Não resisto a partilhar este FW que recebi. Obrigada Rogério. Muito bom!
"Eu não costumo reenviar este tipo de email por serem alarmistas e muitas vezes infundados, mas este parece-me genuíno, por isso cá vai:
Tenham muito cuidado ao parar nos semáforos onde estão aqueles malabaristas com fogo. Enquanto o condutor está a assistir ao espectáculo, outro malabarista vem por trás e atira um cocktail molotov para dentro do carro! O motorista, assustado e com o carro em chamas, sai desesperado. Nesse momento, surge um terceiro malabarista, que vem pela direita e manda um chimpanzé amestrado para dentro do carro, com um fato com isolante térmico. Este chimpanzé, treinado na cidade do Cairo e alimentado com damascos gigantes da Nova Guiné, rouba-lhe o auto-rádio e tudo o que houver dentro do automóvel. Enquanto isso, dois falcões peruanos de caça fazem vôos rasantes sobre a cabeça do condutor, lançando bostas volumosas e compactas que acabam por distrair o condutor do que está a acontecer dentro do carro! Quando o chimpanzé volta, eles fogem numa trotinete motorizada verde musgo, fazendo uma pirâmide humana e cantando "Eu tenho 2 amores" do Marco Paulo, rumo a outro sinal... O marido da prima da vizinha da cunhada da tia de um amigo de um amigo meu, passou por isso, e eu então resolvi dar o alerta.
Passa a todos os teus contactos de mail!
Se não o fizeres dentro de 5 minutos cai-te um braço, apanhas herpes por baixo das unhas dos pes, cancro nos dentes e o teu telemóvel deixa de funcionar!"
Espaço sobre tudo e mais alguma coisa, que isto de ter cantinhos muito específicozinhos sobre coisinhas pode ser, vá, esquisito
quinta-feira, junho 30, 2005
O dinheiro custa caro
Não sou assim tão velha que diga amiúde "Eu ainda sou do tempo em que...", mas é um facto que o escudo sobrava mais no bolso e o euro escapa mais da mão. A inflação, a crise, o IVA, as leis de mercado, os malefícios fiscais: bardamerda para esta parafernália de desculpas para andarmos tesos que nem carapaus. O cinto não tem mais buracos por onde apertar, o dinheiro está pela hora da morte, os cêntimos são uma mera curiosidade sem serventia.
Sou do tempo em que só os malucos falavam sozinhos na rua. Agora as pessoas caminham papagueando o seu três vezes nove vinte e sete, declinam convites dizendo lá para o final do mês, lambem montras hipotecando sonhos futuros, fazem férias a crédito, carregam o telemóvel em vez de arranjarem os dentes, entram em êxtase nas lojas chinesas. E os filhos perguntam: "Ó mãe, o que é que quer dizer barato?"
Sou do tempo em que só os malucos falavam sozinhos na rua. Agora as pessoas caminham papagueando o seu três vezes nove vinte e sete, declinam convites dizendo lá para o final do mês, lambem montras hipotecando sonhos futuros, fazem férias a crédito, carregam o telemóvel em vez de arranjarem os dentes, entram em êxtase nas lojas chinesas. E os filhos perguntam: "Ó mãe, o que é que quer dizer barato?"
quarta-feira, junho 29, 2005
Pior a emenda que o soneto
Partindo do princípio de que estas coisas correspondem mesmo à realidade, passo a citar a carta de um leitor para a rubrica “Consultório” do suplemento “Vidas” do Correio da Manhã do passado Domingo:
“Vou casar daqui a poucas semanas. Porém, há dois meses, depois de uma discussão com a minha noiva, acabei por dormir com outra mulher. Gostava de contar tudo à minha noiva, mas temo a sua reacção...”
Caro leitor,
O que aconteceu consigo foi fruto da impulsividade e de alguma imaturidade. Uma vez que estão próximo da data do vosso casamento, aconselho-o a agir com prudência. Ao contar a verdade à sua namorada deve ter noção da gravidade das suas acções e estar preparado para sofrer as consequências que daí possam advir. Se decidir contar-lhe a verdade, mostre-lhe que para si o que aconteceu não teve qualquer significado e que optou por revelar tudo o que se passou, pois não iria suportar iniciar uma nova etapa da sua vida (o casamento) com uma mentira a assombrar o vosso relacionamento. Esteja preparado, pois a primeira reacção da sua namorada poderá não ser tão pacífica. Contudo, se ela o ama da mesma forma que o leitor a ama esteja certo que o amor acabará por vencer.
