supra sumo dos assuntos do autismo. Até dá medo.
sexta-feira, fevereiro 03, 2012
Ironias
Não há maior do que esta.
"Caroline Lovell teve uma paragem cardíaca enquanto dava à luz a filha, Zahra, em casa, em Melbourne, na Austrália. A morte reacendeu o debate sobre os partos naturais em casa.
A australiana defensora dos partos em casa, Caroline Lovell, morreu ao dar à luz a filha. Tinha 36 anos e morreu devido a complicações cardíacas que surgiram durante o parto em casa, da sua segunda filha.
Ainda foi conduzida a um hospital, mas já nada foi possível fazer por Caroline Lovell, activista que lutou pela liberdade das mulheres para escolherem o local do nascimento dos filhos."
Jornal de Notícias
É ou não é a maior das ironias? Sempre admirei as mulheres que eram capazes de se aventurarem nesta experiência sem rede, porque pessoas como eu, que à primeira tontura pensam que estão a ter um AVC, ter um parto natural em casa é sinal de coragem.
Eu seria incapaz. Aliás, mesmo quando estive grávida, a ideia do parto natural, com epidural e em meio hospitalar assustava-me imenso. Como já devem ter lido neste blogue, acabei por fazer cesariana por razões de força maior, mas enquanto a hora não chegava, pensava que se conseguisse ultrapassar um parto natural, conseguiria tudo na vida.
"Caroline Lovell teve uma paragem cardíaca enquanto dava à luz a filha, Zahra, em casa, em Melbourne, na Austrália. A morte reacendeu o debate sobre os partos naturais em casa.
A australiana defensora dos partos em casa, Caroline Lovell, morreu ao dar à luz a filha. Tinha 36 anos e morreu devido a complicações cardíacas que surgiram durante o parto em casa, da sua segunda filha.
Ainda foi conduzida a um hospital, mas já nada foi possível fazer por Caroline Lovell, activista que lutou pela liberdade das mulheres para escolherem o local do nascimento dos filhos."
Jornal de Notícias
É ou não é a maior das ironias? Sempre admirei as mulheres que eram capazes de se aventurarem nesta experiência sem rede, porque pessoas como eu, que à primeira tontura pensam que estão a ter um AVC, ter um parto natural em casa é sinal de coragem.
Eu seria incapaz. Aliás, mesmo quando estive grávida, a ideia do parto natural, com epidural e em meio hospitalar assustava-me imenso. Como já devem ter lido neste blogue, acabei por fazer cesariana por razões de força maior, mas enquanto a hora não chegava, pensava que se conseguisse ultrapassar um parto natural, conseguiria tudo na vida.
quinta-feira, fevereiro 02, 2012
Os meus livros
Tenho saudades de te ler.
Tenho saudades de te levar na mala, desse lá por onde desse, porque sempre tive o condão de as usar a abarrotar, pesadas, até não caber lá dentro um isqueiro sequer. Mas tu lá ias sempre, com um dos lados a espreitar a rua que era quase sempre feita de um caminho estreito ladeado de redes esburacadas.
Tenho saudades de te ler e se não estou errada não o faço desde as manhãs nebulosas a cheirarem a biblioteca em que te pousava no meu colo na carruagem baforenta em que todos os dias um homem entrava a cheirar a after shave misturado com o último Gigante que fumara antes de entrar no comboio. E então pousava-te no meu colo e entrava nesse teu mundinho de coisinhas, em que cada palavra tem o seu sentidozinho, em frases alinhadas, sem erros nem gralhas.
Mas também fingi muitas vezes. Qual é a mulher que não finge? De olhos postos em ti, fingi muitas vezes que andava ali a entender o que me escrevias, mas os meus olhos estavam apenas postos em ti, como se olha para uma fatia de tarte por detrás de uma vidraça sem lhe tocarmos. Os meus olhos muitas vezes iam parar aos ouvidos e deixava-te ali no teu mundinho de coisinhas para me entreter com as conversas mundanas que duas velhas velhinhas iam a ter no banco da frente. Falavam tão rápido quanto o Cacém, a Amadora e o apeadeiro de Sete Rios varriam as janelas sujas. Eu perdia-me por ali e só voltava a ler-te quando bem me apetecesse. Não mandavas em mim. Ah, mas quando voltava a ler-te. Que delícia, quando voltava a ti. A abrires-me novas portas, a romanceares a minha vida agitada... e a dares-me sono. Não me leves a mal, mas era verdade. Mutas vezes deste-me sono e dava por mim a comer-te as linhas e os ponto e vírgulas e tudo o que me pusesses à frente com as tuas coisinhas. A precocidade do dia e o embalo dos carris faziam-me adormecer pelo caminho, com o cotovelo a magoar-se naquelas janels que não foram feitas para dormirtar e com a mão encostada ao queixo. Fiel companheiro, lá te fazias cair do meu colo às páginas tantas, como que a salvar-me de uma frequência falhada ou de mais uma falta à primeira cadeira da manhã. E quase sempre era tarde demais. Lembras-te? Lá iamos depois num corropio, tu a tentares agarrar-te por baixo do meu braço, amarrotado mas nunca esquecido, e eu a tentar arrastar o meu rabo e aquela mala, ui, sempre tão pesadas e a abarrotar. O caminho inverso já se fazia sem magia, era antes um sobressalto onde a única missão era estabilizar o ritmo cardíaco e as emoções de mais um dia começar no sentido contrário. Tu ainda esquecido na minha axila, enquanto guardo o passe no único recanto ainda livre da minha mala.
E já só nos voltávamos a reencontrar ao final do dia, com o bafo saturado, a fazermos as pazes. Eu a pedir-te desculpa, a prometer-te que velha alguma me iria roubar de ti pela manhã. Mas caramba, aquelas velhas velhinhas eram mesmo boas.
Tenho saudades de te ler.
Tenho saudades de te levar na mala, desse lá por onde desse, porque sempre tive o condão de as usar a abarrotar, pesadas, até não caber lá dentro um isqueiro sequer. Mas tu lá ias sempre, com um dos lados a espreitar a rua que era quase sempre feita de um caminho estreito ladeado de redes esburacadas.
Tenho saudades de te ler e se não estou errada não o faço desde as manhãs nebulosas a cheirarem a biblioteca em que te pousava no meu colo na carruagem baforenta em que todos os dias um homem entrava a cheirar a after shave misturado com o último Gigante que fumara antes de entrar no comboio. E então pousava-te no meu colo e entrava nesse teu mundinho de coisinhas, em que cada palavra tem o seu sentidozinho, em frases alinhadas, sem erros nem gralhas.
Mas também fingi muitas vezes. Qual é a mulher que não finge? De olhos postos em ti, fingi muitas vezes que andava ali a entender o que me escrevias, mas os meus olhos estavam apenas postos em ti, como se olha para uma fatia de tarte por detrás de uma vidraça sem lhe tocarmos. Os meus olhos muitas vezes iam parar aos ouvidos e deixava-te ali no teu mundinho de coisinhas para me entreter com as conversas mundanas que duas velhas velhinhas iam a ter no banco da frente. Falavam tão rápido quanto o Cacém, a Amadora e o apeadeiro de Sete Rios varriam as janelas sujas. Eu perdia-me por ali e só voltava a ler-te quando bem me apetecesse. Não mandavas em mim. Ah, mas quando voltava a ler-te. Que delícia, quando voltava a ti. A abrires-me novas portas, a romanceares a minha vida agitada... e a dares-me sono. Não me leves a mal, mas era verdade. Mutas vezes deste-me sono e dava por mim a comer-te as linhas e os ponto e vírgulas e tudo o que me pusesses à frente com as tuas coisinhas. A precocidade do dia e o embalo dos carris faziam-me adormecer pelo caminho, com o cotovelo a magoar-se naquelas janels que não foram feitas para dormirtar e com a mão encostada ao queixo. Fiel companheiro, lá te fazias cair do meu colo às páginas tantas, como que a salvar-me de uma frequência falhada ou de mais uma falta à primeira cadeira da manhã. E quase sempre era tarde demais. Lembras-te? Lá iamos depois num corropio, tu a tentares agarrar-te por baixo do meu braço, amarrotado mas nunca esquecido, e eu a tentar arrastar o meu rabo e aquela mala, ui, sempre tão pesadas e a abarrotar. O caminho inverso já se fazia sem magia, era antes um sobressalto onde a única missão era estabilizar o ritmo cardíaco e as emoções de mais um dia começar no sentido contrário. Tu ainda esquecido na minha axila, enquanto guardo o passe no único recanto ainda livre da minha mala.
E já só nos voltávamos a reencontrar ao final do dia, com o bafo saturado, a fazermos as pazes. Eu a pedir-te desculpa, a prometer-te que velha alguma me iria roubar de ti pela manhã. Mas caramba, aquelas velhas velhinhas eram mesmo boas.
Tenho saudades de te ler.
segunda-feira, janeiro 30, 2012
Que serão!
É quase meia-noite e o Zé ainda tenta adormecer o Rodrigo. Esta noite a coisa não correu bem. O baby cortou-se num dedo e sangrou muito. Como se nada fosse, andou a fugir-me pela casa com aquele pequenito dedo "sanguinário" a encher-me todos os cantos da casa de sangue. Eu a tentar desesperadamente conter-lhe o sangue, a correr atrás dele com toalhetes e a limpar tudo o que via à frente. O Zé chegou em boa hora, mas coitado, que belo cenário encontrou! Fui à rua a correr comprar pensos (como é que nunca me tinha ocorrido que poderia dar jeito numa casa com crianças), e a muito custo pus-lhe no dedo. Aí, sim, ele chorou. Fez uma birra enorme com direito a soluçoes e tudo. Olhava para o dedo, olhava para mim. Ainda adormeceu uns dez minutos, mas das quatro vezes que tentei pô-lo na cama acordou. Isto foi mais ao menos às dez. Faltam dez minutos para a meia-noite e nada... Isto está bonito.
quinta-feira, janeiro 26, 2012
Mas afinal em que ficamos?
Isto a propósito da equipa médica do Hospital de Santa Maria ter indicado no relatório médico do Rodrigo que deveria iniciar de imediato sessões de terapia da fala pelo menos duas vezes por semana. Agora, o Grupo de Intervenção Local de Mafra, que já está a avaliar o Rodrigo, diz que essa terapia é contraproducente e não aconselhada antes dos três anos. Mas então senhores doutores, em que ficamos?
E pronto, lá vou eu procurar uma terceira opinião.
E pronto, lá vou eu procurar uma terceira opinião.
quinta-feira, janeiro 19, 2012
segunda-feira, janeiro 16, 2012
A minha mãe
Como vos tinha contado, hoje era dia da psicóloga do Rodrigo vir cá a casa para uma primeira entrevista. Não pus a casa num brinco, mas tentei que estivesse tudo mais ao menos apresentável. Foi já à ida para o trabalho que me lembrei de um cesto de roupa para passar que tinha deixado no quarto do baby. Liguei à minha mãe que estava em minha casa a tomar conta do piqueno.
-Mãe, faz-me um favor, põe o cesto de roupa no meu quarto que a psicóloga vai aí à noite e não quero que aquilo esteja lá.
... já quase ao final do dia.
- Filha, já pus o cesto no teu quarto. Aproveitei também e levantei a roupa que estava no estendal no meio da cozinha porque já estava mais do que seca. Ah, e limpei-te o chão da sala e do hall que já tinha muito pó... eu sei que a empregada vem cá amanhã, mas assim está melhor. Este pó é capaz de fazer ainda pior ao ranho do menino. E na cozinha também varri o chão. Tu não varres o chão? Lá em minha casa varro todos os dias o chão da cozinha. Olha filha, não leves a mal, mas aproveitei e tirei a toalha às riscas da mesa de refeições, aliás a ideia é que quando se acaba de comer se levante a loiça e também a toalha. Não fiz mal, pois não? É que a toalha estava posta há mais de uma semana. Ana?...
- Sim mãe...
- Fiz-te uma canjinha, mas não é como a que tu fazes, esta está muito boa.
-Mãe, faz-me um favor, põe o cesto de roupa no meu quarto que a psicóloga vai aí à noite e não quero que aquilo esteja lá.
... já quase ao final do dia.
- Filha, já pus o cesto no teu quarto. Aproveitei também e levantei a roupa que estava no estendal no meio da cozinha porque já estava mais do que seca. Ah, e limpei-te o chão da sala e do hall que já tinha muito pó... eu sei que a empregada vem cá amanhã, mas assim está melhor. Este pó é capaz de fazer ainda pior ao ranho do menino. E na cozinha também varri o chão. Tu não varres o chão? Lá em minha casa varro todos os dias o chão da cozinha. Olha filha, não leves a mal, mas aproveitei e tirei a toalha às riscas da mesa de refeições, aliás a ideia é que quando se acaba de comer se levante a loiça e também a toalha. Não fiz mal, pois não? É que a toalha estava posta há mais de uma semana. Ana?...
- Sim mãe...
- Fiz-te uma canjinha, mas não é como a que tu fazes, esta está muito boa.
sábado, janeiro 14, 2012
Ai pá...
... desculpem os meus longos períodos de ausência. Que vergonha não conseguir organizar-me para poder partilhar convosco as coisas da minha vidinha.
Bom, a verdade é que isto tem andado para aqui muito confuso. Começando pelo facto do Rodrigo ter tido uma escarlatina e de uma médica imbecil lhe ter receitado o antibiótico errado. É o que dá a malta andar a desenrascar-se em centros de saúde e não ir ao pediatra ou a umas urgências da CUF. Enfim, está outra vez com escarlatina, mas agora - quero crer - com a terapêutica adequada. O pior é mesmo o ranho e a tosse que ele tem tido nos últimos dois dias. Hoje inovei e espetei no chão do quarto um tuperware com cebola cortada aos gomos. Diz que é uma mezinha muito antiga e que resulta. E não me importo que amanhã o miúdo acorde a cheirar a refogado, desde que passe uma noite mais tranquila.
Com tudo isto, perdi hoje um lanche maravilhoso para comemorar os sete meses de gravidez da minha amiga e mana T. Mas é mesmo assim, mãe sofre.
E trabalhadora também. Que ninguém aguenta a onda de despedimentos que vai para aquela minha empresa. Dá dó andar pelos corredores. E, os que como eu ficam, nem sabem bem o que dizer aos que vão. Isto não está fácil e, na verdade, vejo muita gente a não dar valor ao que tem.
Bom domingo aos meus queridos leitores.
Segunda-feira recebo em minha casa a psicóloga que vai liderar a terapia ao Rodrigo na escola. Vai precisar de um terapeuta da fala duas vezes por semana, uma terapeuta ocupacional, uma psicóloga e terapeuta de psicomotricidade. Entretanto, quarta-feira inicia as sessões de musicoterapia. Vamos ver como tudo corre, mas para já está bem encaminhado e a resposta do Grupo de Intervenção Precoce aqui da zona até foi bem rápida. Embora o diagnóstico ainda não esteja fechado por ele ser muito pequeno, a equipa conclui que se trata de facto de uma perturbação no espectro do autismo, mas muito leve, com as principais dificuldades a residirem na área da linguagem e na área social.
Bom, a verdade é que isto tem andado para aqui muito confuso. Começando pelo facto do Rodrigo ter tido uma escarlatina e de uma médica imbecil lhe ter receitado o antibiótico errado. É o que dá a malta andar a desenrascar-se em centros de saúde e não ir ao pediatra ou a umas urgências da CUF. Enfim, está outra vez com escarlatina, mas agora - quero crer - com a terapêutica adequada. O pior é mesmo o ranho e a tosse que ele tem tido nos últimos dois dias. Hoje inovei e espetei no chão do quarto um tuperware com cebola cortada aos gomos. Diz que é uma mezinha muito antiga e que resulta. E não me importo que amanhã o miúdo acorde a cheirar a refogado, desde que passe uma noite mais tranquila.
Com tudo isto, perdi hoje um lanche maravilhoso para comemorar os sete meses de gravidez da minha amiga e mana T. Mas é mesmo assim, mãe sofre.
E trabalhadora também. Que ninguém aguenta a onda de despedimentos que vai para aquela minha empresa. Dá dó andar pelos corredores. E, os que como eu ficam, nem sabem bem o que dizer aos que vão. Isto não está fácil e, na verdade, vejo muita gente a não dar valor ao que tem.
Bom domingo aos meus queridos leitores.
Segunda-feira recebo em minha casa a psicóloga que vai liderar a terapia ao Rodrigo na escola. Vai precisar de um terapeuta da fala duas vezes por semana, uma terapeuta ocupacional, uma psicóloga e terapeuta de psicomotricidade. Entretanto, quarta-feira inicia as sessões de musicoterapia. Vamos ver como tudo corre, mas para já está bem encaminhado e a resposta do Grupo de Intervenção Precoce aqui da zona até foi bem rápida. Embora o diagnóstico ainda não esteja fechado por ele ser muito pequeno, a equipa conclui que se trata de facto de uma perturbação no espectro do autismo, mas muito leve, com as principais dificuldades a residirem na área da linguagem e na área social.
segunda-feira, janeiro 02, 2012
Bom ano

