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terça-feira, fevereiro 21, 2006

Carnaval que tal

Fez no dia 17 um ano que a Ana escreveu neste blog "A estreia" do Coisas que tal prespectivando um Espero que seja o início de uma longa viagem cheia de coisas boas (acho que podemos dizer que foi mesmo!) Também foi na passada sexta-feira que me tornei numa verdadeira balzaquiana. (Obrigada à Tacha, a ÚNICA a dar-me os parabéns virtuais ;-). E é neste clima punjente de comemorações que surje a festarola do Carnaval que tal... para assinalar o 1º aniversário e reunir a Liga dos amigos deste humilde blog. Convoca-se toda a Assembleia Geral a comparecer no Sábago, 25, pelas 10 da noite para convívio no Bicaense. Quem quiser pode ir mascarado, haverá prémio para o melhor e castigos para quem não aparecer. Até lá!

Meteorologia

. O poema encontrou as rimas no arco-íris de um dia ora nublado ora risonho. Instalou-se de armas e bagagens no movimento do cotovelo à mão que segura a caneta. Foi desenhando linhas curtas, porém os versos terminaram quando principiou a chover. Sentou-se então à espera da Primavera.
. Evaporar, condensar, cair como chuva, correr nos leitos dos rios e na lama dos caminhos, é o destino cíclico de uma gota de água. Tal e qual a vida dos sentimentos.
. Paixão é trovoada, raios e coriscos, descargas eléctricas e arrepios na espinha, o coração a resfolegar como se trovão. Depois da tempestade vem mesmo a bonança?
. Tirem-me por favor este Inverno das costas. Adivinho-me uma velha com reumatismo.

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

Isto é bonito

Ontem foi dia dos namorados. Passei o dia todo a ver passar rosas, corações de peluche, cuecas fio dental a dizer "esta é a tua noite", enfim... uma panóplia de coisas verdadeiramente lamechas e até ordinaronas. Mas a caminho de casa, apareceu a coisa mais linda de todas.
Entre as curvas sinuosas que ligam Mafra à Póvoa de Cima iam aparecendo cartolinas penduradas nas árvores com palavras soltas. Ao início não estava a perceber nada daquilo, mas depois de alguns quilómetros, as cartolinas foram fazendo sentido: E é amar-te....... assim ........ perdidamente.....é seres.....". E fiquei por aqui, o poema devia continuar para lá da Póvoa. Não é bonito?! Houve um maluco ou uma maluca qualquer que decidiu pendurar estas palavras no percurso para casa da sua cara-metade. Isto é bem bonito... ainda estou toda arrepiada.

terça-feira, fevereiro 07, 2006

« Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara. »
José Saramago in Ensaio sobre a Cegueira

sábado, fevereiro 04, 2006

Histórias verídicas cá da minha terra II

Depois do almoço, os meus pais vão sempre beber um cafezinho aqui ao café da zona que é o "Bolinhas". Ontem, lá estavam eles a beber a sua chavenazita quando aparece uma senhora que eles já conheciam aqui da zona, mas com a qual não tinham assim muita confiança.

A conversa começou e, para não ser indelicada, a minha mãe convidou a dita senhora a sentar-se. Lá começaram a falar, dos filhos, do tempo, das casas... Ela queria saber onde é que era exactamente a casa dos meus pais e tal...
Bom, enquanto a conversa se desenrolava na mesa, o dono do café, o senhor João, ia olhando de soslaio, mas bem atento ao que se estava ali a passar. Entretanto, a dita vizinha continuava sem perceber onde é que nós morávamos.

A minha mãe, para ir despachando a tarde, pediu licença e foi ao mini-mercado (que é dentro do café), e estava lá junto a uma preteleira quando o senhor João se chega devagarinho ao pé dela e começa: "Eu não gosto de estar neste papel, mas não me sinto bem se não vos avisar de uma coisa. É que a senhora que está sentada agora na mesa com o seu marido é doente... ela rouba as chaves de casa das pessoas para lá ir e roubar coisas. Está sempre a acontecer".

Um frio corre pela espinha da minha mãe enquanto de pescoço esticado vê o meu pai ainda na mesa a desdobrar-se em gestos para explicar da melhor forma onde é que a casa fica. Ao lado da chávena repousa incólume a frágil e ingénua chave. A minha mãe corre para lá e faz um daqueles olhares ao meu pai que só os casais que estão há mais de trinta anos juntos entendem e o meu ele lá se levanta despedindo-se da vizinha e agarrando na chave sem perceber que estava prestes a entregar o recheio da sua casa à maluca da Póvoa de Baixo.

Medo! Muito medo!

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

HÁS-DE aprender

Se há erro do português que me enerva profundamente* é este:
- Epá, "há-des" ver aquele filme...
(ou pior ainda, escrito como já li)
- "Ades" ouvir aquele som...
Não é assim, porra! Verbo haver: eu hei, tu hás, logo HÁS-DE quando se usa a forma na segunda pessoa. Do mesmo modo, o verbo haver = existir, logo não se pode escrever "ontem há tarde" ou coisas do género, mas dizer "há dois anos" está correcto. Por favor, mais atenção! E já agora: "Hades" é a divindade grega dos infernos...

* HÁ muitos outros erros que me irritam... e até pode começar aqui uma rubrica ao melhor estilo Edite Estrela; solicitam-se contribuições citando os erros ortográficos mais frequentes

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

Foto in loco

Fundació
Juan
Miró
...
Barcelona

terça-feira, janeiro 31, 2006

Gajo por um dia

Não chega a ser um daqueles desejos tipo génio da lâmpada, mas gostava de experimentar ser gajo por um dia. Nada de "Senhora Dona Lade" em versão macho... não desejo colar nenhum bigode e ir tomar conta do churrasco com a camisa aberta até à barriga; não me imagino com os amigalhaços a falar da bola enquanto coço a tomatada e atiro piropos às miúdas a palitar os dentes. Não, não me interesso nada por esse lado psicológico-latino-típico... o que eu queria mesmo era experimentar a parte biológica da questão, ou seja ter uma pila. Gostava de ser gajo por um dia para poder mijar em arco do alto de uma arriba, ou contra uma árvore, conhecer a sensação que é ter uma erecção, tocar à campainha e entrar pela porta em vez de a abrir. E depois voltar ao território feminino à meia-noite, antes de me transformar numa abóbora, e acordar... sequinha.

quinta-feira, janeiro 26, 2006

Alergia II - O regresso

Antes de mais peço desculpa por mais esta interrupção bloguística mas a verdade é que o jet set anda completamente louco e não tem dado descanso.

Obrigada Gui por manteres a chama acesa. Mas vamos lá a isso.

Suspendi o basquet. Durante o treino da última quinta-feira comecei outra vez com a reacção alérgica que já vos tinha contado e que tinha ocorrido durante um jogo em casa há cerca de um mês.
Como não posso desatar a inchar que nem uma louca e a levar doses de curtizona no rabo e na corrente sanguínea através de injecções dadas por enfermeiros que eu mal conheço, decidi suspender a actividade até as técnicas da medicina responderem à questão: Afinal ao que é que eu sou alérgica?

Estou triste. Acreditem ou não chorei baba e ranho quando vinha do hospital para casa mas a minha mãe ia a consolar-me com mensagens curtas e irritantes como: "Isso, descarrega que faz-te bem"; ou "depois inscreves-te na ginástica". Enfim, como podem ver o sentimento down já passou e já falo disto com uma certa naturalidade.

É que no fim de contas e depois de fazer (precisamente) umas contas cheguei a uma conclusão. Em 19 jogos, a minha equipa da Malveira conseguiu ganhar dois. O primeiro foi aquele em que apenas consegui jogar sete minutos e depois me deu a alergia;o segundo foi no fim-de-semana passado, jogo ao qual eu também não compareci por estar ainda combalida pelos efeitos da alergia.

Dispensam-se leituras aos factos aqui relatados e são proibidas piadas do género "a tua equipa só ganha quando tu não jogas".

Um abraço fraterno daqueles com espuma a lembrar os cantos da boca do nosso novo Presidente da República (Biéc)


Observação: (ainda sobre a alergia) O único factor comum nos dois dias em que comecei a inchar reside numas meias de basquet da Reebok que a esta altura já estão no lixo. Os meus pais acham que não é das meias. A minha vida é feita de histórias absurdas e a sorte é que eu gosto dela assim.

Cervejaria

. Da pressão do barril partiram os navegadores a largar âncora a leste, a passear o destino pelo Índico.
. Lisboa é uma mulher de sete curvas e outras tantas colinas. E dança.
. Dizem desta cidade que é egoísta como aranha tecendo teia à volta de um pires de tremoços.
. Querer viver vida apaixonada, abrindo portas e cortinas, criando laços.
. Dos cabelos espigados das searas, vai nascer a Primavera lá longe.

terça-feira, janeiro 24, 2006

These are (a lot of) my favourite things

moinhos de vento
castelos nas nuvens
castelos na areia
o cheiro dos livros velhos
o cheiro dos livros novos
paredes pintadas de fresco
fotografias de portas
flores nos parapeitos
caniçais à beira de falésias
praias desertas
gaivotas em terra
as folhas das árvores no Outono
fins de tarde no Verão
o cheiro da terra molhada
o cheiro das maças maduras
campanários de igrejas
instrumentos de sopro
águas-furtadas
lareiras a arder
lençóis quentes
canetas de aparo
postais de todas as cores e feitios
a palavra Fim num livro
a palavra Amor na vida
olhos a brilhar
o sorriso da minha sobrinha
mil sorrisos
coisas entre parêntesis
coisas que tal

segunda-feira, janeiro 23, 2006

Margarida Triste sem Manuel Alegre

Ontem à tarde, ao pôr uma cruz no boletim de voto, ainda me sobrava uma réstia de esperança, um sopro da vontade de mudança. O povo é soberano, não é o que dizem?; só não tem vocação para reinar... mas isso são outros quinhentos, mais outros tantos abstencionistas.

quinta-feira, janeiro 19, 2006

Coisas que tal segundo Fernando Pessoa

« (...)
Não tomando nada a sério, nem considerando que nos fosse dada, por certa, outra realidade que não as nossas sensações, nelas nos abrigamos, e a elas exploramos como a grandes países desconhecidos. E, se nos empregamos assiduamente, não só na contemplação estética mas também na expressão dos seus modos e resultados, é que a prosa ou o verso que escrevemos, destituídos de vontade de querer convencer o alheio entendimento ou mover a alheia vontade, é apenas como o falar alto de quem lê, feito para dar plena objectividade ao prazer subjectivo da leitura.
Sabemos bem que toda a obra tem que ser imperfeita, e que a menos segura das nossas contemplações será a daquilo que escrevemos. Mas imperfeito é tudo, nem há poente tão belo que o não pudesse ser mais, ou brisa leve que nos dê sono que não pudesse dar-nos um sono mais calmo ainda. E assim, contempladores iguais das montanhas e das estátuas, gozando os dias como os livros, sonhando tudo, sobretudo, para o converter na nossa íntima substância, faremos também descrições e análises, que, uma vez feitas, passarão a ser coisas alheias, que podemos gozar como se viessem na tarde.
(...) »
Fernando Pessoa in O Livro do Desassossego

quarta-feira, janeiro 18, 2006

Bom dia alegria!

« A gente só sabe que encontra a pessoa certa depois de encontrarmos as que são certas para os outros. »
Mia Couto

terça-feira, janeiro 17, 2006

« Vamos à Lua. Isso não é muito longe. O homem tem maior distância a cobrir para chegar ao mais íntimo de si próprio. »
Anais Nin

sábado, janeiro 14, 2006

Santos da casa

São Jorge era o dono de um castelo em Lisboa. A cada visitante cobrava 3 Euros pela maravilha de se poder espreitar a cidade da muralha. Cobrava 3 Euros fosse a nacional ou a turista, pois esse São Jorge era moderno de contas mas não consta que percebesse de bilhetes de identidade.