...........................
Continuo a partir do princípio de que tudo isto é verdade por isso gostaria de deixar aqui um apelo: Cidadãos de Penafiel, uni-vos! Há que encontrar antes do casório a “noiva do leitor”. Ó querido Bento, gostava imenso de ver a sua cara quando ela lhe fizer o mesmo. Mas não se preocupe, se ela o ama da mesma forma que o Bento a ama... Aliás ama-a tanto que lhe bastou uma discussão, o que acontecerá imensas vezes no casamento, para estar com outra (daqui a uns anos já terá de pagar).
Pior a emenda que o soneto é a resposta de Mª Helena Barroqueiro, que se apresenta como psicóloga especializada em Sexologia, professora na Universidade de Wisconsin – Madison, EUA, acompanhada de foto de uma gaja novita e gira, e que dá consultas “pessoalmente e por telefone” (213182590). Ó minha rica senhora, conseguiu ser mais banal que uma manicura do subúrbio, mais hipócrita que o padre da paróquia de Freixos de Penafiel, mais consensual que uma lei política de um partido com maioria absoluta. Nem sei que faça... se lhe telefone se lhe dedique um post.
“Vou casar daqui a poucas semanas. Porém, há dois meses, depois de uma discussão com a minha noiva, acabei por dormir com outra mulher. Gostava de contar tudo à minha noiva, mas temo a sua reacção...”
Caro leitor,
O que aconteceu consigo foi fruto da impulsividade e de alguma imaturidade. Uma vez que estão próximo da data do vosso casamento, aconselho-o a agir com prudência. Ao contar a verdade à sua namorada deve ter noção da gravidade das suas acções e estar preparado para sofrer as consequências que daí possam advir. Se decidir contar-lhe a verdade, mostre-lhe que para si o que aconteceu não teve qualquer significado e que optou por revelar tudo o que se passou, pois não iria suportar iniciar uma nova etapa da sua vida (o casamento) com uma mentira a assombrar o vosso relacionamento. Esteja preparado, pois a primeira reacção da sua namorada poderá não ser tão pacífica. Contudo, se ela o ama da mesma forma que o leitor a ama esteja certo que o amor acabará por vencer.
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Continuo a partir do princípio de que tudo isto é verdade por isso gostaria de deixar aqui um apelo: Cidadãos de Penafiel, uni-vos! Há que encontrar antes do casório a “noiva do leitor”. Ó querido Bento, gostava imenso de ver a sua cara quando ela lhe fizer o mesmo. Mas não se preocupe, se ela o ama da mesma forma que o Bento a ama... Aliás ama-a tanto que lhe bastou uma discussão, o que acontecerá imensas vezes no casamento, para estar com outra (daqui a uns anos já terá de pagar).
Pior a emenda que o soneto é a resposta de Mª Helena Barroqueiro, que se apresenta como psicóloga especializada em Sexologia, professora na Universidade de Wisconsin – Madison, EUA, acompanhada de foto de uma gaja novita e gira, e que dá consultas “pessoalmente e por telefone” (213182590). Ó minha rica senhora, conseguiu ser mais banal que uma manicura do subúrbio, mais hipócrita que o padre da paróquia de Freixos de Penafiel, mais consensual que uma lei política de um partido com maioria absoluta. Nem sei que faça... se lhe telefone se lhe dedique um post.
A velhinha e o pombo II
Então não é que no outro dia no Martim Moniz vi o raio do Zequinha cucurúcu (o pombo) a arrastar-se pela praça com um saco de plástico preso na pata e uma dentadura dependurada no bico?
terça-feira, junho 28, 2005
Um olhar iluminado
Incontactável, como deve ser em férias, partiste para uma capital do Norte da Europa. Estocolmo, Amesterdão, tanto faz, bem podia ser Copenhaga. Aqui na Lisboa branca, rodeada ainda de mais luz no solstício, vejo-te em azul, se a imaginação não me trai. O céu e o mar não têm a mesma cor em toda a parte, já era assim nas histórias da minha infância.
Afinal, as fotografias que trouxeste na bagagem revelaram-se surpreendentemente claras. O teu olhar iluminado trocou as voltas à paleta. Ainda bem. O mesmo olhar iluminado conheceu um coração numa banheira cheia de gelo. Projectou um corpo com slides de uma guerra antiga. Antevê já outras imagens, bastando-lhe um tema como motor de arranque.