O meu foi bom. Em casa. Tranquilo. Com Rodrigo a dormir e a melhorar de uma escarlatina. Sim, apanhou a bicheza na creche. Começou com borbulhinhas por todo o corpo e muita rabujice. Ao fim de três dias percebi que aquilo não era uma borbulhage qualquer e muito menos mau feitio e fui com ele ao médico. Não houve dúvidas: escarlatina! Mas enfim, já está bom e hoje até já foi à escola.
Como vos dizia, a passagem de ano foi muito calminha, mas muito boa. Jantar à altura, um brinde valioso e as tradições todas a serem seguidas (cuecas azuis oferecidas e por estrear, nota na mão, e a comer as passas ao som das doze badaladas em cima de uma cadeira).
A todos vocês desejo-vos um ano muito feliz.
quinta-feira, dezembro 22, 2011
Um bom presente
E pronto. Hoje chegou a boa notícia. Tudo pronto no grupo de Intervenção Precoce de Mafra para que o Rodrigo tenha terapeutas a ir à escola. Ufa, menos uma!
quarta-feira, dezembro 21, 2011
Há tanto tempo que não vinha aqui. Ó meu Deus. Mas por aqui tem havido muita agitação.
Antes de mais, o Rodrigo:
Bom, em Janeiro recebo o relatório da equipa médica com o grau de perturbação do espectro do autismo que o Rodrigo tem. Nessa altura começará com sessões de Musicoterapia no Hospital de Santa Maria. Vamos aproveitar o facto de ele adorar música para o estimularmos em algumas áreas. Esse mesmo relatório definirá ainda a frequência das sessões de terapia ocupacional e terapia da fala que ele precisará.
Entretanto, e enquanto o relatório não chega, ando já a ver o que é preciso para pedir ao Estado esses técnicos de modo a que se desloquem também à escola. Não me apetecia nada que o Rodrigo andasse de um lado para o outro em consultas aqui e ali e sempre a faltar à creche. Para além de que seria melhor do que estar a pagar pelo privado. Já percebi que não é fácil, mas estou ainda em demarches. A ver vamos.
Na escola, ele te estado óptimo e em casa já começa a fazer novas vocalizações. Dá-me ideia que está a querer falar novamente, visto que recomeçou a apontar para os livros e a olhar para a minha boca muito atento enquanto digo as palavras. Tudo estaria bem não se desse o caso de estar a demorar uma hora e meia para adormecer. Ao colo, embalado, eu em pé, com os meus braços numa posição muito específica, uma posição que me arruína as costas, que me deixa com os braços dormentes ao fim de vinte minutos, e que se não for assim o raio do miúdo não me adormece. Quando finalmente o ponho na cama (a sessão tem início às 21h30 e acaba às 23 horas) já estou pronta para ir para a cama. Estafada.
Comigo, tudo a andar. Apesar da crise, lá consegui que um i phone muito lindo descansasse por baixo da árvore há cerca de duas semanitas e agora só me preocupam mesmo os presentes de Natal que ainda estão por comprar. E quais são eles? Os meus, eh eh. Os meus sogros preferem que seja eu a escolher e são esses que me faltam. Tirando isso, tenho é milhentos embrulhos para fazer.
Se não vier cá antes um Feliz Natal para todos os que gostam de vir aqui ao burgo e a seguir chego já com um post das minhas resoluções para 2012.
Antes de mais, o Rodrigo:
Bom, em Janeiro recebo o relatório da equipa médica com o grau de perturbação do espectro do autismo que o Rodrigo tem. Nessa altura começará com sessões de Musicoterapia no Hospital de Santa Maria. Vamos aproveitar o facto de ele adorar música para o estimularmos em algumas áreas. Esse mesmo relatório definirá ainda a frequência das sessões de terapia ocupacional e terapia da fala que ele precisará.
Entretanto, e enquanto o relatório não chega, ando já a ver o que é preciso para pedir ao Estado esses técnicos de modo a que se desloquem também à escola. Não me apetecia nada que o Rodrigo andasse de um lado para o outro em consultas aqui e ali e sempre a faltar à creche. Para além de que seria melhor do que estar a pagar pelo privado. Já percebi que não é fácil, mas estou ainda em demarches. A ver vamos.
Na escola, ele te estado óptimo e em casa já começa a fazer novas vocalizações. Dá-me ideia que está a querer falar novamente, visto que recomeçou a apontar para os livros e a olhar para a minha boca muito atento enquanto digo as palavras. Tudo estaria bem não se desse o caso de estar a demorar uma hora e meia para adormecer. Ao colo, embalado, eu em pé, com os meus braços numa posição muito específica, uma posição que me arruína as costas, que me deixa com os braços dormentes ao fim de vinte minutos, e que se não for assim o raio do miúdo não me adormece. Quando finalmente o ponho na cama (a sessão tem início às 21h30 e acaba às 23 horas) já estou pronta para ir para a cama. Estafada.
Comigo, tudo a andar. Apesar da crise, lá consegui que um i phone muito lindo descansasse por baixo da árvore há cerca de duas semanitas e agora só me preocupam mesmo os presentes de Natal que ainda estão por comprar. E quais são eles? Os meus, eh eh. Os meus sogros preferem que seja eu a escolher e são esses que me faltam. Tirando isso, tenho é milhentos embrulhos para fazer.
Se não vier cá antes um Feliz Natal para todos os que gostam de vir aqui ao burgo e a seguir chego já com um post das minhas resoluções para 2012.
terça-feira, novembro 22, 2011
Ora bolas
E pronto. Decisão familiar tomada e comunicada a todos: "este Natal só há presentes para os pequeninos."
Tudo bem. Tudo bem. Mas pelo sim pelo não vou de sapatos rasos. Assim como assim tenho um mísero 1,62 m de altura.
Tudo bem. Tudo bem. Mas pelo sim pelo não vou de sapatos rasos. Assim como assim tenho um mísero 1,62 m de altura.
terça-feira, novembro 15, 2011
quinta-feira, novembro 10, 2011
O diagnóstico
Desculpem a demora em regressar aqui ao burgo, mas tenho estado tão dedicada às teclas da minha vida que me esqueci destas do computador. A minha otite ainda cá anda, embora o ouvido vá começando a dar sinais de vida. Basicamente, vivo aquela sensação de quando se vai no avião, com o ouvido a entupir e a desentupir conforme vai alterando a altitude.
Mas venho aqui para vos pôr a par de outras conversas, que esta minha otite na verdade são peanuts. Os médicos confirmaram que o Rodrigo tem um problema no espectro do autismo. Uma coisa moderada, mas que vai necessitar de intervenção. Já vos tinha relatado aqui algumas diferenças que notava nele, mas não sabia se eram resultado da prematuridade. Afinal, são três meses de atraso. Mas não, a equipa de pediatras do desenvolvimento do Santa Maria não tem mais dúvidas. Para este diagnóstico baseia-se no facto de ter deixado de falar e em alguns comportamentos repetitivos que ele tem, como pôr a rodopiar objectos e fazer razias a paredes, muros e mesas. Enfim, cá em casa estamos convencidos ou autoconvencemo-nos de que não é uma doença-drama, ou seja, como uma boa terapia, o Rodrigo conseguirá ter uma vida normal.
Agora a minha preocupação é mesmo a parte da fala. Começa a terapia da fala em Janeiro e espero mesmo que dê resultado. Eu sei que há miúdos que só falam aos quatro anos, mas no caso do Rodrigo o problema é que ele já chegou a dizer seis palavras e agora... nada. Até mamã deixou de dizer. Boas energias. Toda a gente. Vamo lá.
Mas venho aqui para vos pôr a par de outras conversas, que esta minha otite na verdade são peanuts. Os médicos confirmaram que o Rodrigo tem um problema no espectro do autismo. Uma coisa moderada, mas que vai necessitar de intervenção. Já vos tinha relatado aqui algumas diferenças que notava nele, mas não sabia se eram resultado da prematuridade. Afinal, são três meses de atraso. Mas não, a equipa de pediatras do desenvolvimento do Santa Maria não tem mais dúvidas. Para este diagnóstico baseia-se no facto de ter deixado de falar e em alguns comportamentos repetitivos que ele tem, como pôr a rodopiar objectos e fazer razias a paredes, muros e mesas. Enfim, cá em casa estamos convencidos ou autoconvencemo-nos de que não é uma doença-drama, ou seja, como uma boa terapia, o Rodrigo conseguirá ter uma vida normal.
Agora a minha preocupação é mesmo a parte da fala. Começa a terapia da fala em Janeiro e espero mesmo que dê resultado. Eu sei que há miúdos que só falam aos quatro anos, mas no caso do Rodrigo o problema é que ele já chegou a dizer seis palavras e agora... nada. Até mamã deixou de dizer. Boas energias. Toda a gente. Vamo lá.
terça-feira, outubro 25, 2011
Muita saúdinha, essa é que é essa
Estou de molho. Fui apanhada pela primeira vez por uma otite e de tão má que é torna-se difícil dizer que estou simplesmente com uma otite. Pois essa menina merece sim ser tratada abaixo de cão, espezinhada e humilhada em praça pública. Pois então, esta otite filha da puta (e é pouco) anda a moer-me o juízo desde sábado, dia em que apareceu sorrateiramente, a fazer-se passar por coisa passageira, por um pequeno mal estar. E do nada, sem avisar, transformou-se num monstro a querer engolir-me toda a moleirinha. Xiça, que a danadinha provoca umas dores insuportáveis, daquelas de chorar e de perder o tino. Um horror. Agora ando para aqui já sem dores (valeram-me os soros e as injecções nas urgências, que bom é viver no campo e chegar ao centro nde saúde e não haver ninguém), mas ando para aqui com o ouvido todo entupido, a viver esta vida pela metade, porque estar surda de um lado é horroroso. Mas agora a questão coloca-se minhas caras e caros amigos que já tiveram otites: Quando é que isto vai desentupir? Quando, ó meu Deus?
E é nestas alturas de efermidade que damos valor àquela coisa que as velhas fofas nos dizem tantas e tantas vezes: muita saúdinha menina. Essa é que é essa, que eu assim, como estou, não valho nada e só atrapalho.
E é nestas alturas de efermidade que damos valor àquela coisa que as velhas fofas nos dizem tantas e tantas vezes: muita saúdinha menina. Essa é que é essa, que eu assim, como estou, não valho nada e só atrapalho.
sexta-feira, outubro 21, 2011
E já aí está a nova coleção da Primark para os nossos meninos ficarem lindos
terça-feira, outubro 18, 2011
New look

Ontem lá fui aos meus queridos amigos do cabeleireiro Tony and Guy. Já não aguentava o cabelo enorme e sem corte. Tanto que o mais habitual era andar com ele sempre em rabo de cavalo, como quem vai fazer a corrida matinal. O Licínio, um fofo, lá me tratou de dar um novo ar e optou por me fazer "a franja" da estação. Diz ele que é um must have desta temporada e que não tarda nada todas as gajas a vão querer. Basicamente é uma franja que abre ao meio e que é cortada metade a metade e não por inteiro. Pois aqui a gaja já tem e já fez amizade com a dita. O meu filho (dois anos) é que nem por isso. Ontem, quando o fui buscar à escola, desatou num choro e passou o resto do dia a olhar para a minha testa e a fazer beicinho como quem diz: "Que merda é esta? O que é que fizeste à minha mãe? E se és mesmo tu, desde quando fazes essas mudanças de visual sem me consultares?". Enfim, hoje já me aceitou melhor. E pronto, estou de franja. É muito parecida com esta da Penélope e só não digo que é igual porque a sacana da miúda é gira que se farta e a dela parece melhor.
domingo, outubro 16, 2011
Crónica do João Quadros (Jornal de Negócios)
40 Medidas que vão ser adoptadas graças ao Passos Coelho
1. Por cada neto que nascer vão ter de morrer 2 avós
2. Comércio tradicional vai pagar IVA de XXIII %
3. Trabalho escravo regressa mas apenas com contratos a prazo
... 4. O eléctrico 28 vai fazer a ligação Alfama - Sines - Salamanca em bitola alfacinha
5. Governo vai aumentar a segunda-feira para 48 horas
6. Subsídio de Natal vai ser um par de meias
7. Horas extraordinárias vão ser pagas com desenhos do filho do ministro das Finanças
8. Metro do Porto vai voltar a ser uma piada
9. O IVA do vinho depende do que se aguenta
10. Bancos vão poder servir mini-pratos ao balcão
11. Diferença horária para os Açores vai aumentar 15%
12. Quebra de produção com feriados santos vai ser compensada com trabalho forçado de padres
13. Casais com mais de 3 filhos vão ter de abater 1
14. Taxas moderadoras podem ser pagas com sexo
15. Reformas antecipadas congeladas até Manoel Oliveira parar de filmar
16. TSU de empresas de empresários supersticiosos cai 13%, se eles quiserem, eles é que sabem…
17. Juízes perdem subsídio de renda e vão passar a ir dormir a nossa casa
18. Pensionistas do Estado com pensões inferiores a 485 euros vão poder trocar consultas por órgãos
19. TSU de empresas com gestores com hipermetropia vai descer 0,0000000000000001 pontos
20. IVA dos restaurantes pode ser levado para casa
21. Portuguesas com um sexto sentido vão ter que desistir de um dos outros
22. Vão haver portagens à saída das maternidades
23. São proibidos ajuntamentos de mais de 3 pessoas junto das caixas multibanco
24. IVA da Coca-Cola aumenta se agitarem as embalagens
25. Desempregados vão formar empresa de logótipos humanos para eventos em estádios
26. Vai haver portagens à entrada do tribunal de Oeiras
27. Madeira vai ser alugada para experiências nucleares
28. EPAL vai cobrar taxa nos sonhos húmidos
29. Pelo princípio do utilizador-pagador, pessoas com três rins vão pagar mais taxa de esgoto
30. RTP fica só a dar música sacra até à Páscoa
31. Portugueses nascidos a 29 de Fevereiro vão deixar de ter documentos
32. TSU das empresas de pesca vai descer assim (fazer gesto do tamanho que quiser com as mãos)
33. TAP vai fazer a ligação por terra Sines-Entroncamento
34. Militares vão substituir bombeiros nos seus deveres conjugais
35. Reformados que ultrapassam a esperança média de vida proibidos de andar na rua
36. TSU das empresas de Duarte Lima vai descer sete palmos
37. As SCUT vão poder ser percorridas a pé por metade do preço
38. Castrados vão perder o abono de família
39. Escolas passam a distribuir rações de combate ou em alternativa refeições da TAP
40. A força vai passar a ser igual a metade da massa vezes a aceleração
1. Por cada neto que nascer vão ter de morrer 2 avós
2. Comércio tradicional vai pagar IVA de XXIII %
3. Trabalho escravo regressa mas apenas com contratos a prazo
... 4. O eléctrico 28 vai fazer a ligação Alfama - Sines - Salamanca em bitola alfacinha
5. Governo vai aumentar a segunda-feira para 48 horas
6. Subsídio de Natal vai ser um par de meias
7. Horas extraordinárias vão ser pagas com desenhos do filho do ministro das Finanças
8. Metro do Porto vai voltar a ser uma piada
9. O IVA do vinho depende do que se aguenta
10. Bancos vão poder servir mini-pratos ao balcão
11. Diferença horária para os Açores vai aumentar 15%
12. Quebra de produção com feriados santos vai ser compensada com trabalho forçado de padres
13. Casais com mais de 3 filhos vão ter de abater 1
14. Taxas moderadoras podem ser pagas com sexo
15. Reformas antecipadas congeladas até Manoel Oliveira parar de filmar
16. TSU de empresas de empresários supersticiosos cai 13%, se eles quiserem, eles é que sabem…
17. Juízes perdem subsídio de renda e vão passar a ir dormir a nossa casa
18. Pensionistas do Estado com pensões inferiores a 485 euros vão poder trocar consultas por órgãos
19. TSU de empresas com gestores com hipermetropia vai descer 0,0000000000000001 pontos
20. IVA dos restaurantes pode ser levado para casa
21. Portuguesas com um sexto sentido vão ter que desistir de um dos outros
22. Vão haver portagens à saída das maternidades
23. São proibidos ajuntamentos de mais de 3 pessoas junto das caixas multibanco
24. IVA da Coca-Cola aumenta se agitarem as embalagens
25. Desempregados vão formar empresa de logótipos humanos para eventos em estádios
26. Vai haver portagens à entrada do tribunal de Oeiras
27. Madeira vai ser alugada para experiências nucleares
28. EPAL vai cobrar taxa nos sonhos húmidos
29. Pelo princípio do utilizador-pagador, pessoas com três rins vão pagar mais taxa de esgoto
30. RTP fica só a dar música sacra até à Páscoa
31. Portugueses nascidos a 29 de Fevereiro vão deixar de ter documentos
32. TSU das empresas de pesca vai descer assim (fazer gesto do tamanho que quiser com as mãos)
33. TAP vai fazer a ligação por terra Sines-Entroncamento
34. Militares vão substituir bombeiros nos seus deveres conjugais
35. Reformados que ultrapassam a esperança média de vida proibidos de andar na rua
36. TSU das empresas de Duarte Lima vai descer sete palmos
37. As SCUT vão poder ser percorridas a pé por metade do preço
38. Castrados vão perder o abono de família
39. Escolas passam a distribuir rações de combate ou em alternativa refeições da TAP
40. A força vai passar a ser igual a metade da massa vezes a aceleração
quarta-feira, outubro 12, 2011
What a night!
Aiiiiii, que mãe sofre. Estou a dormir em pé, depois do menino Rodrigo ter despertado perto da uma da manhã com uma valente birra e de só ter voltado a adormecer já para lá das três. Como se isso não bastasse, exigiu que o embalasse sempre em pé e rejeitou trocas de colos com o pai. E lá fiquei eu. No fim, já me doíam os braços, as pernas, as costas (sim, mais concretamente a zona dos rins como acontece às pessoas mais velhas), os meus olhos já fechavam e devo ter cantado cem vezes a mesma música.
E eu a pensar que ontem ia ter noite santa porque na creche tinha dormido apenas vinte minutos em vez das habituais duas horas. Tá bem tá. Ah, e esta é outra, há dois dias que não dorme a sesta na escola e eu tenho para mim que estas perturbações no sono têm a ver com o período de adaptação. Que os bebés também têm sentimentos e também ficam com os nervos em franja, capazes de não pregar olho.
E eu a pensar que ontem ia ter noite santa porque na creche tinha dormido apenas vinte minutos em vez das habituais duas horas. Tá bem tá. Ah, e esta é outra, há dois dias que não dorme a sesta na escola e eu tenho para mim que estas perturbações no sono têm a ver com o período de adaptação. Que os bebés também têm sentimentos e também ficam com os nervos em franja, capazes de não pregar olho.
segunda-feira, outubro 10, 2011
Hoje fui de marmita