Época de saldos

Leiam, meninos, que é barato!
Terminou a saga d’ A Cidade Egoísta, e precisa-se ilustrador para as personagens do velho, da jovem e do empregado. Foi uma história comentada p’lo Paperspace ... e ouvi dizer que o gajo faz uns desenhos catitas... Foi um história incompreendida, como me disse o Cláudio do Ventoinha, mas que me deu prazer escrever e repetir até à exaustão. O Ventoinha também tem crónicas em saldo, as minhas às sextas-feiras - os Provérbios Provados, às segundas a Pipoca e às quartas a Leididi... essas grandes queridas.

O Coisas que tal prepara-se assim para o início da nova estação, com as novidades da Ana na imprensa cor-de-rosa (já "anteleio" posts hilariantes) e a mega-festa do primeiro aniversário, o "Carnaval que tal" !
... é a tua deixa, miga...

quinta-feira, janeiro 12, 2006

Já não estou desempregada

No dia da entrevista de trabalho não tive tempo de ir à pedicure, mas vá lá... não tive de mostrar os pés.

Bom, a verdade é que a coisa correu bem e que a partir de amanhã faço parte da "Nova Gente". Dito de outra maneira, o jet set que se ponha a pau porque agora é que as broncas vão rebentar.

Já estou com saudades das senhoras do Centro de Emprego mas acho que vou ultrapassar isso facilmente. Deixo, para já, a vida de desempregada graças ao meu talento profissional. Sim, eu estava aqui bem sossegadita quando o próprio Jacques Rodrigues (nada mais nada menos que o dono da Impala) me liga a dizer que eu que nem pense em ir para jornais de referência nem para televisões, que ele me queria era a mim, que eu era a melhor e que o meu trabalho jornalístico o tinha deixado verdadeiramente espantado. Foi então que acordei e percebi que uma amiga minha me conseguia pôr na revista.

Uma coisa fica desde já prometida. Vão ser os primeiros a saber das fofocas dos famosos. Só para abrir o apetite, já tive a informação de que o José Castelo Branco vai à redacção uma vez por semana. Logo aqui, devo ter pano para mangas.

E pronto, segue mais uma nova etapa da minha vida, desta feita na imprensa cor-de-rosa. Viva a Nova Gente! Fora a Lux! Fora a Caras!

Meu Deus, como isto já está!!

A Cidade Egoísta 12

« DOCAS
Escoa-se o tempo em cristalina areia
dia a dia, por entre os nossos dedos,
arrastando pra longe alguns segredos
diluídos na sombra de uma teia

cada vez mais anónima e alheia
à noite que começa. Tarde ou cedo,
é preciso aceitar, vencer o medo,
olhar a multidão que saboreia

as horas, os minutos, os segundos
à beira deste mar, em esplanadas
onde todos parecem estar assim

desde sempre, à procura de outros mundos
neste pequeno mundo e nos seus nadas,
nesta pequena vida até ao fim.
»
Fernando Pinto do Amaral

quarta-feira, janeiro 11, 2006

Histórias verídicas cá da minha terra

Aconteceu-me ontem, conta-se em poucas palavras e deixa-nos a pensar.

A Dona Fernanda mora em Mafra, já não vai para nova e farta-se de ganhar dinheiro com o negócio da lenha. É gente boa, é gente da terra. Ontem fui-lhe comprar uns troncos para a fogueira com uma puta de uma alergia que me fez andar a espirrar para cima de tudo o que era sítio e de tudo o que era gente. Bom... eu para ali a espirrar, a espirrar e a conversa começa.
- Menina, isso tá mau...hã?
- Sim, é alergia.
- Eu também tenho disso. Às vezes quando fico assim mais quieta começo a espirrar, a espirrar, é aos dez e aos onze seguidos, até me fica a doer o umbigo.

Fim de história

Questão: A doer o "umbigo"???!!!

terça-feira, janeiro 10, 2006

Não tenho tempo

Ai meu Deus! Amanhã tenho uma entrevista de trabalho. E só me avisam hoje, não há direito!! Vim só mesmo dar aqui um hello porque não tenho tempo para mais. Tenho de ir ao cabeleireiro, à manicure, à pedicure. Tenho de ir ver o que vestir. O mais certo é acabar mesmo numa loja de roupa afogada em camisolas, calças, saias e acessórios. Ai, ai! Se for saia, não era mal pensado ir à depilação. Convém dar também uma lavadela ao carro e aspirá-lo por dentro, não vá ter de dar uma boleia a alguém. Ai... porque é que as primeiras impressões são tão importantes?

domingo, janeiro 08, 2006

Os minutos de silêncio

Quem é que terá inventado o minuto de silêncio? A coisa deve ter sido mais ou menos assim: Fulano tal faleceu. "ÓManel diz aí umas palavritas." "Eu? não sei muito bem o que hei-de dizer. Fernando avança tu, é melhor." "É melhor? Então mas eu conheci-o uma semana antes de morrer!!". "Pronto, pronto, já sei, ninguém diz nada. Está o assunto arrumado".

Ontem, ao início de mais um jogo de basquet, um dos árbitros (esse grande larilas) anunciou-nos: "Atenção, vamos fazer meio minuto de silêncio". E eu arregalei-lhe logo os olhos com vontade de dizer: "Não faço!". Então não é?! Dizem-nos para ficarmos caladas e nós temos de ficar?? Mas por que carga de água? Quem é que morreu? Nem sei quem é que faleceu, vou pensar em quê?
Vá lá que já não era um minuto de silêncio, pelos vistos agora há a versão do meio minuto. Daqui a alguns anos é que vai ser bom. "Atenção, vamos fazer um segundo de silêncio... muito bem, quem é que vai buscar as jolas?".

Bom, certo certo é que cobardolas como só eu sou lá fiz a porcaria do meio minuto de silêncio em homenagem nem sei a quem. Mas para aí aos vinte segundos não aguentei e em sinal de protesto por estar a ser obrigada a calar-me ainda fiz um 'hrrum hrrum' de garganta.

É que nem eu nem ninguém naquele pavilhão sabia quem é que estava a merecer tal silêncio. Ou seja, aqueles trinta segundos tornam-se na coisa mais absurda que alguém jamais viu. Todos calados, com um ar muito sentido a olhar para o chão, mãos atrás das costas e depois em cada cabecinha, pensamentos diferentes: "Tenho de engraxar estas botas"; "Até me dói o rabo de ontem à noite"; ou, "a seguir a isto tenho de ir comprar uns bifes de perú".

A mim, nestas ocasiões, acontece-me sempre o mesmo."Epá, acho que estou com vontade de fazer chichi". Um pensamento já habitual quando, em pequena, no jogo das escondidas ficava ali tempos e tempos quieta à espera da melhor altura para salvar toda a gente e poder, finalmente, fazer chichi em paz.

sábado, janeiro 07, 2006

À beira do pontão pensava

Na manhã seguinte levantei-me cedo e cheirava a Ano Novo. Caminhei pela praia direta ao pontão, diposta a arrumar ideias, definições, resoluções, como se deve fazer quando um ano começa. Eram tantas as ideias, em luta por um lugar, enquanto à beira do pontão pensava... quis pô-las em fila, ordená-las por prioridade, deixar para o longo prazo as mais idealistas; rebelaram-se as ideias tentando sobrepôr-se entre si, querendo mais relevância, umas reclamando o arauto da mudança. Fiquei a pensar sem saber qual delas coroar, e deixei ficar então à beira do pontão um ponto de interrogação.

---
Obra de ficção por encomenda do amigo lobo em 2005. A esta hora eu descansava enrolada num saco-cama térmico como se ainda não fosse 2006. Bom ano www.docaminhar.blogspot.com

sexta-feira, janeiro 06, 2006

Pensamento de Ano Novo

Leva muito tempo tornarmo-nos jovens.

Pablo Picasso

quinta-feira, janeiro 05, 2006

O primeiro post do ano

Então vamos lá a isso....

O que quero que aconteça em 2006:

- Continuar a acreditar que o Pai Natal foi com os dois coelhinhos ao circo e que o Boca Doce é bom é!
- Que o Armando Gama recebesse um cheque-prenda do Instituto de Embelezamento Capilar.
- Que o José Cid abrisse esse instituto porque ainda não existe.
- Que uma colega minha do basquet tivesse mais tempo para ir à depilação e não se rapasse com a gilette no cubículo onde tomamos banho todas ao mesmo tempo.
- Que as grandes equipas de basquet me deixassem de assediar porque não é essa a carreira que quero seguir.
- Gostava de deixar de anunciar todas as manhãs que começo a fazer dieta amanhã.
- Conseguir dar gargalhadas sem som em determinadas ocasiões, nomeadamente em funerais.
- Ter mais do que quatro canais de televisão.
- Ter rede em casa.
- Ter telefone.
- Continuar com o subsídio de desemprego por tempo indeterminado pelo contributo que até agora já dei ao país.
- E, por último, continuar a tirar macacos do meu nariz no âmbito da minha higiene pessoal diária.
- Ah... esqueci-me de mais um ... que todos os meus puns fossem silenciosos.

Um bom ano para todos e que os vossos desejos se concretizem para logo a seguir arranjarem outros. Seus sôfregos!!

sexta-feira, dezembro 30, 2005

O fim do ano não é o fim do blog

Estimados ouvintes, cá estamos nós, em directo, quase quase a despedirmo-nos de 2005. Agradecemos aos 4 grandes queridos que enviaram os seus textos de Natal.
Prometemos continuar alegremente em 2006.
Fim de emissão.
... 5... 4... 3....

segunda-feira, dezembro 26, 2005

« URGENTEMENTE

É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.
»
Eugénio de Andrade

sábado, dezembro 24, 2005

Passatempo que tal

Às portas do final do nosso já bem sucedido passatempo de Natal, segue a contribuição do blogger Jubi (Jubi or not Jubi e Pontapé de Canto) onde se pode desde já antever um mãos largas à boa maneira americana. Aqui fica a sua mensagem, salpicada de sátira social.



Natal.
Ora aí está a época do ano que me transmite paz interior.
Porque será?
Porque não o ano todo?
Quero assim o ano todo!!!
O coração abre-se. (Só para alguns, porque no fundo, continuamos a 'não ir muito à bola' com aqueles que desprezamos durante todo o ano.)
Apetece-me oferecer, oferecer, dar, oferecer...mas para cumprir todos osmeus desejos doativos, eram necessários alguns trocos do Ti Belmiro de Azevedo. Para os cumprir na totalidade, é claro.
Mas ele que fique com os trocos, que eu cá me arranjo. Aposto que o meu Peru é mais 'inchado' que o dele.
Perdoem-me aqueles a quem eu queria dar alguma coisa e que o 'budget' já não permite.
Bem, também não lhes vou dar conta das minhas intenções, portanto, nunca saberão da minha missão falhada. Talvez para o ano.
Gosto de ver as pessoas a gastar sem estarem preocupadas. O Natal é isso mesmo, depois pensa-se nisso.
Um FELIZ NATAL para todos!!!!

Beijos para as 'Girls' e Abraços para os 'Boys'.

By Jubi

quarta-feira, dezembro 21, 2005

Passatempo que tal

Hoje publicamos o contributo do blogger Paperspace que não deixa o arrepio por mãos alheias. Num discurso que não faz rodeios à crueldade quotidiana desta quadra, aqui fica então uma mensagem que nos deixa a todos a pensar um bocadinho.



O Natal...

Faltam cinco dias para o Natal.
Paz, amor, amizade, harmonia, solidariedade, que bom que é o Natal.
Somos todos amigos e é nesta época que se ajudam os mais desfavorecidos (o que deveria acontecer quanto menos esperamos e a qq época do ano).

O Natal é bonito, as ruas estão iluminadas, nas ruas ouve-se música.

Mas depois um pensamento se sobrepõe a este bonito cenário, e esquece-se tudo o que há de bom no Natal. Faltam cinco dias para o Natal, e ainda nao comprei nada.