Se eu pudesse fazer assim com a minha caixa das ideias... amarrotar a insatisfação como um papel velho que se lança ao lixo e moldar um tema de plasticina em que surgisse o exemplar palpável.
Afinal, as fotografias que trouxeste na bagagem revelaram-se surpreendentemente claras. O teu olhar iluminado trocou as voltas à paleta. Ainda bem. O mesmo olhar iluminado conheceu um coração numa banheira cheia de gelo. Projectou um corpo com slides de uma guerra antiga. Antevê já outras imagens, bastando-lhe um tema como motor de arranque.
Se eu pudesse fazer assim com a minha caixa das ideias... amarrotar a insatisfação como um papel velho que se lança ao lixo e moldar um tema de plasticina em que surgisse o exemplar palpável.
sexta-feira, junho 24, 2005
A velhinha e o pombo
Um dia destes, ali na Praça dos Restauradores, vi uma velha a tratar um pombo por tu. "Ó Zequinha anda cá! Cucurúcu! Ó Zequinha anda cá!". Uma mão cheia de milho e o pombo a ir. E a velhinha a continuar a chamá-lo e o pombo a bicar-lhe a mão. E eu enternecida com aquilo tudo, quase com pena de não ter a minha máquina fotográfica na mala, quando uma sequência de imagens aconteceu. A velhinha trasnformou-se em velha e de um gesto só agrafou o pobre do pombo e meteu-o num saco de plástico.
quarta-feira, junho 22, 2005
Provérbios com vérbios
À boa cabeça nunca faltam chapéus.
Quem tudo sabe sofrer a tudo se pode atrever.
De noite todos madrugam.
A fama longe soa e mais depressa é má que boa.
Beleza sem graça é uma violeta sem perfume.
Amanhã nem sempre é o dia que se espera.
A gente ganha dinheiro mas o dinheiro não faz a gente.
Aprendiz de Portugal não sabe coser e quer cortar. (in Adágios Portugueses, séc. XVII)
E, se me permitem, rejubilem com mais 3 provérbios de minha momentânea autoria:
Ser ponte em rio é um grande desafio.
A cerveja fermenta e é por isso que alimenta.
Nem sei se dê graças por este calor do caraças.
Quem tudo sabe sofrer a tudo se pode atrever.
De noite todos madrugam.
A fama longe soa e mais depressa é má que boa.
Beleza sem graça é uma violeta sem perfume.
Amanhã nem sempre é o dia que se espera.
A gente ganha dinheiro mas o dinheiro não faz a gente.
Aprendiz de Portugal não sabe coser e quer cortar. (in Adágios Portugueses, séc. XVII)
E, se me permitem, rejubilem com mais 3 provérbios de minha momentânea autoria:
Ser ponte em rio é um grande desafio.
A cerveja fermenta e é por isso que alimenta.
Nem sei se dê graças por este calor do caraças.
Algumas coisas que tal como se lêem nos anúncios de casas para venda
Descobri o mundo fantástico dos Classificados num momento em que já não busco a secção emprego mas me lanço encantada na parte do imobiliário. Existem expressões maravilhosas, comuns a muitos deles, que me intrigam ou fazem levantar o sobrolho de desconfiança. São elas:
Semiequipado [semi?] ; Traça antiga remodelada [ou anti traça desconchavada?] ; Necessita obras [o mesmo que o anterior...] ; Bom preço [porque não aparece o valor então?] ; Vista desafogada [para a sala do vizinho da frente?] ; Muita luz ou soalheiro [mesmo de Inverno? Uau]; Remodelado com gosto ou renovado com qualidade [ehehhehheh] ; Prédio prestígio ou muito charme [com porteira sem buço farto] ; Só próprios [humm, da mão para o ladrão?] ; ... e quase sempre estes anúncios terminam em grande com os belíssimos: Excelente oportunidade! Único! Impecável! [e é mesmo caso para responder: então porque é que ninguém lhes pegou ainda?].
Existem ainda palavras duvidosas tais que: logradouro, mansarda e, pasmem!, gaiola pombalina. Deixo para outros investigarem... sob pena de poder vir a reencarnar numa agente imobiliária de voz nasalada que começa as frases por “É assim...”.