Pois é. Ao fim de seis anos voltei a levar almoço para o trabalho. Num tupperware, aliás, em dois: um tinha esparguete, o outro carne picada. Até agora, andei no registo de todos os dias ter de procurar um restaurante onde conseguisse ouvir a minha respiração para além do barulho ruidoso dos talheres e das vozes grossas e agudas de companheiros de labuta em alegre convívio. Ou isso, ou descer até ao subsolo da minha empresa, onde uma cantina nos serve o que bem lhe apetece por quase quatro euros. Enfim, depois de algum tempo de luta, lá conseguimos (sim, nós pobres trabalhadores que também temos de comer qualquer coisinha porque ficamos com dores na barriga) convencer a administração a disponibilizar-nos um espaço para podermos comer o que trazemos de casa. E foi aí que me decidi. Porque comer na secretária onde já estou todas as horas não era razoável para mim, voltei então finalmente à marmita com esta solução à minha medida. E hoje lá fui. Toda lampeira. Direita ao microondas e toca disto. Ai que me soube tão bem. Ai que a minha comida é tão boa e tão mais barata e que agora um novo mundo se abre para mim.
terça-feira, outubro 04, 2011
Já fui praxada
Irra. Não demorou muito até o Rodrigo ficar doente. Uma semana e meia na escola bastaram para me aparecer em casa cheio de ranho. Daí até à tosse foi mais outra semana. Depois veio a febre, a ida às urgências, o antibiótico, as noites mal dormidas, as birras constantes, a rejeição da comida, do banho, dos remédios, do termómetro, ó meu deus, tudo bem, já percebi. A praxe da entrada no colégio já começou! Só espero que o miúdo não passe o Inverno todo assim, que eu não sei se o meu coração aguenta.
Enfim, ele que já estava a habituar-se mais ao ambiente da escolinha, sem passar os dias inteiros a chorar (até já andava no chão e tudo - sim, na primeira semana estava tão deprimido que não andava)... tungas, vai de ir para casa em convalescença e toca aquela cabecita pequenina de se esquecer de tudo e termos de voltar ao mesmo na quinta-feira.
Ah, e outra coisa, isto dos antibióticos demorarem 72 horas (!!!) a fazer efeito é da Idade da Pedra, não é? Xiça, tenho lá em casa uns recipientes da Casa que cozem ovos no microondas em 20 segundos e ainda ninguém inventou um remédio mais célere?
Bom, passada a tormenta da última semana, Rodrigo recupera agora dos olhos cabisbaixos de quem sofreu muito com as febres, e do tom de pele amarelado de quem andou a passar uns maus bocados sem se alimentar como deveria. Hoje já não tem febre.
Enfim, ele que já estava a habituar-se mais ao ambiente da escolinha, sem passar os dias inteiros a chorar (até já andava no chão e tudo - sim, na primeira semana estava tão deprimido que não andava)... tungas, vai de ir para casa em convalescença e toca aquela cabecita pequenina de se esquecer de tudo e termos de voltar ao mesmo na quinta-feira.
Ah, e outra coisa, isto dos antibióticos demorarem 72 horas (!!!) a fazer efeito é da Idade da Pedra, não é? Xiça, tenho lá em casa uns recipientes da Casa que cozem ovos no microondas em 20 segundos e ainda ninguém inventou um remédio mais célere?
Bom, passada a tormenta da última semana, Rodrigo recupera agora dos olhos cabisbaixos de quem sofreu muito com as febres, e do tom de pele amarelado de quem andou a passar uns maus bocados sem se alimentar como deveria. Hoje já não tem febre.
segunda-feira, setembro 26, 2011
Que fim-de-semana
Irra! Anda tudo constipado lá por casa e sábado bati com o carro num daqueles pilaretes de cimento. Não o vi. Que fim-de-semanazinho de caca. Não fosse o almoço carinhoso de mamãe seguido de festinha maravilha das filhas da minha amiga M. na Estrela e tinha sido mesmo para esquecer.
E com isto dos ranhos e das tosses, Rodrigo foi hoje super rabujento para a creche. Aiiiii, que esta coisa da adaptação nunca mais adapta.
E com isto dos ranhos e das tosses, Rodrigo foi hoje super rabujento para a creche. Aiiiii, que esta coisa da adaptação nunca mais adapta.
segunda-feira, setembro 19, 2011
A creche
(As férias foram óptimas. O Rodrigo divertiu-se imenso nas poças de água e na piscina e eu e o Zé, fazendo turnos ou na altura da sesta, conseguimos descansar e apanhar os nossos maravilhosos banhos de sol)
E pronto. Já tenho o puto charila na creche. Para início de conversa, contar que logo no segundo dia descobri que conseguia ver lá muito ao longe a sala do Rodrigo da minha casa. Então, a parva toca de ir correr todas as lojas dos chineses de Mafra para comprar uns binóculos. Os mais baratos não aproximavam nada e os mais caros eram mesmo muito caros para a parvoíce pegada que estava prestes a fazer. Enfim, nem é bem uma parvoíce. A verdade é que morro de curiosidade por saber o que anda ele a fazer todo o dia na creche, como brinca com os outros meninos, que sons faz, como come, como adormece... Convidavam-me para estar uma manhã inteira ali a vê-lo e eu era a mãe mais feliz do Mundo. Na realidade, acho que não era totalmente descabido arranjarem umas salinhas com vidros foscos onde os pais poderiam permanecer a ver as suas crias na escola, como há nos hospitais durante aquelas cirurgias a que os estudantes assistem. Ah, e no quarto dia fui apanhada a dar voltas à creche de carro para conseguir espreitar para dentro da sala enquanto passava. Não consegui ver o Rodrigo à primeira, não consegui à segunda, e à terceira, fui “apanhada” pela auxiliar Ofélia que me gritou do outro lado da grade com o polegar esticado: “Ele está bem mãe, ele está bem”. Xina pá, que vergonha, só me apetecia esconder num buraco. Isto de estar de férias na semana em que o filho se estreia na creche só dá mesmo merda. E isto de ele chorar todas as manhãs como se o estivesse a deixar no matadouro também dá cabo de nós. Mais, chegar ao final da manhã ou ao final do dia e dar com ele no mesmo pranto é de cortar o coração.
A adaptação está a ser complicada e o Rodrigo, em apenas uma semana de creche, mudou bastante. Mas confio bastante nas técnicas e na instituição para saber que ele vai ficar bem daqui a uns tempos... lá para Janeiro, digo eu. A ver essas mudanças: tornou-se meigo e afectuoso, ou seja, fica tão contente de estar com os pais que dá valor a isso e manifesta-o; está visivelmente mais irritadiço, faz birras por tudo e por nada; as manhãs passaram a ser muito complicadas para ele e acorda logo a fazer beicinho, mal vê a mochila da escola desata num pranto; agora, sai sempre de casa a chorar, com medo do destino ser a creche; está muito mais desconfiado de estranhos e perante eles recusa-se a andar pelo seu próprio pé; se vê, por exemplo, duas pessoas a caminharem na sua direcção, pede-me colo de imediato a pensar que o vão levar; adormece muito rapidamente.
Apesar de ainda ficar muito choroso durante todo o tempo que passa na creche, o Rodrigo come muito bem desde o primeiro dia lá e, imagine-se, adormece sozinho na cama, sem colos. Inacreditável.
E pronto. Já tenho o puto charila na creche. Para início de conversa, contar que logo no segundo dia descobri que conseguia ver lá muito ao longe a sala do Rodrigo da minha casa. Então, a parva toca de ir correr todas as lojas dos chineses de Mafra para comprar uns binóculos. Os mais baratos não aproximavam nada e os mais caros eram mesmo muito caros para a parvoíce pegada que estava prestes a fazer. Enfim, nem é bem uma parvoíce. A verdade é que morro de curiosidade por saber o que anda ele a fazer todo o dia na creche, como brinca com os outros meninos, que sons faz, como come, como adormece... Convidavam-me para estar uma manhã inteira ali a vê-lo e eu era a mãe mais feliz do Mundo. Na realidade, acho que não era totalmente descabido arranjarem umas salinhas com vidros foscos onde os pais poderiam permanecer a ver as suas crias na escola, como há nos hospitais durante aquelas cirurgias a que os estudantes assistem. Ah, e no quarto dia fui apanhada a dar voltas à creche de carro para conseguir espreitar para dentro da sala enquanto passava. Não consegui ver o Rodrigo à primeira, não consegui à segunda, e à terceira, fui “apanhada” pela auxiliar Ofélia que me gritou do outro lado da grade com o polegar esticado: “Ele está bem mãe, ele está bem”. Xina pá, que vergonha, só me apetecia esconder num buraco. Isto de estar de férias na semana em que o filho se estreia na creche só dá mesmo merda. E isto de ele chorar todas as manhãs como se o estivesse a deixar no matadouro também dá cabo de nós. Mais, chegar ao final da manhã ou ao final do dia e dar com ele no mesmo pranto é de cortar o coração.
A adaptação está a ser complicada e o Rodrigo, em apenas uma semana de creche, mudou bastante. Mas confio bastante nas técnicas e na instituição para saber que ele vai ficar bem daqui a uns tempos... lá para Janeiro, digo eu. A ver essas mudanças: tornou-se meigo e afectuoso, ou seja, fica tão contente de estar com os pais que dá valor a isso e manifesta-o; está visivelmente mais irritadiço, faz birras por tudo e por nada; as manhãs passaram a ser muito complicadas para ele e acorda logo a fazer beicinho, mal vê a mochila da escola desata num pranto; agora, sai sempre de casa a chorar, com medo do destino ser a creche; está muito mais desconfiado de estranhos e perante eles recusa-se a andar pelo seu próprio pé; se vê, por exemplo, duas pessoas a caminharem na sua direcção, pede-me colo de imediato a pensar que o vão levar; adormece muito rapidamente.
Apesar de ainda ficar muito choroso durante todo o tempo que passa na creche, o Rodrigo come muito bem desde o primeiro dia lá e, imagine-se, adormece sozinho na cama, sem colos. Inacreditável.
terça-feira, agosto 23, 2011
Em modo stressado
A três dias de ir de férias estou quase a dar em doida. Tenho carradas de trabalho para deixar pronto e o tempo parece escorregar-me entre os dedos. Para ajudar, a empregada foi de férias (pois que também tem direito) e tenho quilos de roupa para lavar, estender e depois passar para poder levar para as férias. Pelo meio, tenho de deixar as refeições do Rodrigo prontas para o Zé, que está com ele esta semana em casa, e deixar as refeições do Rodrigo feitas e comprar creme protector para ele e fazer a lista das coisas para a bagagem para não me esquecer de nada absolutamente importante. Enfim... ando numa correria maluca para conseguir fazer tudo isto e ainda fechar uma revista até sexta, escrever 11 mil caracteres de um artigo para outra, desdobrar-me para conseguir fazer ainda três entrevistas que tenho marcadas e aí, sim, partir para o merecido descanso. Depois de já ter visto toda a gente a ir e a voltar e de durante esta semana já ter recebido três press releases com sugestões de Natal, estou doida para me ver de papo para o ar a apanhar banhos de sol enquanto o Rodrigo fica preso com uma trela ao chapéu de sol, para que este meu pensamento seja mesmo uma realidade e não apenas um delírio.
Pessoas mais susceptíveis: a parte da trela e do chapéu de sol é brincadeirinha. Adoro o meu pequerrucho e, obviamente, não descansarei como em anos anteriores, mas não se pode ter tudo e eu já tenho um filho lindo.
Pessoas mais susceptíveis: a parte da trela e do chapéu de sol é brincadeirinha. Adoro o meu pequerrucho e, obviamente, não descansarei como em anos anteriores, mas não se pode ter tudo e eu já tenho um filho lindo.
quinta-feira, agosto 18, 2011
Adivinhas
E quem é que ontem teve a feliz ideia de encher o miúdo com pão para poder jantar tranquilamente e ver televisão, quem foi? E quem foi que ficou depois com cólicazinhas, quem foi? E quem foi que ficou acordada até às QUATRO das manhã porque o bebé não havia maneira de dormir tadinho? Quem foi? Olha, lembrei-me agora daquela música dos Deolinda, como é que é mesmo?... "Qua parva que eu sou, lá lá lá lá rá lá, que parva que eu sou".
terça-feira, agosto 16, 2011
Ainda sobre barrigas, mais concretamente a minha
E pronto. Não dava para adiar mais. Comprei um fato de banho. Eu bem que tentei continuar com os meus biquínis, mantendo a minha barriguita morena, mas o problema é que a "barriguita" há muito que já não o é. Estou com uma pança bem jeitosa, daquelas que não encaixam cá em diminutivos, e decidi finalmente tapá-la. Assim, comprei um modelito de fato de banho, mas bem catita, que também não quero parecer uma bola de naftalina no meio do areal. E enquanto as férias não chegam (ainda faltam duas semanas) vou acalentando a esperança de que até lá ainda consiga perder... vá, tipo quatro quilos na zona abdominal.
sexta-feira, agosto 12, 2011
Barrigas de aluguer
Isto das barrigas de aluguer faz-me muita confusão. São cada vez mais os famosos que recorrem a esta prática para terem filhotes e a ideia que me dá é que se vai ali a um supermercado e em vez de se trazer um quilo de batatas traz-se um bebé. É essa a ideia que me dá. E depois há o outro lado. O das tipas que por dinheiro acedem a passar por uma gravidez, por um parto, e depois "toma lá isto que me saiu agora do bucho e passa para cá a guita". Faz confusão, não faz? Ou sou eu que estou armada em parvinha?
sexta-feira, julho 15, 2011
Charada gestacional
Epá, e estas ganas de ter outro filho que não vão embora, hein? E esta certeza de que iria ser tão complicado logisticamente ter um bebé agora, hum? E saber que era espectacular para o desenvolvimento do Rodrigo ter um irmão, xiça? E ter noção de que andaria mais morta que viva mas muito feliz, irra? Razão, coração? Razão, coração?
segunda-feira, julho 11, 2011
O meu fado
Eu canto o fado e gosto de cantar o fado.
Tudo começou na altura da faculdade - um dia conto-vos a história que agora não me apetece. Mas nessa altura de estudante inconsciente (já lá vão mais de dez anos) cantava dia sim, dia não, o que fazia com que não ficasse minimamente nervosa quando encarava o querido públicozinho. Públicozinho que agora me põe a tremer que nem varas verdes, o que afecta a minha actuação. Como canto muito espaçadamente, fico numa ansiedade tal, que tenho a certeza que mesmo no escuro, as pessoas conseguem ver-me as pernas a tremer. A voz não se solta, fico com medo de me esquecer das letras, de desafinar, de não entrar na altura certa, daquele já não ser o tom indicado para mim... Enfim, entro ali numa espiral de incertezas que as últimas vezes que fui cantar foram mesmo sofridas. Do género, o tipo antes de mim ainda a actuar e eu em pânico, já sem ouvir nada, a pensar se seria muito aborrecido dizer ao apresentador que afinal já não queria, que me tinha dado uma dor de barriga ou assim.
Mas como gosto mesmo muito de cantar, pensei que o melhor seria voltar a cantar com regularidade, para ganhar prática e não ficar tão nervosa. Há umas semanas dei com uma noite de fados lá para a minha zona e mal adormeci o Rodrigo arranquei para o restaurante. Como andava por lá sozinha não demorou muito tempo até os outros fadistas perceberem que eu também andava nas lides e na terceira parte chamaram-me. Ai Jesus, os meus nervos eram tais que só tinha vontade de me chicotear: “Epá, mas porque é que eu me meto nestas merdas? Então não estava mais sossegada em casa?”. Bom, lá comecei, pernas a tremer, a voz a sair a custo, fim do primeiro fado e os nervos como no início. Garganta seca, vai um gole de água enquanto ainda batem palmas, e arranco para o segundo. Na segunda estrofe, fico sem voz. Literalmente sem voz. A garganta secou tanto com os nervos, que fiquei ali sem conseguir entoar uma única nota, a tossir, a engasgar-me, os guitarras a prosseguirem, eu a ouvir atrás de mim “não desistas, continua, qualquer um se engana”. Pois, eu não conseguia mesmo, eu não me tinha enganado, tinha ficado afónica. Pedi desculpa aos presentes e fui-me embora, a morrer de vergonha e a jurar a mim mesma que nunca mais voltaria a cantar. Bela ideia a que eu tive, infiltrar-me naquela noite de fados da região saloia para poder ir treinando o meu repertório, e acabei por espalhar-me ao comprido, ganhando agora ainda mais receio da próxima vez que for cantar... se algum dia for.
Ah, entretanto, e porque gosto mesmo, mesmo de cantarolar, já ando é cá com ideias de falar com a Câmara de Mafra para ver se apoia a criação de um grupo de fado local. Uma coisa onde a malta possa cantar, ensaiar, tirar tons, experimentar novas canções, para quando for a sério conseguir estar mais segura.
Tudo começou na altura da faculdade - um dia conto-vos a história que agora não me apetece. Mas nessa altura de estudante inconsciente (já lá vão mais de dez anos) cantava dia sim, dia não, o que fazia com que não ficasse minimamente nervosa quando encarava o querido públicozinho. Públicozinho que agora me põe a tremer que nem varas verdes, o que afecta a minha actuação. Como canto muito espaçadamente, fico numa ansiedade tal, que tenho a certeza que mesmo no escuro, as pessoas conseguem ver-me as pernas a tremer. A voz não se solta, fico com medo de me esquecer das letras, de desafinar, de não entrar na altura certa, daquele já não ser o tom indicado para mim... Enfim, entro ali numa espiral de incertezas que as últimas vezes que fui cantar foram mesmo sofridas. Do género, o tipo antes de mim ainda a actuar e eu em pânico, já sem ouvir nada, a pensar se seria muito aborrecido dizer ao apresentador que afinal já não queria, que me tinha dado uma dor de barriga ou assim.