Os dias que correm e a sociedade que nos rodeia roubou de nós o verdadeiro significado desse dia que é o Natal. Nao se esqueçam do presépio, porque ainda é das poucas coisas que contempla o espírito natalício.

Nao se deixem levar por insignificâncias e que o Vosso Natal, seja repleto de Alegria e Paz sinceramente é o que eu desejo...
um Bom e Glorioso ano de 2006.

beijos & abraços

by PaperSpace

terça-feira, dezembro 20, 2005

Passatempo que tal

Mais uma mensagem natalícia verdadeiramente arrepiante. Desta feita, pela mão talentosa de QZ (Venteca) que assim nos brinda com os seus diminutivozinhos engraçados. Ora cá vai...



Natal... que tal!

Olá o meu nome é QZ e eu gosto muito do Natal porque o Natal tem bacalhau…eu gosto muito de bacalhau!
O Natal é uma época muito linda porque aparecem mais pobrezinhos nas ruas e toda a gente quer ajudar, eu gosto muito de pobrezinhos porque eles só existem no Natal.

Eu gosto muito do Pai Natal porque ele costuma parar todo ano num tasco ali perto da Picheleira e depois aparece no Colombo com as criancinhas ao colo, a manda um grande hálito a peixe e a renas muito podres.

Eu gosto muito das criancinhas que ajudam o Pai Natal a fazer os brinquedinhos, chamam-se anões…zinhos indianos e chineses e ajudam muito o pai Natal porque são os anões…zinhos que fabricam os brinquedos muito baratinhos a 1€ que se vendem nas lojas de tudo a 1€ espalhadas por esse mundo afora...

Obrigado anões...zinhos indianos e chineses!

Eu gosto muito da Santa casa da misericórdia, porque a santa casinha da misericórdiazinha ajuda os desfavorecidos e gasta milhares de contos todos os meses em publicidade ao euro milhões, eu gosto muito do euro milhões porque o estado tem guardados nos seus cofres mais de 100milhões de euros para ajudar criancinhas quando elas crescerem lá pró Natal de Agosto de 2078

Eu gosto muito do Natal porque gosto muito do Natal, e no Natal é sempre Natal!

by, QZ

segunda-feira, dezembro 19, 2005

Passatempo que tal - o melhor presente deste Natal

Tal como prometido, damos início a este passatempo bem maluco e de arrepiar com a publicação do texto natalício com que o blogger Sergonov (Venteca) nos quis brindar.


Natal versus prendas

1 aos 4 anos
Montes de prendas fixes mas infelizmente não entendemos nada, para não falar do susto de ver o Tio vestido de vermelho com barbas de algodão.

4 aos 13
Maravilha, só brinquedos, tirando a Tia que insiste em oferecer as meias brancas com as raquetes cruzadas.

14 aos 20
Roupa só roupa!?Tia obrigado, estava mesmo a necessitar de meias novas.
Envelopes, onde estão os envelopes?

20 aos 30
Apelo desesperado para que as prendas sejam envelopes.Obrigado Tia não era necessário (as meias passaram a ser pretas mas agora também recebo uns boxers )

30 aos 40
Dar prendas aos sobrinhos que não entendem nada, vestir de vermelho com barbas de algodão...

E como diz um amigo nosso, boas festas e um glorioso ano 2006

Abraços Sergonov
;)

sexta-feira, dezembro 16, 2005

A Blasfémia dos 3 F's + 1

Antes eram as trevas, depois o Estado Novo criou os 3 F's. E agora, se Fátima já não é e o Fado muito pouco, o Futebol é cada vez mais, Foda-se!

Passatempo que tal - O melhor presente deste Natal

O texto abaixo foi escrito para o Ventoinha há uns tempos, por eu ter sido a leitora nº 5353. Gostei tanto de participar no passatempo que agora até já escrevo lá um provérbio todas as sextas feiras. Por isso o Coisas que tal decide também lançar o seu próprio concurso, e ficamos então a aguardar um texto de TODOS os ouvintes sobre a temática do Natal. Com ou sem presépios, pinheirinhos e bacalhau... o que quiserem. Prometemos publicar TODOS os textos. Enviem sff para: coisasquetal@gmail.com

Post à borla

Este é o meu post para o arejado mundo Ventoinha. Deverá ser ser assim um post amplo como o céu. E optimista também, nada próprio de invernos nem de mares fundos. Pode muito bem não ter ponta por onde se lhe pegue, ser hostil, pode falar do tempo, da juventude... Escrever um post para este ventoso blog pode ser uma grande responsabilidade. E pode também tentar ser uma história que começa assim:

É o final de uma tarde muito quente de Agosto. No escritório, Carlos espreita o relógio: falta uma hora para terminar o expediente. Está sozinho. Os patrões nem lá puseram os pés hoje; imagina-os refastelados numa qualquer espreguiçadeira na sombra de um pinhal. Os reposteiros estão corridos mas mesmo assim o calor penetra pelas paredes tornando mais saturada a atmosfera. A campainha do telefone trina, Carlos atende: Escritório de Advogados Bento, Filho & Associados Limitada boa tarde, mas do outro lado desligam de imediato. Serão os patrões a confirmar a sua presença?, e abana a cabeça não acreditando. Agora é a campainha da porta soando por sua vez. É o amigo Ventoinha. Traz como de costume os cabelos ao ar num reboliço, mesmo num dia como hoje em que não corre uma aragem.
- Acaba lá com isso e vem tomar um café ao Chiado. Quero passar ao Grandela e ver de um presente para uma tia minha...
E pisca-lhe o olho, divertido. Carlos garante que não pode sair já. Mas que ele faça horas, que terá o maior prazer em o acompanhar ao Chiado.
- Tu és muito amedrontado. Então tu crês que os teus patrões te andariam a espiar? Que disparate pegado! Eu sim, ando a ser seguido... mas anda daí à Brasileira que já te conto tudo.
Passam primeiro nos Armazéns do Grandela. Ventoinha vê luvas, chapéus, sombrinhas, meias finas mas nada lhe agrada, a tudo torce o nariz contrariado.
- Gostava de dar algo com mais chique à minha tia. Ela é muito moderna.
E pisca-lhe mais uma vez o olho, com uma gargalhada. Seguem então para a Brasileira a tomar o café. E o Ventoinha começa a soprar a sua história:
- Vês tu aquele indivíduo, à esquina da Bertrand, a espreitar para aqui? (Não olhes agora.) Já não o via há algum tempo e hoje... zás, lá o topei de novo. Tirou a gabardina e rapou o bigode, deve ser do calor.
E realmente lá está um fulano de ar suspeito que os olha. Imagina logo o Ventoinha muito mais metido na política do que parece; é certo que conversam em sussurro muitas vezes contra o regime, mas daí à conspiração vai um longo passo. Pensa que lhe apanharam folhetos, livros ou o apanharam em alguma reunião suspeita, está visto é que o apanharam!
- Tu estás a pensar que é um pide, não é meu pobre Carlos? Mas é alguém acima deles. Eu inventei uma coisa que se chama blog. É um diário do futuro. Tu bates palavras numa máquina de escrever que não faz barulho e, no minuto seguinte, qualquer pessoa no mundo lê na televisão tudo o que escreveste. E isto é uma máquina muito perigosa, claro está! Por isso é que eles andam atrás de mim...
Carlos fica desorientado com a revelação. Pensa que o querido amigo Ventoinha endoidou de vez. Mas ainda lhe pergunta que tipo de coisas escreve nesse ‘bloque’...
- Coisas, pá ! Coisas que tal.

quarta-feira, dezembro 14, 2005

Corte de cabelo

Pronto, foi hoje. Passei-me e fui cortar o cabelo curto. Um corte completamente radical. Bati o record de vezes por tarde em que uma pessoa se olha ao espelho. Tento justificar-me: ele cresce rápido e vou fazer um montão de cortes giros e blá blá, e depois posso mudar de cara e de estilo, usar écharpes com fartura e comprar brincos novos. Ou seja, ainda não decidi se gosto de me ver ou não, mas esta parte só as leitoras vão perceber... a relação muito particular com a fase pós-ida-ao-cabeleireiro "fazer uma coisa diferente".

Este quase parece um Batista da minha família...

«(...) Battista não se perturbou por tão pouco:
- Você sabe, Molteni, que, ouvindo-o falar, creio rever-me a mim próprio quando tinha a sua idade?
- Ah, sim? - balbuciei desconcertado.
- Sim... eu era muito pobre - prosseguiu Battista servindo-se de mais vinho - e também eu tinha, como você diz, ideiais... Quais eram esses ideais? Não saberei dizê-lo agora, e até nem o saberia nessa altura... mas tinha-os... talvez não tivesse este ou aquele ideal, mas o ideal com I grande... (...) O ideal, quando não se sabe precisamente o que se quer, é melhor esquecê-lo, pô-lo de parte... e só depois, quando se põe pé em terreno sólido, é preciso recordá-lo... a primeira nota de mil que se ganha, eis o ideal... (...)
- (...) Quer saber o segredo do sucesso, Molteni?...
- Pôr-se na fila da vida, como diante da bilheteira, na estação... chega sempre o nosso momento se se tem paciência e não se muda de fila... Chega sempre a nossa vez, pois que o empregado da bilheteira dá a cada um o seu bilhete... a cada um segundo os seus méritos, bem entendido... aos que devem e podem ir longe, quem sabe?, um bilhete para a Austrália... aos outros, menos ambiciosos, um bilhete para uma viagem mais curta, Capri, por exemplo. »

Alberto Moravia in O Desprezo

Tudo me acontece

Quando eu pensava que não havia nada pior do que jogar basquet com aqueles calções brancos bastante ridículos, aconteceu algo absolutamente inimaginável. Tudo aconteceu no passado sábado durante o jogo com uma das equipas mais fracas do campeonato.
Eu estava absolutamente radiante: já me estava a borrifar para os calções, tinha sido chamada para o cinco inicial, o jogo era em casa e elas defendiam à zona, uma benção para os meus lançamentos de meia distância. Enfim... os primeiros sete minutos foram meus, ainda marquei dois pontos... altura em que fui substutuída e me sentei no banco a descansar.
Passados poucos segundos começo com uma comichão nos pés de me atirar ao chão. Não me atirei, mas descalcei-me e cocei, cocei. Em pouco tempo eu já não via jogo, já não via nada e só me coçava tipo macaco.
Não sabia o que me estava a acontecer, mas tinha a sensação que tudo aquilo ia passar. Mas não passou! Juntamente com a comichão, comecei a sentir-me a inchar...a inchar. Fiquei transformada num verdadeiro monstro, cheia de comichões, e... imagine-se, enfiada naqueles calções ridículos.
Não pude aguentar mais tempo ali no pavilhão, pois o inchaço começava a travar-me a respiração, e lá tive de sair de charola para as urgências de Mafra.
Tive a soro, levei três doses de curtizona, e passada uma hora, eu já tinha voltado ao meu formato normal.
Uma verdadeira dor de cabeça para quem, até hoje, não faz puto ideia do que me terá provocado a alergia que me fez abandonar aquele grande jogo a dez minutos de este ter iniciado. Ainda disse ao treinador que se calhar a alergia era dos calções,daquele nylon e tal, mas não deu resultado...
A mim tudo me acontece... vejam lá que até faço prémios no euromilhões.

quarta-feira, dezembro 07, 2005

Voltei à idade dos porquês

Porque é que quando o sexo acaba eles teimam em perguntar se gostámos?
Por falar em sexo:
Porque é que o Robbie Williams nunca aparece lá por casa?
Por falar em expectativas:
Porque é que achamos sempre que alguém como o Robbie Williams nos ia ligar alguma?
Por falar nisto:
Porque é que não acordamos logo todas produzidas?
Por falar em produção:
Porque é que achamos que isso nos torna realmente mais bonitas?
Por falar em realmente:
Porque é que a loiça se suja e se tem de lavar a seguir?
Por falar em sujo:
Porque é que fazemos cocó?
Por falar na merda:
Porque é que eles teimam em olhar para o rabo das outras mesmo nas nossas fuças?
Por falar em fuças:
Porque é que ninguém diz ao Armando Gama que aquele corte de cabelo já não se usa?
Por falar em modas:
Porque é que não dizem o mesmo ao Roberto Carlos?
E porque me apetece:
Porque é que as mamas abanam tanto quando corremos?

segunda-feira, dezembro 05, 2005

Então cá vai...