Semiequipado [semi?] ; Traça antiga remodelada [ou anti traça desconchavada?] ; Necessita obras [o mesmo que o anterior...] ; Bom preço [porque não aparece o valor então?] ; Vista desafogada [para a sala do vizinho da frente?] ; Muita luz ou soalheiro [mesmo de Inverno? Uau]; Remodelado com gosto ou renovado com qualidade [ehehhehheh] ; Prédio prestígio ou muito charme [com porteira sem buço farto] ; Só próprios [humm, da mão para o ladrão?] ; ... e quase sempre estes anúncios terminam em grande com os belíssimos: Excelente oportunidade! Único! Impecável! [e é mesmo caso para responder: então porque é que ninguém lhes pegou ainda?].
Existem ainda palavras duvidosas tais que: logradouro, mansarda e, pasmem!, gaiola pombalina. Deixo para outros investigarem... sob pena de poder vir a reencarnar numa agente imobiliária de voz nasalada que começa as frases por “É assim...”.
terça-feira, junho 21, 2005
« ADEUS
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.»
Eugénio de Andrade
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.»
Eugénio de Andrade
sexta-feira, junho 17, 2005
4 meses de blog
O coisas que tal faz hoje quatro meses.
Gostaríamos de agradecer aos nossos familiares e amigos e a todos aqueles que nos apoiam e visitam (sem citar nomes para não ferir susceptibilidades). Ainda agradecer ao Blogger por nos ter dado esta oportunidade maravilhosa de poder dizer o que nos apetece sem censuras. Já nos estão a fazer sinal que o minuto de discurso está a acabar, por isso sniff, uma vez mais muito obrigadas.
Gostaríamos de agradecer aos nossos familiares e amigos e a todos aqueles que nos apoiam e visitam (sem citar nomes para não ferir susceptibilidades). Ainda agradecer ao Blogger por nos ter dado esta oportunidade maravilhosa de poder dizer o que nos apetece sem censuras. Já nos estão a fazer sinal que o minuto de discurso está a acabar, por isso sniff, uma vez mais muito obrigadas.
domingo, junho 12, 2005
AVISO
É só para avisar que, depois de alguns problemas técnicos, o blog Jubi or not jubi já está de novo a bombar posts.
terça-feira, junho 07, 2005
A fabulosa vida sexual das minhocas
Se há animal com uma vida sexual animada, esse animal é a minhoca. Pertencente ao reino animal, filo dos anelídeos, o seu corpo é todo dividido por segmentos, o que lhe confere a qualidade extraordinária de se reconstituir quando lhe é amputada alguma parte. O que realmente é interessante é que a minhoca é hermafrodita, ou seja possui os dois sexos, mas, ao contrário de outros animais nestas circunstâncias, não consegue autofecundar-se. Então, são necessárias duas minhocas para a dita fecundação: o lado feminino de uma comunica com o masculino da outra e vice-versa. Quantos humanos não gostariam de viver esta experiência de dar e receber ao mesmo tempo? Talvez num cenário homossexual em trio, um deles possa tentar e contar-nos como foi. Até lá ficaremos a olhar cheios de inveja cada vez que virmos duas minhocas enroladas entusiasticamente.
Aprendi esta curiosidade sobre as minhocas no 12º ano mas conto com a nossa bióloga de serviço, a Marta, para corrigir eventuais sacrilégios científicos que eu tenha cometido.
Aprendi esta curiosidade sobre as minhocas no 12º ano mas conto com a nossa bióloga de serviço, a Marta, para corrigir eventuais sacrilégios científicos que eu tenha cometido.
segunda-feira, junho 06, 2005
As citações dos cafés do Intendente
«A criação prossegue freneticamente pelo meio da mulher, mas o homem não cria: paga»
Ana Oliverí
Ana Oliverí
sexta-feira, junho 03, 2005
As citações dos cafés Chave d'Ouro
« A criação prossegue incessantemente por meio do homem, mas o homem não cria: descobre. »
Antonio Gaudí
Antonio Gaudí
sábado, maio 28, 2005
Palitos de la RIEN
- Zé do Pipo desatarraxa o doce aroma da rolha e contagia-se pelo sabor a efluir do garrafão enorme. Não consegue lembrar-se da receita de bacalhau que inventou, mas espera que Baltazar Cardoso, o amigo ébrio folião do momento, dela se recorde no meio das memórias daquela vez em que foi mordido pela cascavel, história que já contou mil vezes.
- Aos fins das tardes, Dom Hipopótamo bocejava de cada vez que pensava em todas as coisas inúteis que havia para fazer. Ficava invadido pelo tédio até terminar o expediente do problema de pensar e ia tranquilamente ressonar para casa.