Mas como gosto mesmo muito de cantar, pensei que o melhor seria voltar a cantar com regularidade, para ganhar prática e não ficar tão nervosa. Há umas semanas dei com uma noite de fados lá para a minha zona e mal adormeci o Rodrigo arranquei para o restaurante. Como andava por lá sozinha não demorou muito tempo até os outros fadistas perceberem que eu também andava nas lides e na terceira parte chamaram-me. Ai Jesus, os meus nervos eram tais que só tinha vontade de me chicotear: “Epá, mas porque é que eu me meto nestas merdas? Então não estava mais sossegada em casa?”. Bom, lá comecei, pernas a tremer, a voz a sair a custo, fim do primeiro fado e os nervos como no início. Garganta seca, vai um gole de água enquanto ainda batem palmas, e arranco para o segundo. Na segunda estrofe, fico sem voz. Literalmente sem voz. A garganta secou tanto com os nervos, que fiquei ali sem conseguir entoar uma única nota, a tossir, a engasgar-me, os guitarras a prosseguirem, eu a ouvir atrás de mim “não desistas, continua, qualquer um se engana”. Pois, eu não conseguia mesmo, eu não me tinha enganado, tinha ficado afónica. Pedi desculpa aos presentes e fui-me embora, a morrer de vergonha e a jurar a mim mesma que nunca mais voltaria a cantar. Bela ideia a que eu tive, infiltrar-me naquela noite de fados da região saloia para poder ir treinando o meu repertório, e acabei por espalhar-me ao comprido, ganhando agora ainda mais receio da próxima vez que for cantar... se algum dia for.
Ah, entretanto, e porque gosto mesmo, mesmo de cantarolar, já ando é cá com ideias de falar com a Câmara de Mafra para ver se apoia a criação de um grupo de fado local. Uma coisa onde a malta possa cantar, ensaiar, tirar tons, experimentar novas canções, para quando for a sério conseguir estar mais segura.
quarta-feira, julho 06, 2011
Fraquezas
Ontem à noite, merda da grossa.
Jantar foi bife de porco frito com puré de batata, seguido de petit gateau. Como se já não bastasse tanto disparate junto às dez da noite, ainda fui fazer um balde de pipocas com sal para ver o episódio de Donas de Casa Desesperadas gravado segunda-feira. Opá, ó Zé, tu hoje vem jantar a casa porque assim vai tudo pelo cano. Ai vai, vai, que hoje então ando só a pensar em feijão com arroz. Imagina... feijão com arroz, à noite.
Jantar foi bife de porco frito com puré de batata, seguido de petit gateau. Como se já não bastasse tanto disparate junto às dez da noite, ainda fui fazer um balde de pipocas com sal para ver o episódio de Donas de Casa Desesperadas gravado segunda-feira. Opá, ó Zé, tu hoje vem jantar a casa porque assim vai tudo pelo cano. Ai vai, vai, que hoje então ando só a pensar em feijão com arroz. Imagina... feijão com arroz, à noite.
sábado, julho 02, 2011
E a brincar já foram cinco quilos embora. Faltam três para ficar como eu quero. Pronto, confesso aqui que perdi cinco quilos enquanto o gajo perdeu 19!!! Sim, ele tem a grande vantagem de gostar muito de legumes e não adorar gelados, crepes, pão, manteiga, arroz, batatas, pipocas e bolos como eu. Tem essa vantagem de facto.
sexta-feira, junho 24, 2011
terça-feira, junho 21, 2011
Agenda
. hoje começa o Verão. E agora?
. o Rodrigo faz hoje 23 meses. É começar já a pensar na festa dos dois anos.
. às 14 horas, na RTP 2, Sociedade Civil, o tema é prematuros e parece que vão falar do meu pirralho.
. o Rodrigo faz hoje 23 meses. É começar já a pensar na festa dos dois anos.
. às 14 horas, na RTP 2, Sociedade Civil, o tema é prematuros e parece que vão falar do meu pirralho.
segunda-feira, junho 20, 2011
Na praia
A propósito de no fim-de-semana passado ter ido à praia com o Rodrigo, não haverá no mercado algo parecido com um parque, uma vedação, uma cercazinha, para a praia, não? Algo que deixe a criança fofa a brincar num espaço de areia mais confinado, sem termos de andar quilómetros ININTERRUPTAMENTE ao ponto de já nem sabermos onde tínhamos o chapéu. Não há, não? Sacana do puto não pára um segundo para relaxar. Quais baldes, quais conchinhas, quais carapuça. Põe-se em marcha e aí vai ele.
quinta-feira, junho 16, 2011
A minha odisseia pelas escolas
E pronto, já começou. A minha primeira hipótese, a que queria mesmo, era a escola da Santa Casa da Misericórdia, em Mafra. Escolinha pública, com instalações novas, com mensalidades mais do que acessíveis e “n” boas condições para o pirralho. Mas, como se já não fosse complicado encontrar vaga no público, ainda lhes apareço em Junho. Estão a ver as caras das da secretaria, não é? Bom, estou em lista de espera para 16 vagas e sou o número 154. Motivante, hein? Na entrevista que fiz com a coordenadora pedagógica tentei ao máximo transmitir-lhe o quão importante era o ingresso do Rodrigo, mas não sei se o meu charme vai pegar.
Como alternativa, encontrei a Creche de Mafra, que é semi-pública. A creche funciona para os filhos dos trabalhadores municipais e as sobras podem ser ocupadas com os filhos dos comuns cidadãos como eu. A boa notícia é que há vaga, a má notícia é que só funciona até aos três anos, ou seja, para o ano lá terá o puto de se adaptar a tudo de novo. Nesta creche de Mafra (muito catita e colorida, pareceu-me boa, se houver relatos em contrário, please, digam-me) vou pagar 300 euros por mês, com alimentação incluída, música e ginástica.
Escusado será dizer que há duas noites que não durmo bem só a pensar em coisas que tal que aí vêm. Por exemplo, para fazer a sesta, o Rodrigo até agora só adormece ao colo com alguém a cantar-lhe músicas. Às vezes anda-se nisto mais de vinte minutos. Como é que será na escola? Não vai haver uma educadora de plantão ao meu filho, não é? O miúdo vai-me andar a cair pelol cantos todo roto, a adormecer-me de cansaço às sete da tarde e a acordar às seis porque já dormiu o suficiente?
E a comida? Ele não come sozinho e tudo tem de estar muito bem picado e cortado. A fruta, por exemplo, tem de ser mesmo passada, que quando experimento dar-lhe aos pedaços deita tudo pela boca fora como se lhe estivéssemos a dar cocó.
E há mais, há muitas mais preocupações, daquelas malucas, de mãe. No fundo, sei que tudo vai correr bem e que ele vai acabar por adaptar-se como acontece com toda a gente. Mas enquanto não vejo isso, ando aqui que nem posso. Ai o meu rico menino.
Como alternativa, encontrei a Creche de Mafra, que é semi-pública. A creche funciona para os filhos dos trabalhadores municipais e as sobras podem ser ocupadas com os filhos dos comuns cidadãos como eu. A boa notícia é que há vaga, a má notícia é que só funciona até aos três anos, ou seja, para o ano lá terá o puto de se adaptar a tudo de novo. Nesta creche de Mafra (muito catita e colorida, pareceu-me boa, se houver relatos em contrário, please, digam-me) vou pagar 300 euros por mês, com alimentação incluída, música e ginástica.
Escusado será dizer que há duas noites que não durmo bem só a pensar em coisas que tal que aí vêm. Por exemplo, para fazer a sesta, o Rodrigo até agora só adormece ao colo com alguém a cantar-lhe músicas. Às vezes anda-se nisto mais de vinte minutos. Como é que será na escola? Não vai haver uma educadora de plantão ao meu filho, não é? O miúdo vai-me andar a cair pelol cantos todo roto, a adormecer-me de cansaço às sete da tarde e a acordar às seis porque já dormiu o suficiente?
E a comida? Ele não come sozinho e tudo tem de estar muito bem picado e cortado. A fruta, por exemplo, tem de ser mesmo passada, que quando experimento dar-lhe aos pedaços deita tudo pela boca fora como se lhe estivéssemos a dar cocó.
E há mais, há muitas mais preocupações, daquelas malucas, de mãe. No fundo, sei que tudo vai correr bem e que ele vai acabar por adaptar-se como acontece com toda a gente. Mas enquanto não vejo isso, ando aqui que nem posso. Ai o meu rico menino.
quarta-feira, junho 15, 2011
A consulta de desenvolvimento
É oficial. O Rodrigo TEM de ir para a escola IMEDIATAMENTE.
Esta foi a mensagem da pediatra do desenvolvimento, que diz estar um pouco preocupada com o retrocesso que o baby teve na linguagem, aliado ao facto de manipular os objectos ainda de uma forma muito primária para a idade (23 meses). O Rodrigo já devia empilhar e encaixar coisas e a única coisa que faz é continuar a levar tudo à boca. Por isto, a médica disse que ele deve entrar já na creche, para percebermos se estes atrasos no desenvolvimento são apenas ambientais ou se é outro problema qualquer. E esta parte do outro problema qualquer é que me apoquenta. A pediatra não avançou mais nada explicando que ainda é muito cedo para diagnosticar o que quer que seja. “Vamos pô-lo na escola e depois vê-se”. Entretanto, pediu-me para estar vigilante a actos eventualmente obsessivos, o que me leva a entender que ela pode estar desconfiada de alguma perturbação do desenvolvimento dentro do espectro do autismo. O que ao mesmo tempo me deixa tranquila, não sei explicar, mas acho mesmo que o Rodrigo não tem nada.
Enfim... uma coisa é certa: já começou a correria pelas escolas de Mafra. E depois de Setembro o puto tem dois meses para começar a falar, que é quando tenho nova consulta de desenvolvimento marcada. Mas nada de pressões, nada de pressões.
Esta foi a mensagem da pediatra do desenvolvimento, que diz estar um pouco preocupada com o retrocesso que o baby teve na linguagem, aliado ao facto de manipular os objectos ainda de uma forma muito primária para a idade (23 meses). O Rodrigo já devia empilhar e encaixar coisas e a única coisa que faz é continuar a levar tudo à boca. Por isto, a médica disse que ele deve entrar já na creche, para percebermos se estes atrasos no desenvolvimento são apenas ambientais ou se é outro problema qualquer. E esta parte do outro problema qualquer é que me apoquenta. A pediatra não avançou mais nada explicando que ainda é muito cedo para diagnosticar o que quer que seja. “Vamos pô-lo na escola e depois vê-se”. Entretanto, pediu-me para estar vigilante a actos eventualmente obsessivos, o que me leva a entender que ela pode estar desconfiada de alguma perturbação do desenvolvimento dentro do espectro do autismo. O que ao mesmo tempo me deixa tranquila, não sei explicar, mas acho mesmo que o Rodrigo não tem nada.
Enfim... uma coisa é certa: já começou a correria pelas escolas de Mafra. E depois de Setembro o puto tem dois meses para começar a falar, que é quando tenho nova consulta de desenvolvimento marcada. Mas nada de pressões, nada de pressões.
quinta-feira, junho 02, 2011
A propósito dos pepinos
(Episódio ridículo da minha vida quando ainda não se falava da bactéria E. Coli)
Há cerca de três semanas fui comprar legumes para fazer uma sopa. Andava naquelas semanas da dieta e decidi comprar curgetes para evitar tanta batata no puré. Lampeira, comprei numa embalagem daquelas já pesadas com dois belos exemplares. Pus os outros legumes e quando começo a cortar as curgetes reparo que têm umas pevides que nunca tinha visto antes. Espreitei a medo a etiqueta da embalagem e deparei-me com "pepinos de agrião". Ups. Tinha acabado de comprar pepinos a pensar que eram curgetes, ainda por cima de agrião, seja lá o que isso for. Que vergonha. Mesmo assim, decidi não sucumbir à batata e avancei com a minha sopa com pepinos. Olhem, nem se notou. Impecável. Saborosa. Pronto, admito, um pouco indigesta. Mas cá estou. Fina.
Há cerca de três semanas fui comprar legumes para fazer uma sopa. Andava naquelas semanas da dieta e decidi comprar curgetes para evitar tanta batata no puré. Lampeira, comprei numa embalagem daquelas já pesadas com dois belos exemplares. Pus os outros legumes e quando começo a cortar as curgetes reparo que têm umas pevides que nunca tinha visto antes. Espreitei a medo a etiqueta da embalagem e deparei-me com "pepinos de agrião". Ups. Tinha acabado de comprar pepinos a pensar que eram curgetes, ainda por cima de agrião, seja lá o que isso for. Que vergonha. Mesmo assim, decidi não sucumbir à batata e avancei com a minha sopa com pepinos. Olhem, nem se notou. Impecável. Saborosa. Pronto, admito, um pouco indigesta. Mas cá estou. Fina.
quarta-feira, junho 01, 2011
Ups!
Tenho de arranjar uma escola para o Rodrigo. Os meus pais já têm muito trabalho a controlar a traquinice dos seus quase dois anos (faz para o mês que vem) e já me pesa na consciência ver que ao fim do dia, quando vou buscá-lo, eles estão derreados, a transpirar, numa espécie de euforia tresloucada.
Se por um lado a pediatra diz que era bom ele estar mais um ano com os avós por causa dos bicharocos todos que se apanham na escola e que no caso dele, por ser prematuro, podem virar bichos mesmo muito maus, por outro tenho a sensação que lhe fazia bem estar com outros miúdos e habituar-se a outras disciplinas. De modo que ando a convencer o pai a pô-lo numa escola para o próximo ano. Acho também que era bom para desenvolver a linguagem. O Rodrigo diz três palavras, já chegou a dizer mais, mas deixou de o fazer. E pronto, acho que vou fazer isso. Procurar uma escola. Snif, snif.
Se por um lado a pediatra diz que era bom ele estar mais um ano com os avós por causa dos bicharocos todos que se apanham na escola e que no caso dele, por ser prematuro, podem virar bichos mesmo muito maus, por outro tenho a sensação que lhe fazia bem estar com outros miúdos e habituar-se a outras disciplinas. De modo que ando a convencer o pai a pô-lo numa escola para o próximo ano. Acho também que era bom para desenvolver a linguagem. O Rodrigo diz três palavras, já chegou a dizer mais, mas deixou de o fazer. E pronto, acho que vou fazer isso. Procurar uma escola. Snif, snif.
quarta-feira, maio 25, 2011
Vejam só como o puto charila está grande
terça-feira, maio 24, 2011
Agora tenho duas pessoas na família a dizerem-me que o Rodrigo é hiperactivo.
Bom, de facto o Rodrigo é muito activo, mas penso que ainda é cedo para fazer um diagnóstico desses. De qualquer forma vou falar disso à médica, uma vez que para o próximo mês ele tem mais uma consulta de desenvolvimento, por ter nascido prematuro.
Do que estive a ler, há sintomas que encaixam, mas outros não. Por exemplo, ele dorme onze a doze horas seguidas durante a noite e é capaz de estar sentado (preso, claro) a ver televisão durante uma a uma hora e meia. Um miúdo hiperactivo não faz isto, acho.
Bom, de facto o Rodrigo é muito activo, mas penso que ainda é cedo para fazer um diagnóstico desses. De qualquer forma vou falar disso à médica, uma vez que para o próximo mês ele tem mais uma consulta de desenvolvimento, por ter nascido prematuro.
Do que estive a ler, há sintomas que encaixam, mas outros não. Por exemplo, ele dorme onze a doze horas seguidas durante a noite e é capaz de estar sentado (preso, claro) a ver televisão durante uma a uma hora e meia. Um miúdo hiperactivo não faz isto, acho.
quinta-feira, maio 19, 2011
Como o sucesso de uma dieta é relativo
Uma pessoa está de dieta e perde cinco quilos. Uma pessoa vê outras que lhe dizem: “Bem, estás mais magra!” O nosso coração pula de alegria, de orgulho e queremos ouvir mais. “Achas mesmo?” E as respostas saem como facas afiadas. Uma diz: “Sim, noto imenso nas pernas”. A outra responde: “Sim, tens a cara muito mais estreita”. Irra! Mas quais pernas e quais cara? Eu quero é que me falem da barriga, da barriga. Humpf!
terça-feira, maio 17, 2011
help me again
Preciso de uma grávida que tenha passado o Verão com barriga enorme, pernas inchadas e essas coisas aborrecidas da gestação em tempo de férias. Anyone?
sexta-feira, abril 29, 2011
E fico assim
Acabei de ver o casamento do príncipe e fiquei com vontade de me casar outra vez. E claro, chorei. Mas sou assim com todos os programas. Por exemplo, vejo o Peso Certo e combino que no dia seguinte também vou começar uma dieta para perder assim aos cinco quilos por semana; vejo o Querido Mudei a Casa e combino ir comprar papel de parede e molduras novas para dar uma volta ao hall; vejo a Cate e os oito filhos e combino que também vou ter um rancho de filhos. Resumindo: Sou uma Maria vai com as outras.
terça-feira, abril 26, 2011
A minha dieta
Isto da Páscoa não veio nada a calhar para a minha dieta. Não resisto às amêndoas nem ao folar e com esta brincadeira já ganhei um quilo dos quatro que tinha perdido. E esta barriga que não vai embora, hein? Bom, eu vou chegar lá (preciso de perder mais cinco), mas esta semana também não vai ser fácil. Estou de férias com o pirralho e ando sempre de volta da cozinha.
Rodrigo recomeçou hoje a andar sozinho. Ainda com muito medo, mas a andar sozinho. Estou feliz por isso.
Rodrigo recomeçou hoje a andar sozinho. Ainda com muito medo, mas a andar sozinho. Estou feliz por isso.
sexta-feira, abril 22, 2011
Ajuda
Há por aí alguma mãe que tenha agora as primeiras férias com um bebé e que não se importe de me responder a umas perguntinhas para um trabalho? Mandem-me mail e eu explico melhor a coisa. Gracias.
terça-feira, abril 19, 2011
Soco no estômago
A minha mãe fez 64 anos. Houve uma festa muito linda com a família toda reunida e a geração mais nova do clã – onde se inclui o meu filho Rodrigo, o mais caçula – a animar as hostes. Às tantas, o meu pai, que é da mesma idade da madrecita (meu Deus, eles são tão certinhos em tudo) diz-me com o ar mais natural do mundo, num momento em que estávamos a sós: “Também eu já só devo cá estar para aí mais cinco anos”. “O quê pai, o que é que estás para aí a dizer?”. “É verdade, a esperança média de vida não é assim tão alta, eu e a tua mãe devemos estar por aqui mais cinco, seis anos”. Foi como um soco no estômago. Eles estão tão bem. Mas a verdade é que sim, daqui a cinco seis anos estão nos 70 e a morte pode chegar. Só de pensar nisso tenho calafrios. Depois penso que o Rodrigo ainda é muito piriri e gostava que eles estivessem ao lado dele por muitos e mais anos. Enfim, mudei de conversa. Mas fiquei a bater mal com aquilo. E hoje, tungas, a mensagem de um grande amigo que ficou sem o pai. E a trovoada ontem à noite. Irra, que uma frase perdida no meio de uma conversa da treta às vezes bate-nos forte. E hoje estou assim. Meio aflita.
segunda-feira, abril 18, 2011
quinta-feira, abril 14, 2011
Fim-de-semana para "descansar"