Sobre a minha grande estreia no regresso à competição desportiva posso começar pelas más notícias, para ficar o assunto já despachado: eu sabia que devia ter experimentado o equipamento antes do jogo (aqueles calções não lembram a ninguém); quanto às boas notícias: as miúdas do Algés não chegaram aos cem pontos!!
Resultado final: Algés - 99; Malveira - 35. Por acaso não tenho a certeza se ficámos com 35 ou 37 pontos, mas como devem calcular nem me vou esforçar para confirmar estes dados.

O resultado foi o que foi, mas a minha estreia nem foi má. Quer dizer... pronto, falhei dois lances livres depois de arrancar uma falta, falhei um lance de meia distância, um em contra-ataque debaixo do cesto e fiz dois maus passes... mas não foram seguidos. Ok, marquei dois pontos e, apesar de ter o meu namorado a postos na bancada, aguentei-me bem à bronca e não foi preciso respiração boca a boca. Se bem que logo ao início do jogo estava a ver o caso mal parado. É que no aquecimento para o grande derby eu já pingava por todos os lados. Devia ser nervos. E era eu sempre a limpar a cara e a disfarçar a coisa, para logo uma das engraçadinhas da equipa anunciar bem alto "epá Oliveira, já estás a pingar!! Tás bem?" Arghh... estas miúdas não sabem estar caladas.

Enfim, para minha surpresa acabei por jogar dois períodos completos. Nada mau.

Acima de tudo diverti-me imenso, matei saudades dos porradões que levamos debaixo do cesto e dos larilas dos árbitros de calcinhas apertadas. Já agora uma pergunta: Porque é que os árbitros de basquet têm sempre aquele ar tão pouco masculino de quem gosta de uns valentes afundanços por detrás??

by, Ana Jordan

sábado, dezembro 03, 2005

Amanhã é o grande dia...

Não vale a pena arranjar desculpas parvas à última hora porque o que está feito está feito. Ai que nervos.
Não, não vou casar. Amanhã regresso aos campos de basquet dê lá por onde der. Já não posso fugir. A esta hora, a federação já deve ter aceite os meus papéis de revalidação e, por isso, estarei apta a jogar.
Azar dos azares vou estrear-me (após esta pausa que deverá ter uns dez anos) com a equipa que vai à frente no campeonato. Enfim... nada a fazer!

Entretanto, vou aqui pensando nas bolas que vou perder com duas matulonas à minha frente a gritarem histericamente "FECHOUUUUU", e com uma enorme quantidade de bolas a voarem completamente tortas para o cesto. E os apoiantes da equipa que represento, que vão assistir aos jogos das miúdas desde que estas eram mesmo umas miúdas, a abanarem a cabeça lá nas bancadas e a sussurrarem "tsss...mas donde é que esta apareceu e porque é que não está no banco?".

Ai, que nervos! Isto para não falar da minha 'óptima' condição física. É assim, para terem uma ideia, espero bem aguentar pelo menos dois minutos a correr, sem me deixar cair no chão a pedir respiração boca a boca.

Mas se as minhas preocupações ficassem só por aqui... Tenho medo de torcer o pé (os meus tendões já não são o que eram), de ser abafada debaixo do cesto por uma gorda feia e toda transpirada, enganar-me no lado para o qual estou a atacar, fazer dois maus passes seguidos, fazer passos, falhar um cesto sozinha em contrataque debaixo do cesto (uhh, este acho que é o pior) e ainda me preocupa o facto de amanhã ir jogar sem experimentar o equipamento. E se os calções são daqueles muito curtinhos a parecer o João Pinto (aquele do Porto) há uns anos atrás?! E se a camisola me está apertada nas mamas e me faz parecer um terramoto quando for a fazer sprints, com tudo a abanar?

Ai que nervos! Nunca mais chega amanhã. Wish me luck!!

terça-feira, novembro 29, 2005

Piadinha homófona ouvida hoje à hora do almoço

- Alguém tem visto o Antão?
- Epá vi esse gajo há pouco tempo...
- E então?

quinta-feira, novembro 24, 2005

Crónica de uma compradora de carros pensados por homens

Um dia destes acordei e em vez de pensar para mim "vou tomar o pequeno-almoço", pensei: "vou comprar um carro".
Aliás, esta é uma das melhores decisões para uma pessoa desempregada, porque temos todo o tempo do mundo para fazer uma boa escolha.
A aventura tem sido deliciosa, principalmente por ter aprendido que os carros têm diferentes cavalos, diferentes cilindradas e que até existe um sistema multijet.
A minha alma anda parva com este mundo automóvel, mas mais parva fica com a conjugação de cores que alguém se lembra de fazer nos carros. Arghh!
Também... não cabe na cabeça de ninguém pôr homens a escolher décors para estofos e pintura automóvel. O resultado só podia ser esse que se vê por aí. Uma vergonha!! Nem um pendant sabem fazer...
Com isto tudo acabam por perder é boas compradoras. Sim, porque nós mulheres queremos lá saber se aquilo anda a não sei quanto e se tosse sozinho. Para nós é importantíssimo não nos sentirmos enfiadas numa casita que mais parece tirada de um filme sobre o Chapitô.
Ponham os homens lá a tratar das mecânicas e deixem as ladies tratar do resto.
Podem não acreditar, eu até tenho vergonha de dizer, mas acabei de comprar um carro bordeaux com estofos amarelos. Uma lindeza, hã (?) seus chicos espertos!!

quarta-feira, novembro 23, 2005

«
Varanda da minha infância
Cidade feliz
De teus ócios merecidos
Chegou o fim amargo
Do meu último olhar

Vejo enfim as calmas areias quentes
Os fetos das fontes que o tempo secou
O fundo poço que sou e é velho e é triste
Nada muda o destino deste parado barco
O mar dorme em paz e sossego
A terra mostra ao sol os seios preguiçosos
As mulheres espreitam arrepiadas às janelas
Do caminho sobem ao céu súbitas nuvens de poeira

Tudo é divino à luz dourada dourado
Só eu sou levado de mim e me perco
»
António Dacosta (1914-1990)
A Cal dos Muros

O Inverno é um inferno

Chegada à noite, o que me apetece é estar a pastar no sofá enrolada numa manta. Se saio de casa, só mesmo com a promessa de uma quantidade apreciável de copos num sítio quentinho é que não faço marcha atrás imediatamente. Se eu fosse amiga do Inverno mandava-o ir arder para as chamas do inferno.

quinta-feira, novembro 17, 2005

9 meses de blog

O Coisas que tal faz nove meses. Quase que podemos considerar isto como um género de (re)nascimento em que, após 9 meses de vida intra-uterina, sai cá para fora. Por isso em vez de dizer o que me é habitual - que é agradecer-vos caros ouvintes - vou dedicar este post à minha amiga Ana que, a bem da verdade, foi quem fecundou a ideia, sendo eu talvez a irmã mais velha. Muitos parabéns 'miga, que bom é ler-te digo eu!!

quarta-feira, novembro 16, 2005

Era uma vez

Era uma vez um país desproporcionado; a riqueza concentrava-se só pelo litoral, e falar em riqueza era só uma maneira de dizer. Era tão desproporcionado que para as eleições presidenciais concorriam quatro candidatos de esquerda e apenas um de direita. Era tão lógico quem sairia vencedor... mas algumas pessoas insistiam em colocar poemas em posts como que a fazer campanha por um deles. Era bastante lógico para elas que o poeta ganhasse pela palavra. Era, aliás, uma injustiça a dividir por quatro. Era uma vez a lógica da desproporção: os passos maiores que as pernas desse país, os subsídios comunitários desaparecidos, muitas pessoas para poucos empregos, muitas contas para pouca moeda. Era uma vez um país onde haviam estádios gigantes sem vida em cidades sem orçamento para Capital da Cultura. Era uma vez um final que me parece pouco feliz.

terça-feira, novembro 15, 2005

+ Manuel Alegre (dedicado ao leitor 5000)

Coisa amar

Contar-te longamente as perigosas
coisas do mar. Contar-te o amor ardente
e as ilhas que só há no verbo amar.
Contar-te longamente longamente.

Amor ardente. Amor ardente. E mar.
Contar-te longamente as misteriosas
maravilhas do verbo navegar.
E mar. Amar: as coisas perigosas.

Contar-te longamente que já foi
num tempo doce coisa amar. E mar.
Contar-te logamente como doi

desembarcar nas ilhas misteriosas.
Contar-te o mar ardente e o verbo amar.
E longamente as coisas perigosas.

A Poesia do Dia (para abrir o debate político)

As mãos

Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema – e são de terra.
Com mãos se faz a guerra – e são a paz.

Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.

E cravam-se no Tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.

De mãos é cada flor cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.

Manuel Alegre, O Canto e as Armas, 1967

segunda-feira, novembro 14, 2005

Um bom momento de televisão

Um dos melhores momentos televisivos dos últimos tempos: os 'tintins' e a 'bengala' do Luís Boa Morte (jogador da selecção nacional) aos saltinhos e em slow motion. Alguém viu? Demais!!
Foi no jogo deste fim-de-semana contra a Croácia, transmitido pela RTP, na altura em que um adversário puxa os calções do nosso neguinho para impedi-lo de avançar com o esférico (uau! Tou lá!), deixando o 'material' do Boa Morte nitidamente desprotegido. O realizador fez questão de repetir as imagens, saliente-se, em câmara lenta. Foi qualquer coisa de muito bom, assim a atirar para o excepcional.

sábado, novembro 12, 2005

«Quando ainda sou a vida» - ou A Poesia Prometida

Cerca-me a vida, como naqueles anos
já perdidos, com o mesmo esplendor
de um mundo eterno. A rosa esfaqueada
do mar, as luzes derrubadas
dos hortos, o fragor das pombas
no ar, a vida ao meu redor,
quando ainda sou a vida.
Com o mesmo esplendor, e olhos envelhecidos,
e um amor fatigado.

Qual será a esperança? Viver mais,
e amar, enquanto se esgota o coração.
um mundo fiel embora perecível.
Amar o sonho destruído da vida
e, embora não possa ser, não maldizer
aquele antigo engano do eterno.
E consola-se o peito, porque sabe
que o mundo pode ser uma bela verdade.