- O marco do correio nunca chegou a receber as ardentes cartas de amor que Firmino Miguel todas as noites murmurava para o papel. Mil cartas tantas vezes imaginadas, à procura do verbo certo...; escrevia por necessidade, não por inspiração. As palavras saíam-lhe em prata, ricas de gritos mudos sorrisos e nunca chegariam ao ouvido de Filomena.
- Fui plantada como as outras por um bando de crianças ruidosas da escola C+S do Pendão. Estes miúdos agora não estudam os nomes dos rios nem sabem de botânica, de modo que nem sei a que espécie arbórea pertenço. Daqui a um ano, no próximo Dia da Árvore, hão-de andar novamente noutros centímetros de concelhia, a posar para as fotos do Jornal da Região.
- Naquela filial suburbana do gigante Finantropus, os funcionários esperam todas as manhãs a comezinha energia despendida em pequenas coisas úteis, o poder amealhar as pequenas metas de fácil realização. Mas o que realmente lhes faz esfregar as mãos de contentes é verem entrar a Dona Esperança, prestes a fazer mais um depósito a prazo sem desconfiar que o capital é de risco.
- Eu sou um guardador de rebanhos e os meus pensamentos são todos sensações. O resto já leram; de meu nome Alberto Caeiro não descendo nem por sombras do Pessoa, e se acordo nas manhãs de corpo deitado realista não é por ser pessimista, mas por Ter este espaço vazio no lugar do coração e saber chorar sem lágrimas.
- Na mesma época em que começou a aprender a dançar, sentiu essa redoma sobre si, como uma insónia a respirar por cima da noite. Madalena aguardou que a arte retirasse esse feitiço egoísta que houvera lançado sobre si para poder bailar ao contrário dos ponteiros do relógio.
- Pedro Predestinado quis ser também um poeta quando descobriu que todas as palavras que se escreveram cabem num raio de sol. E calculou que dez minutos de meditação valessem mais que dois minutos de conversa. Cheio de imagens muitas criou uma vontade solitária à espera de uma musa. E concluiu que a espera é uma palavra sem fim em qualquer boca e que a maior parte das palavras demoram a dizer. Por isso deixou-se de lérias e foi à tasca do Manel mastigar um licor Beirão.
- E o amor respondeu-lhe: « Ficarias espantado com o que a distância pode fazer-me...». «Porquê? Não tens as pernas compridas, amor?», retorquiu-lhe. Porém o segredo é não fazer mais perguntas ao amor, é deixar que ele responda se souber e lhe aprouver.
- Senhores e Senhoras, Meninos e meninas, acerquem-se ao terreno da fogueira das vaidades!! Por apenas uns soldos vejam arder os autênticos paus de dois bicos, cintos de castidade com chaves triplas e emoções de tectos falsos. É obrigatória a visita das tendas onde poderão pôr um olho no burro e outro no cigano, dar uma no cravo e outra na ferradura... e ainda assistir ao nosso mágico a distrair atenções com lenços de várias cores e a dizer «nada na manga».
- Quem ri por último é um prato que se serve frio.
- Aos fins das tardes, Dom Hipopótamo bocejava de cada vez que pensava em todas as coisas inúteis que havia para fazer. Ficava invadido pelo tédio até terminar o expediente do problema de pensar e ia tranquilamente ressonar para casa.
- O marco do correio nunca chegou a receber as ardentes cartas de amor que Firmino Miguel todas as noites murmurava para o papel. Mil cartas tantas vezes imaginadas, à procura do verbo certo...; escrevia por necessidade, não por inspiração. As palavras saíam-lhe em prata, ricas de gritos mudos sorrisos e nunca chegariam ao ouvido de Filomena.
- Fui plantada como as outras por um bando de crianças ruidosas da escola C+S do Pendão. Estes miúdos agora não estudam os nomes dos rios nem sabem de botânica, de modo que nem sei a que espécie arbórea pertenço. Daqui a um ano, no próximo Dia da Árvore, hão-de andar novamente noutros centímetros de concelhia, a posar para as fotos do Jornal da Região.
- Naquela filial suburbana do gigante Finantropus, os funcionários esperam todas as manhãs a comezinha energia despendida em pequenas coisas úteis, o poder amealhar as pequenas metas de fácil realização. Mas o que realmente lhes faz esfregar as mãos de contentes é verem entrar a Dona Esperança, prestes a fazer mais um depósito a prazo sem desconfiar que o capital é de risco.