A ideia até era boa. Ir passar um fim-de-semana ao Algarve para descansar. Tá bem tá. Com o Rodrigo no auge da sua endiabrice (21 meses) e sem a autonomia suficiente para brincar à sua maneira sem se aborrecer, posso dizer que a única altura em que descansei um bocadinho foi na hora e meia que ele dormiu a seguir ao almoço, no domingo.
Para começar, e apesar de me considerar uma pessoa bastante prática, a logística para passar uma noite fora (a 300 quilómetros do conforto do lar, onde tudo já está montado para servir o príncipe) não é fácil. No meio de uma série de coisas essenciais que não podem faltar ao bebé, andei eu toda maltrapilha por terras algarvias, pois fiz a minha mala sem pensar. Do Rodrigo, nem uma falha a apontar!
Na viagem para baixo a grande luta foi tentar com que ele não adormecesse. O puto charila tem uma determinada hora para dormir e quando calha fugir dessa regularidade é bem capaz de me passar a noite toda de olhos bem abertos a querer brincar na escura madrugada. E, sinceramente, nem eu nem o pai estávamos dispostos a passar a única noite fora em claro.
Bom, chegados ao nosso destino, toca de fazer piscina e praia e todas essas coisas que se fazem no Algarve quando o sol aquece. Mas o sol aquecia mesmo e baby fazia de tudo para não permanecer na sombra. Obrigado, fez um berreiro tal, que fomos literalmente expulsos pelos olhares dos casais que se encontravam na piscina a tentar ler, ouvir o mar ali tão perto, ou os passarinhos.
Recambiados dali, e com um Rodrigo nada satisfeito por não poder estar permanentemente com os pés de molho na piscina para os bebés, fomos adiantando as coisas para ir jantar fora. Àparte a quantidade de guardanapos rasgados, paliteiros, bocados de pão, palhinhas, rolhas e outras lixeiras que existem num restaurante para entreter petizes, tudo correu bem e regressámos pela noite ao chalé já com o bebé a dormir.
No domingo experimentámos a praia. Como já contei aqui, o Rodrigo ficou com medo de andar e por isso depende bastante de nós para ir aos sítios que ele bem entende. De maneiras que a nossa praia foi andar de rabo para o ar e costas curvadas a segui-lo para onde ele ia. Brincadeira preferida? Gatinhar ferozmente até à água, sem ter, obviamente, qualquer noção de perigo e voltando a fazer berreiro quando chegava àquela linha por nós imaginada de o voltarmos a pôr mais acima na areia. E tudo começava outra vez. Não sei quantos quilos de areia ele comeu nesse dia, nem quero saber. Pelo meio, mais uma vez, o calor, a árdua tarefa de colocar protector, a muda de fraldas sempre com birra e muita areia colada por todo o corpo, and so on and so on.
Ok, houve mil e uma brincadeiras, mil e um momentos bons, centenas de fotografias pelo meio, mas que esta é uma fase cansativa, isso é. Para terminar em beleza, no dia em que chegámos ao nosso doce lar, o Rodrigo tinha o peito e as costas cheias de pequenas borbulhas vermelhas, penso eu que resultado do calor. Ou isso, ou alergia ao creme protector. Ainda ando a descobrir.
A aproveitar para descansar na semana de trabalho que iniciei no dia seguinte, vou agora pensando nas férias que se avizinham. Ui, quinze dias. Ahhhhhhhh!
segunda-feira, abril 04, 2011
Porque é que tem de haver sempre alguma coisa com a qual nos preocupamos com os nossos filhos?
Agora o Rodrigo (20 meses) deixou de andar sozinho. Já andava tão bem, sempre atrás de mim pela casa pelo seu pé e sem grandes quedas e agora ficou com medo. D esde sexta-feira que só anda se lhe der a mão ou se tiver algo a que se agarrar. Caso contrário, esgueira-se de imediato para o chão para ir a gatinhar. Já experimentei deixá-lo numa zona mais ampla em pé e fica completamente em pânico. Que nos tivéssemos apercebido, não houve qualquer queda aparatosa ou outro susto. E eu fico logo tão preocupada. A ver se não demora muito a passar.
segunda-feira, março 14, 2011
A minha angústia
Antes de mais conversa, desculpem a ausência aqui do burgo. Não tem nada a ver com má vontade, mas sim com falta de tempo. Mesmo. No meu trabalho mal tenho tempo para me coçar e em casa ligar o computador dá uma trabalheira.
Enfim, hoje cá estou. E para vos falar de um caso que vi na televisão e que me deixou angustiada. Eu sei que sou mulher de fáceis angústias, mas este caso marcou-me mesmo. Foi num programa desses de cantilenas em busca de novos talentos. Um dos miúdos que cantava tinha o imrão gémeo na plateia. Ambos têm oito, nove dez anos, por aí, mas vivem separados. Depois do divórcio dos pais, cada um ficou com o seu progenitor. Isto é uma crueldade, não é? Separarem-se os miúdos? Isto é de um egoísmo enorme por parte destes pais, não é? (Eu fico com um menino, tu focas com o outro e ficamos os dois felizes).
Só queria que vissem o abraço que estes dois irmãos deram em palco. Só queria que vissem a minha angústia no sofá a pensar: “Isto não se faz, não há direito. Haveria certamente outras soluções mais difíceis para estes pais, mas certamente mais humanas para estes manos, obrigados a uma separação forçada.
Enfim, hoje cá estou. E para vos falar de um caso que vi na televisão e que me deixou angustiada. Eu sei que sou mulher de fáceis angústias, mas este caso marcou-me mesmo. Foi num programa desses de cantilenas em busca de novos talentos. Um dos miúdos que cantava tinha o imrão gémeo na plateia. Ambos têm oito, nove dez anos, por aí, mas vivem separados. Depois do divórcio dos pais, cada um ficou com o seu progenitor. Isto é uma crueldade, não é? Separarem-se os miúdos? Isto é de um egoísmo enorme por parte destes pais, não é? (Eu fico com um menino, tu focas com o outro e ficamos os dois felizes).
Só queria que vissem o abraço que estes dois irmãos deram em palco. Só queria que vissem a minha angústia no sofá a pensar: “Isto não se faz, não há direito. Haveria certamente outras soluções mais difíceis para estes pais, mas certamente mais humanas para estes manos, obrigados a uma separação forçada.
segunda-feira, fevereiro 14, 2011
Meu querido São Valentim
Antes de qualquer outra coisa, dizer que gosto do teu nome. Não do São, entenda-se, mas do Valentim. Adoro.
Então é assim: Eu queria que tu hoje desses uma perninha lá em casa para que consiga comemorar o teu dia como deve de ser. Ou seja, preciso que me deixes na sala um saco de lenha e pinhas para dar um ambiente mais romântico à sala, uma vez que nem eu nem ele vamos ter tempo de fazê-lo. E a verdade é que o radiador não dá o mesmo ambiente.
Depois, bom, depois queria que acalmasses o Rodrigo, que só tem 18 meses, eu sei, mas que dava jeito que hoje ficasse muito tempo a ver desenhos animados sossegado, que não quisesse andar de um lado para o outro da casa, que comesse tudo à primeira e que não cuspisse sopa para cima de mim, como gosta de fazer, para que na noite de namoro não paire no ar o cheiro de sopa de peixe com massa. Queria ainda que ás oito da noite já estivesse deitadinho no seu leito, para eu e ele começarmos os festejos.
De seguida, queria, por favor, que dissesses aos japoneses/chineses lá de Mafra que eu e ele estamos a pensar ir lá buscar sushi e que devem, por isso, fazer muitos califórnias e outras variantes de salmão com frutas, para que não fiquemos lá à espera que façam mais. Será lá pelas seis e meia. Tratas disso?
Bom, não te esqueças daquele presentinho que fiz questão de pedir, e, para terminar, não me dês dores de barriga nem de qualquer outra espécie, que a noite está dedicada à beijoquice e era muito aborrecido se isso acontecesse, pois não passaria da lady na mesa.
Obrigada pela tua atenção,
Anette
PS: A lenha pode ser azinho, há lá acendalhas.
Então é assim: Eu queria que tu hoje desses uma perninha lá em casa para que consiga comemorar o teu dia como deve de ser. Ou seja, preciso que me deixes na sala um saco de lenha e pinhas para dar um ambiente mais romântico à sala, uma vez que nem eu nem ele vamos ter tempo de fazê-lo. E a verdade é que o radiador não dá o mesmo ambiente.
Depois, bom, depois queria que acalmasses o Rodrigo, que só tem 18 meses, eu sei, mas que dava jeito que hoje ficasse muito tempo a ver desenhos animados sossegado, que não quisesse andar de um lado para o outro da casa, que comesse tudo à primeira e que não cuspisse sopa para cima de mim, como gosta de fazer, para que na noite de namoro não paire no ar o cheiro de sopa de peixe com massa. Queria ainda que ás oito da noite já estivesse deitadinho no seu leito, para eu e ele começarmos os festejos.
De seguida, queria, por favor, que dissesses aos japoneses/chineses lá de Mafra que eu e ele estamos a pensar ir lá buscar sushi e que devem, por isso, fazer muitos califórnias e outras variantes de salmão com frutas, para que não fiquemos lá à espera que façam mais. Será lá pelas seis e meia. Tratas disso?
Bom, não te esqueças daquele presentinho que fiz questão de pedir, e, para terminar, não me dês dores de barriga nem de qualquer outra espécie, que a noite está dedicada à beijoquice e era muito aborrecido se isso acontecesse, pois não passaria da lady na mesa.
Obrigada pela tua atenção,
Anette
PS: A lenha pode ser azinho, há lá acendalhas.
quarta-feira, fevereiro 09, 2011
Sobre a minha obsessão por grávidas
Sou obcecada por grávidas. É inexplicável e, que me lembre, manifesta-se desde os meus 23 anos. Desde essa altura que me lembro de ficar absolutamente fascinada com grávidas e de começar eu própria a querer ter um filho. (Só vim a ser mãe aos 32, pelo rumo que a minha vida amorosa levou).
Quando alguém muito próximo me anuncia que está em estado de graça fico fora de mim e entro em delírio. Da última vez, até fiquei fisicamente indisposta quando uma amiga me deu a boa nova. Mas o fenómeno não se dá apenas com pessoas que me estão próximas. Mesmo nos casos de mulheres que não me dizem grande coisa, recebo a novidade e emociono-me. Choro. E elas ficam a olhar para mim, incrédulas, provavelmente a pensar que estou a atravessar por um período depressivo da minha vida. Mas não. Emociono-me de verdade porque acho que é das coisas mais fantásticas da Natureza.
Gosto de ir vendo as barrigas crescer. E se dependesse da minha vontade acompanharia todas as ecografias das minhas amigas. Lá estariam elas na marquesa, os maridos ao lado, e depois eu... numa cadeirinha, toda contente, com as mãos pousadas em cima das pernas. Eu até acho que elas já fogem de mim. Mas não consigo dar conta deste fascínio. E claro está que me vejo a ter quatro, cinco, seis filhos. Depois desço à terra e percebo que não é nada disso que se vai passar. Ainda hoje no carro, sozinha para os meus botões: “Já tenho 33 anos, se não me despachar nem aos três chego”. E entristeço-me, quase a bater no lancil. Entristeço-me porque não posso apressar a minha vida, correndo o risco de tropeçar nela.
Quando alguém muito próximo me anuncia que está em estado de graça fico fora de mim e entro em delírio. Da última vez, até fiquei fisicamente indisposta quando uma amiga me deu a boa nova. Mas o fenómeno não se dá apenas com pessoas que me estão próximas. Mesmo nos casos de mulheres que não me dizem grande coisa, recebo a novidade e emociono-me. Choro. E elas ficam a olhar para mim, incrédulas, provavelmente a pensar que estou a atravessar por um período depressivo da minha vida. Mas não. Emociono-me de verdade porque acho que é das coisas mais fantásticas da Natureza.
Gosto de ir vendo as barrigas crescer. E se dependesse da minha vontade acompanharia todas as ecografias das minhas amigas. Lá estariam elas na marquesa, os maridos ao lado, e depois eu... numa cadeirinha, toda contente, com as mãos pousadas em cima das pernas. Eu até acho que elas já fogem de mim. Mas não consigo dar conta deste fascínio. E claro está que me vejo a ter quatro, cinco, seis filhos. Depois desço à terra e percebo que não é nada disso que se vai passar. Ainda hoje no carro, sozinha para os meus botões: “Já tenho 33 anos, se não me despachar nem aos três chego”. E entristeço-me, quase a bater no lancil. Entristeço-me porque não posso apressar a minha vida, correndo o risco de tropeçar nela.
segunda-feira, janeiro 31, 2011
E aconteceu
sexta-feira, janeiro 28, 2011
O bicho
Apanhei um bicho maluco faz hoje oito dias. Uma constipação maluca que parece não ter fim e que vai saltitando a seu belo prazer entre os mais variados sintomas que uma constipação pode ter. Ainda não estou boa. E pior, espalhei o bicho maluco à minha volta. Rodrigo foi o primeiro. Felizmente não fez febre, mas a brincadeira já valeu uma ida às urgências com ele, para lhe observarem os ainda frágeis pulmões. Acho que está a ir embora, mas ainda lá anda, a estragar-lhe as noites. A estragar-me as noites. Depois, foi o Zé que apanhou. Seguiu-se a minha mãe e hoje já está o meu pai. Gente. Afastem-se de mim que eu estou perigosa, contagiosa, peganhenta, quase letal. Pus a família toda a máscaras e não há maneira desta bicharada toda que me invadiu o nariz e brônquios se ir embora. No meio de toda esta cambada de doentes, só peço mesmo que o Rodrigo melhore. É que nós sabemos tossir, assoar, cuspir e ficar deitadinhos, drogados até ao pescoço e a transpirar que nem cães. Ele não sabe, tadinho.
quinta-feira, janeiro 20, 2011
Desculpem pela ausência
Ai que eu tenho andado tão desnaturada com este meu cantinho, que tantas alegrias me traz e que alimento já desde há tantos anos.
Bom, para dar seguimento ao post anterior, dizer que o Rodrigo já dorme novamente a noite inteira, trataram-se de episódios de excitação nocturna por perceber que está a crescer e que já se põe em pé e coisas dessas que têm a ver com o desenvolvimento.
Entretanto, já comprei o intercomunicador. Depois de um exaustivo e cuidado estudo de mercado, optei pelo último modelo da Chicco que faz de tudo, com muito carinho e perfeição.
Tirar o Rodrigo do nosso quarto é que está mais complicado. O pai continua a fazer-se de esquecido quanto ao assunto e, como a transferência implica retirada de portas e levantamento de pesos para levar para a arrecadação, ainda não me iniciei na tarefa. Mas acho que desta semana não passa.
Mais coisas... Ah, o Rodrigo está a começar a comer alimentos de gente, os ditos “sólidos”. E eu tenho-me rido bastante, numa boa disposição disfarçada de preocupação por estar a ver o caminho mal parado. É que ele cospe tudo, faz caretas, chora, semicerra os olhos como que a pedir-me para o salvar. Em vez de comer ervilhas, brinca com elas, em vez de comer batatas, esmaga-as entre os dedos, em vez de comer o frango, atira com ele para o chão. E rasga um sorriso quando vê que já chega daquela brincadeira e vem a sopa, toda passadinha, seguida da fruta, igualmente triturada. E andamos nisto... mas há apenas dois dias.
O trabalho, esse, redobrou. Eu, que até agora era uma felizarda por ter uma mãe maravilhosa que me fornece as sopas do baby em caixinhas que é só pôr no microondas, vejo-me agora a ter de organizar refeições de faca e garfo, variadas e com legumes para dar ao Rodrigo. No primeiro dia até transpirei. Parecia uma maluca com panos pendurados ao ombro, vapores a virem-me para a cara, pegas numa mão, tachos na outra e penso que um dos meus pés estava a tentar dar atenção e tomar conta do Rodrigo. Acho que não deu conta do recado.
E sobre mim? Que há a dizer? Que preciso de me organizar urgentemente para ter tempo para mim. Essa é que é essa.
Bom, para dar seguimento ao post anterior, dizer que o Rodrigo já dorme novamente a noite inteira, trataram-se de episódios de excitação nocturna por perceber que está a crescer e que já se põe em pé e coisas dessas que têm a ver com o desenvolvimento.
Entretanto, já comprei o intercomunicador. Depois de um exaustivo e cuidado estudo de mercado, optei pelo último modelo da Chicco que faz de tudo, com muito carinho e perfeição.
Tirar o Rodrigo do nosso quarto é que está mais complicado. O pai continua a fazer-se de esquecido quanto ao assunto e, como a transferência implica retirada de portas e levantamento de pesos para levar para a arrecadação, ainda não me iniciei na tarefa. Mas acho que desta semana não passa.
Mais coisas... Ah, o Rodrigo está a começar a comer alimentos de gente, os ditos “sólidos”. E eu tenho-me rido bastante, numa boa disposição disfarçada de preocupação por estar a ver o caminho mal parado. É que ele cospe tudo, faz caretas, chora, semicerra os olhos como que a pedir-me para o salvar. Em vez de comer ervilhas, brinca com elas, em vez de comer batatas, esmaga-as entre os dedos, em vez de comer o frango, atira com ele para o chão. E rasga um sorriso quando vê que já chega daquela brincadeira e vem a sopa, toda passadinha, seguida da fruta, igualmente triturada. E andamos nisto... mas há apenas dois dias.
O trabalho, esse, redobrou. Eu, que até agora era uma felizarda por ter uma mãe maravilhosa que me fornece as sopas do baby em caixinhas que é só pôr no microondas, vejo-me agora a ter de organizar refeições de faca e garfo, variadas e com legumes para dar ao Rodrigo. No primeiro dia até transpirei. Parecia uma maluca com panos pendurados ao ombro, vapores a virem-me para a cara, pegas numa mão, tachos na outra e penso que um dos meus pés estava a tentar dar atenção e tomar conta do Rodrigo. Acho que não deu conta do recado.
E sobre mim? Que há a dizer? Que preciso de me organizar urgentemente para ter tempo para mim. Essa é que é essa.
terça-feira, dezembro 21, 2010
A dormir em pé
O Rodrigo não dorme. De há duas semanas para cá, dia sim, dia sim, dia não (que é quando o deito à uma da manhã), o Rodrigo acorda a meio da noite, género duas, três ou quatro da manhã, e demoro cerca de duas a três horas até que adormeça de novo. Esta noite foi das duas e meia às seis e, como é de calcular, eu e o pai andamos a dormir em pé. O Rodrigo não chora, acorda a rir, e fica sossegado no nosso colo com os olhos semi-cerrados. Só ao fim de duas a três horas é que entre novamente em sono profundo e, mesmo assim, temos de colocá-lo na cama dele com muito cuidado e em silêncio, para não acordar. Ando desesperada de cansaço. As noites mal dormidas rebentam com qualquer um e não sei o que fazer. De dia ele nem dorme muito. Dorme uma hora ao fim da manhã e outra hora pelas quatro, cinco da tarde. Adormeço-o para o sono longo pelas onze horas, começando a embalá-lo por volta das dez. E andamos nisto.
Para ajudar à festa, deixou de querer leite. Nem com água lhe consigo enfiar o biberão na boca. Ou seja, o miúdo está só a beber o leite que ponho na papa da manhã. Ai, mãe sofre.
Para ajudar à festa, deixou de querer leite. Nem com água lhe consigo enfiar o biberão na boca. Ou seja, o miúdo está só a beber o leite que ponho na papa da manhã. Ai, mãe sofre.
sexta-feira, dezembro 17, 2010
terça-feira, dezembro 14, 2010
A sustentável leveza da minha mala
Ando com a mala de mão sempre tão pesada que quando entro no carro e a poiso no banco do pendura começo a ouvir os apitos para pôr o cinto no lugar do passageiro.
segunda-feira, dezembro 13, 2010
A D. Rosário
Não há mesmo gente perfeita. A D. Rosário, a minha empregada, é um espectáculo na sua missão de me deixar a casa num brinco, mas tem uma personalidade filha-da-p***. Sem maldade (isso já percebi), é muito inconveniente e, basicamente, leva o tempo a mandar bocas que me fazem subir ao tecto e descer e pensar: “Anette, tu tem calma que a mulher passa-te a roupa que é um espectáculo e não há grão de pó que lhe escape. Ah, e faz máquinas da loiça e da roupa e estende logo tudo, e apanha e ainda me arruma os móveis da cozinha por dentro. Ui, e lava-me os biberãos”.
Epá, mas às vezes diz coisas que me caem mesmo mal. Género: “Ó Dona A., então ainda não comprou os resguardos para as almofadas e para o colchão?”(tom muito imperativo). “Ai, olhe ainda não tive tempo”. Respostazinha: “Pronto, você é que sabe”. Outra. Toca à campainha e eu ainda a dormir em pé dou as duas voltas à fechadura e abro-lhe a porta. “Possa! Parece uma caixa forte”. Mais. “Dona A. esta toalha já está lavada mas ficou ainda cheia de nódoas”. “Ah, sim, deixe-a aí a um canto que eu mando limpar. Pu-la na máquina sem esfregar as nódoas primeiro.” “Pois, a gente faz as coisas sem pensar e depois...” E andamos nisto, numa relação de amor/ódio onde o meu interesseirismo acaba por falar sempre mais alto.
Epá, mas às vezes diz coisas que me caem mesmo mal. Género: “Ó Dona A., então ainda não comprou os resguardos para as almofadas e para o colchão?”(tom muito imperativo). “Ai, olhe ainda não tive tempo”. Respostazinha: “Pronto, você é que sabe”. Outra. Toca à campainha e eu ainda a dormir em pé dou as duas voltas à fechadura e abro-lhe a porta. “Possa! Parece uma caixa forte”. Mais. “Dona A. esta toalha já está lavada mas ficou ainda cheia de nódoas”. “Ah, sim, deixe-a aí a um canto que eu mando limpar. Pu-la na máquina sem esfregar as nódoas primeiro.” “Pois, a gente faz as coisas sem pensar e depois...” E andamos nisto, numa relação de amor/ódio onde o meu interesseirismo acaba por falar sempre mais alto.
terça-feira, dezembro 07, 2010
Era isto mas já não é
Fui lançada para o Oeiras Parque pronta a comprar estes calções com alças da LA Kids para o Rodrigo vestir no Natal. Adoro aquela flanela grossa e o padrão bem apropriado para a época. Mas 40 euros (!!) por uns calções que vão deixar de servir ao fim de pouco tempo arrepanha-me o coração - cá está uma expressão bem bonita "arrepanha-me o coração". Porque uma coisa é quando estamos a comprar um artigo que, tudo bem, é caro, mas vai ser usado até ficar russo e com buracos. Outra coisa é gastar um dinheirão para roupas que o Rodrigo acabará por vestir três ou quatro vezes. Vai daí acabámos por fazer a festa na Zara. Gastámos 100 euros, mas trouxemos uns calções com suspensórios, uma camisa, dois collants, um casaco de malha e um casaco canadiana para este frio de rachar. Vale ou não vale a pena?
segunda-feira, dezembro 06, 2010
E toca a votar
Por questões afectivas, o meu apelo ao voto na Missão Sorriso vai para o projecto do Hospital de Santa maria, onde o Rodrigo nasceu. O link de voto é http://www.missaosorriso.continente.pt/descricao.php?guid=31c51d0a-33f4-102e-859e-89880da61d9b e segue a descrição: O nosso projecto consiste na aquisição de 2 simuladores para organização de cursos de formação em emergência pediátrica e estabilização da criança gravemente doente para médicos e enfermeiros de pediatria de Norte a Sul de Portugal, incluindo Açores e Madeira. O curso será desenhado de um modo intensivo e interactivo. Se votar no nosso projecto cada formando enfrentará situações clínicas distintas em que terá que realizar o diagnóstico e o tratamento, podendo observar a resposta imediata, tal como se fosse em casos reais.
domingo, dezembro 05, 2010
Segui o conselho e recomendo
A minha querida amiga Pipoca é uma mulher de boas ideias e boas dicas. Vai daí, segui o conselho e comprei o cd da Leopoldina.Amo! A sério, as reinterpretações das nossas músicas infantis estão o máximo e ainda me emocionei numa ou duas. Fraquinho o arranjo do Legendary Tiger Man que, por ser um fofo, fica desculpado desta vez. Toca a comprar, um euro vai para a Missão Sorriso. O cd custa três.
terça-feira, novembro 30, 2010
Consultório II
Hoje fui outra vez ao doutor. O tal espanhol da lanterna nos olhos e das agulhas que nos diz os males do passado, presente e futuro. E não é que o raio do homem voltou a acertar na muche? Há duas semanas que ando maluca do meu estômago e hoje, quando me apontou a luz para a íris, disse logo no seu português atabalhoado: “Xii, o seu estômago mui malo, que passa?”. O homem até acerta bem no diagnóstico, mas depois não me convence muito na parte das ampolas, gotas e chazinhos. Aí, parece que estou a ir um bocadinho na conta do vigário. Os ditos medicamentos naturais compram-se lá mesmo no consultório e custam os olhos da cara. Mas pronto, vou continuar os tratamentos por mais algum tempo, até porque me tenho sentido substancialmente melhor. A ver.
segunda-feira, novembro 29, 2010
Burra, burra