Francisco Brines
Ensaio de uma Despedida

Uma Poesia por dia nem sabe o bem que lhe fazia

Confesso. Tenho tido nenhuma vontade de escrever. Quando lá sai, acontece a martelo... e no fim é como cão por vinha vindimada. "Tenho a minha vida em stand by e não encontro o comando". Mas se na realidade nem sempre acontece a mudança que se deseja, resolvi dar corda aos sapatos e abrir a rolha do champagne à chegada de mais posts. É uma realidade paralela a ver se dá novo fôlego à outra. "Reset, Ctrl+Atl+Delete, Refresh", o que lhe queiram chamar. Para os dias sem ideias, haverá reciclagem de posts antigos... e começa a nova rubrica da Poesia do Dia. O que é preciso é não esmorecer, haja paciência para me ler. Coisas que tal de um dedo de blog escrito a quatro mãos.

sexta-feira, novembro 11, 2005

Há finais que não são felizes

Ah, como eu gostava assim de ter umas pernas todas jeitosas, muito altas, e uma voz daquelas tipo Simone de Oliveira para ir falar com o Felipe Lá Féria e fazer uma coisa em grande no palco, e deixar as pessoas todas arrepiadinhas e jantar sempre ali ao pé do Politeama para depois entrar em cena e ter lá sempre os meus pais na primeira fila a baterem-me palmas e a dizerem-me que eu sou a maior e no fim chegar ao camarim e ter à minha espera margaridas numa jarra da Habitat e então seguir para casa e ligar a uma das bailarinas do elenco que se tornou na minha melhor amiga e cortarmos na casaca de um dos protagonistas que se cospe todo a representar e cheira muito mal da boca e então entrar em casa e fazer um chá, e o chá a cair-me tão mal, e a vomitar-me, e a ir-me... completamente fora do prazo.

quarta-feira, novembro 09, 2005

Desencontros

Tenho a minha vida em stand by e não encontro o comando...

sexta-feira, novembro 04, 2005

Relato de futebol muito muito longo como faz de conta aqueles a sério

A RDP África que estava ainda agora transmitindo alegremente uma kizombinha ondulante, interrompe-me tristemente o balançar ao passar à faixa seguinte de nome: relato de futebol. É o Sporting que está a jogar. E estou aqui a ouvindo há uns minutos. É a minha primeira vez desta coisa que tal. Será uma primeira daquelas que ao princípio custa um bocadinho mas nunca mais se esquece como se faz? ( falo de andar de bicicleta...)
« GOOOOOLLLooOOO DO SEPORTING !!
É um golo espectacular do coisa-que-tal-soares!
Aos sete minutos um golo do Sporting... »
São as palavras dos comentadores do relato falando também para África, para Timor, talvez para o Brasil. E o meu telefone de casa apita, é uma senhora que se enganou no número, e eu digo-lhe não faz mal, tenha uma boa noite. Eu sou do Sporting. O que não quer dizer nada, como confirmarão os que sabem os meus conhecimentos futebolísticos. Mas sou do Sporting - desde os 6 anos – e... pronto, estou contente com o resultado no marcador. No entanto tenho pena do União de Leiria, tem assim um nome tão bonito a fazer lembrar o povo unido.
« 20 minutos da primeira parte
Sporting um, marca o Beto, União de Leiria, zero »
Beto? Ah, ouvi mal.... e isto tem mais de uma primeira parte? (ehheeh, brincadeirinha). Vou dar uma voltinha plas minhas eternas arrumações e buscar mais uma Tagus ao frigorífico. Eu sei, eu sei... mas estava em promoção no supermercado. O árbitro anula um golo do União de Leiria. Ouvem-se os assobios do público no estádio de Alvalade. Os comentadores se pudessem também assobiavam, estão exaltados e dizem o Ricardo estava sentado dentro da baliza, e o árbitro auxiliar como não viu, e dizem falta de classe. Tenho ainda mais pena do União de Leiria. Perdoem-me os amigos sportinguistas, a GranMarta, o QZ e o Gimbras. Até o Jorge Coroado está a dar um livre ao Leiria, em jeito de arrependimento. Mas o Ricardo agarra. Tenho mais que fazer do que estar presa a um relato de futebol, mas apetece-me estar aqui suspensa destes ênfases de vozes na rádio. Lembro-me do meu avô sofrendo pelo Benfica, agarrado ao pequeno aparelho a pilhas e nós, eu a minha irmã, a protestarmos, e ele enfim a condescender agarrando o tronco cortado em que nos partia pacientemente os pinhões.
« GOOOOOLLLooOOO DO SEPORTING !!
Rogério encheu o pé!
Este lance deve estar contaminado com a gripe das aves.»
A piada calculo para o outro guarda-redes. SEPORTING !! Intervalo. A Tagus até tem gás. Segunda Parte.
« GOOOOOLLLooOOO DO LEIEIEIRIIIIIA !!
João Paulo teve tempo para tudo!... »
Livres e movimentos defensivos, cortes providenciais dizem eles e não sei quê e mais cortes, e o Sporting a jogar a meia distância. O tal da gripe das aves chama-se Fernando. Bola batida para o meio campo. Cabeceamento fora de jogo, cruzamento ao poste e não sei quê. E um golo fora de jogo. E outra vez o Coroado posto em causa ou não, os comentadores não têm tempo, já vêm outros livres. É um entra e sai de jogadores, os que treinaram substituem os que suaram. Final do jogo 2-1. Sou do Sporting - desde os 6 anos – e... pronto, estou contente com o resultado no marcador.
« Uma pequena fracção de segundo é suficiente para a morte do artista.»
A forma como as pessoas nos olham pode ser absolutamente irritante.
Começo logo por uma das que eu acho do pior que é aquela assim...estão a falar não é?... mas não nos olham nos olhos. Passam a conversa toda a olhar-nos para a testa e a salivar por acharem que estão a dizer coisas muito importantes. Estão a ver o género?!
Mas há outras modalidades: aqueles que estão a falar connosco e repetidamente vão fechando os olhos, mas deixando inexplicavelmente as pálpebras cerradas cerca de vinte segundos. Estão a falar connosco, mas parece que vão dormitando de vez em vez assumindo um ar religioso de cortar os pulsos. Irritante também, não?
Bom, há uma outra espécie, que não fica atrás destas. São aquelas pessoas que nos olham para a boca. Nós a falarmos e elas sem despegar a vista da nossa boca. Nós a pormos a mão, a palitarmos disfarçadamente os dentes, não vá qualquer resto de comida estar a chamar a atenção, e nada!!
Graças a Deus que não vemos nada pelo olho de trás, é que se pela frente é como é, nem quero imaginar o que se passa nas nossas costas...safa!!

Observação: um abraço sincero a todos os estrábicos. Este post nada tem a ver com eles.

quinta-feira, novembro 03, 2005

Tenho mau deitar

Aos 28 anos vou admiti-lo. Tenho mau deitar.
Há pessoas que têm mau acordar, eu tenho mau deitar. Não sei o que acontece no interior do meu organismo (gases não são porque tomo aerom), mas o certo é que passadas ali cerca de duas horas depois do jantar começo a ficar com uma azia e com uma telha que até assusta.
Sei lá, podia-me transformar em abóbora ou começar a fazer flic flacs encarpados à rectaguarda... mas não... fico ali numa angústia e numa irritação que só eu aguento. Normalmente levam por tabela aqueles que estão ao pé de mim, vulgo mãe, mãe, mãe.
Não sei se o meu inconsciente me quer avisar de que mais um dia está a chegar ao fim, se são as pilhas que começam a ficar fracas... não sei. A verdade é que é o momento mais insuportável do meu dia. No Natal então a birra chega tão ao auge que não me lembro de um ano em que não acabasse a noite de consoada a chorar que nem Maria Madalena agarrada às almofadas. E eu que adoro o Natal.
Quase todas as noites são assim e depois de manhã é... como é que eu hei-de dizer... de manhã é um ar que se lhe deu. Aqui a menina acorda bem disposta, cheia de fome, a cantarolar, lindíssima (sim, porque eu já acordo assim), enfim... parece que tudo não passou de um qualquer engano.
Ele há lá cada uma. Então a noite fez-me algum mal para eu estar aqui sempre de birra com ela?? Ora essa!

segunda-feira, outubro 31, 2005

E cá vai então a novidade

Bom, antes de mais, peço desculpa pela demora no anúncio que vos prometi fazer "amanhã" (dia 26 de Outubro). É certo, passaram uns dias, mas caramba... quem não gosta de agudizar assim um bocadito a curiosidade?
Muito bem, feito este prólogo à moda da Póvoa de Cima (fica sempre bem falar nas nossas origens), passo a contar a novidade: passados cerca de oito anos regressei ao basquetebol. Sim, os mais próximos sabem bem que, apesar da minha pequena estatura, a menina até encesta bem e até marca alguns pontos e então decidi (porque não?) voltar a pôr à prova os meus dotes com a bola.
Pronto, certamente os que esperavam bebés e outras coisas como novidade sentir-se-ão um pouco decepcionados, mas, acreditem, esta é uma grande novidade. Para mim é! E a vida de desempregada pode ser muito amarga sob o ponto de vista profissional, mas, por outro lado, oferece-nos estes docinhos que dizem respeito ao plano pessoal. Coisas que temos muita vontade de fazer, mas que se desvanecem porque o tempo nunca chega para nada.
Apesar de há cerca de duas semanas (altura em que comecei a treinar) me doerem todos os músculos, incluindo os das orelhas, é um prazer enorme poder voltar a lançar aquela bola linda para aquele cesto tão nosso amiguinho.
Bom, fica então a novidade, faço parte da equipa de séniores de uma equipa destes lados de Mafra, a jogar no campeonato nacional da II divisão. E como ainda vamos na segunda jornada, não vale a pena dizer em que posição é que estamos.
Beijos e abraços de uma basquetebolista que ainda vai dar que falar... Ticha Penicheiro, tu põe-te a pau melher.

PS: Eu sei que se estão também a borrifar para isto, mas aproveito para dizer que, desde que estou em casa, já fui ao dentista DUAS vezes. Hã?! Até estou com uma pose nova, um sorriso lindo, enfim...xau.

terça-feira, outubro 25, 2005

Publicidade gratuita

Há quem goste de dar pontapés no ar, há quem goste de beber pontapés na c*na, há quem goste de tentar pontapés de sorte, há quem esteja sempre a dar pontapés na porta e...há também quem ame pontapés de canto. Para os amantes do chamado desporto rei, para quem realmente respira futebol, não percam uma visita diária ao novo blog Pontapé de Canto.

Até já, volto amanhã com uma novidade!! Huuuuu....

segunda-feira, outubro 24, 2005

Cântico Negro (para começar bem esta semana)


"Vem por aqui" - dizem-me alguns com olhos doces,
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom se eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui"!
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mãe.
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
Por que me repetis: "vem por aqui"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis machados, ferramentas, e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
Sei que não vou por aí.

José Régio

quarta-feira, outubro 19, 2005

Provérbios de um mau dia

Dia nenhum sem bem algum
Dia perdido nunca é preenchido
Dias passados, fogueiras mortas, quem as recorda, revolve cinzas
Dias há em que as gentes não olham para as pessoas, senão para os lugares donde as vêem (séc. XVII)

Dias melhores hão-de vir

sexta-feira, outubro 14, 2005

Post(e)s

Nunca mais pedi desculpa a um poste
Este é um outdoor do InstitutÓptico. Para todos os que como eu são míopes que nem uma porta.
Nunca mais pedi desculpa a um post
Tenho cá o meu orgulho. E posso muito bem ter ideias míopes que nem uma porta. Não importa.

Ufa... isto assim é canja!

As autoridades sanitárias vieram hoje esclarecer que a Gripe das Aves não afectará os nossos hábitos alimentares, uma vez que o vírus não se propaga se o frango for cozinhado.
Dahh!! Quer dizer, andava eu aqui numa angústia porque o bicho já andava na Roménia e na Turquia e só agora me vêm explicar que os riscos afectam quem lida de perto com os animais vivos. Não se faz! Opá, não se faz.

terça-feira, outubro 11, 2005

(Prometi a mim mesma que não dedicava nenhum post a isto mas...)

Portugal ficou tão mal com estas eleições autárquicas que nem o furacão "Vince" quis passar por cá!!

sexta-feira, outubro 07, 2005

Lisboa é uma gaja boa

Dizem de Paris que é a Cidade-Luz. Perdoem-me a traição, mas é Lisboa. Lisboa tem aquela Luz branca, que, de tão branca, quase que cega, quase inebria. É bela a Luz do Terreiro do Paço, apesar das obras. É bela ao fim do Bairro Alto, a tropeçar pelo elevador da Bica até ao Tejo. É tão branca vista do castelo, e é branca à sombra do miradouro da Graça. Lisboa é uma mulher de sete curvas e outras tantas colinas. E dança. Mesmo de noite Lisboa tem Luz, e isso nada tem que ver com a escassez de candeeiros. Lisboa é aquele vinho quente nocturno que se toma imaginando o chorar da guitarra lá ao longe. É todo aquele trânsito sem rumo, aqueles lábios sem beijos. Lisboa é tudo isso... e disto nada.