- Eu sou um guardador de rebanhos e os meus pensamentos são todos sensações. O resto já leram; de meu nome Alberto Caeiro não descendo nem por sombras do Pessoa, e se acordo nas manhãs de corpo deitado realista não é por ser pessimista, mas por Ter este espaço vazio no lugar do coração e saber chorar sem lágrimas.
- Na mesma época em que começou a aprender a dançar, sentiu essa redoma sobre si, como uma insónia a respirar por cima da noite. Madalena aguardou que a arte retirasse esse feitiço egoísta que houvera lançado sobre si para poder bailar ao contrário dos ponteiros do relógio.
- Pedro Predestinado quis ser também um poeta quando descobriu que todas as palavras que se escreveram cabem num raio de sol. E calculou que dez minutos de meditação valessem mais que dois minutos de conversa. Cheio de imagens muitas criou uma vontade solitária à espera de uma musa. E concluiu que a espera é uma palavra sem fim em qualquer boca e que a maior parte das palavras demoram a dizer. Por isso deixou-se de lérias e foi à tasca do Manel mastigar um licor Beirão.
- E o amor respondeu-lhe: « Ficarias espantado com o que a distância pode fazer-me...». «Porquê? Não tens as pernas compridas, amor?», retorquiu-lhe. Porém o segredo é não fazer mais perguntas ao amor, é deixar que ele responda se souber e lhe aprouver.
- Senhores e Senhoras, Meninos e meninas, acerquem-se ao terreno da fogueira das vaidades!! Por apenas uns soldos vejam arder os autênticos paus de dois bicos, cintos de castidade com chaves triplas e emoções de tectos falsos. É obrigatória a visita das tendas onde poderão pôr um olho no burro e outro no cigano, dar uma no cravo e outra na ferradura... e ainda assistir ao nosso mágico a distrair atenções com lenços de várias cores e a dizer «nada na manga».
- Quem ri por último é um prato que se serve frio.
segunda-feira, maio 23, 2005
Uma leonina a dar os parabéns a lampiões só podia dar isto...
Eu sou do Sporting, mas garanto que não tenho mau perder. A sério! Parabéns a todos os benfiquistas. Principalmente para os milhares que foram festejar o título para o Marquês de Pombal. Aquilo é que era alegria! Mas só um aparte, quando o Sporting foi campeão os festejos foram feitos no Marquês por causa de uma coisa que está lá e que se chama leão. Ok? Símbolo do clube leonino. Os benfiquistas têm de arranjar uma águia aí num sítio qualquer para não andarem a fazer figurinhas junto a um símbolo que nada lhes diz. A verdade é que a festa aí correu tão bem, que ainda não era meia-noite e a rotunda já estava às moscas.
Bom, mas a verdade é que estou hoje a escrever para dar os parabéns a todos os benfiquistas. Principalmente aos magotes que ontem à noite encheram a Segunda Circular, com cachecóis, buzinadelas, e cantorias bem mais engraçadas que as papoilas saltitantes (já cansava). Mas era escusada tanta batidela. Ó lampiões, é assim tão difícil apertar a buzina e conduzir ao mesmo tempo sem bater no carro da frente?
Bom, mas isso também não interessa. Na Luz é que a festa estava mesmo bonita. Sete horas, sem tirar nem pôr. Sete horas à espera da chegada dos jogadores enquanto uns tipos que ninguém conhece iam cantando algumas coisas em palco. Uma verdadeira euforia tendo em conta a quantidade de pessoas que já dormia nos assentos. O mesmo palco que passadas todas aquelas horas recebeu, um por um, os craques da bola. E mais uma vez os benfiquistas estiveram de parabéns ao invadirem fanaticamente o campo e obrigando à corrida desenfreada de toda a equipa do Benfica em direcção ao túnel de acesso aos balneários. Confesso que nunca tinha visto uma fuga tão louca dos próprios adeptos do clube. E mais uma sugestão: em vez de terem atirado t-shirt’s e outras coisas sem importância do autocarro panorâmico que ia dando cabo de toda a sinalização da cidade, os jogadores deviam ter atirado aos adeptos trompetes, amplificadores e harmónicas. Pois estes parece que, na altura da invasão de campo, para além de terem satisfeito a vontade de estrangular Nuno Gomes, Ricardo Rocha e Trapattoni (vá-se lá saber porquê) decidiram ainda roubar instrumentos e aparelhagens que estavam junto ao palco. E animação que é animação não passa sem umas boas lambadas e pontapés entre adeptos do mesmo clube.