O cabelo andava brilhante, reluzente, com vida. E eu andava feliz, a mostrar a toda a gente que se cruzava na minha casa de banho o novo sérum da Lancaster que andava a aplicar no cabelo, a seguir ao banho, sem enxaguar.
Até que um dia... bom, até que um dia (tipo ontem) estou a ler uma revista e vejo uma publicidade ao meu produto milagreiro e dou conta que é um produto de beleza, sim senhora, mas para... o rosto. Ups. Andei a pôr no cabelo um creme para o rejuvenescimento da pele. Que figurinha meu Deus. Enfim, verdade seja dita, durante estes dias nem uma borbulhinha, um equizema, uma ruga sequer, neste meu lindo cabelo.
quinta-feira, novembro 25, 2010
O Rodrigo na Pais & Filhos de Dezembro (já nas bancas)

E pronto. Já está nas bancas a edição de Dezembro da revista Pais & Filhos, onde se publica um artigo sobre o meu filho Rodrigo, prematuro de 27 semanas. Foi, sem dúvida, o artigo que mais me custou a escrever ao longo dos meus dez anos de jornalismo, mas também o que mais me preencheu. Digamos que me obrigou a fazer a catarse de tudo o que se passou. Aliás, nada como verbalizar.
Para completar o ramalhete, a minha querida amiga MJC deixou-me escrever na primeira pessoa, o que tornou este trabalho ainda mais especial. É claro que pretendo comprar entre cinco a seis exemplares, para garantir que exista pelo menos um para quando o Rodrigo estiver preparado para entender como foi o seu início de vida. Estou mesmo feliz com o resultado. Mesmo.
terça-feira, novembro 23, 2010
O quarto
Bom, e parece chegada a hora do Rodrigo começar a dormir no quarto dele. Finalmente, aos 16 meses (!!), consegui convencer o pai de que seria o melhor para o bebé. Até agora, tem encarado esta mudança como se o filho tivesse 18 anos e nos estivesse a dizer que ia sair de casa para morar sozinho. Também não se dá o caso de termos uma mansão imensa e haver aquela coisa do Rodrigo ficar muito afastado de nós durante a noite. Nada disso. No nosso humilde T2 os quartos são mesmo pegadinhos e arrisco a dizer que mesmo com as portas fechadas ouve-se um punzinho de um lado para o outro.
Enfim, lá se combinou que em Janeiro se fazia essa transição. O primeiro passo já foi dado, que foi pedir orçamentos para aquecer o seu chalé. A proposta mais forte até agora são os radiadores RCM, presos à parede, que ligam e desligam sozinhos para manter a temperatura desejada. Pareceu-me bem, mas também não sou muito expert na matéria.
O segundo passo será comprar então um intercomunicador com imagem, para vigiarmos o baby. E aqui tenho algumas dúvidas, porque os modelos variam e as mariquices também. Aquela treta ainda é cara (pelo que tenho visto para cima de 140 euros) e convém fazer a escolha acertada. Se alguma das ilustres mamãs ou dedicados papás me puder auxiliar ficaria muito agradecida.
segunda-feira, novembro 22, 2010
Ai ai
Que já me andam a perguntar o que quero para o Natal e ainda não tive tempo de me organizar. Quero muitas coisas, mas como ainda não parei para pensar, acabo por responder “qualquer coisa”. Burra, burra, que vou acabar a noite de Natal deprimida com caixas de bombons, pijamas e collants do chinês no colo.
E como mais vale prevenir do que remediar, aqui seguem algumas das coisas que me podem oferecer:

Netbook Sony

Zara

Mango

Sim, porque não?

Mango

Modelador e cabelo
Em actualização permanente...
E como mais vale prevenir do que remediar, aqui seguem algumas das coisas que me podem oferecer:

Netbook Sony

Zara

Mango

Sim, porque não?

Mango

Modelador e cabelo
Em actualização permanente...
quarta-feira, novembro 17, 2010
À beira do milagre
Eu tanto pedi, tanto pedi, que quase tenho. Lembram-se caros amigos e caras amigas do meu desespero face a uma alergia mistério que me punha numa cama de hospital a ir desta para melhor de cada vez que fazia exercício físico? Pois bem. Depois de muitos testes e de muito dinheiro gasto em médicas que não souberam dar resposta ao meu caso, eis que descobri uma imunoalergologista que me garantiu no corredor de um hospital que sabe do que falo, e que isto tem tratamento. Ah, pois é! Vou poder voltar a fazer uma das coisas que mais gosto, malhar, transpirar, correr, ficar com os músculos a doer. Agora, é só marcar consulta com ela e esperar que a senhora doutora saiba mesmo do que está a falar.
Só espero que o Rodrigo não venha a “herdar” estas minhas alergias malucas. Para já, e que se tenha descoberto, é alérgico à calar de ovo, mas os índices são muito baixos e pode vir a desaparecer rapidamente. Até aos dois anos, não há cá coisas com clara para o menino. Enfim, do mal o menos.
Só espero que o Rodrigo não venha a “herdar” estas minhas alergias malucas. Para já, e que se tenha descoberto, é alérgico à calar de ovo, mas os índices são muito baixos e pode vir a desaparecer rapidamente. Até aos dois anos, não há cá coisas com clara para o menino. Enfim, do mal o menos.
sexta-feira, novembro 05, 2010
Alternativa
Ando com agulhas espetadas no meu corpo. É verdade. Nas orelhas, no peito, no ombro e, até esta manhã, no nariz. Tudo porque andava um pouco nervosa e a subir paredes e com falta de ar e mais mil e uma tretas inexplicáveis que me tiram qualidade de vida. Vai daí, o Zé falou-me de um médico espanhol muito catita que através da nossa íris detecta os nossos males e trata-nos. Apesar de muito céptica lá fui. Cheguei, disse o nome e a idade e espequei os meus lindos olhos nos dele. E não é que o raio do homem acertou em todas as minhas efermidades? Sim, já sei que vão dizer que também não era difícil, visto eu padecer sempre de muitas coisas e várias. Ok. Mas a verdade é que ele me poderia ter falado em coisas que eu realmente não tenho nem sinto. Tais como: dores nos rins, unhas encravadas, enxaquecas, dores no estômago, dores nas articulações. Enfim, ele podia ter dito mil e uma coisas, mas a primeira que lhe saiu mal olhou para os meus olhos foi: “É uma pessoa muito nervosa e muito ansiosa”. Eu caladita que nem um rato, inexpressiva. E continuou por ali fora, sempre a acertar no que me apoquentava. No fim espetou-me agulhas, daquelas que ficam connosco meses, e deu-me uns chás, tudo natural. Nos dois primeiros dias andei ainda pior, a chicotear-me por ter ido perder tempo em métodos que nunca iriam ultrapassar o meu cepticismo. Mas ao terceiro dia o sol brilhou. Ao terceiro dia desapareceram os meus males e já lá vai uma semana e sinto-me mesmo fantástica. É dos chás? É das agulhas? Não sei nem quero saber. Estou bem e isso é meio caminho andado para andar mais feliz.
Explicação: as agulhas que tinha em cada lado da cana do nariz (para respirar melhor) eram, de facto, muito desconfortáveis e estavam sempre a sair. Tirei-as, com autorização do sô doutor.
Explicação: as agulhas que tinha em cada lado da cana do nariz (para respirar melhor) eram, de facto, muito desconfortáveis e estavam sempre a sair. Tirei-as, com autorização do sô doutor.
quinta-feira, outubro 07, 2010
Coisas em bom português
Há um aviso afixado na casa de banho da empresa onde trabalho onde se lê: "Por questões de segurança mantenha a casa de banho limpa". Por questões de segurança? Hum? Quanto muito por questões de saúde pública, não? Ou o patrão está com medo que a malta escorregue num cocó? Ou que uma sanita rebente por estar entupida com papel? Hum?
quinta-feira, setembro 23, 2010
segunda-feira, setembro 20, 2010
Rosário
Amanhã encontro marcado com a alegada nova empregada de limpeza cá de casa. Estou desejosa de lhe ver a dentadura.
Ela casou, eu chorei (três vezes!!!), nós dançamos, elas beberam. O casamento da querida Pipoca foi das coisas mai lindas que se viu. Melhor? Só mesmo o meu, desculpem lá qualquer coisinha. Divertido, emocionante, original. E agora venham mais dois, já no próximo fim-de-semana.
quinta-feira, setembro 09, 2010
Senhora precisa-se
A minha empregada anunciou hoje que não pode continuar a fazer a limpeza, que hoje era o último dia porque estava com problemas em casa. Más notícias logo pela manhã, porque apesar de ela não ter aquele dentinho à frente, ajudava-me bastante na lida da casa e eu quero continuar a ter fins-de-semana livres e com o lar todo "impéc".
Ainda tentei puxar por ela para perceber que tipo de "problemas lá em casa" a impediam de vir trabalhar quatro horas uma vez por semana, mas ela não se descoseu muito. E então fiquei a pensar se ela não se teria fartado dos quilos de roupa que eu tenho sempre para ela passar. Ou de nunca ter jogos de toalha de casa de banho completos. Ou então de eu e o Zé nos esquecermos sempre de levantar dinheiro para lhe pagarmos o mês e de no próprio dia andarmos ali ao pé dela a empurrar um para o outro quem vai à rua levantar. Ou então do meu aspirador não ser bom, desde o segundo dia que ela faz questão de levar o aspirador dela, que é muito bom.
Mas não, o Zé conseguiu depois puxar mais por ela (é melhor comercial do que eu sou jornalista) e, de facto, há mesmo "problemas lá em casa".
De maneiras que agora preciso de uma senhora para me fazer a limpeza e assim. Uma "senhora de confiança", como se diz sempre, não que eu tenha muitos valores lá em casa - a jóia mais valiosa que tinha era a minha aliança de casamento que já foi roubada -, mas já que vai andar lá por casa, gostava que fosse boazinha, de preferência sem um dentinho à frente, para nunca me esquecer do bem que me fez esta D. Irene. Uma querida.
Ainda tentei puxar por ela para perceber que tipo de "problemas lá em casa" a impediam de vir trabalhar quatro horas uma vez por semana, mas ela não se descoseu muito. E então fiquei a pensar se ela não se teria fartado dos quilos de roupa que eu tenho sempre para ela passar. Ou de nunca ter jogos de toalha de casa de banho completos. Ou então de eu e o Zé nos esquecermos sempre de levantar dinheiro para lhe pagarmos o mês e de no próprio dia andarmos ali ao pé dela a empurrar um para o outro quem vai à rua levantar. Ou então do meu aspirador não ser bom, desde o segundo dia que ela faz questão de levar o aspirador dela, que é muito bom.
Mas não, o Zé conseguiu depois puxar mais por ela (é melhor comercial do que eu sou jornalista) e, de facto, há mesmo "problemas lá em casa".
De maneiras que agora preciso de uma senhora para me fazer a limpeza e assim. Uma "senhora de confiança", como se diz sempre, não que eu tenha muitos valores lá em casa - a jóia mais valiosa que tinha era a minha aliança de casamento que já foi roubada -, mas já que vai andar lá por casa, gostava que fosse boazinha, de preferência sem um dentinho à frente, para nunca me esquecer do bem que me fez esta D. Irene. Uma querida.
sexta-feira, setembro 03, 2010
Fui praxada toma lá que já almoçaste
E aos 13 meses o Rodrigo teve pela primeira vez febre.
Ele com a temperatura a bater nos 39,5 e eu a sentir-me com 45 graus de febre, aflita que fiquei por não saber bem o que fazer ou o que ele tinha. Chorei, pois claro que chorei. O bebé passou uma noite infernal e nem o Ben-u-ron conseguia dar conta do recado. Passei a noite em claro a tentar baixar-lhe a temperatura do corpo e a acalmá-lo. De manhã, acabei por ir com ele às urgências e lá se descobriu uma amigdalite viral. Tadinho do meu piolho. Tem pontinhos brancos e tudo, que eu fiz questão de espreitar. No meio de tanta coisa, fiquei contente por saber a razão da febre. Estava com medo que viessem com aquela conversa dos dentes, que eu acho que é o que dizem sempre quando não conseguem descobrir nada. É um pouco como a versão dos gases para os adultos. “Ah, isso devem ser gases”.
A médica falou em três dias de febre, mas felizmente foi só um. Hoje já não tem, mas continua sem conseguir comer. O que eu penso logo? “Ai que o miúdo vai ficar fraquinho e vai-me desaparecer que ele já é tão magrinho”. Isto, até ouvir outras mães dizerem-me que é normal e que depois recuperam num instante. Não come, está rabujento e chora aos berros quando o deitamos para mudar a fralda. Será que ficou traumatizado por causa das maldades que o médico lhe fez para ver o que ele tinha? Escusado será dizer que no meio disto tudo, estou olheirenta, cansada e com mais, sei lá, para aí uns seis cabelos brancos novos. Espero que amanhã o puto charila já esteja melhor para voltarmos às nossas brincadeiras e para poder voltar a ver-lhe o sorriso.
Pergunta: Os supositórios têm aquela forma de foguetão, certo? Ora bem, toda a minha vida os enfiei no rabo pela parte em bico. Pois no hospital, a enfermeira disse-me que não era assim que se colocavam, mas sim com a parte mais larga. Alguém sabe isto? É que na altura e com os nervos acatei, mas acho sinceramente que não tem muita lógica.
Ele com a temperatura a bater nos 39,5 e eu a sentir-me com 45 graus de febre, aflita que fiquei por não saber bem o que fazer ou o que ele tinha. Chorei, pois claro que chorei. O bebé passou uma noite infernal e nem o Ben-u-ron conseguia dar conta do recado. Passei a noite em claro a tentar baixar-lhe a temperatura do corpo e a acalmá-lo. De manhã, acabei por ir com ele às urgências e lá se descobriu uma amigdalite viral. Tadinho do meu piolho. Tem pontinhos brancos e tudo, que eu fiz questão de espreitar. No meio de tanta coisa, fiquei contente por saber a razão da febre. Estava com medo que viessem com aquela conversa dos dentes, que eu acho que é o que dizem sempre quando não conseguem descobrir nada. É um pouco como a versão dos gases para os adultos. “Ah, isso devem ser gases”.
A médica falou em três dias de febre, mas felizmente foi só um. Hoje já não tem, mas continua sem conseguir comer. O que eu penso logo? “Ai que o miúdo vai ficar fraquinho e vai-me desaparecer que ele já é tão magrinho”. Isto, até ouvir outras mães dizerem-me que é normal e que depois recuperam num instante. Não come, está rabujento e chora aos berros quando o deitamos para mudar a fralda. Será que ficou traumatizado por causa das maldades que o médico lhe fez para ver o que ele tinha? Escusado será dizer que no meio disto tudo, estou olheirenta, cansada e com mais, sei lá, para aí uns seis cabelos brancos novos. Espero que amanhã o puto charila já esteja melhor para voltarmos às nossas brincadeiras e para poder voltar a ver-lhe o sorriso.
Pergunta: Os supositórios têm aquela forma de foguetão, certo? Ora bem, toda a minha vida os enfiei no rabo pela parte em bico. Pois no hospital, a enfermeira disse-me que não era assim que se colocavam, mas sim com a parte mais larga. Alguém sabe isto? É que na altura e com os nervos acatei, mas acho sinceramente que não tem muita lógica.
quarta-feira, setembro 01, 2010
Estou feita ao bife
Tenho três casamentos em breve - dois no mesmo dia, vai ser a p*** da loucura - e nem um vestidinho pelo qual caia para o lado. Mas o pior: saber que a seguir ao vestido vou ter de enfrentar um problema chamado "sapatos e mala". Até lá, cabeleireiro, depilação, maquilhagem, logística (sim , quando se é mãe tem de se pensar na logística), presentes. Felizmente, e entretanto, férias. Uma semana.
segunda-feira, agosto 30, 2010
As primeiras férias
E já passaram os meus dias de férias. Não posso dizer "as minhas duas semanas" porque este ano pus o gajo a tratar disso e deu numa linda coisa que foi uma semana e três dias de férias. "Hã? Humm? Mas por que não duas semanas Zé? Por que razão marcaste uma semana e três dias?" Daqui só dá mesmo para pareceber uma coisa: para o ano fico eu com esse pelouro. Leva com três semanas seguidas que até anda de lado, que é assim que eu gosto.
Continuando. As férias já lá vão, mas descansar que era bom, muito pouco. Aqui a menina, que em anos anteriores estava habituada a estender-se ao sol durante horas infindas a enfiar sandes, gelados, e bolas de Berlim no bucho, esteve este ano dedicada ao mais pirralho da família, ao Rodrigo. E tudo muda. Praia nas alturas pouco escaldosas, refeições a horas, despertar às nove e meia... O puto é que mandou no estaminé e não havia cá pão para malucos. O melhor? Tudo. O pior? Andar na praia ou na piscina em biquíni, de rabo para o ar, para lhe conseguir segurar as mãos enquanto ele treina o seu andar. E como ele treina, Meu Deus! Ai o que aquele miúdo quer andar. Eu bem o atafolhava de brinquedos na sombrinha do chapéu para ele ficar ali sossegado, mas nada a fazer. Ele queria dar voltas, muitas voltas. E ainda não consegue fazê-lo sozinho. Infelizmente ou não, já não digo nada, também não gatinha. O meu filho desloca-se com a barriga encostada ao chão, numa espécie de rastejo que ele lá inventou, mas que utiliza só em último recurso.
E então, escusado será dizer que estou com as minhas costas feitas num oito. Eu e o pai, que também entrou ao serviço. Mau, mau, era quando durante esta missão e debaixo de um calorzinho insuportável começava a sentir-me descomposta. Uma maminha quase de fora e o biquíni a querer desaparecer por entre as bimbas como se não houvesse amanhã. E eu naquela triste figura, de mãe empenhada e deicada, a pensar "Ai que eu tenho de soltar uma mão ao miúdo para me arranjar. Ai Rodrigo que vais bater com o teu trombil fofo na pedra da piscina mas é por uma boa causa, para a mamã ficar mais bonita, tá?".
Em Setembro há mais. E tirando serem umas férias mais cansativas, correu tudo optimamente bem. O bebé come tudo e mais alguma coisa, não estranha camas, dorme na praia, na piscina, aguenta-se bem me restaurantes, adora o mar, e, acima de tudo, diverte-nos imenso com as palhaçadas que começa a soltar.