Porquê?

Os asiáticos têm a gripe das aves, os angolanos levam com o vírus de Marburg... aos portugueses tinha de calhar o João Kléber. Porquê?

terça-feira, outubro 04, 2005

Já lá vai um ano


Está agora a fazer um ano desde que estive em Cabo Verde. Como tenho muitas saudades, partilho com todos esta imagem que, acima de tudo, me traz à memória duas coisas: a primeira, que o céu de Cabo Verde é o mais bonito que alguma vez vi; segundo, que o gajo na foto era tão chato, tão chato, que nem vos passa pela cabeça...nha sarna.

Abraços à companheira de viagem Marocas.

segunda-feira, outubro 03, 2005

O que uma desempregada começa a escrever num post de segunda-feira: "Porque hoje é domingo..."
Valha-nos o eclipse!! Que...também...verdade seja dita...podiam ter feito aquilo a outra hora, não?!

sexta-feira, setembro 30, 2005

Os vampiros

No céu cinzento sob o astro mudo
Batendo as asas pela noite calada
Vêm em bandos com pés veludo
Chupar o sangue fresco da manada

Se alguém se engana com seu ar sisudo
E lhes franqueia as portas à chegada
Eles comem tudo eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada

A toda a parte chegam os vampiros
Poisam nos prédios poisam nas calçadas
Trazem no ventre despojos antigos
Mas nada os prende às vidas acabadas

São os mordomos do universo todo
Senhores à força mandadores sem lei
Enchem as tulhas bebem vinho novo
Dançam a ronda no pinhal do rei

Eles comem tudo eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada

No chão do medo tombam os vencidos
Ouvem-se os gritos na noite abafada
Jazem nos fossos vítimas dum credo
E não se esgota o sangue da manada

Zeca Afonso

quinta-feira, setembro 29, 2005

Eclipse

Na próxima segunda-feira de manhã vamos assistir ao primeiro eclipse solar do século. Em ocasiões de Lua Nova, e se os centros do Sol, da Terra e da Lua estiverem alinhados, existem eclipses cujas características dependem da distância entre a Terra e a Lua. Neste caso é um eclipse anular, de anel de Sol à volta da Lua; e apenas nas regiões do Norte do País se vê na totalidade. Começa às 08:35 e termina às 11:20, mas a parte mais interessante é por volta das 09:55.

quarta-feira, setembro 28, 2005

E então?!!

Pelo que se ouve dizer por aí, os arguidos Isaltino Morais, Fátima Felgueiras, Avelino Ferreira Torres e Valentim Loureiro, são mesmo capazes de merecer a confiança da maioria dos eleitores e ganharem as respectivas câmaras.

Eu ainda não acredito que isso possa de facto acontecer, mas se assim for eu juro que mando um balázio nos cornos de quem vier com aquela conversa de que os políticos são uns corruptos e que a Justiça é cega e que não pune os que merecem, blá, blá, blá... Também, se eu matar alguém o que é que me pode acontecer?! Ou passo umas belas férias no Brasil, ou ganho aí uma autarquia! E então?!

A verdade é que no meio desta mega-hipocrisia-político-judicial ainda há uma coisa que nos anima: afinal, o próximo Presidente da República sempre pode ser o Soares, o Cavaco, o Alegre e,... quem sabe, até mesmo o Jerónimo.

Arghhhh. Ai meu Deus!!

segunda-feira, setembro 26, 2005

1,71 metros de altura e olhos verdes!!!!

Tenho um metro e setenta e um de altura, cabelos longos bem negros e uns olhos verdes enormes e bem sublinhados pelas sobrancelhas. Sessenta centímetros de cintura, cento e um de peito e oitenta e seis de anca. Tenho um carro maravilhoso que não vos sei dizer a marca e agora vou ter de ir embora, senão perco o avião para as ilhas gregas.

Observação: É isto que mais me fascina nas novas tecnologias. Uma boa peta (excepto os 101 de peito) à distância de um teclado.

sábado, setembro 24, 2005

Estrangeiradas

As tatuagens hoje em dia são uma cena muito pró estranho. Cada vez mais se deixam de ver os belos desenhos que se faziam de verdadeiras imagens e hoje em dia está na moda ter uma tatu com letras estrangeiras. Por exemplo, os jogadores da bola têm o nome dos filhos inscritos em chinês ou hebraico ou arábico (aquela cena....). Quantas vezes não vão a andar na rua e vêem pessoal com letras chinesas no braço ou no pescoço.
Se se quiserem rir um pouco experimentem perguntar às pessoas o que é que aquela letra quer dizer. Vários dizem "paz" ou "amor" ou o signo. As letras é que nem todas são iguais.
Há bacanos que pensam que têm "paz" e na verdade têm "pato com laranja". E os nomes dos filhotes???? Teêm MESMO A CERTEZA que é um nome de pessoa???? (Simão, esta é para ti!) Quem vos disse? "Ah foi o bacano que me fez a tatu!"
ABRAM A PESTANA!!!!

Made by Rios

sexta-feira, setembro 23, 2005

No dia em que a minha tia fez 57 anos virei-me para ela enquanto nos despedíamos dos últimos goles de champanhe e disse-lhe: "Tenho um blog".

Ficou brutalmente arregalada a olhar para mim como se lhe tivesse dito que era lésbica ou que era suplente na 1ª Companhia e sussurou-me: "Onde é que apanhaste isso?! Ó filha vais é já amanhã àquele médico do teu tio".

A diferença de gerações às vezes chega a ser gritante. Estou agora a lembrar-me dos sobrinhos da Teresinha que foram dar de caras com discos em vinil arumados no sótão e lhe perguntaram: "Ó tia, o que é que são estes cd's grandes?"!!

Hoje, chamava-me a minha mãe para o jantar e eu respondia-lhe que primeiro tinha de ir pôr um "poust" (post). (Há quem diga "póst", o que tem uma certa graça). "Ai esses teus intestinos, filha. Come cereais, come cereais!!".

O meu pai, indignado, lançava-se da sala para lhe explicar: "Tu tens com cada uma, a miúda não te está a dizer que vai à casa-de-banho"... E avançando sobre mim enquanto abanava a cabeça, pousou a mão dele sobre o meu cocoruto a perguntar-me: "Eu tenho aqui. Queres pôr um amarelo ou um cor-de-rosa?". Na mão, dois blocos de post-it's, que à boa maneira portuguesa se pronunciam "póxtites".

Escolhi os amarelos e já nem fui pôr post algum. Tou a fazê-lo agora, no silêncio da madrugada. E se algum deles me aparecer no quarto a perguntar o que estou a fazer, minto e digo que estava a fumar um charrito.

Ufa

Peço desculpa pela interrupção. A minha vida blogosférica segue dentro de momentos...

quinta-feira, setembro 22, 2005

Cheiretes

O chulé, o cheiro a queijo e outras coisas que tal que se dizem para explicar o mau odor dos pés, é um problema que afecta não só o Necas mas também muito boa gente por esse mundo fora. Está bem que ninguém cheira bem dos pés no final de uma longa caminhada num dia quente de Verão. Mas existem hábitos de higiene a ter em conta, e são isso mesmo: hábitos (diários, de preferência). Mas o que me traz a este post não é bem o asseio, e sim o facto de existirem verdadeiras investigações científicas que tentam caracterizar os componentes responsáveis pelo dito cheiro fétido. Ora eu ponho-me a imaginar aqueles gajos do alto da sua sabedoria, de bata branquinha e engomada e luvas assépticas, a chafurdarem num mundo de suadas peúgas e sapatos podres. Espero bem que substituam os habituais óculos grandes por uns tapa-narizes do mesmo material. Os tais cientistas são japoneses e americanos (não rir) e elegeram as substâncias mais nauseabundas que se podem cheirar: nas naturais ganha o metilcarptano que é o responsável pela halitose; nas sintéticas a U. S. Government Standard Bathroom Malodor (não rir) cuja composição é secreta. Epá, e os ovos podres? o aroma de merda de alguns WC públicos? de mijo em algumas ruelas de Lisboa? e as ratazanas mortas, essas incompreendidas? o cheiro das bombas de gasolina (esta é minha)?; está mal, deviam ter vindo falar connosco primeiro para a elucidação total de componentes responsáveis por cheiros nojentos. Connosco: as autoras e vós ouvintes, digam de vossa justiça. E em jeito de conclusão, para os Necas que pensam que os seus pés cheiram mal, é mesmo verdade amigos, exalam de facto esse mau odor com o qual perfumam a atmosfera circundante.

sábado, setembro 17, 2005

O Fanecas ou Uma construção de um personagem (tão boa como outra qualquer)

O Fanecas, ou Necas para os amigos, era um gajo porreiro. Tinha lá o seu feitio, convenhamos... muito próprio, mas era o que se pode chamar um grande personagem.
Começava muitas das suas frases por: "Épa, isto pode parecer-te um bocado estranho..." ou "Já sei o que é que vais dizer...", ruminando qualquer coisa do arco da velha pelo meio, e terminando algumas delas com "Olha, são pérolas p’ra porcos, pá" ou "É dar bons vinhos a maus fígados, sabem lá o que é essa merda...".
O estado civil do Fanecas era algo que permanecia um mistério. Casado não era, não existia registo de nenhum acontecimento do género, mas não perdia uma despedida de solteiro. Também não constava que tivesse namorada oficial; claro que os amigos perceberam logo que a Ana Maria era alguém mais especial mas, como não falava nisso, também não lhe perguntavam. Trazia a tiracolo mulheres dos géneros mais diversificados, que iam, e às vezes voltavam, com uma frequência espantosa. Era um predador romântico: chegava a enviar flores e bombons às miúdas giras que apareciam na televisão, na internet, nos bares, esperando uma recompensa mas fingindo não a esperar. Conservava com as mulheres a sua educação da infância: o cuidado no evitar o vernáculo perto da mãe e as caralhadas e risadas que soltava com o pai.
Na política, assumia-se como um gajo do contra. Até nem se importava de levar outra vez com o Mário Soares e o Cavaco Silva, só para poder dizer mal à vontade devidamente fundamentado no passado. Mas não ia votar. Dizia com sarcasmo dos políticos: "É só injustiças de merda, eu não acredito em mentiras pá. ‘Tou-me a cagar p’ra eles todos, são todos uns corruptos. Puta que os pariu mais a recessão..."
O Necas gostava de folhear A BOLA logo pela manhã ainda cheia de tinta. E gostava de ver a bola com os amigos no café, até porque era forreta e nunca ia ao estádio. "Aqui é mais emocionante, um gajo lá não vê nada.", nunca se sabendo se a emoção lhe surgia com as fresquinhas que despejava ou com a visão mais toldada que disparava para o écran. Nas faltas dos jogadores da sua equipa justificava: "Ele ‘tava a ir à bola, a fazer jogo... e o outro gajo atirou-se pr’ó chão, pá! Qual é o árbitro que não vê esta merda?" O Necas levava as mãos à cabeça quando era golo da outra equipa ao passo que sorria tranquila e desdenhosamente quando a sua marcava.
O Necas era um ex-fumador desejoso de reincidir. Andava numa espécie de liberdade condicional pois havia largado há pouco tempo, e o que ele sofria!... Às vezes abanava a mão incomodado, a afastar o fumo do cigarro dos outros. Mas à noite, já com os copos, apetecia-lhe fumar este mundo e o outro. Ficava para ali a salivar qual canino de Pavlov mas como "um gajo é um animal racional" lá controlava os ímpetos, não deixando de fixar exaustivamente o objecto de desejo.
O Necas era funcionário público. Não gostava de falar do trabalho, a não ser para reclamar do facto de ter de trabalhar. Tinha muitas regalias mas fingia não as ter. Na verdade poder-se-ia dizer que o Necas trabalhava apenas quatro dias úteis, dado que às segundas de manhã e sextas à tarde não fazia a ponta de um corno. Andava a estrebuchar em frequência FDS Mega Hertz – FDS de fim de semana, ou em interpretação livre: "Foda-se, já aqui ‘tou outra vez?" e "Foda-se, o que’é qu’eu ainda aqui ‘tou a fazer?". No regresso das férias ao trabalho emitia em frequência pirata intraduzível.
O Necas tinha as suas particularidades, "Deixem-me cá com as minhas merdas, pá!". Por exemplo, gostava de sumo de mamão e não admitia piadas sobre o assunto. E depois existiam outros temas intocáveis como dizerem-lhe que era sovina, que guardava trocos por vocação, perguntarem-lhe por que é que lhe chamavam Fanecas e qual o seu verdadeiro nome. Mas o que realmente deixava o Necas chateado era dizerem-lhe que cheirava mal dos pés, "Ouve lá, mas tu queres levar uma pêra?". No entanto à noite largava os ténis a espantar o odor na varanda... mas isso só eu é que sei porque sou uma narradora omnisciente e inventei o personagem do Fanecas.

sexta-feira, setembro 16, 2005

Alô, concorrência, alô!