Assim é que é! E assim é que foi!
Parabéns ao Benfica que, sinceramente, não merece mais de metade daqueles que se dizem simpatizantes do clube.
Bom, mas a verdade é que estou hoje a escrever para dar os parabéns a todos os benfiquistas. Principalmente aos magotes que ontem à noite encheram a Segunda Circular, com cachecóis, buzinadelas, e cantorias bem mais engraçadas que as papoilas saltitantes (já cansava). Mas era escusada tanta batidela. Ó lampiões, é assim tão difícil apertar a buzina e conduzir ao mesmo tempo sem bater no carro da frente?
Bom, mas isso também não interessa. Na Luz é que a festa estava mesmo bonita. Sete horas, sem tirar nem pôr. Sete horas à espera da chegada dos jogadores enquanto uns tipos que ninguém conhece iam cantando algumas coisas em palco. Uma verdadeira euforia tendo em conta a quantidade de pessoas que já dormia nos assentos. O mesmo palco que passadas todas aquelas horas recebeu, um por um, os craques da bola. E mais uma vez os benfiquistas estiveram de parabéns ao invadirem fanaticamente o campo e obrigando à corrida desenfreada de toda a equipa do Benfica em direcção ao túnel de acesso aos balneários. Confesso que nunca tinha visto uma fuga tão louca dos próprios adeptos do clube. E mais uma sugestão: em vez de terem atirado t-shirt’s e outras coisas sem importância do autocarro panorâmico que ia dando cabo de toda a sinalização da cidade, os jogadores deviam ter atirado aos adeptos trompetes, amplificadores e harmónicas. Pois estes parece que, na altura da invasão de campo, para além de terem satisfeito a vontade de estrangular Nuno Gomes, Ricardo Rocha e Trapattoni (vá-se lá saber porquê) decidiram ainda roubar instrumentos e aparelhagens que estavam junto ao palco. E animação que é animação não passa sem umas boas lambadas e pontapés entre adeptos do mesmo clube.
Assim é que é! E assim é que foi!
Parabéns ao Benfica que, sinceramente, não merece mais de metade daqueles que se dizem simpatizantes do clube.
sexta-feira, maio 20, 2005
Na vida, como no futebol, umas vezes ganha-se outras perde-se
Sei que o título acima escolhido fala duma verdade mais que evidente... mas não é à toa que este blog se chama "coisas que tal" (o nome em si foi muito bem imaginado pela Ana e agradou-me a escolha por não pretender significar nada).
E neste tal e coisas de ir deixando escapar o verbo, nos apercebemos átomos. A vida é muito rápida. Ainda ontem entrávamos para a escola primária, ontem nos apercebíamos que tínhamos mais jeito para o desenho que para o desporto, ou mais vontade de números que de letras, ontem depois descobríamos que afinal não sabíamos muito bem para o que tínhamos jeito... ontem nos interrogávamos sobre o que é afinal essa coisa de se ter jeito para coisas que tal. A vida é muito rápida. Estamos sempre a perder e a ganhar. Em espiral ascendente; pelo menos é nisto que cremos.
Continuo a gostar do verde. Na vitória, como na derrota... e não percebo nada de futebol.
E neste tal e coisas de ir deixando escapar o verbo, nos apercebemos átomos. A vida é muito rápida. Ainda ontem entrávamos para a escola primária, ontem nos apercebíamos que tínhamos mais jeito para o desenho que para o desporto, ou mais vontade de números que de letras, ontem depois descobríamos que afinal não sabíamos muito bem para o que tínhamos jeito... ontem nos interrogávamos sobre o que é afinal essa coisa de se ter jeito para coisas que tal. A vida é muito rápida. Estamos sempre a perder e a ganhar. Em espiral ascendente; pelo menos é nisto que cremos.
Continuo a gostar do verde. Na vitória, como na derrota... e não percebo nada de futebol.
sábado, maio 14, 2005
O factor sorte
A sorte é como o raio: nunca sabe onde vai cair
A sorte bate uma vez à porta de uma pessoa
A sorte é para quem a tem, toca a quem toca
A sorte varia: hoje a favor, amanhã contraria
Sorte nasce cada manhã e já está velha ao meio-dia
.....