Continuando. As férias já lá vão, mas descansar que era bom, muito pouco. Aqui a menina, que em anos anteriores estava habituada a estender-se ao sol durante horas infindas a enfiar sandes, gelados, e bolas de Berlim no bucho, esteve este ano dedicada ao mais pirralho da família, ao Rodrigo. E tudo muda. Praia nas alturas pouco escaldosas, refeições a horas, despertar às nove e meia... O puto é que mandou no estaminé e não havia cá pão para malucos. O melhor? Tudo. O pior? Andar na praia ou na piscina em biquíni, de rabo para o ar, para lhe conseguir segurar as mãos enquanto ele treina o seu andar. E como ele treina, Meu Deus! Ai o que aquele miúdo quer andar. Eu bem o atafolhava de brinquedos na sombrinha do chapéu para ele ficar ali sossegado, mas nada a fazer. Ele queria dar voltas, muitas voltas. E ainda não consegue fazê-lo sozinho. Infelizmente ou não, já não digo nada, também não gatinha. O meu filho desloca-se com a barriga encostada ao chão, numa espécie de rastejo que ele lá inventou, mas que utiliza só em último recurso.
E então, escusado será dizer que estou com as minhas costas feitas num oito. Eu e o pai, que também entrou ao serviço. Mau, mau, era quando durante esta missão e debaixo de um calorzinho insuportável começava a sentir-me descomposta. Uma maminha quase de fora e o biquíni a querer desaparecer por entre as bimbas como se não houvesse amanhã. E eu naquela triste figura, de mãe empenhada e deicada, a pensar "Ai que eu tenho de soltar uma mão ao miúdo para me arranjar. Ai Rodrigo que vais bater com o teu trombil fofo na pedra da piscina mas é por uma boa causa, para a mamã ficar mais bonita, tá?".
Em Setembro há mais. E tirando serem umas férias mais cansativas, correu tudo optimamente bem. O bebé come tudo e mais alguma coisa, não estranha camas, dorme na praia, na piscina, aguenta-se bem me restaurantes, adora o mar, e, acima de tudo, diverte-nos imenso com as palhaçadas que começa a soltar.
sexta-feira, julho 30, 2010
Eles
Só mesmo um grupo de homens para se entreterem durante uns largos minutos a mostrarem uns aos outros como são as cartas de condução de cada um. Irra.
Adenda: Festa de um ano do Rodrigo foi um sucesso. Apesar da casa a abarrotar não foi preciso deitar nenhuma parede abaixo. Menos mal.
Adenda: Festa de um ano do Rodrigo foi um sucesso. Apesar da casa a abarrotar não foi preciso deitar nenhuma parede abaixo. Menos mal.
quinta-feira, julho 22, 2010
Um ano de vida
terça-feira, junho 22, 2010
Quem é vivo sempre aparece
Que ausência enorme deste meu blog que há um ano foi a minha companhia e o meu muro de lamentações e mais algumas coisas. Mas quem é vivo sempre aparece (que é uma expressão que eu gosto muito) e cá estou eu para dar as últimas novidades.
O Rodrigo fez hoje onze meses e está um espectáculo. Está a desenvolver-se muito bem e, embora não faça todas as coisas que um bebé da idade dele faz, dá para perceber que está a seguir bem o seu caminho. É pequenito, mas faz-se valer. É cabeçudo, sai ao pai. Tem o meu nariz, não tenho a menor dúvida. E começa agora a fazer das dele, porque quer andar a mexer em tudo, quer andar pela casa toda sem no entanto conseguir fazê-lo sozinho e palra e ri muito. Agora começo é já a pensar na festinha dele de um ano. Não sei bem o que fazer, mas quero que seja muito especial. Vou ali deitar-me na cama para pensar nisso um bocadinhom, pode ser?
O Rodrigo fez hoje onze meses e está um espectáculo. Está a desenvolver-se muito bem e, embora não faça todas as coisas que um bebé da idade dele faz, dá para perceber que está a seguir bem o seu caminho. É pequenito, mas faz-se valer. É cabeçudo, sai ao pai. Tem o meu nariz, não tenho a menor dúvida. E começa agora a fazer das dele, porque quer andar a mexer em tudo, quer andar pela casa toda sem no entanto conseguir fazê-lo sozinho e palra e ri muito. Agora começo é já a pensar na festinha dele de um ano. Não sei bem o que fazer, mas quero que seja muito especial. Vou ali deitar-me na cama para pensar nisso um bocadinhom, pode ser?
terça-feira, maio 18, 2010
domingo, maio 09, 2010
E já foi
Uma semana de férias que soube a pouco. O tempo não ajudou, mas sempred eu para esplanar um dia ou outro. Acima de tudo deu para alinhavar e treinar logístics para ir à rua com o Rodrigo. Os dias foram mais ou menos assim. Bebé a colaborar e a deixar-nos dormir até às onze. Nada mau! Depois começa a correria. Mais uma horita e já está na hora de ele almoçar. Convém haver sopa de carne ou peixe feita e fruta para lhe dar. Confesso que um dia ou outro não tinha uma das coisas e lá foi desenrasca de boião. Num abrir de fechar e olhos é uma da tarde e eu e o pai começamos aí a pensar o que vamos nós almoçar. Enquanto um vai fazendo umas coisas o outro fica de olho no baby, que está naquela fase de ainda não gatinhar e de querer andar ao colo em vários recantos da casa para mexer naquelas coisas que ele lá acha graça. Coisas que ficam sempre em posições que nos fazem doer os braços, longe de uma televisão, de um sofá e na zona mais fria da casa. Depois de comermos é arranjar tudo para sairmos. Biberões, papas, frutas, iogurtes, fraldas, termo com água quente, brinquedos e mais isto e mais aquilo. Sair. E não dar conta que já são oito da noite e que está na hora de voltar para casa. E dar banhos, e dar vitaminas e entretê-lo nas birrinhas da noite. Ah, é verdade, temos de jantar qualquer coisa. E apesar de todo este cansaço e correria continua a ser tão bom. Xiça. Que isto de ser mãe é mesmo uma coisa inexplicável. Xiça. Que já passou a tal semana de férias e ainda estou cansada. Xiça. Que este Verão é que eu quero ver como vai ser com a tralha toda para a praia e calor. Muito calor.
terça-feira, abril 27, 2010
sexta-feira, abril 16, 2010
Só dizer que ando assim para o cansado, mas que está tudo bem. O Rodrigo está à beira de completar nove meses e está com quase oito quilos e quase com 67 centímetros. E pensar que chegou às 800 gramas e que nasceu com 38 centímetros. Irra. Continua um bebé muito tranquilo, tadito, querido. Já tem dois dentes. Dorme como um anjo e come sopa, papa e fruta com ganas. O trabalho é que me mata. Os dias são pequenos para a quantidade de coisas que quero fazer. De maneiras que ando cansada. Quando reequilibrar as energias conto as minhas últimas peripécias.
segunda-feira, março 22, 2010
Perdi a cabeça
Estava hoje a sair de um café com uma sandes para o almoço, quando um anormal de um homem na casa dos 50 decidiu que era boa altura para disfarçadamente me apalpar o rabo enquanto eu passava por ele. Perdi a cabeça e dei-lhe um sopapão-estalo-cacetada tão grande na tola que ele nem percebeu muito bem se estava ao balcão ou onde é que estava. Como se isso não bastasse, fiz-lhe uma gritaria em pleno estabelecimento com o dedo em riste onde disse uma série de coisas com sentido mas que já nem me lembro e obriguei-o a pedir-me desculpa pelo que tinha feito. Saí porta fora e desatei num pranto de nervos, enquanto o dono do café me pedia desculpa. Já nem me soube bem a porcaria da sandes. E agora vou-me deitar para esquecer este episódio que já não vivia há uns 18 anos, quando andava no liceu. Ele há com cada uma.
sábado, março 20, 2010
Coisas muito parvas que uma mãe hipocondríaca dá por si a fazer
Contam-se pelos dedos das mãos e dos pés e ainda das mãos e dos pés de toda a vizinhança aqui do bairro as vezes que já fui ver se o bebé estava a respirar enquanto dorme.
quarta-feira, março 17, 2010
Crise de identidade
Há dias tive um serviço que metia muita pequenada junta, barulhenta, irreverente. Miúdos naquela idade dos oito, nove anos, em que elas se divertem em frente a uma vidraça a fazer as coreografias da Beyoncé e em que eles têm aquele bigodito muito ridículo, que ainda não dá para rapar mas que já se vê ao longe.
Enfim, feito este intróito, dizia eu que estava no meio dessa pequenada, que esperava ansiosamente a chegada da Luciana Abreu, quando um grupo de quatro meninos se pôs a olhar para mim, a rir, a segredar e a olhar outra vez com sobrolhos franzidos. Fiquei inquieta. Um deles lá tratou de me dizer o seguinte: "Tu és mesmo parecida com o Nuno da biblioteca da nossa escola". Hã? "A sério, és igualinha ao Nuno da nossa escola, o da biblioteca". Hã?
Enfim, feito este intróito, dizia eu que estava no meio dessa pequenada, que esperava ansiosamente a chegada da Luciana Abreu, quando um grupo de quatro meninos se pôs a olhar para mim, a rir, a segredar e a olhar outra vez com sobrolhos franzidos. Fiquei inquieta. Um deles lá tratou de me dizer o seguinte: "Tu és mesmo parecida com o Nuno da biblioteca da nossa escola". Hã? "A sério, és igualinha ao Nuno da nossa escola, o da biblioteca". Hã?
quinta-feira, março 11, 2010
Coisas soltas da minha vidinha
Quando ando de elevador não consigo sentir se está a subir ou a descer. Às vezes vou com alguém e dizem-me "xi... agora estamos a ir pra cima". Dizem-no sem olhar para os botões, ou para setas, ou algo do género. Dizem-no porque sentem no corpo. E eu fico assim com cara de parva, sem sentir nada. Não é grave pois não?
Ando cansadita, pois que ando. O baby adormeceu agora. Vai dormir para aí meia horita e depois é festa até à meia-noite. Mas mantê-lo acordado agora é muito complicado.
Há uma semana que anda aos guinchos. Aprendeu a gritar e então passa horas a mostrar a novidade. Ui, e como mostra.
As minhas maminhas já não estão deprimidas. E eu também não. Já me desforrei no sushi, já ponho picante na comida, já posso voltar à depilação definitiva, já posso aclarar o cabelo com tintas carregadinhas de amoníaco. E é uma delícia ver o baby a agarrar o biberão com as duas mãozitas.
Entretanto, a monotonia instalou-se aqui no lar. Passo a explicar. O senhor meu marido almoça todos os dias em casa e agora está numa de querer comer frango todos os dias. Arghh, que o bicho com penas já me cansa. Ele é no forno, é guisado, de caril, às coxas, à padeiro. Irra.
Esta semana chorei e disse muitas asneiras. Estacionei o carro num sítio dúbio (mas sem estorvar ninguém) e fui presenciada com dois maléficos riscos. Feios, fundos, dispendiosos. Não se faz. E o carro que é novo e tão lindo.
Novidade: consegui que o senhor meu marido me arranjasse uma empregada. Tããão bom. É a Dona I., querida, sem um dentinho à frente, mas muito querida. Tão querida que o meu gajo dizia-me há pouco: "Opá vamos dar uma limpeza geral para ela não ficar com má ideia nossa". Pois, pois.
Uma solução óptima visto que a senhora sem um dentinho à frente também passa a ferro. É que contratei uma pequena empresa para me passar a ferro com entrega ao domicílio. Mas o raio das senhoras nãon atinam com os dias de entrega e a minha roupa anda por aí algures na zona saloia. Hoje, por exemplo, era o dia de me virem entregar o cesto e nada. E tanto jeito me dava umas coisas que tinha para lá.
De maneiras que é isto.
Ando cansadita, pois que ando. O baby adormeceu agora. Vai dormir para aí meia horita e depois é festa até à meia-noite. Mas mantê-lo acordado agora é muito complicado.
Há uma semana que anda aos guinchos. Aprendeu a gritar e então passa horas a mostrar a novidade. Ui, e como mostra.
As minhas maminhas já não estão deprimidas. E eu também não. Já me desforrei no sushi, já ponho picante na comida, já posso voltar à depilação definitiva, já posso aclarar o cabelo com tintas carregadinhas de amoníaco. E é uma delícia ver o baby a agarrar o biberão com as duas mãozitas.
Entretanto, a monotonia instalou-se aqui no lar. Passo a explicar. O senhor meu marido almoça todos os dias em casa e agora está numa de querer comer frango todos os dias. Arghh, que o bicho com penas já me cansa. Ele é no forno, é guisado, de caril, às coxas, à padeiro. Irra.
Esta semana chorei e disse muitas asneiras. Estacionei o carro num sítio dúbio (mas sem estorvar ninguém) e fui presenciada com dois maléficos riscos. Feios, fundos, dispendiosos. Não se faz. E o carro que é novo e tão lindo.
Novidade: consegui que o senhor meu marido me arranjasse uma empregada. Tããão bom. É a Dona I., querida, sem um dentinho à frente, mas muito querida. Tão querida que o meu gajo dizia-me há pouco: "Opá vamos dar uma limpeza geral para ela não ficar com má ideia nossa". Pois, pois.
Uma solução óptima visto que a senhora sem um dentinho à frente também passa a ferro. É que contratei uma pequena empresa para me passar a ferro com entrega ao domicílio. Mas o raio das senhoras nãon atinam com os dias de entrega e a minha roupa anda por aí algures na zona saloia. Hoje, por exemplo, era o dia de me virem entregar o cesto e nada. E tanto jeito me dava umas coisas que tinha para lá.
De maneiras que é isto.
terça-feira, março 02, 2010
A fonte secou
Tem havido lágrimas. Não muitas, não um lago de lágrimas, mas as suficientes para ficar com os olhos mais caídos e os lábios mais arqueados, como a minha mãe já tem do alto dos seus mais de 60 anos. Tudo porque o meu leite está a secar, está a acabar, a ir-se, a engolir-se para dentro.
As minhas maminhas estão descrentes e quando o Rodrigo as toma de assalto elas nem reagem e ficam-se. E eu fico-me também. Triste. Ao fim de sete meses sou obrigada a despedir-me de um dos momentos mais mágicos da minha relação com o meu filho. Uma mãe ontem dizia-me que as pupilas dos bebés dilatam quando se aproximavam da mama. Não sabia. Nunca estive atenta a isso. E ontem já fui tarde. Mas paciência. Este nó na garganta vai passar, como tantos outros que já tive e que pensei nunca mais conseguir desfazer. No final desfaço-os sempre. O que para já não tenho maneira de desfazer é o imbróglio que é ter de ir à cozinha no frio da noite e a dormir em pé para ir fazer e aquecer o biberão. Tenho as maminhas deprimidas.
As minhas maminhas estão descrentes e quando o Rodrigo as toma de assalto elas nem reagem e ficam-se. E eu fico-me também. Triste. Ao fim de sete meses sou obrigada a despedir-me de um dos momentos mais mágicos da minha relação com o meu filho. Uma mãe ontem dizia-me que as pupilas dos bebés dilatam quando se aproximavam da mama. Não sabia. Nunca estive atenta a isso. E ontem já fui tarde. Mas paciência. Este nó na garganta vai passar, como tantos outros que já tive e que pensei nunca mais conseguir desfazer. No final desfaço-os sempre. O que para já não tenho maneira de desfazer é o imbróglio que é ter de ir à cozinha no frio da noite e a dormir em pé para ir fazer e aquecer o biberão. Tenho as maminhas deprimidas.
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