Após rápida leitura na oblíqua, pude constatar que estamos a ser completamente liquidadas pela concorrência. A concorrência é eficaz, tem boas ideias. A concorrência não dorme, é um ser que respira, que corre adiante.
Descobri que este é o meu 100º post (lindo número, não?). Alguns foram alinhavados em cima do joelho, escritos de enfiada; outros mais pensados, mais filhos de uma gravidez desejada.
Alguém da concorrência quer ajudar a soltar a pressão do barril das ideias e servir-nos um esboço de post fresquinho e borbulhante, tal como o pede esta tarde de sexta-feira? Um grande bem hajam!

quinta-feira, setembro 15, 2005

Sentimental que tal

Ai, que saudades eu tenho de Agosto.
Mesmo quando o Agosto é mais chuvoso ou menos estrelado, eu tenho sempre saudades de Agosto.
Eu tenho saudades desse Agosto das tardes cheias de mar, dos gestos lentos sobre a areia.
Tenho principalmente saudades das tardes de Agosto, dos instantes que se prolongam sem propósito, do mar ser mais longe que a linha do horizonte.

Coisas que tal

« (...) É daquelas coisas que, não servindo para nada, é bom que existam por princípio. Um pouco como a genitália do Papa. Seria no mínimo perturbador imaginar um Papa que não tivesse... bom... que não tivesse o seu Sumo Pontífice mesmo que não o use. (...) »
Renato Carreira
o Inimigo Público, 9 Setembro 2005

Sem título

Acordava nessas manhãs de Inverno sentindo-se um pouco Lobo das Estepes. Nas horas do despertar julgava-se muito mais Lobo, soltando breves grunhidos. Mas depois durante o dia achava-se deprimido, oprimido até, quase soterrado pela ideia humana que de si fazia. À noite esse lado lupino regressava mais evidente, quase a arregaçar os caninos, e piorando com a madrugada. Como que arriscaria esboçar umas quantas teorias sobre o binómio homem-lobo, não fosse o facto de ainda estar a meio do livro. Nessas manhãs estugava o passo a caminho da estação de comboios do subúrbio e, na viagem, o livro adormecia na pasta enquanto a barriga repousava no cinto. À noite se tivesse sorte, encontraria melhor companhia para a almofada que o Hermann Hesse. Se tivesse sorte... e desde que não dissesse à jovem rapariga diante de si: " Pois, sou eu. Sou uma pessoa que tenho metade de homem e metade de Lobo, ou que julga ser assim."

sexta-feira, setembro 02, 2005

Vou ficar para madrinha

Por este andar fico mas é para madrinha. Estou prestes a ter um quarto afilhado.
O primeiro, o Rafa, tem doze anos, e é lindo de olhos pestanudos e bom feitio. Adora futebol e o Benfica. Está todo orgulhoso por eu ter aparecido na televisão.
Da Susana fui madrinha de casamento, em pleno Mosteiro dos Jerónimos. As outras três madrinhas ficaram na plateia enquanto eu chorava no altar. A Susana é mãe há três meses do Guilherme que sorri exactamente como ela.
Depois há a Catarina, a minha sobrinha adorada. A Catarina vai fazer dois anos e é a coisa mais fofa do mundo. Ainda não fala, mas percebe tudo. Adora a madrinha.
E agora o casamento do Billy, o meu querido amigo.
Pronto, estou garantida com um montão de afilhados. Vou ser uma Godmother, Cap. IV. Estou lixada na Páscoa.

sábado, agosto 20, 2005

Pensamento do Pensador

« Quem mais produz riqueza é quem menos tem na mesa.»
Gabriel, o Pensador

Ai, ai, Barcelona... te echo de menos

Como é que a saudade pode ser uma coisa "de menos"? O espanhol que inventou a expressão só podia estar com os copos... Esta cidade deixa muita saudade e é de visita obrigatória, como o é para um muçulmano ir a Meca.
E eis-me regressada à vida (a)normal; conto acordar a qualquer momento e ver que ainda estou em Barcelona ao primeiro pestanejar. Os cadernos trazem colados bilhetes, mapas e frases curtas;... o filme maior desenrolou para gáudio dos sentidos e resguardou-se num nicho da memória.

O Coisas que tal parece um blog fantastma despertando com a Lua Cheia, tentando agarrar os poucos leitores que lhe restam. A Anette está sem net, de férias em parte incerta. Eu vou ali procurar umas citações para encher chouriços e preparar a linha de montagem. Desculpem qualquer coisinha, sim?

sexta-feira, julho 29, 2005

Barcelona, olé !

Finalmente as férias! Estou em day before partida. Já faço listas, arrumo por montinhos, quase já bato asas a caminho de Barcelona.
O Coisas que tal fica em piloto automático. A velhinha e o pombo merecem uma continuação, falando em voar. Também o nosso quase querido Mendes há-de desenrolar no vodka7. Não existirão mais posts com referência ao Um Contra Todos, pelo menos até que a RTP me pague. Trarei cadernos pautados de Barcelona passando como num filme... ou talvez não.


E havia uma outra coisa de que tal vos queria falar, mas é tão inacreditável, tão estúpida... que sai apenas :
Amanhã comprem a última edição d' A CAPITAL

Luas de Agosto

Lua Nova - Dia 5 às 04h05

Quarto Crescente - Dia 13 às 03h38

Lua Cheia - Dia 19 às 18h53

Quarto Minguante - Dia 26 às 16h18

( Isto sim é verdadeiro serviço Borda d'Água )

Pensamento do dia

"Prefiro ser um homem de paradoxos que um homem de preconceitos."
Jean Jacques Rousseau

quarta-feira, julho 27, 2005

Casamentos de Agosto

Já começam a apitar alegremente as buzinas nas aldeias, vilas e cidades deste país à beira mal plantado. Quando Agosto bate à porta, todos os Sábados se repete a mesma chinfrineira irritante. O tuga que se preza, emigrante ou não, faz questão de casar em Agosto. Resultado: igrejas lotadas com três e quatro casamentos no mesmo dia, maquilhagens a derreter e gargantas sedentas - de álcool pois então, que "de borla" é a expressão preferida do tuga.
Os carros seguem em fila indiana para o copo-de-água, devidamente ornamentados com fitinhas de gaze branca a condizer com o vestido da noiva. O mesmo tecido está presente em todo o estacionário casamenteiro: convites, menus das mesas temáticas e os envelopes onde se depositam os cheques com que se presenteiam os noivos.
Como o almoço vai quase sempre tardio, os convivas empanturram-se de croquetes acompanhados pelo merecido aperitivo (no meu caso o moscatel, que normalmente se revela uma má escolha no estômago vazio).
Os padres, após a homilía hipócrita da fidelidade e blá blá, recebem convites para o copo-de-água escolhendo, de entre todos, o casamento que se afigura ter o melhor repasto.
Mais tarde , as senhoras usualmente de toilettes duvidosas descalçam-se, já que os sapatos que escolheram para a cerimónia rejeitariam no resto do ano, desde que no seu perfeito juízo. Os homens começam por retirar o casaco, depois a gravata e, em alguns, até a camisa espreita por fora das calças, dependendo do teor alcoólico.
Pelo menos uma música do Quim Barreiros é obrigatória, mas pode ser substituída pelo "Nós pimba" do Emanuel.
O resto já se sabe: pândega até às tantas, comida até estourar, uma média de meia bebedeira per capita e alguns números de telemóveis sacados pelos solteiros para futuros encontros menos formais - para casarem no Agosto do ano seguinte, quem sabe...

segunda-feira, julho 25, 2005

Dicas de campanha

"Apesar das recorrentes críticas ao excesso de privilégios, o país político parece condenado a não ter férias de Verão. O ano passado foi a extemporânea mudança de Governo e, ao que diz quem lá esteve, a tomada de posse mais quente da História da democracia portuguesa. Este ano, entre orçamentos rectificativos e campanhas para as autárquicas não há tempo para banhos. Os mais sacrificados pelo novo calendário eleitoral, para além de alguns restaurantes e discotecas mais a Sul, são os próprios candidatos. Numa tentativa de aligeirar o árduo trimestre que os espera, aqui ficam algumas sugestões para todos os que, por todo o Portugal, se lançam à conquista de uma Câmara Municipal:
– Faça um programa com todas as festas e romarias do concelho. É bom que não falte a nenhuma. Antes de sair de casa, é prudente ensaiar uns passos de dança, de forma a não fazer má figura nos bailaricos.
– Prepare-se convenientemente para as visitas a feiras e mercados. Se não for versado na matéria, não se esqueça de estudar com detalhe os nomes dos produtos hortícolas e, fundamentalmente, os dos peixes. Não se esqueça que as coreografias com varinas e peixeiras já deram muitas eleições a ganhar.
– Se for candidato num concelho de características rurais, o melhor mesmo é pedir ao anterior líder do CDS/PP que lhe dê algumas dicas sobre ordenha. Não é obrigatório o uso de boina nesta época do ano.
– Muita atenção ao material de campanha: é totalmente desaconselhada a oferta de ‘t-shirts’ com etiqueta ‘made in China’. Esta advertência deverá ser observada com especial rigor nas candidaturas apresentadas nas regiões autónomas.
– Certifique-se que tem currículo adequado para o cargo. Algumas sondagens indicam que alguns processos judiciais em fase de investigação ou julgamento podem constituir uma mais valia eleitoral.
– Todas as intervenções públicas devem ser devidamente estudadas. Nunca, por nunca, troque o bolso do casaco onde guardou o discurso para o jantar com a associação de construtores civis, com o que está guardado para o encontro com os movimentos ambientalistas.
– Assegure-se que todo o seu ‘staff’, bem como todos os mecenas e financiadores da campanha, são pessoas de confiança. Não aceite dinheiro, viagens ao Brasil ou até mesmo electrodomésticos de desconhecidos. Desconfie de qualquer colaborador que tenha o estranho hábito de usar um saco azul à tiracolo.
– Se apesar do apertado calendário de campanha lhe sobrar algum tempo, talvez fosse boa ideia conhecer o concelho, estudar os seus problemas e potencialidades, os recursos financeiros da autarquia e, quem sabe, até pensar no que poderá fazer durante o mandato. Mas atenção: não faz parte da cartilha do verdadeiro candidato desperdiçar tempo com estes pormenores.
Boa campanha! "
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A 19 de Julho in www.diarioeconomico.com
Nuno Sampaio assina esta coluna semanalmente à terça-feira. (e é o meu cunhado preferido !!)

domingo, julho 24, 2005

Sexo e mais sexo

Porque é que os cartazes de campanha são sempre tão insípidos? Porque é que só falam nas qualidades e não nos defeitos dos candidatos? Se existisse menos hipocrisia eleitoral, o povo ficava muito mais confiante na sinceridade dos elegíveis.