Concorri ao programa de televisão "Um Contra Todos". Para os que conhecem as regras do jogo: estou sentada na cadeira alta prestes a responder à 5ª pergunta e ainda tenho os trunfos todos. E o que vai acontecer será apenas uma questão de sorte!... Aproveitei o aparecer na televisão para elogiar o António Lobo Antunes - só por isso valeu a pena; e ainda posso ganhar aguns Euros, além da boa disposição.
A sorte bate uma vez à porta de uma pessoa
A sorte é para quem a tem, toca a quem toca
A sorte varia: hoje a favor, amanhã contraria
Sorte nasce cada manhã e já está velha ao meio-dia
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Concorri ao programa de televisão "Um Contra Todos". Para os que conhecem as regras do jogo: estou sentada na cadeira alta prestes a responder à 5ª pergunta e ainda tenho os trunfos todos. E o que vai acontecer será apenas uma questão de sorte!... Aproveitei o aparecer na televisão para elogiar o António Lobo Antunes - só por isso valeu a pena; e ainda posso ganhar aguns Euros, além da boa disposição.
terça-feira, maio 10, 2005
O amor alimenta
O amor é rico em vitaminas. Contém todos os elementos químicos da tabela periódica que se agrupam em infinitas combinações porque nunca se repete. Está presente em todos os grupos da roda dos alimentos; é fértil em proteínas e hidratos de carbono que fornecem a energia para ser consumido a qualquer momento.
O amor pode ser comido cru, e, a ser cozinhado, que o seja em lume brando para se poder saborear lentamente na planura dos momentos. O amor, quando puro, come-se à mão, sem talheres de prata já que não é carente de artifícios, não precisa de banda sonora nem de ser iluminado por velas. Para catalizador da "amorase" basta um olhar profundo que acelere o crescendo do desejo para ser ingerido sem moderação.
Com a digestão do amor surge depois o medo da intimidade... mas esse receio, como tudo o que se digere, terá a sua porta de saída, ao passo que o amor já decomposto seguirá nas veias a caminho do coração.
O amor pode ser comido cru, e, a ser cozinhado, que o seja em lume brando para se poder saborear lentamente na planura dos momentos. O amor, quando puro, come-se à mão, sem talheres de prata já que não é carente de artifícios, não precisa de banda sonora nem de ser iluminado por velas. Para catalizador da "amorase" basta um olhar profundo que acelere o crescendo do desejo para ser ingerido sem moderação.
Com a digestão do amor surge depois o medo da intimidade... mas esse receio, como tudo o que se digere, terá a sua porta de saída, ao passo que o amor já decomposto seguirá nas veias a caminho do coração.
sexta-feira, maio 06, 2005
Como contar uma boa história num só parágrafo
«(...)
Depois vinha a história de sempre. Ele encostava-se na cadeira de couro gasto, semicerrava os olhos já de si miúdos e começava a falar do avô, esse homem que lhe assegurara que há um destino nas viagens, que nos devemos permitir ao luxo da aventura enquanto a juventude vinga. «É que depois, quando a velhice começa a chegar ao coração, e isso não é quando fazemos 60 anos, não é... é quando sentimos a necessidade de nos instalarmos, aí já não vale a pena fazermo-nos à estrada». Nessa altura, começou a falar ao Pai dos aviões e ele ria-se, dizia que se o Senhor nos quisesse acima das nuvens tinha aproveitado a costela de Adão para fazer mais pássaros em vez de abençoar o mundo com a presença feminina.
(...)»
Patrícia Reis in Cruz das Almas
Para quem tem o teu coração... Obrigada por este livro. E por tudo.
Depois vinha a história de sempre. Ele encostava-se na cadeira de couro gasto, semicerrava os olhos já de si miúdos e começava a falar do avô, esse homem que lhe assegurara que há um destino nas viagens, que nos devemos permitir ao luxo da aventura enquanto a juventude vinga. «É que depois, quando a velhice começa a chegar ao coração, e isso não é quando fazemos 60 anos, não é... é quando sentimos a necessidade de nos instalarmos, aí já não vale a pena fazermo-nos à estrada». Nessa altura, começou a falar ao Pai dos aviões e ele ria-se, dizia que se o Senhor nos quisesse acima das nuvens tinha aproveitado a costela de Adão para fazer mais pássaros em vez de abençoar o mundo com a presença feminina.
(...)»
Patrícia Reis in Cruz das Almas
Para quem tem o teu coração... Obrigada por este livro. E por tudo.
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