Senão vejamos:

Fernando Seara – “Fiel a Causas. Fiel a Sintra” (bah!!) Então não ficava muito melhor uma coisa tipo: “Infiel à Judite porque já não aguento aquele mau hálito matinal, mas fiel a Sintra”.

Carmona Rodrigues – “Vamos a isto”, enquanto arregaça as mangas. (ora bolas!) Era mais, com o mesmo arregaçar de mangas: “Vamos a isto. Vamos a elas, que o Santana vai embora, mas as santanetes ficam!”

João Soares e Jorge Coelho – “Chega de conversa. Sintra precisa é de trabalho”. Cá para mim é mais: "Chega de conversa. Seara em Sintra vai com o caralho!”.

Manuel Maria Carrilho – “Projectos com princípio meio e fim”. Ok, o que devia estar no cartaz era mais: “Projectos com princípio meio e fim. O que quer que isto queira dizer!”.

Ruben de Carvalho (por acaso sei quem é porque estive na semana passada no Zoo) – “Soluções para Lisboa”. Vá lá Ruben, diz a verdade: “Soluções para Lisboa, já que não há solução para mim”.


Observação: O título é daqueles para enganar.

quinta-feira, julho 21, 2005

Puta que pariu o Campos e Cunha

Não, este não é um post com temática política. Mas podia ser.
Então não é que ontem, em pleno suspense da última pergunta da minha vitória, a RTP interrompe o "Um Contra Todos" para um especial informação em que anuncia a saída do Campos e Cunha do governo? Pergunto eu: não podiam ter esperado pelo intervalo? Claro que não, as audiências vinham caminhando em subida vertiginosa e aproveitaram-se da minha telegenia para fazer funcionar a máquina informativa. Que golpe baixo!
A minha prestação estará para sempre associada ao princípio da queda do governo socialista, o que afinal até nem deixa de ser engraçado.
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P.S. - Obrigada à Nana do "Todos os polacos", a quem roubei grosseiramente o título deste post.

terça-feira, julho 19, 2005

Falai no Mendes e à porta o tendes (I)

Desde tenra idade conhecido por "filho do Mendes", a dada altura passaram a chamá-lo apenas Mendes, tal como seu pai e o seu avô antes dele. Estranhamente, nenhum tinha realmente por apelido Mendes, mas esse era um costume antigo de Vila Bela. Já o seu melhor amigo e companheiro de brincadeiras de infância era conhecido por Zé Sapateiro, negócio que nunca prosperou na família, que detinha há várias gerações uma taberna. O verdadeiro nome do Mendes na verdade não nos interessa.
O Mendes vendia enciclopédias por toda a concelhia na sua velha carrinha. Tarefa ingrata, a do Mendes, vender palavras a retalho a gentes mais habituadas às pedras e à lavoura. Quando se sentia pelas aldeias o troar da carripana, logo se estendia a notícia e os largos das igrejas esvaziavam-se como que por encanto... E não fosse a proximidade com os santos, quase se poderia dizer: "Falai no Diabo... e aparece-lhe o rabo".

(continua em www.vodka7.blogspot.com )

domingo, julho 17, 2005

EU CONTRA TODOS

Caríssimos:
É já amanhã (2ª feira) que começa a minha participação no programa "Um Contra Todos" na RTP1. Para bem dos vossos pecados, terão 4 serões plenos de sabedoria, beleza e simpatia. E imodéstia como se pode verificar pela frase anterior,... e é por isso que posso dizer sem falsidades que tive muita sorte, além do saber. Ainda bem que o nervoso miudinho me deu para rir muito e dizer disparates. Claro que agora já todos sabem que ganhei e assim se quebra o suspense, mas foi bem sofrido. A caixa de comentários não aceita piadinhas sobre o facto de eu ser uma básica do desporto, ok?

quarta-feira, julho 13, 2005

Carta aberta a Herman José

Herman, sei que vais ler este post mais tarde ou mais cedo porque confio na globalização. Sei também que não vais levar a mal aquilo que eu vou dizer porque tu próprio estás habituado a pedir às pessoas que não levem a mal quando lhes pões a verdade na cara através das tuas caricaturas teatrais.
Chega! Está na altura de te retirares do meio, de saltares do ramo, de pulares a cerca... o que quer que lhe queiras chamar. Já não tens piada, já não tens conversa, já não tens imagem. Podes mudar a cor do cabelo as vezes que quiseres porque agora já não vai resultar. Olha para a Maria José Valério!
Assinalaste 30 anos de carreira. Tudo bem. Parabéns! Agora tenta outras coisas que não o fazer rir. E olha que este conselho que te dou, não o dou a toda a gente. O Clemente também fez 30 anos de carreira e não merece uma carta aberta da minha parte. Também é verdade, que assim como assim, com o Clemente a gente ainda se vai rindo.

Abraços hermanescos e, já sabes, o coisas que tal estará sempre aberto a uma eventual colaboração tua para alimentarmos a vertente trágica do blog.

Felicidades sinceras...mas noutro formato.

Panis et circenses

«
Eu quis cantar minha canção iluminada de sol
Soltei os panos sobre os mastros no ar
Soltei os tigres e os leões nos quintais
Mas as pessoas na sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer

Mandei fazer de puro aço luminoso punhal
Para matar o meu amor e matei
Às 5 horas na Avenida Central
Mas as pessoas na sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer

Mandei plantar folhas de sonho no jardim do solar
As folhas sabem procurar pelo sol
E as raízes procurar procurar
Mas as pessoas na sala de jantar
Essas pessoas na sala de jantar
São as pessoas na sala de jantar
Mas as pessoas na sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer
»
Caetano Veloso/Gilberto Gil/1972

terça-feira, julho 12, 2005

Mitos que tal

  • As embalagens de abertura fácil.
  • Os homens nunca desapertam um soutien à primeira.
  • Os gordos comem um bolo com creme a acompanhar o café da manhã.
  • As velhas vaidosas que pintam um risco a imitar sobrancelhas usam batôn cor de laranja.
  • Os piores ladrões são os que se passeiam de fato.
  • O PSD vai deixar de governar a Madeira.
  • As ciganas não fumam.
  • Os homens conversam sobre cilindradas e cavalos-vapor.
  • As velhas de terço na mão estão a rezar avé-marias.
  • Os chineses comem o que nos servem nos seus restaurantes.
  • A D. Albertina e o Zéquinha, ou melhor a velhinha e o pombo, existem de facto.
  • Os comunistas não têm religião.
  • "Não digas isso à frente da miúda, ela ainda não tem idade para essas coisas"

.... que tal.

Os homens também choram

Costumava dizer, até com uma pontinha de orgulho, que nunca chorara. Nem quando os pais faleceram, primeiro o pai depois a mãe, havia largado uma lágrima que fosse. Não seria uma questão de insensibilidade nem de considerar esta uma atitude de especial nobreza. Aliás não saberia explicar o porquê de, todas as manhãs, atar com muito cuidado o saco que transportava sempre consigo. Aqui dispunha as lágrimas que já não cabiam no nó da garganta, que no Verão muitas se evaporavam pela pele com o calor. O saco ia-se tornando pesado aos poucos e a alma, de tão leve, como que flutuava num quotidiano sem amarguras.
Até que um dia num minuto pousava o pé a subir para o autocarro, no minuto seguinte um jovem apressado lhe encostava o cigarro ao saco. Então, conta quem viu, foi como se toda uma vida se soltasse como um rio. O médico assinou o óbito dando como causa provável da morte um ataque cardíaco. Por seu turno o motorista da Carris de serviço acrescentou: Nunca tinha visto nada assim, um homem a sufocar de sofrimento... até me vieram as lágrimas aos olhos.

sábado, julho 09, 2005

F*de-te tu ó gôdo da méda!!

Tudo bem! Percebo que seja difícil tirar o Bin Laden do mundo árabe - a criatura é uma espécie de réptil escorregadio que está sempre escondido na toca - mas, o Alberto João, já o podiam ter tirado da Madeira há muito tempo. É que este senhor e a sua autocracia com laivos anarquistas já cansa.
O senhor diz que está farto dos chineses e indianos no arquipélago, eu diria que os chineses e os indianos é que já devem estar fartos dele. Eu diria mais: até os doentes mentais já devem estar fartos dele. Aliás, Marques Mendes demonstrou-o.
O pequenote social-democrata criticou a xenofobia do gordo madeirense e este desconvidou-o para ir à Madeira tal como estava previsto.
Epá, não se faz!! Numa altura em que o Marques Mendes já andava pelos cantos, tristonho e deprimido, por não ter sido convidado para o casamento da Catarina Furtado e para a eleição da Miss Angola, veio agora a saber que nem à festa do PSD Madeira - essa grande rambóia circense com macacos malabaristas a falar português com um sotaque esquisito - podia ir.
Fontes próximas contaram ao Coisas que Tal que o Marques Mendes está feito em cacos e que só o alento dado pela sua esposa lhe conseguiu levantar um bocadinho a moral. Parece que a senhora Mendes se agachou carinhosamente até ao marido e lhe disse: "Deixa lá, tem paciência, falta-te só um bocadinho assim...".

quinta-feira, julho 07, 2005

Estamos perante terroristas...

Á hora do Telejornal pronunciou-se José Barroso sobre os acontecimentos de hoje em Londres. Este senhor, para quem não se recorda, é o tal Durão que cobardemente se escapuliu o ano passado para o estrangeiro deixando o país no atoleiro. Com aquele ar arrogante que sempre se lhe conheceu, a acrescentar ao ar de eu é que sou o presidente da Comissão Europeia, e decerto pensando é tão bom sermos os primeiros a saber as coisas que tal estas novas de atentados à bomba. E lá ia proferindo frases brilhantes como "Estamos perante terroristas, às vezes terroristas suicidas" de ar grave e péssimo corte de cabelo. "Ar de trabalho" como tão bem sublinhou o José Alberto Carvalho.
Por sua vez José Sócrates, todo o dia sendo alvo dos ataques no debate sobre o Estado da Nação, foi abordado à saída por uma jornalista da RTP que lhe fez desatar o saco das frases feitas, a desbobinar tão certeiro que, a dada altura, disse: "As democracias não se podem render ao turismo". Logo atrapalhado a corrigir para terrorismo, decerto pensando estes gajos hoje rebentaram comigo, quase a debitar uma citação do seu ex-colega de Assembleia "Estamos perante terroristas, às vezes terroristas suicidas".

sábado, julho 02, 2005

A velhinha e o pombo III

Quinta-feira pela manhãzinha, subindo a Almirante Reis, vejo um pombo a coxear, de asas carregadas com compras do supermercado, um saco do Lidl atado na pata. Eis que penso: este deve ser aquele pombo que a Ana viu, e já a meter conversa ó Zéquinha precisa de ajuda, e já tu cá tu lá, aliás tu cucurúcu, a comentar o dinheiro custa caro e esses palhaços de São Bento, entretanto eu a reparar que nunca tinha encontrado um pombo com dentes, e se eram dentes bonitos, certinhos. De repente o Zéquinha, esse quase amigo, bateu asas largando os sacos no passeio. E eu a ser atropelada por uma velha a praguejar, como se em dia de saldos.
Quinta feira pela noitinha, aceitei o convite para jantar da D. Albertina. Fez-me provar pombos guisados, explicando-me um pitéu, são borrachos que estão assim para o pombo como o leitão está para o porco, dizendo ele há dias de sorte nos Restauradores. O meu paladar sentiu-se culpado, o estômago deu um nó, a consciência gritou uma suspeita de pedofilia, e eu já a despedir-me apressada, até à próxima D. Albertina, a gravar o número no telemóvel para nunca atender. Num segundo de arrependimento já estava ali ao Areeiro, meti pela Gago Coutinho e no aeroporto comprei um bilhete de one way para ir à procura do Zéquinha. No bolso uma embalagem de sementes de girassol da marca Lidl.
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P.S. Ana, tive vontade de continuar a tua história. Aguardamos todos o capítulo IV.